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Conheçam o Mestre Gerson Quadrado

Gerson Quadrado

Gérson Francisco da Anunciação, conhecido Mestre Quadrado. Nascido em 1925, na Ilha de Mar Grande, Recôncavo baiano.

Foi um grande capoeirista e um dos maiores conhecedores de chulas. Gravou os CDs: Encanto banto num recanto da ilha: capoeira angola e samba chula; e Aruê Pã com o grupo Samba tradicional da Ilha. Além de ter participação em: Samba de Roda, Patrimônio da Humanidade.

Faleceu em 17 de abril de 2005, mesmo dia em que foi fundada a Associação dos Sambadores e Sambadeiras do estado da Bahia.
“Eu amo a capoeira. Amo tanto a capoeira que se tiver um doente para morrer ali, precisando de uma vela e mandarem eu comprar uma vela para ele… Se eu ouvir um gunga tocando… Bom, ele vai morrer. Sem a vela.”

Sambador como poucos. Capoeirista de primeira grandeza. Cantador fora de série, batuqueiro, conhecedor e participante de afoxé, Terno de Rosas, Chegança, Rancho do Boi. Esse era o Mestre Quadrado.

Em primeiro de julho de 1925 nasceu Gerson Francisco da Anunciação na Gamboa/Vera Cruz, Ilha de Itaparica. Órfão por parte de mãe, ainda muito cedo foi abandonado pelo pai. O mesmo pai que não queria, de jeito nenhum, que ele aprendesse capoeira. Para nossa sorte, o menino foi desobediente e resolveu ir atrás do berimbau.

Considerava seu principal mestre na capoeira um pedaço de bananeira. Durante muitos anos, vários capoeiristas quiseram que o mestre mostrasse a eles como tinha sido esse aprendizado com a bananeira. Ele não contava. De acordo com Seu Gerson, ainda pequeno ele viu um senhor chamado Julio da Penha treinando com a bananeira e passou a imitá-lo. Além da planta, passou por mestres de carne e osso, como Bitonha e Reginaldo.

Mas a vida não era só capoeira: sustentava suas três irmãs mais novas desde pequeno, quando seu pai partiu. Pescando, mariscando, trabalhando no cal da Ilha, nas docas de Salvador. O trabalho pesado foi endurecendo e fazendo crescer o corpo do pequeno Gerson, que ficou muito forte. A ponto de parecer um “quadrado”.

Mestre Gerson Quadrado contava das suas “corridas” da polícia, na antiga rampa do antigo Mercado Modelo. Pandeiros furados, ter que se esconder dentro de tonéis, em saveiros ou, se desse sorte, na casa de amigos para fugir da repressão. A perseguição à capoeira, que muitos hoje lêem em livros de história, foi vivida na pele por esse grande homem.

Todos que conviveram com Seu Gerson garantem: era de um caráter raro de se ver hoje. Prezava o cultivo da verdade sob qualquer circunstância. Era um homem de princípios, inflexível. “Passei fome- mas o que era dos outros, graças a Deus, nunca peguei. Porque não era meu.” São muitas as histórias contadas sobre a honestidade e a simplicidade desse capoeirista, que conviveu com Cobrinha Verde, Aberrê, Caiçara, Canjiquinha, Pastinha.

Manteve, em frente à bodega de Mané Zambeta, na Ilha de Itaparica, uma roda de capoeira por muito anos debaixo de um grande cajueiro. Roda por onde passaram grandes nomes da capoeira, famosos hoje ou não.

Além da capoeiragem, Mestre Gerson Quadrado virou lenda também no samba. Foi um dos grandes mestres dessa arte. Chegava a cantar 50 chulas sem parar para pensar. Tocava, conhecia os fundamentos, desafiava. Aprendeu com Mané Zambeta, Vitaliano, Luiza, Teófilo (Gago) Lopes e Chico da Viola.

Mestre Gerson Quadrado, mesmo tendo tido fama de valentão quando jovem (fama assumida por ele mesmo em depoimentos gravados) era cheio de carinho e atenção com quem o cercava. Falava com doçura com aqueles que ganhavam sua confiança, que podiam inclusive ter a sorte de aprender um samba raro com esse grande homem.

Talvez esse jeito carinhoso tenha aparecido por ele estar sempre cercado de mulheres: 3 irmãs, a mulher Balbina, seis filhas e umas vinte netas. Uma das suas irmãs, Dona Aurinda, aparece no maravilhoso documentário “Cantador de Chula” tocando seu prato.

