Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
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Categoria : Personalidades

Dona Nicinha Sambadeira

Samba de Nicinha

Maria Eunice Martins, conhecida como Nicinha do Samba é uma importante personagem do samba de roda e da história da cidade de Santo Amaro (BA). Nascida e criada no universo da cultura afro-baiana, Nicinha sempre transitou nos ambientes singulares do Recôncavo: nos terreiros de Candomblé, na Capoeira, no Maculelê e, principalmente, no samba de roda, onde ela se destaca como exímia sambadeira. Dona Nicinha é a matriarca do grupo de samba de roda Raízes de Santo Amaro, que conta com a participação de mais de 30 integrantes, entre tocadores de atabaque, pandeiro, reco-reco, agogô, tamborim e maraca, além das sambadeiras, belas senhoras negras, vestidas ao estilo das baianas do candomblé, que dão vida ao samba de roda através do sapateado miudinho e o requebrado característico que só elas sabem fazer.

Nora do lendário Mestre Popó, que se dedicou a preservar a dança-luta maculelê, criando nos anos 50 o grupo Maculelê de Santo Amaro, que contribuiu com o resgate dessa tradição. O filho de Mestre Popó, Mestre Vavá, marido de Dona Nicinha, se dedicou à Capoeira, mas também deu continuidade à tradição do Maculelê. Nicinha foi responsável por introduzir o samba de roda no grupo, que mais tarde iria se chamar Raízes de Santo Amaro. No início o samba de roda foi introduzido de maneira tímida, segundo Dona Nicinha, inicialmente era “só um sambinha depois do Maculelê”, com o passar do tempo o grupo foi crescendo e tomou a proporção que possui atualmente, tendo inclusive realizado apresentações na Europa e Estados Unidos, ao longo de mais de três décadas de atuação.

Nicinha e as sambadeiras desempenham um papel fundamental para a manutenção da manifestação do samba de roda, preservando um jeito particular de dançar, nos pés, com movimentos lentos, conhecidos como miudinhos, passos estes que se aceleram à medida que os ritmos do samba corrido ou do samba de viola começam a acelerar a festa. Contemplado pelo Programa Petrobrás Cultural 2010, o grupo lançou o CD virtual Samba de Nicinha – Raízes de Santo Amaro com um repertório formado por samba-corridos, sambas de viola, chulas, ladainhas de capoeira e toques de maculelê, uma mostra da riqueza musical do contexto cultural do qual Nicinha e o grupo Raízes de Santo Amaro fazem parte. O CD está disponível para download gratuito no site do Samba de Nicinha, onde também é possível encontrar textos e mais informações sobre o grupo

Dona RosinhaPalavras da Amiga e Também Sambadeira  DONA ROSINHA ( Mestre Limãozinho) “Sambadeira de Raiz, a essência da vida e do Samba do Recôncavo e do Brasil

 

 

 

 

Ouça Um Pouco….

 

Conheçam Mestre Boca Rica

Metre Boca RicaNascido em Maragojipe, Bahia em 26 de novembro de 1936, Manoel Silva, o Mestre Boca Rica é um exemplo de dedicação  a Capoeira.

Nos anos de 50 inicia seus estudos com o Mestre Pastinha. Também frequentou o famoso barracão do Mestre Waldemar, o Passeio de Aguinelo, e outras rodas de Salvador.

Hoje seu curriculo é rico: mais de 30 países visitados, 5 cd’s gravados, e infinito número de amigos e admiradores.

Capoeiristas e pesquisadores do mundo todo vem a Salvador aprender e conhecer o Mestre Boca Rica.

Na década de 50, Manoel Silva inicia seus estudos com o Mestre Pastinha, que lhe dá o apelido de Boca Rica, por Manoel usar dentes de ouro em toda parte superior da boca. Mestre Boca Rica também frequentou o famoso barracão do Mestre Waldemar, o Passeio de Agnelo, e outras rodas de capoeira de Salvador. Atualmente dedica seu tempo às aulas de capoeira e de instrumentos no Forte da Capoeira.

In the 50’s Manoel Silva began his studies with Mestre Pastinha, who gave him the nickname Boca Rica, for the golden teeth he used to have across the top of his mouth. Mestre Boca Rica also attended the famous shed of Mestre Waldemar — Passeio de Agnelo — and other capoeiras in Salvador. Nowadays he devotes his time to capoeira’s lessons and instruments in the Forte da Capoeira.

Conheçam o Mestre Paulo dos Anjos

Paulo dos Anjos

Nome José Paulo dos Anjos, Brasileiro de Salvador, nasceu em 15 de Agosto de 1936
Origen: Mestre Canjiquinha
Poucos praticantes de Capoeira da atualidade se apegaram tanto à tradição e à originalidade da luta quanto o sergipano de Estância, José Paulo dos Anjos, ou apenas mestre Paulo dos Anjos. Ele faleceu em Salvador, onde residia, vítima de infecção hospitalar, contraída durante uma cirurgia, num hospital local. Seu desaparecimento, além de causar a perda de uma figura humana muito estimada, representa também uma outra perda — irreparável — para a Capoeira. Em especial para a linhagem da Capoeira Angola.
Mestre Paulo dos Anjos destacou-se, em vida, como um dos mais versáteis e exímios angoleiros deste século e um dos que mais resistiram às tentativas correntes de enxertar a Capoeira tradicional com os modismos e inovações da capoeira moderna. “Para mim, nada mudou. Eu continuo fazendo a Capoeira Angola conforme a tradição”, ele costumava dizer.

Nascido em 15 de agosto de 1936, na cidade sergipana de Estância, o jovem de catorze anos José Paulo dos Santos já despontava, em Salvador (1950) como um promissor lutador de boxe. Desde que conheceu o mestre Canjiquinha, um ano antes, afeiçoou-se à Capoeira e passou a freqüentar as rodas de rua da capital baiana e das cidades do Recôncavo. Nas festas de largo, sua técnica e sua habilidade começaram a chamar a atenção de todos e, daí em diante, o tempo se incumbiu de transformá-lo no mestre Paulo dos Anjos, consagrado pelas mãos do próprio mestre Canjiquinha.

Além do respeito que sua personalidade impunha naturalmente aos seus contemporâneos, ele se tornou muito conhecido, também, como cantador de Capoeira e teve várias músicas gravadas em CD, com seu estilo peculiar, mantendo a tradição da Capoeira também nas músicas. Ao lado do mestre Gato Preto, deu aulas na Ilha de Itaparica e também em outras localidades da região metropolitana de Salvador.

Na década de 70, transferiu-se para São Paulo, onde permaneceu por cinco anos. Em São José dos Campos, formou o grupo Anjos de Angola. Em 1978, venceu o campeonato de Capoeira, promovido no Ginásio do Pacaembu, na capital paulista. Retornou a Salvador, em 1980, e influiu no movimento de conscientização dos capoeiras na luta por melhores condições de trabalho. Integrou, a partir de 1987, a Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA) e acumulou seu trabalho na Capoeira com as atividades de funcionário público, na prefeitura de Salvador. Muitos de seus alunos são hoje, professores e mestres. Alguns já possuem academias próprias em Salvador e em São Paulo: Virgílio do Retiro, Jaime de Mar Grande, Jorge Satélite, Pássaro Preto, Amâncio, Neguinho, Renê, Alfredo, Djalma, Galego, Mala, Josias, Cabeção, Jequié, Feijão, Vital e Al Capone, entre outros.

Entrevista

“Eu sempre fui um angoleiro”

Uma das mais interessantes entrevistas do mestre Paulo dos Anjos foi concedida, em 1995, ao periódico “Capoeirando”, da Universidade Estadual Paulista (Unicamp), de Campinas. Como homenagem póstuma ao estimado mestre, a RC reproduz, abaixo, uma síntese dessa entrevista:

Capoeirando: Como ocorreu sua intimidade com a Capoeira?

Mestre Paulo dos Anjos: Aprendi com o mestre Canjiquinha e participava das rodas na academia do mestre Pastinha. Convivi com o mestre Gato Preto, ensinei com ele na Bahia e também ensinei muito tempo na academia dele, em São Paulo.

Cap.: Por que trocou a Bahia por São Paulo, na década de 70?

Paulo dos Anjos: A situação estava ruim para mim, numa época de maré sem peixe e um aluno — que treinava boxe comigo e sabia que eu jogava Capoeira — me convidou para ir para São Paulo, e eu fui.

Cap.: Continua ainda com suas aulas de Capoeira, em Salvador?

Paulo dos Anjos: Eu tenho a Associação de Capoeira Angola, mas são os alunos que dão as aulas. Eu dou aula no Salão Paroquial da Paz e alguns cursos fora da Bahia.

Cap.: Pela sua vivência, acha que a Capoeira está mudando?

Paulo dos Anjos: Para mim, nada mudou. Eu continuo fazendo a Capoeira Angola conforme a tradição. Eu sempre fui um angoleiro. Nem discuto a Regional porque não conheço, nem entendo. Se eu não entendo, não tenho que dar uma de entendedor!

Cap.: E como é essa questão da tradição?

Paulo dos Anjos: Tem que ter um cara mais velho do que eu para explicar.

Cap.: A tradição incluía o uso da navalha?

Paulo dos Anjos: Sempre teve gaiato, desordeiro com navalha. Safado, nunca deixou de ter (na Capoeira), mas uma coisa existia e parece que não existe mais: o respeito. Agora, tem moleque de vinte anos que, só porque dá um bocado de pulos, desafia o mestre e chama para brigar!

Cap.: Por que não se joga mais com navalha?

Paulo dos Anjos: Porque nunca se jogou Capoeira com navalha. Botar (navalha) no pé para jogar? Isso é mentira. É só exibição! É só show!

Cap.: Mesmo na antiga capoeira de rua não tinha navalha?

Paulo dos Anjos: Tinha, mas era no bolso do capoeirista. Para botar no pé e sair cortando, é mentira. Tem gente boa por aí que, se você pegar uma faca na mão e não for macho mesmo, ele toma a faca e ainda bate em você. Imagine por navalha no pé para sair cortando todo mundo! Isso é fantasia para enganar criança boba!

Princiapl

Uma vida inteira dedicada à tradição do Tambor de Crioula: essa é a história de Mestre Amaral, um homem que realizou o sonho de viver da sua fé e devoção a São Benedito. Nascido em uma família de coreiros e coreiras da Baixada Maranhense, ele é o filho caçula de 18 irmãos. E foi justamente o filho mais novo que mais se apegou à tradição da família.

Entre todos os filhos de seu Miguel Arcanjo e dona Filomena Mendes, alguns se formaram e moram em outros estados, enquanto outros seguiram as mais diversas profissões. Mas Mestre Amaral foi o único que seguiu carreira dentro da manifestação cultural que tem o título de Patrimônio Cultural do Brasil.

Ele acompanhava o pai nas rodas de Tambor de Crioula desde os 5 anos. Mesmo com tão pouca idade, o pai o levava em um banquinho de madeira a cavalo para os pagamentos de promessas que duravam a noite toda. Foi observando a apresentação dos tocadores e coreiras que ele começou a aprender as primeiras batidas do ritmo incessante.

Em casa, o pai de Mestre Amaral também fazia questão de repassar todos os seus conhecimentos para os filhos desde as toadas até a montagem dos instrumentos. “Hoje, é tudo mais fácil para fazer os instrumentos com a energia elétrica. Mas no tempo que meu pai me ensinou, a gente tinha que usar o ferro quente para furar e até colocar partes no forno quente. Era tudo tradicional”, recordou.

Mas foi em São Luís que ele passou por vários grupos como o de seu tio, mestre Felipe de Sibá, e outros grandes nomes como os mestres Leonardo, Apolônio e Nivô, e batalhou para realizar o sonho de ter o próprio grupo de Tambor de Crioula.

Trabalho – Enquanto não acompanhava as rodas de tambor ou aprendia mais com o pai, a vida em Tabocal, comunidade de São Vicente Férrer, era de muito trabalho. Todos os filhos ajudavam a cuidar de uma roça e da produção de farinha de mandioca no quintal de casa para que os produtos fossem vendidos para grandes comerciantes da cidade.

Por causa disso, Mestre Amaral não teve a oportunidade de um ensino regular. A própria mãe o colocava para estudar a cartilha do ABC e a tabuada em casa. “Hoje, o povo pensa que pode até ser judiação colocar os filhos para trabalhar como aconteceu comigo. Mas acho que aprendi mais trabalhando e ajudando meus pais do que indo para a escola, porque foi assim que aprendi a respeitar e ter empenho nas coisas”, afirma.

Apenas depois que o pai morreu, Mestre Amaral veio para São Luís para morar no Bairro de Fátima e depois no Coqueiro – Estiva. O primeiro emprego formal foi em uma cerâmica da capital, onde ele trabalhava na produção de tijolos. Depois disso, passou por uma empresa como ajudante de pedreiro e acabou sendo contratado. E o último foi na Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), quando o mestre já tinha quase 30 anos.

O tambor – Sem tempo para se dividir entre o trabalho e o Tambor de Crioula, Mestre Amaral optou por se dedicar somente ao tambor. “Eu pedia para sair mais cedo para ir para o tambor e meus chefes me liberavam, mas não me sentia mais a vontade para pedir toda vez. Depois de muito pedir, decidi sair do trabalho para montar meu tambor. Não queriam nem me dar as contas perguntando se eu ia viver de terecô”, conta.

Foi quase um ano até conseguir realizar o sonho de montar o próprio grupo. Mestre Amaral lembra que quando decidiu deixar o emprego para seguir carreira como mestre de Tambor de Crioula, ele estava recém-separado da primeira esposa e ainda não tinha um lugar para morar. Por isso, todo o dinheiro que recebia usava para pagar o aluguel e não sobrava muito para montar seu grupo. “Nunca me arrependi de ter largado o trabalho para fazer o que gosto. O Tambor de Crioula é uma paixão que só vai acabar quando eu morrer, mas vai continuar com meus filhos e o pessoal do meu tambor”.

Mesmo com toda dificuldade, ele não deixou se abater e começou a ministrar oficinas sobre como montar e tocar os tambores e vender miniaturas de instrumentos feitas por ele no terraço da Fonte do Ribeirão. Quando se mudou para o Beco da Pacotilha, seu nome já era referência. Começaram a surgir convites para tocar em aniversários, eventos promovidos por igrejas católicas e até em casamentos. “Parece que eu fechei o olho e quando abri já tinha virado mestre. Foi muito rápido apesar de toda a dificuldade. Mas foram as pessoas que fizeram o que sou hoje”, diz.

Centro Cultural – Como as rodas de tambor que ele promovia ficavam cada vez maiores, era preciso encontrar um lugar mais confortável para os coreiros e coreiras que se juntaram a Mestre Amaral e para ampliar as oficinas que eram ministradas por ele. Depois de muito procurar, ele encontrou um prédio abandonado ao lado da sede da Prefeitura de São Luís, na rua conhecida como Montanha Russa.

Há quase dois anos, o local onde já havia funcionado um restaurante estava ocupado por dezenas de moradores de rua e usuários de droga. Mas Mestre Amaral conseguiu transformá-lo em um ponto de cultura. “Eu pensei: “Meu Deus, me ajuda a encontrar um espaço porque eu sei que não é certo, mas vou tentar ocupar um lugar, não invadir”. Passei dias e três noites sem dormir aqui tentando tirar o pessoal e consegui sem brigas. Essa foi a maior provação que eu passei e meu São Benedito me ajudou a vencer”, afirma.

Mestre Amaral enfrentou ainda uma ação judicial que pedia a retirada dele do local. Mas com o apoio de muitas pessoas que acompanhavam seu trabalho e funcionários dos órgãos públicos vizinhos ao centro cultural, ele conseguiu a concessão para se manter no espaço em que atualmente mora com sua família e trabalha.

Referência – Por causa de sua grande preocupação em manter o Tambor de Crioula vivo e da forma mais tradicional possível, Mestre Amaral ganhou reconhecimento em todo o país. Ele já foi convidado a ministrar oficinas em cidades como Belo Horizonte, Viçosa, Florianópolis e Fortaleza, cidade onde criaram o grupo de tambor Filhos do Sol – Discípulos de Mestre Amaral. Além disso, ele já se apresentou na África em 2007, levado pela Secretaria estadual de Cultura .

Apesar do esforço, ele conta que a manifestação popular já sofreu muitas transformações. Mas dentro do seu tambor, os costumes aprendidos com seu pai ainda na região da Baixada não perdem espaço. “Hoje, as pessoas veem o tambor mais como uma opção de lazer, mas não pode ser assim. Não é só para querer se divertir, beber e tirar foto. Tem que respeitar São Benedito, os coreiros e as coreiras”, frisa.

Uma das tradições mantida pelo mestre é utilizar apenas a cachaça pura durante as rodas de tambor, que segura as apresentações até o nascer do sol. Outra é encerrar a roda de tambor em frente ao altar de São Benedito para pedir proteção também a Preto Velho, Santa Cecília, Iemanjá, Santo Antônio e Nossa Senhora de Aparecida.

Além disso, Mestre Amaral não dispensa o pagamento de uma promessa de família que ocorre todo ano. Em todo dia 14 de outubro, uma grande festa é oferecida a São Benedito para pagar uma promessa feita pelos tataravôs de Mestre Amaral e que já foi passada por quatro gerações da família. O motivo da promessa ele não lembra, mas conta que espera que os filhos continuem com a tradição. “Assim como fazia no interior, a gente não vende nada no dia da promessa. Tudo que tem aqui é dado: cachaça de Brejo de Anapurus, azeite de coco e mel de abelha. A gente mata o porco e as mulheres cozinham. No tempo do meu pai ainda tinham as ladainhas, que eram as novenas. Esse que é o ritual”, relata.

Tradição passada para as novas gerações

Assim como ele, Mestre Amaral conta que os filhos mais novos já demonstram interesse pela dança, canto e as toadas em louvor a São Benedito. Os pequenos Ian Miguel e Benedito, respectivamente de 3 anos e 1 ano e 8 meses, já acompanham o pai nas rodas de tambor. Os dois são filhos da atual esposa de Mestre Amaral, Suzana, que também é coreira.

Mesmo muito pequenos para alcançar o tambor, os filhos já batem no instrumento na tentativa de imitar o pai. Por isso, Mestre Amaral fez tambores em miniaturas para que os pequenos possam acompanhá-lo. Além dos dois pequenos, o enteado de Mestre Amaral, Felipe (8), também já mostra interesse pelo Tambor de Crioula.

“O gosto pelo tambor partiu deles mesmos. Eles já cantam as minhas cantigas e participam da roda de tambor. Não ficam até o final porque vai até tarde, mas na hora do encerramento eles voltam e vem para perto do altar. Um dia desses, eu estava preparando um tambor e eles vieram perguntar se o coro estava molhado como se estivessem querendo aprender”, diz.

Contente com o apego que os filhos têm ao Tambor de Crioula, Mestre Amaral tem o sonho de poder um dia oferecer todas as atividades do Centro Cultural de forma gratuita para crianças carentes. Dessa forma, o espaço poderia oferecer um serviço à sociedade e, ao mesmo tempo, manter a tradição do Tambor de Crioula entre os mais jovens. “Para isso, preciso ter uma estrutura maior para receber as crianças, que eu ainda não tive condição de fazer. Mas meu santo vai me ajudar a poder fazer mais, ter força para levar mais para frente”, afirmou.