Mestre Jaime de Mar Grande era muito próximo a Mestre Gerson. Os dois nasceram na Ilha, viveram bem pertinho. Ele contou certa vez, em um evento em São Paulo, que Mestre Gerson Quadrado se afastou durante um período do mundo da capoeira. Mas que esse afastamento se deu por amor. O velho mestre amava tanto a capoeira que não podia ver as fofocas, os “disse-me-disse” dos capoeiristas. E, para não se chatear com a capoeira, preferiu se afastar. Mas o amor falou mais alto (com uma ajudinha de Mestre Jaime) e Mestre Gerson voltou ao mundo da capoeiragem. Outro mestre que teve um bom convívio com Mestre Gerson foi Mestre Lua Rasta, aprendendo com ele e o homenageando em vida sempre que possível.

A capoeira e o samba de roda devem muito a esse homem que, infelizmente, nos deixou em 17 de abril de 2005.

Meet Master Gerson Quadrado

Gerson Quadrado
Gérson Francisco of the Anunciação, known Quadrado Master. Born in 1925 on the island of Mar Grande, Recôncavo, Bahia.
He was a great capoeirista and one of the greatest connoisseurs of cool. Recorded CDs: Charming banto in a corner of the island: capoeira angola and samba chula; And Aruê Pã with the traditional Samba group of the Island. Besides having participation in: Samba de Roda, Patrimony of Humanity.
He died on April 17, 2005, the same day that the Association of Sambadores and Sambadeiras of the State of Bahia was founded.

“I love capoeira. I love capoeira so much that if there is a patient to die there, needing a candle and have me buy a candle for him … If I hear a gunga playing … Well, he’s going to die. Without the candle. ”
Sambador as few. Capoeirista of first greatness. Outstanding singer, drummer, connoisseur and participant of afoxé, Suit of Roses, Chegança, Rancho do Boi. This was the Square Master.
On July 1, 1925 Gerson Francisco of the Annunciation was born in Gamboa / Vera Cruz, Island of Itaparica. Orphaned by his mother, he was abandoned very early by his father. The same father who did not want him to learn capoeira at all. Luckily, the boy was disobedient and decided to go after the berimbau.
He considered his main master in capoeira a piece of banana. For many years, several capoeiristas wanted the master to show them how he had learned this with the banana tree. He did not count. According to Seu Gerson, as a young man, he saw a gentleman named Julio da Penha training with the banana tree and began to imitate him. Besides the plant, he passed masters of flesh and bone, such as Bitonha and Reginaldo.
But life was not just capoeira: it supported its three younger sisters from small, when its father left. Fishing, mariscando, working on the lime of the Island, on the docks of Salvador. The heavy work was hardening and growing the body of the little Gerson, who became very strong. It looks like a “square.”
Mestre Gerson Quadrado counted on his “races” of the police, in the old ramp of the old Model Market. Pierced pandeiros, having to hide inside barrels, on sloops or, if luckily, in the house of friends to escape the repression. The persecution of capoeira, which many today read in history books, was lived in the skin by this great man.
Everyone who lived with Seu Gerson guarantees: it was a rare character to see today. He preached the cultivation of truth under all circumstances. He was a man of principle, inflexible. “I was hungry, but what was in others, thank God, I never got it. Because it was not mine. “There are many stories told about the honesty and simplicity of this capoeirista, who lived with Cobrinha Verde, Aberrê, Caiçara, Canjiquinha, Pastinha.
In front of the Mané Zambeta winery, on the Island of Itaparica, he kept a capoeira wheel for many years under a large cashew tree. Roda where famous capoeira’s famous names have passed.
Besides capoeira, Mestre Gerson Quadrado also became a legend in samba. He was one of the great masters of this art. I could sing 50 guys without stopping to think. He touched, he knew the basics, he challenged. He learned with Mané Zambeta, Vitaliano, Luiza, Teófilo (Gago) Lopes and Chico da Viola.
Mestre Gerson Quadrado, even though he had been known as a bully as a young man (a self-assumed fame in recorded testimonials) was full of affection and attention with those around him. He spoke sweetly to those who gained his confidence, who could even be lucky enough to learn a rare samba with this great man.
Perhaps this affectionate way has appeared because he is always surrounded by women: three sisters, the Balbina woman, six daughters and some twenty granddaughters. One of her sisters, Dona Aurinda, appears in the wonderful documentary “Cantador de Chula” playing her plate.
Mestre Jaime de Mar Grande was very close to Mestre Gerson. The two were born on the Island, lived close by. He once told, at an event in São Paulo, that Master Gerson Quadrado moved away during a period of the world of capoeira. But that this withdrawal was for love. The old master so loved capoeira that he could not see the gossip, the “told me,” of the capoeiristas. And, in order not to get upset about the capoeira, he preferred to walk away. But love spoke louder (with a little help from Mestre Jaime) and Mestre Gerson returned to the world of capoeira. Another master who had a good relationship with Mestre Gerson was Mestre Lua Rasta, learning from him and honoring him in life whenever possible.
Capoeira and samba de roda owe much to this man who, unfortunately, left us on April 17, 2005.