Apelido

Mestre Amaral nasceu Geraldo Mendes. O apelido ele mesmo conta como conseguiu: “Assim que eu cheguei a São Luís e fui morar no Coqueiro – Estiva eu jogava muita bola. Jogava nos times amadores do Antena Futebol Clube e o Real Brasil. Nessa época também tinha o Amaral, que jogava na Seleção, que diziam que ele tinha o olho morto que nem eu e parecia muito comigo. Então me batizaram como Amaral e pegou. Ninguém mais me chamou pelo meu nome”

RAIO-X

NOME COMPLETO

Geraldo Mendes

NASCIMENTO

14 de outubro de 1962

NATURALIDADE

São Vicente de Férrer

PROFISSÃO

Mestre de Tambor de Crioula

FILIAÇÃO

Miguel Arcanjo e Filomena Mendes

ESTADO CIVIL

Casado com Suzana

FILHOS

Geniel Mendes (30); Valdenilson Mendes (26); Ian Miguel (3); Benedito (1 ano e 8 meses)

QUALIDADE

Trabalhar com prazer

DEFEITO

Não tem

ALEGRIA

Família

TRISTEZA

Perda dos pais

SAUDADE

Dos pais

Fonte: Blog do Joel Jacinto

 

principal

Rita da Barquinha

Rita da Barquinha nasceu  em 28 de Junho de 1948, na cidade de Bom Jesus dos Pobres e cresceu assistindo aos movimentos tradicionais da Cidade…. Uma guerreira formidável, incansável e cheia de amor a cultura local…(descrita assim por toda a comunidade de BJP) a durante algum tempo morou em Salvador, e sempre acompanhou os movimentos culturais do recôncavo….

A Barquinha é uma tradição cultivada há muitos anos em Bom Jesus dos Pobres, tem sua origem nas comemorações do ano novo, onde as mulheres da localidade, esposas dos pescadores e dos saveiristas como forma de agradecimento às divindades do mar por ter protegido as famílias, suas embarcações e consequentemente, os seus sustentos, reuniam-se com a comunidade no último dia do ano tocando tambores e dançando no ritmo do samba de roda, passando de casa em casa, pedindo oferendas que eram colocadas numa pequena barca levada por uma das mulheres. No último minuto do ano a barquinha era colocada no mar, juntamente com as oferendas e os pedidos às águas para que levasse os momentos ruins do ano velho e trouxesse os bons fluídos do ano vindouro em forma de fartura nas pescarias, nos negócios, propiciando a paz e a união do homem com o mar.

Até onde se tem conhecimento, dona Melica foi uma das primeiras mulheres da localidade a sustentar a tradição, levando por muitas gerações a festa em comemoração ao ano bom. Posteriormente, com a morte da dançarina, apareceu a figura de dona Orenita, como uma incentivadora do folguedo, colocando outras mulheres para dançar e, principalmente, a então menina Rita para fazer as apresentações de dança e música. Com o passar dos anos, a tradição foi diminuindo até chegar ao ponto de ser extinta, porque a maior incentivadora já não tinha tanto interesse e Rita mudou-se para Salvador, onde constituiu família, deixando de visitar a localidade por muitos anos.
Mas, o melhor estava por vir: Rita, agora mulher, casada e mãe de filhos, resolveu um dia passar as festas de fim de ano no seu Bom Jesus dos Pobres, e percebendo que a tradição já não mais existia, pediu ao marido ajuda financeira para que se construísse uma barquinha, reuniu o povo e saiu de porta em porta, cantando e sambando, resgatando a tradição, deixando emocionada toda a sua comunidade.
Desde então, todos os anos, Rita da Barquinha, como passou a ser chamada, apresenta-se em toda passagem de ano com suas baianinhas e também nas festividades do padroeiro, sendo a principal atração da Lavagem de Bom Jesus, além de receber convites para fazer shows em eventos culturais, desfiles, chegando até a participar de um festival cultural na França.
É presença marcante e muito aguardada no desfile cívico do Dois de Julho na cidade do Salvador e também na famosa Caminhada Axé.

 

13734810_1115035398571823_1369512824_nA jornada é o evento de anúncio da Festa, e consiste na caminhada pelas ruas do distrito, onde o povo, entoando uma espécie de ladainha que é o cântico de pedido de esmola, transporta o Cristo crucificado de casa em casa, pedindo donativos para a realização da festa.
Após o cântico de esmola, é chegada a vez do samba de roda tomar espaço em forma de agradecimento.
Devemos lembrar que, todos os cânticos são entoados com a ajuda luxuosa de pandeiros e violas, sem esquecer das palmas repercutidas por pedaços de tábuas. Apenas uma pequena descrição do que é esta festa.

Bira de Freitas

E a Alegria Continua…


Bom Jesus dos Pobres é um distrito da cidade de Saubara, Bahia, Brasil. Localiza-se a três quilômetros de Praia de Cabuçu e sua praia caracteriza-se por ser tranquila e rasa.

Distante da Praça de Bom Jesus dos Pobres 1,5 Km situa-se a Praia da Bica onde é possível encontrar uma bica de água doce que fica de frente para um mar de águas cristalinas.

Opção para quem gosta de lugares tranquilos e paradisíacos é a praia Monte Cristo que fica a 4 Km de Bom Jesus.
Fonte Wikipedia

Praia de Bom Jesus dos Pobres

Próxima ao canal do Rio Paraguaçu, trecho de correntezas fortes, a praia exige cuidados para o banho em alguns trechos. A paisagem é marcada por manguezais e areias bastante extensas. Destaque para a Capela de Bom Jesus dos Pobres, do século XVII. A razoável infraestrutura local inclui um luxuoso resort.

Imagens de Bom Jesus dos Pobres

Luiz Poeira

Luiz Poeira do Instituto Tambor

“No zunir do berimbau de uma roda de capoeira que girava no Embú (SP), Luiz Poeira aprendeu técnicas de repuxo, pintura, entalhe e afinação do instrumento. Unindo essa paixão aos seus estudos sobre manifestações culturais brasileiras e africanas, ele se tornou artesão na arte dos instrumentos percussivos. Poeira utiliza somente materiais selecionados para garantir a consistência precisa dos sons. O toque colorido vêm de tintas e tecidos que revestem a base de seus instrumentos. A madeira entalhada resulta em uma estética tribal que remete a tambores ancestrais. Todo o processo é feito artesanalmente em busca da estética desejada e qualidade sonora”. (Artesanato na Música, Girassol Comunicações).
Com sua habilidade e dedicação para criar instrumentos rústicos e notáveis ao mesmo tempo, precisos, Poeira colabora para a preservação da cultura afro-brasileira.
Ao longo de sua estrada com mais de 20 anos, desde que iniciou no artesanato de instrumentos musicais de percussão, Poeira passou por oficinas e “luthierias” onde obteve orientações e mentoria de artistas importantes, como: Nilton Cesar Siqueira (artista plástico e artesão), Joana Henri Lemos, o músico e artesão Romulo Albuquerque.
O estilo de Poeira, refinado e preciso, destaca-se a ponto de fundar, em 2008, seu próprio ateliê, o Instituto Tambor, atualmente localizado na Vila Sonia, zona oeste de São Paulo.

Seus instrumentos são popularmente reconhecidos como “tambor do Poeira”, todavia, ele faz sempre questão de colocar a bandeira do Instituto Tambor a frente, pois contextualiza toda sua produção em prol de um movimento cultural e de desenvolvimento humano, prioritários e acima dos lucros financeiros. Seu sonho é que o Instituto Tambor evolua para uma organização, com infra-estrutura para acolher e proporcionar benefícios à comunidade, por meio de: cursos para formação de artesãos de instrumentos musicais de percussão, aulas de percussão e dança, academia de tambores, capoeira e outros relacionados.
O Instituto Tambor é frequentemente convidado para participar de exposições, seminários e eventos culturais, onde seus tambores e conteúdos de referência, são presença marcante.

 

Para maiores informações:

Rua Professor Arnaldo Amado Ferreira, 21
Vila Sonia – São Paulo SP CEP 05519-010
Brasil

55 11 3744-3719
55 11 9-9437-0890 (Claro)
55 11 9-5452-1443 (TIM)

poeira1@yahoo.com.br

 

 

Conheça a Carolina de Jesus

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Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 14 de março de 1914 — São Paulo, 13 de fevereiro de 1977) foi uma escritora brasileira.
Biografia
Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Filha ilegítima de um homem casado, foi tratada como pária durante toda a infância, e sua personalidade agressiva contribuiu para os momentos difíceis pelos quais passou. Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever.

A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da Igreja Católica quando ainda era jovem. No entanto, ao longo da vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na congregação. Em seu diário, Carolina muitas vezes faz referências religiosas.
Em 1937, sua mãe morreu, e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família. Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.
Teve vários envolvimentos amorosos quando jovem, mas sempre se recusou a casar-se, por ter presenciado muitos casos de violência doméstica. Preferiu permanecer solteira. Cada um dos seus três filhos era de um pai diferente, sendo um deles um homem rico e branco. Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.


Histórico
O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas cobria a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do local gritando “Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!” Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal. A história de Carolina “eletrizou a cidade” e, em 1960, Quarto de despejo, foi publicado.
A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana (segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos primeiros três dias). Embora escrito na linguagem simples e deselegante de uma pessoa sem muita instrução, seu diário foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa. Mas não foram somente fama e publicidade que Carolina ganhou com a publicação de seu diário: despertou também o desprezo e a hostilidade de seus vizinhos. “Você escreveu coisas ruins sobre mim, você fez pior do que eu fiz”, gritou um vizinho bêbado. Chamavam-a de prostituta negra, que havia se tornado rica por escrever sobre a favela, mas que se recusava a compartilhar o dinheiro. Muitas pessoas jogavam pedras e penicos cheios nela e em seus filhos. A raiva dos vizinhos também teria sido motivada pela mudança de endereço de Carolina, para uma casa de tijolos nos subúrbios, o que foi possível com os ganhos iniciais da publicação de seu diário. Vizinhos se juntaram ao redor do caminhão e não a deixavam partir.
A filha de Carolina, Vera Eunice hoje professora,contou, em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz. [1]
Pobre e esquecida, Carolina Maria de Jesus morreu em 1977, de insuficiência respiratória, aos 62 anos.[2]
Perspectiva
Carolina jamais se resignou às condições impostas pela classe social a qual pertencia. Em uma vizinhança com alto nível de analfabetismo, saber escrever era uma conquista excepcional. Carolina escreveu poemas, romances e histórias. Um dos temas abordados em seu diário foram as pessoas do seu entorno; a autora descrevia a si mesma como alguém muito diferente dos outros favelados, e afirmava “que detestava os demais negros da sua classe social”.
Ao ver muitas pessoas do seu círculo social sucumbirem às drogas, álcool, prostituição, violência e roubo, Carolina lutou para se manter fiel à escrita, e aos filhos, a quem sustentava vendendo lixo reciclável e com as latas de comida e roupa que encontrava no lixo. Parte do papel que recolhia era guardado para poder continuar escrevendo.
Escreveu e publicou alguns livros após Quarto de Despejo, porém sem muito sucesso. Seu auge e decadência como figura pública foram fugazes. Isso possivelmente ocorreu devido à sua personalidade forte, que a afastava de muita gente, além da drástica mudança no panorama político brasileiro, a partir do golpe de estado em 1964, que marginalizaria qualquer manifestação popular.
Além disso, Carolina também escreveu poemas, histórias curtas, e diários breves, embora estes nunca tenham sido publicados. A edição de 1977 do Jornal do Brasil trazia, no obituário da autora, comentários sobre ela supostamente se culpar por não ter sabido aproveitar a sua breve fama, e afirmava que ela havia morrido pobre devido à sua teimosia. No entanto, o que é realmente relevante é a importância da sua história para a compreensão da condição de vida nas favelas brasileiras da época.
Seu livro foi amplamente lido, tanto na Europa ocidental capitalista e nos Estados Unidos, como nos países do bloco socialista, o chamado bloco oriental e Cuba; um abrangente público que mostrava como a sua história havia tocado milhares pessoas fora do Brasil.
Para o ocidente liberal e capitalista, seu primeiro livro retratava um sistema cruel e corrupto reforçado durante séculos por ideais colonizadores presentes nas dinâmicas sociais da população. Já para os leitores comunistas, suas histórias representavam perfeitamente as falhas do sistema capitalista no qual o trabalhador é a parte mais oprimida do sistema econômico.
Como é observado pelo historiador José Carlos Sebe, “traduções dos seus diários em classe foram utilizadas por diversos especialistas estrangeiros sobre o Brasil, durante anos.”; isso indica a importância mundial do seu papel como fonte primária sobre a vida nas favelas. E o autor Robert M. Levine descreve de que modo “a palavra da Carolina deu vida a uma parte da América Latina pouco estudada nos livros didáticos tradicionais.”

Fonte: Wikipedia

Camafeu de Oxossi

Camafeu de Oxóssi

Ápio Patrocínio da Conceição – Camafeu de Oxóssi (Salvador, BA, 4 de outubro de 1915 – 1994).
Cantor, músico e comerciante baiano, Ápio Patrocínio da Conceição ficou conhecido pelo seu apelido, Camafeu de Oxóssi. Devido a suas muitas qualidades, tornou-se um ícone da cidade de Salvador, capital do estado da Bahia. Camafeu de Oxóssi é citado em diversas músicas e livros que retrataram a cidade na segunda metade do século XX. Obá de Xangô da Casa de Candomblé Axê Opô Afonjá e ex-presidente do Afoxé Filhos de Gandhi, esteve, ao lado de outras personalidades da cultura afro-brasileira, representando o Brasil e a Bahia no primeiro Festival de Artes Negras realizado em Senegal.

Ápio Patrocínio da Conceição nasceu em Salvador, cidade onde residiria por toda a sua vida e onde ainda jovem receberia o apelido de Camafeu, palavra que dá nome a uma pedra preciosa, um doce e um broche. O apelido seria complementado pela referência ao Orixá Oxóssi, que protegia o jovem adepto da religião do candomblé. Filho da baiana de tabuleiro Maria Firmina da Conceição, Camafeu de Oxóssi perdeu o pai, Faustino José do Patrocínio, quando ainda era muito novo. Cresceu pelas bandas do Pelourinho, trabalhando em pequenos ofícios ambulantes como engraxate, vendedor de cadarço e de jornal. Estudou na Escola de Aprendiz de Artífice, trabalhando na fundição e mais tarde passou para a estiva, até tornar-se dono da Barraca de São Jorge, no antigo Mercado Modelo, que vendia berimbaus e artigos religiosos afro-brasileiros.
Da sua vivência e conhecimentos adquiridos nas ruas de Salvador, Camafeu tornou-se Mestre em Capoeira, exímio tocador de berimbau, cantador e compositor de cantigas, chulas, sambas, além de conhecedor de inúmeras estórias e lendas da cidade. Era como uma memória viva das ruas de Salvador.

Da sua vivência em um dos mais tradicionais terreiros de Salvador, o Candomblé Axé Opô Afonjá, nos tempos da renomada Mãe Senhora, tornou-se Obá de Xangô, posto conferido a outros nomes de destaque da cultura brasileira como o artista plástico Carybé e os cantores Dorival Caymmi e Gilberto Gil.
Durante a década de 60 quando foi inaugurado o curso de Iorubá da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Camafeu foi um dos primeiros alunos do curso. Na mesma década lançou pela Continental seu primeiro disco, intitulado “Berimbaus da Bahia” (1967), composto de cantigas de capoeira em seu lado A e cantigas de Orixás no lado B. No ano seguinte, lançou seu segundo disco, desta vez pela gravadora Philips, “Camafeu de Oxóssi”, composto também por músicas de capoeira e canções votivas a Orixás.

Em 1972 Camafeu inaugurou, ao lado de sua esposa Toninha, um restaurante no novo Mercado Modelo, instalado no prédio da antiga alfândega, depois que um incêndio destruiu o antigo. O lugar tornou-se rapidamente um dos mais procurados de Salvador, famoso por um ótimo tempero e atendimento impecável. Desde então, o restaurante de Camafeu de Oxóssi divide espaço com outro também bastante conhecido, que pertence à família da famosa cozinheira baiana Maria de São Pedro, falecida em 1958.
Entre 1976 e 1982 Camafeu de Oxóssi foi presidente do famoso Bloco de Afoxé Filhos de Gandhy, fundado em 1949, mesmo ano em que o líder Indiano Mahatma Gandhi, que inspira o grupo, morreu assassinado. O Bloco teve origem entre trabalhadores da estiva e desfila pelas ruas de Salvador durante o carnaval e outras festas, cantando em louvor aos Orixás. Entre 1973 e 1976 o grupo passou por uma crise e deixou inclusive de desfilar. Camafeu de Oxóssi foi um dos responsáveis pela retomada e crescimento do grupo, trazendo de volta integrantes que haviam deixado de desfilar pelo Afoxé.
Ápio Patrocínio da Conceição faleceu em 1994, na cidade de Salvador, aos 78 anos, vítima de um câncer. Seu enterro foi um dos mais assistidos da Bahia. Para uma última despedida a Camafeu de Oxóssi, compareceram figuras ilustres da vida politica e cultural baiana, em cerimônia realizada no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco.

 

Saiba mais +

Fontes e Referências


Foto:
Adenor Gondim

Bibliografia:
AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos: guia de ruas e mistérios. Desenhos de Carlos Bastos. 27ª Edição. Rio de Janeiro: Record, 1977.

CARYBÉ. As Sete Portas da Bahia: texto e desenhos de Carybé; prefácio de Jorge Amado. 4ª Edição. Rio de Janeiro: Record, 1976.  

SALAH, Jacques. A Bahia de Jorge Amado. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 2008.

Internet:
http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2007/02/camafeu-de-oxossi.html (último acesso em 13/06/2014).

Gildo Alfinete

Mestre Gildo Alfinete nasceu em 1940, em Salvador, Bahia. Com 13 anos, observava os capoeiristas do cais do porto da velha Bahia. Apaixonou-se pela arte. Por meio de seu amigo, o dr. Colmenero, ingressou na Academia de Mestre Pastinha, o Centro Esportivo de Capoeira Angola – CECA. Com Mestre Pastinha, desenvolveu grande amizade. Ocupou lugar de destaque, como Presidente do Conselho de Mestres da Associação Brasileira de Capoeira Angola – ABCA, situada no Pelourinho. Lá, foi responsável pelo acervo da ABCA, tendo criado o primeiro Museu de Capoeira Angola do mundo. Integrou, também, em 1966, a delegação brasileira no Premier Festival des Arts Nègres (Dakar – Senegal). Grande mestre da Capoeira Angola, recebe a todos na ABCA com muita simpatia.

 

 

Mestre Gildo Alfinete

Gildo Alfinete est l’un des disciples de Mestre Pastinha, il est né en 1940, et découvre le CECA, “Centro Esportivo de Capoeira Angola” à Salvador de Bahia par l’intermédiaire de son ami le dr. Colmenero
En 1966, Accompagné des Mestres Pastinha, Joao Grande, Camafeu de Oxossi, Santana, il fait partie la délégation de Capoeira au Premier Festival des Arts Nègres (Dakar – Sénégal).
Il est membre de l’ABCA, “association Brésilienne de Capoeira Angola”.

Para Gildo Alfinete e o mundo além da Bahia

Gildo Lemos Couto, nascido em 16 de janeiro de 1940, meu irmão de sangue e de Capoeira Angola. Mestre Gildo Alfinete!

Neste vídeo fica registrada minha homenagem ao Mestre Angoleiro Gildo Alfinete, que me levou para a capoeira quando eu ainda tinha 8 anos de idade.

Além de ter sido meu Mestre em casa, meu irmão Gildo me proporcionou também a oportunidade única e histórica de conviver com Mestre Pastinha e, desse modo, beber direto na fonte um pouco da mandinga e da ginga dessa lenda da capoeira.

Eu e Gildo somos duplamente compadres. Eu, padrinho de Carolina, sua primogênita. Ele, padrinho de Rodrigo, meu primogênito. Deixo meu agradecimento eterno pelo legado da Capoeira plantado em mim, que certamente fez se enraizar mais ainda, minha cultura da baianidade.

Somente um olhar jornalístico, ao mesmo tempo perto e distante da cena, poderia ter produzido e roteirizado este registro de sua trajetória e de seu convívio com os grandes nomes da Capoeira Angola.

A você meu irmão, um registro que fica para o Tempo, o senhor de tudo. Um documento da História Viva da Capoeira Angola, do Pelourinho, de Salvador da Bahia. Um documento histórico da cultura e da arte da Bahia para o mundo.

Um presente para você e para todos que amam a CAPOEIRA, a arte e a verdadeira cultura popular.

De Genésio Lemos Couto – ou Genésio Meio Quilo – seu eterno aprendiz, para meu Mestre na Vida.

Mestre Gildo Alfinete veio a Falecer em 12 de Outubro de 2015 dia de Nossa Senhora Aparecida.

Galeria de Imagens mais Recentes:

Conheça o Mestre Moa do Katendê

Moa do Katende
Môa do Katendê nasceu em Salvador (BA) e é um artista ligado às tradições afro-baianas. Compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador, descobriu suas raízes aos oito anos de idade no “ILÊ AXÉ OMIN BAIN”, terreiro de sua tia e incentivadora. Em 1977, consagrou-se campeão do Festival da Canção Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, e em Maio de 1978 fundou o “Afoxé “Badauê”, que desfilou pela primeira vez no ano seguinte e tornou-se campeão do carnaval na categoria de afoxé. Em 1995 com a união de colegas e admiradores da cultura afro-brasileira, surge o grupo de afoxé “Amigos de Katendê”.
Mestre Môa do Katendê é baiano de Salvador. Artista ligado às tradições Afro-baianas; compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador, tendo descoberto suas raízes aos oito anos de idade no “ILÊ AXÉ OMIN BAIN” terreiro de sua tia e incentivadora.


Em 1995, com a união de colegas e admiradores da cultura afro brasileira, surge o grupo de afoxé “Amigos de Katendê”, que neste mesmo ano participou do carnaval em São Paulo na Cohab José Bonifácio. Em 1996 o grupo viaja a Salvador reintegrando os componentes do “Badauê” e outros afoxés e desfila no carnaval, estabelecendo assim um intercâmbio entre Bahia e
São Paulo. Atualmente Mestre Moa do Katendê vem ministrando oficinas de afoxé na Bahia, Sudeste e Sul do Brasil e na Europa
e é o coordenador geral do afoxé “Amigos de Katendê”.
Mestre Moa do Katende fala sobre a “reafricanização” da juventude da Bahia e do processo batizado por Antonio Risério de “reafricanização” do carnaval na Bahia, e atribui este processo a própria dinâmica interna da vida baiana.
Enumera os marcos fundamentais deste processo: a forte presença de organizações e clubes negros nos carnavais da Bahia o “renascimento” do Afoxé Filhos de Gandhi, um dos símbolos do carnaval baiano organização carnavalesca fundada em 1949 por trabalhadores da estiva do Porto de Salvador, um ano antes, portanto do aparecimento do Trio Elétrico, e que no início do dos anos 1970 praticamente desaparecera – e o surgimento do Ilê Ayiê, o primeiro dos muitos Blocos Afro surgidos neste período.
Extrapolando os limites de uma mera participação no carnaval os Blocos Afro ocupam física e culturalmente espaços da cidade, alguns, antes estigmatizados por serem “lugar de preto”, outros, hegemonizados desde sempre pelas elites .
Assim como o surgimento do Trio Elétrico, em 1950, veio revolucionar e particularizar o carnaval da Bahia, o processo de “reafricanização”, especialmente com a entrada em cena dos “blocos afro” precipitando a reação africanizante e explicitando marcadamente um caráter étnico hegemonizam do ponto de vista estético, musical e gestual, transformam radicalmente a trama carnavalesca baiana . As pessoas que criaram as novas entidades “afrocarnavalescas” da Bahia assumem e explicitam a matriz negra da cultura baiana numa dimensão nunca antes registrada como é o caso, por exemplo, do próprio Moa do Katendê fundador do Afoxé Badauê, onde vemos a importância assumida pelos cantores na expressão de valores afros entre a comunidade negromestiça de Salvador a consciência da africanidade e da nova poesia afro-baiana, baseada em reminiscências e jogando com a sonoridade das palavras africanas extraídas do vocabulário dos candomblés, textos da autoria de Paulinho Camafeu, Moa do Catendê, Caetano Veloso, Antonio Risério, Heron, Curimã, Moraes Moreira, Gilberto Gil, Ivo do Ilê, Milton de Jesus, Charles Negrita, Chico Evangelista, Jorge Alfredo, Ana Cruz, Cebolinha, Alírio do Olodum, Lazinho Boquinha, Jailton, Egídio e Buziga.

Entrevista
José Flávio — Mestre, o que significa a capoeira para o senhor?

Mestre Moa do Katendê — Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos. Na verdade, o conhecimento foi dado pelo meu mestre, daí eu sigo pelo mundo, sempre que posso, divulgando.

José Flávio — Deve ser uma honra ser mestre de capoeira na terra de grandes mestres?

Mestre Moa do Katendê — Sim. Sem dúvida. Conviver com eles então…

José Flávio — O Sr. conheceu o Mestre Pastinha?

Mestre Moa do Katendê — Conheci o Mestre Pastinha e tive a oportunidade de estar por duas vezes na academia dele, justamente quando o mestre já tinha um grupo formado. Ele nos levou duas vezes, dois domingos, para a gente se apresentar na academia do mestre Pastinha. Para que ele mostrasse o trabalho dele. A outra oportunidade foi em 66 quando o Mestre Pastinha estava viajando para a África. Era a despedida dele e eu fui assistir essa apresentação que foi muito bonita. O Mestre Pastinha era uma figura simples, mas tinha uma inteligência fora do comum. Foi um homem que lutou pela preservação da capoeira angola, pelos seus princípios, seu ritual e abriu espaço para que uma gama de capoeiristas bebesse dessa fonte. Foi uma pessoa que possibilitou essa condição de as pessoas conhecerem a capoeira.

José Flávio — E o Mestre Bimba? O Sr. também o conheceu?

Mestre Moa do Katendê — O Mestre Bimba só de passagem. Pelo fato de que, naquela época, existiam dificuldades. A gente era menino, e menino obedecia muito aos pais. A gente não poderia ir a qualquer lugar sem autorização deles. O Mestre Bimba já era um pouco mais afastado da gente. Era outro bairro. Então conheci ele só de vista, mas não de ter contato, como tive com o Mestre Pastinha. Foi diferente com ele, porque era mais próximo da gente, e pela ligação que o meu mestre tinha com ele. Então era mais fácil para a gente. Hoje em dia tem uma facilidade muito grande pela comunicação que há… A capoeira, hoje, ela se aproximou bastante… Os mestres se aproximaram bastante dos alunos. Naquela época era muito difícil a gente poder ficar junto com o mestre. Então era algo de dificuldade muito grande.

José Flávio — Que dificuldades eram estas?

Mestre Moa do Katendê — A dificuldade era por uma questão de educação mesmo. A formação da gente era uma formação muito tacanha. Então, estar com o mestre era muito difícil. Era tudo muito rígido. Hoje eu vejo a facilidade que um aluno tem de fazer uma foto com o mestre. Naquele tempo a maioria das pessoas não tinha máquina (fotográfica), e quem possuía uma eram pessoas de um poder aquisitivo maior. Então a gente não tinha máquina e, mesmo que a gente tivesse, teria que suar muito, se sacrificar muito para conseguir uma foto junto com o mestre. Mas hoje existe uma facilidade muito grande, a capoeira ela vai para o mundo. Hoje, ela tá em praticamente todos os países do mundo, tanto na Europa quanto na América Latina, América do Sul, América Central, no Oriente Médio… Na África, pouco, por incrível que pareça. A gente só tem conhecimento de Angola, Moçambique. Pode ser que tenha em outros países africanos, mas eu não tenho certeza, mas Moçambique e Angola, sim. Poderia estar em toda a África, já que ela veio de lá. Mas se perdeu muito o que saiu de lá, se perdeu muito, veio para o Brasil e aqui se constrói. A capoeira é construída, na verdade, aqui.

José Flávio — Em termos de experiência de vida, o que a capoeira acrescentou na vida do senhor?

Mestre Moa do Katendê — A experiência profissional, ela abriu minha cabeça para o entendimento de liberdade, de irmandade, de companheirismo, de respeito ao próximo, de respeito ao mundo, respeito à natureza, principalmente, respeito à Roda, respeito aos colegas… A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais, por exemplo, a facilidade de escrever. Hoje eu sou um compositor, escrevo além da capoeira. Escrevo ritmos de samba, do afoxé. Escrevo para os blocos da Bahia. Então, eu agradeço muito à capoeira, pelo fato de estar na Roda, de estar jogando, de estar trocando conhecimento. Isso me impulsionou a escrever algumas coisas. Além disso, a parte do artesanato também me abriu muito esse leque hoje, de fazer berimbau, de fazer caxixi, de fazer outros instrumentos, além da capoeira também. Então, essa experiência profissional é uma realização, e também de passar esse conhecimento, porque em vários momentos, eu sou convidado para dar cursos de artesanato, de dança, de percussão, de berimbau, de ritmo de berimbau.

José Flávio — O Sr. também é convidado para falar de capoeira?

Mestre Moa do Katendê — Aqui eu também falei de capoeira com os meninos e mostrei alguns ritmos, além da capoeira, como o samba de roda, que é muito presente. Quando acaba uma Roda de Capoeira, sempre tem um samba de roda. Eu pude mostrar para eles como se dá a introdução do pandeiro, do atabaque, da palma da mão, do canto e foi muito legal. Falei de puxada de rede, que é outra manifestação cultural que existe e, além disso, da própria capoeira. Passei para eles a forma de tocar baixo, para a gente adquirir educação musical, ouvir todos os instrumentos, ouvir a voz e responder. Então a capoeira, ela é completa, ela interage. A gente, no momento em que está tocando, a gente percebe que, automaticamente, as pessoas respondem, porque a música entra no sangue, entra mesmo no espírito e as pessoas conseguem participar junto com que tá cantando.

José Flávio — Quando o Sr. estava cantando, ali na roda, uma das músicas, eu senti como que um resgate do passado. A música na capoeira ela tem esse objetivo de resgatar a história de um povo, de uma nação, a nação brasileira…

Mestre Moa do Katendê — Ela tem esse objetivo, sim. Ela vai lá no fundo para a gente trazer para o presente à importância que foi e que é a história dos mestres. Eles que deram toda uma vida para que a capoeira estivesse como está hoje. Então a gente, sempre que pode, vai buscar música lá no fundo e trazer para a nova geração que vai continuar a capoeira, possa tomar conhecimento dela.

José Flávio — Falando de valores, como mestre, que conhecimentos o Sr. procura transmitir para os seus alunos?

Mestre Moa do Katendê — Os valores são respeito, respeito ao próximo. Entrar na vida do menino, no sentido de saber como anda a vida dele na casa dele, com os pais, na escola. A gente procura fazer esse trabalho de base, que é para que a capoeira, ela seja um elemento de equilíbrio para a criança. Ela consegue equilibrar a coisa do reflexo, ela possibilita… Na verdade, é um exercício mental. Jogar capoeira, na verdade, é um diálogo que requer observação. Então a gente vive querendo que o aluno observe sempre, tenha calma. Isso, a criança vai levar para a sua vivência no mundo, levar isso para a sua construção de ser humano, de cidadão, como lidar com o mundo aqui fora, além da Roda, porque é complicado o mundo das drogas que está aí, para ele ter um equilíbrio emocional, não se envolver, e sempre se lembrar da capoeira, dessa coisa maravilhosa que é estar na Roda. Então, isso é transmitido, não só por mim, mas por todos os mestres que tem responsabilidade com ela, com a capoeira, então, o menino só tem a ganhar com isso. A gente cresceu com isso, então, a gente passa isso para elas, para essas as crianças.

José Flávio — Qual a importância dessas manifestações culturais como a capoeira, samba de roda, afoxé e outras manifestações ligadas à cultura negra, como elemento de autoafirmação desse povo?

Mestre Moa do Katendê — Ajuda muito porque o que a gente está fazendo, na verdade, é um exercício de cidadania. O momento em que a gente está cantando, o momento em que a gente está tocando, que a gente está jogando, a gente tá praticando a capoeira, a gente tem a nossa grande arma que é essa comunicação. Seria nossa mídia alternativa. É o nosso canal de verdade. Porque a gente pode rememorar os grandes mestres, buscar a verdade do povo negro, e quebrar barreiras. No momento em que a gente está aqui, a gente está dando as mãos, está fazendo uma grande aliança para quebrar essas barreiras que ainda existem de preconceito. Assim a gente se autoafirma como negro, como povo brasileiro e, acima de tudo, como um elemento que contribui, não só para a cultura desse país, mas também para a economia desse país. Quando a gente vê a política sendo praticada por políticos mal preparados, a gente vê tanto desfalque, tanta falcatrua, a gente percebe que isso é muito prejudicial para o nosso país, para as nossas crianças. Então a gente procura impulsionar no aluno a gana dele, a vontade dele de buscar mais, além da capoeira, estudar, se formar. Aqui a gente percebe que há essa possibilidade mesmo de… Essa construção, não é só a capoeira, de jogar capoeira, é avançar mais ainda, é a gente poder, amanhã ou depois formar um aluno, ver um aluno formado em advocacia, ver um aluno formado em medicina e ele poder agradecer a capoeira, que foi o impulsionador de tudo isso para ele. Porque a capoeira vai dentro, e vai mostrando as possibilidades de galgar posições melhores na vida. Então esse é o maior ganho que a capoeira tem, traz e possibilita para qualquer um. É só querer mergulhar nela, na história que ela tem, na origem dela e a pessoa, mais na frente, vai descobrir que pode partir para frente no sentido de se formar e trazer para a comunidade a experiência adquirida. Porque é importante ele se formar e voltar para a origem e poder falar dessa experiência e incentivar, estimular a quem tá chegando agora, a não só jogar capoeira, mas, pensar no futuro.

José Flávio — O Sr. tem muito amor pela capoeira, inclusive o Sr. estava falando agora há pouco para o pessoal da Roda, que fez uma cirurgia faz cerca de um mês, mas se destinou a sair de Salvador aqui para Campinas para participar desse evento…

Mestre Moa do Katendê — Na verdade, a gente tem forças. Todo ser humano tem suas forças superiores. A gente respeita muito, a gente que participar dessa tradição de matriz africana, a gente respeita muito, mergulha muito nisso, a gente entende que nós não somos nada. Nós temos os nossos guias que vão iluminando a gente e vão nos colocando no caminho e vão dizendo, “Você pode”! Então, se eu estou aqui, na verdade é porque eles me deram essa condição de estar aqui. Primeiro Deus e as forças que ele rege, que ele está regendo, e, as amizades do Topete, as amizades com os capoeiristas, com os colegas, tanto da minha idade, quanto os novos, os que estão começando agora. Isso é que faz com que eu esteja aqui. Não estou muito preocupado com a coisa material da cirurgia, porque ela já foi resolvida e, tenho certeza de que, os olhos e, vamos dizer assim, toda uma corrente positiva, ela tá sendo trabalhada para que eu esteja aqui e eu me recupere o mais rápido possível. Então, estou muito feliz de estar aqui, em Campinas. Já é a segunda vez que eu venho aqui, mas, neste evento, é a primeira vez. Peço para que o Topete, ele avance mais ainda, que ele consiga bons êxitos com o trabalho dele, que é para Campinas ter nele, e no grupo dele, uma referência cultural, porque, não só Campinas, o povo de Campinas, a comunidade, mas o povo brasileiro possa vir aqui e ter aqui na academia dele, na escola dele, um centro de referência, onde as pessoas possam pesquisar, possam ter, a partir dele, informações, não só da Capoeira de Campinas, mas da capoeira do mundo inteiro. Então, eu desejo que ele tenha sucesso sempre, que ele continue empenhado nos trabalhos que é árduo, é difícil, mas é prazeroso. Eu tenho certeza de que quando ele sair daqui, vai para casa fortalecido com tudo o que ele está presenciando, que ele está vendo, que ele está participando e vendo também as pessoas felizes. Porque a gente faz as pessoas felizes e gente também se sente feliz com isso. Então, na verdade, a gente mantém essa troca viva, que é uma troca que já existia lá atrás, que sempre existiu com o povo africano e, com a diáspora negra aqui no Brasil, essa reconstrução, a gente sabe muito bem, o quanto foi difícil a gente hoje poder cantar, livremente, apesar de alguns preconceitos, mas poder cantar, isso lá atrás, há 100, 200 anos atrás, era impossível de se fazer. Então, isso é um presente que, na verdade, os ancestrais dão para a gente. Um grande presente que a cultura afro-brasileira, a capoeira nos proporciona.

***

As atividades de Mestre Moa aqui no estado de São Paulo, ainda não terminaram. Ele ainda participa de uma programação na cidade de São Paulo, nos dias 4, 5, 6 e 7 de dezembro. No evento serão oferecidos oficinas de capoeira, confecção de xequerê, dança-afro, samba de roda e

Jorge Rasta

Mestre de saberes populares, arte educador, mamulengueiro, coreógrafo, idealizador/fundador da Casa do Boneco de Itacaré , Antonio Jorge de Jesus, conhecido artisticamente como Jorge Rasta, que nasceu no bairro de Alagados, em Salvador e se profissionalizou graças à ação de uma associação de bairro a Associação de Moradores Livres da Mangueira de Massaranduba, que o inseriu no mundo da arte e da cultura..

A Casa do Boneco de itacaré tem sua origem fundamentada no trabalho voluntário
Com o ensejo desmultiplicar aquilo que havia aprendido, Jorge Rasta, em 1987, migrou para Itacaré, cuja formação étnica é resultado da miscigenação entre índios, negros e brancos, o que propiciou um imenso legado artístico cultural que com o passar do tempo ficou adormecido, graças a ação dos veículos de massa.
No ano de 1988, Jorge Rasta montou o primeiro grupo de capoeira e danças folclore[[oricas do município, desde então vem realizando diversas atividades artísticas e culturais com crianças e jovens da comunidade, o que resultou na criação da Associação de Educação Arte e Cultura Popular casa do Boneco de Itacaré.

A Casa do Boneco de Itacaré é uma associação sem fins lucrativos, que de4sde 1988 trabalha com a cultura a serviço da população afro indígena, historicamente excluída.
O seu trabalho alia identidade cultural à inclusão sócio econômica a partir de um trabalho de educação popular e capacitações profissionalizantes, combatendo a marginalização e a exploração sexual de jovens negros inseridos num contexto de turismo ” desenfreado e predatório” regional.
Atualmente, a Casa do Boneco funciona com atividades de segunda a sábado em todos os turnos (aulas de dança afro, percussão, teatro do oprimido, teatro de bonecos, arte circense, capoeira angola, shows, cursos de corte e costura, grupo de estudos afro e etc.
A Casa do Boneco

A Associação de Afro Desenvolvimento Casa do Boneco de Itacaré (CBI) é uma associação sem fins lucrativos, que desde 1988 trabalha com a cultura a serviço da população afro indígena, historicamente excluída. O trabalho alia identidade cultural à sustentabilidade socioeconômica a partir de uma educação afro popular, engajamento político e capacitações profissionalizantes, escambos, intercâmbios com organizações e mestres.

Como centro de desenvolvimento afro comunitário baseado na aprendizagem autossustentável, considerando, prioritariamente, princípios etno raciais, ecológicos, socioeconômicos, espirituais e culturais, a entidade busca alternativas que possam diminuir os impactos socioculturais gerados pela sociedade capitalista à população negra. A entidade tem a preocupação de gerar um processo educativo diferenciado, para capacitar, viabilizar a profissionalização, gerar renda a partir de empreendimento solidários e elevar a autoestima da população negra e afro-indígena. Empenha-se, também, em vivenciar, estudar e refletir os valores da cosmovisão africana e quilombola, capaz de conduzir um modelo de vida baseado na ancestralidade e na humanização das relações.

A Casa tem se articulado territorial, estadual e internacionalmente com intuito de trabalhar em rede numa estratégia de maior aprendizado, intercambio de práticas, escambos e melhor capacidade de governança.

Tornou-se um centro de referência afro participante da Rede Nacional de Turismo Solidário (Turisol); do Núcleo de Formação Continuada da Rede Nacional Mocambos; da Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica, representante em 2010 da Delegação brasileira nos Estados Unidos pela Agenda Bilateral de Promoção da Igualdade. A entidade desenvolve cinco programas:
• Educação Anti Racista – seminários, diálogos, estudos e pesquisas a respeito da lei 10.639 / promoção da educação para igualdade racial
• Cultura afro – atividades de dança afro, percussão, festas populares
• Apropriação Tecnológica – circuitos de aprendizados com diferentes tipos de tecnologias sociais (dentre elas as tecnologias da comunicação – blogs, jornais, rádios web)
• Sustentabilidade Comunitária – Implementação da Fazenda Modelo Quilombo Doiti e do Turismo Étnico de Base Comunitária
• Pontinho de Cultura / Ludicidade – programa de atenção à crianças negras
Visite nossa fan page: Casa do Boneco – Quilombo Doiti
email: casadobonecodeitacare@gmail.com

Samba Chula de São Braz


Criado oficialmente em 1995, o Samba Chula de São Braz é liderado por Fernando de Santana e representa com talento e espontaneidade a tradição oral do samba de roda da Bahia. O Samba Chula de São Braz faz parte da história do Samba de Roda do Recôncavo Baiano, gênero musical tombado como patrimônio imaterial da humanidade desde o ano de 2005.
O samba de roda e a chula (uma variação das cantigas de samba que aborda de forma poética temas do cotidiano, relatando conflitos da vida e ofertando conselhos de quem já viveu bastante e tem muito que ensinar) são linguagens que sempre estiveram presentes na história de vida desses artistas, desde a tenra infância na Vila de São Braz, em Santo Amaro-Bahia. O primeiro CD do Samba Chula de São Braz, intitulado Quando Dou Minha Risada Há, Há…, foi lançado em 2009. O disco foi contemplado pelo Prêmio Pixinguinha 2008, promovido pela Fundação Nacional das Artes (FUNARTE). O trabalho realizado pelo grupo atrai a atenção de público e crítica no Brasil e no exterior e demonstra o potencial criativo da cultura popular traduzido em música e dança.
Depois de realizar diversos shows e de dividir o palco com artistas de destaque da música brasileira o Samba Chula de São Braz cruzou fronteiras e levou sua música para outros países, participando de eventos internacionais como a WOMEX – Copenhague, 2010, maior Feira de World Music do Mundo; o Festival Internacional da Primavera Rishon-LeZion – Israel, 2011; Festival Europalia Brasil 2011, na Bélgica e Holanda; Turnê Europa 2012 que passou pela França, com shows em Paris (Cité de La Musique), Marseille e Toulouse.
Em 2014 o Samba Chula de São Braz esteve presente na 20ª edição do PercPan – Panorama Percussivo Mundial e foi destaque no Festival Qatar Brasil 2014, realizado no Parque Mia, situado na capital do pais, Doha.

Na história do Brasil, conta-se muito pouco a respeito das mulheres negras. Na escola, são pouquíssimas as aulas que citem as grandes guerreiras e líderes quilombolas, ou que simplesmente mencionem a existência das mulheres negras para além da escravidão. Em um país em que a escravidão não é retratada como uma vergonha para a nação –  pelo contrário, ainda se insiste que a população negra não lutou contra esse quadro -, isso não é nenhuma surpresa.

Nós, brasileiros, passamos vários anos na escola aprendendo sobre todos os detalhes das vidas de Dom Pedro I e II, seus familiares, seus casos sexuais e viagens. Na televisão, os imperadores viram protagonistas de minisséries, enquanto os atores e atrizes negros são reduzidos a papéis de escravos sem profundidade. Grandes lutadores como Zumbi dos Palmares, Dragão do Mar e José Luiz Napoleão, são pouco mencionados. Aliás, eles são lembrados apenas no mês de novembro, em razão do Dia da Consciência Negra; mas as mulheres negras, que contribuíram de tantas formas na luta contra a escravidão e nas conquistas sociais do Brasil, nem sequer são mencionadas.

Cordel sobre Dandara dos Palmares, líder quilombola e companheira de Zumbi.

O esquecimento das mulheres negras na história é algo que contribui para a vilipendiação da população negra. Por conta disso, as garotas negras crescem achando que não há boas referências intelectuais e de resistência nas quais possam se espelhar. Para descobrir seus referenciais, é preciso que se mergulhe em uma pesquisa individual, muitas vezes solitária, juntando peças de um enorme quebra-cabeça para no fim descobrir que pouquíssimo foi registrado a respeito de mulheres como Dandara dos Palmares ou Tereza de Benguela – importantes líderes quilombolas.

Devido ao machismo, é muito difícil encontrar registros da história das mulheres, especialmente aqueles que sejam contados de forma aprofundada e responsável. Ainda hoje, poucas mulheres, mesmo entre as brancas ou europeias, são citadas e celebradas por suas conquistas. No entanto, quando essas mulheres são negras, a negligência é ainda maior. Em um país onde mais de 50% da população é negra, a situação desse quadro é absurda.

Mesmo com os esforços racistas para apagar a história das mulheres negras, racismo nenhum será capaz de enterrar a memória de ícones como Luísa Mahin e Tia Simoa. Mulheres negras inteligentes, com grande capacidade estratégica, imensa coragem e ímpeto de transformação, que jamais se conformaram ou se dobraram diante do racismo e da misoginia; pelo contrário, lutaram e deram suas vidas para que mulheres negras como eu pudessem viver em liberdade e escrever, ocupando espaços que, ainda hoje, nos são de difícil acesso.

Infelizmente, tive que descobrir essas guerreiras por conta própria, contando com a ajuda de outras mulheres negras, companheiras de luta, que me apresentaram textos e materiais onde suas vidas foram contadas, ainda que brevemente. Por isso, decidi utilizar minha produção literária, meus cordéis, para contar as histórias dessas mulheres e fazer com que mais pessoas tomassem conhecimento de suas batalhas e do quanto são importantes para a história do Brasil. Até o momento, tenho vários cordéis biográficos que contam as trajetórias de Aqualtune e Carolina Maria de Jesus, além de outras já citadas nesse texto.

Nosso papel é fazer com que essas mulheres negras sejam conhecidas e seus feitos sejam estudados. Seja por meio do cordel, das redes sociais ou de trabalhos acadêmicos, precisamos registrar e divulgar essas memórias. Com elas, provamos que a população negra sempre lutou por seus direitos, provamos que as mulheres negras sempre foram protagonistas dos movimentos negro e de mulheres e que nunca se omitiram ou saíram das trincheiras. Afinal, essas mulheres são espelhos e exemplos do que todas as meninas e jovens negras podem ser.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br

CORDÉIS BIOGRÁFICOS:

  DANDARA DOS PALMARES – cordel biográfico contando a história de Dandara dos Palmares, mulher negra guerreira na resistência contra a escravidão no Brasil, líder do Quilombo dos Palmares e companheira de Zumbi.

 

 

LUÍSA MAHIN (novo!) – cordel biográfico contando a história de Luísa Mahin, mãe do poeta Luís Gama e grande liderança na luta contra a escravidão no Brasil.

 

 

  CAROLINA MARIA DE JESUS (novo!) – cordel biográfico que conta a história da escritora Carolina Maria de Jesus, suas origens e vida na favela do Canindé, até ter seu primeiro livro publicado.

 

 

  AQUALTUNE (novo!) – cordel biográfico que conta a história da princesa africana Aqualtune, filha de um rei no Congo, que foi vendida como escrava e trazida para o Brasil. Grande ícone para as mulheres negras brasileiras, a história de Aqualtune envolve outras lideranças quilombolas como Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares.

 

TEREZA DE BENGUELA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Tereza de Benguela, líder quilombola do quilombo de Quariterê. Dia 25 de Julho no Brasil é oficialmente o dia de Tereza de Benguela, uma data para enfatizar a luta das mulheres negras no país.

 

 

  TIA SIMOA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Tia Simoa, esposa de José Luiz Napoleão e liderança na luta contra a escravidão no Ceará. O cordel também fala do Grupo de Mulheres Negras do Cariri, o Pretas Simoa, pelo qual a história de Tia Simoa se tornou mais conhecida.

 

 

Fonte: http://jaridarraes.com/cordel/

Mestre Leopoldina
Demerval lopes de Lacerda, Nascido em 12 de Fevereiro de 1933,O Mestre Leopoldina começou a aprender capoeira aos 18 anos, com o Quinzinho, um jovem malandro carioca, valente, temido e respeitado na região da Central do Brasil (RJ). Um ano depois, Quinzinho foi preso e assassinado na prisão. Leopoldina sumiu por uns tempos, e treinava sozinho, até que soube que Valdemar Santana, lutador bastante conhecido na época, trouxera da Bahia um capoeirista de nome Artur Emídio. Leopoldina foi apresentado a Artur, que o convidou para jogar. “Fui lá, meio envergonhado, e fiz aquilo que o finado Quinzinho tinha me ensinado. No começo a coisa correu bem, mas aos poucos Artur começou a crescer, e era pernada por tudo que era lado, e percebi que ele era mais fera ainda que o Quinzinho”. Foi assim que Leopoldina, aprendiz da capoeira carioca, foi apresentado à capoeira baiana.

Leopoldina continuou aprendendo com Mestre Artur Emídio, e hoje é Mestre consagrado, muito respeitado, tanto por seu jogo quanto pela habilidade com o berimbau, e por suas composições, admiradas e cantadas em todo o Brasil. É uma das maiores expressões da capoeira antiga, cheia de malandragem e

mandinga. É dono de uma simpatia e um carisma enormes, e já cunhou frases pitorescas do repertório da capoeira, como esta, que nos foi revelada uma vez em Guaratinguetá: “a capoeira é a maçonaria da malandragem!”. Viaja muito para a Europa e EUA, apresentando-se a convite dos mestres que ensinam no exterior.

Mestre Lua de Bobo
Edvaldo Borges da Cruz

Mestre Lua de Bobó, nasceu em Arembepe, no ano de 1950, ainda pequeno vai com a mãe – Dna. Maria Borges da Cruz, morar em Salvador, no bairro da Engomadeira.

Por volta de seus 15 anos conhece Mestre Bobó (Sr. Milton Santos) levado pelo amigo Bel. Primeiramente, treinou no fundo de quintal, “em terra batida”,

no Dique Pequeno do Tororó, em Salvador, BA, sempre na Academia de Capoeira Angola Cinco Estrelas.

Por esta academia passaram muitos capoeiristas além de ilustres visitantes. Como canta Mestre Lua de Bobó, “Mestre Bobó me ensinou com toda dedicação, agradeço a Deus do céu, o grande homem de valor, sou discípulo que aprende sou Mestre que dou lição”, Mestre Lua de Bobó tem a sua tradição”.

Passaram pela academia muitos capoeiristas, além de muitos outros ilustres visitantes..

Acompanhando seu Mestre por mais de 20 anos, inicialmente sendo chamado de “Olhar para Lua”, com o tempo passa a ser chamado pela capoeiragem baiana de Mestre Lua de Bobó, e em 1987, no Dique do Tororó, no clube Vasco da Gama, recebe oficialmente seu diploma de Mestre de seu Mestre Bobó (Sr. Milton Santos).

Após funda o Grupo de Capoeira Angola Menino de Arembepe (GCAMA) quando começa a ensinar na cidade de Arembepe e em Salvador BA no Clube de Regatas Vasco da Gama, no Dique do Tororó.

O Grupo de Capoeira Angola Menino de Arembepe foi fundado em 1987 por Mestre Lua de Bobó (Sr. Edvaldo Borges da Cruz) e oficializado em 1995, na cidade de Salvador, BA, Brasil.

O nome do grupo faz referência a sua infância, na praia de Arembepe em Camaçari, no litoral norte da Bahia.

Mestre Lua de Bobó, é um dos capoeiristas da Academia de Capoeira Angola Cinco Estrelas do Mestre Bobó (Sr.Milton Santos) que até hoje preserva a linhagem deixada por seu Mestre.

Seguindo os fundamentos recebidos, Mestre Lua desenvolveu um estilo próprio que se caracteriza pela habilidade e elegância dos movimentos assim como uma postura comprometida com o titulo de “Mestre da cultura da capoeira angola”. Imprimindo ao grupo e transmitindo a todos seus alunos o seu estilo, postura e elegância.

O grupo iniciou suas atividades na Associação dos Pescadores Unidos de Arembepe, em Arembepe, Camaçari BA, na gestão do Sr. “Lió” quando realizou seu “Iº Encontro de Capoeira Angola” em 1987, com a presença de vários capoeiristas de valor da Bahia como, Bobó, João Pequeno, Virgílio, João Grande, Curió, Pelé da Bomba e outros, assim como a companheira do falecido Seu Pastinha, D. Maria Romélia.

Em 1990 o grupo inicia suas aulas em Salvador, no Clube Regatas Vasco da Gama, no Dique do Tororó dividindo o espaço com Mestre Bobó. Onde permaneceu até 2001.

A partir de 2002 Mestre Lua de Bobó se muda definitivamente para Arembepe, passando a ministrar suas aulas e a realizar seu Encontro anual inicialmente na Associação Pescadores Unidos de Arembepe, até conseguir terminar a construção do seu espaço próprio.

Após muitas dificuldades e com a colaboração de alguns admiradores, no seu evento anual em janeiro de 2005, o grupo inaugura seu espaço à beira-mar num antigo terreno da família do Mestre Lua de Bobó, herdado de seus pais.

Localizado em frente à praia de Arembepe, o espaço torna-se um verdadeiro reduto angoleiro, uma fortaleza mágica construída pelo próprio Mestre.

O grupo tem como seus objetivos manter vivo os ensinamentos transmitidos pelo Mestre Bobó, ampliar a cultura e pratica da capoeira angola, como fonte de equilíbrio e de educação.

Fonte:meninosdearempbepe.org
Entrevista Somente Audio…

João Pequeno

João Pequeno
João Pereira dos Santos ou Mestre João Pequeno, (Araci, 27 de dezembro de 1917 – Salvador, 9 de dezembro de 2011) foi um mestre de capoeira brasileiro1 .
Biografia
Filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira. Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil como servente de pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame. Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha. Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno. No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”. Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió2 .

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade. Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande, João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó. Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos, Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo. Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, além de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela. João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a ideia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário2 . Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo (1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto número de discípulos. Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o título de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva2 .

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda, com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana. Além de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.2 Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

Fonte: Wikipedia

Mestree Waldemar

Mestre Waldemar

Waldemar Rodrigues da Paixão (Ilha de Maré, 1916 – Salvador, 1990), mais conhecido como Mestre Waldemar, Waldemar da Liberdade ou Waldemar do Pero Vaz, é um mestre de capoeira baiano.
A vida de Waldemar como capoeirista e mestre de capoeira começa na década de 1940, onde ele implanta um barracão na invasão do Corta-Braço, futuro bairro da Liberdade, onde joga-se capoeira e choquen pom todos os domingos, também ensinando na rampa do mercado na cidade baixa. Praticava uma diversidade de capoeira, dos mais lentos aos mais combativos, com afirmada preferência para os mais lentos1 .
Durante a década de 1950, a capoeira dele na Liberdade atrai acadêmicos, artistas e jornalistas. Os etnólogos Anthony Leeds em 1950 e Simone Dreyfus em 1955 gravam o som dos berimbaus. O escultor Mário Cravo e o pintor Carybé, também capoeiristas, freqüentam o barracão. Mais tarde, a maior parte dos renomados capoeiristas afirmam ter grande influência na capoeira de Waldemar, na de Mestre Cobrinha Verde do bairro de Nordeste de Amaralina até na de Mestre Bimba.
De acordo com Albano Marinho de Oliveira (1956), o grupo da Liberdade começou a cantar longos solos antes do jogo (hoje chamados ladainhas). O próprio Waldemar reivindicou, em depoimento a Kay Shaffer, ter inventado de pintar o berimbau. A fabricação e venda para os turistas de berimbau foi uma fonte de renda para mestre Waldemar.
Waldemar, como bom capoeirista, andou na sombra. Ficou discreto sobre suas atividades e breve em sua fala. Mal existem fotos dele antes de velho. Não procurou a fama e, apesar de seu notado talento de cantor e de tocador de berimbau, não integrou muito o mercado de espetáculo turístico. Também, a música que se escuta nas gravações de 1951 e 1955 é coletiva, sempre tendo, ao menos, um dialogo de dois berimbaus.


Velho e impossibilitado de jogar capoeira e de tocar berimbau pela doença de Parkinson, Waldemar ainda aproveitou um pouco do movimento de resgate das tradições dos anos 1980, cantando em diversas ocasiões e gravando CD com Mestre Canjiquinha.
Na Bahia existem um bairro e uma rua que recebem seu nome.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Conheça Mestre Moreno

Mestre Moreno

Almir José da Silva,  conhecido no mundo da Capoeira, como mestre Moreno,nascido em Minas Gerais, na cidade São João Del Rey, perto de Barbacena dia 05 de Julho de 1962 , Veio para São Paulo em 1970, começou a capoeira em 1974, e se formou mestre em 1994 com o Mestre Ananias. Hoje Comanda o grupo Centro Cultura Nago Capoeira Angola em Itaquera na Rua Bruno Zabala 113  Cj Jose Bonifacio Itaquera – sp

Informações obtidas direto com o Mestre Moreno.

Com um jogo bonito e descontraído o mestre Moreno alegra e encanta todos aqueles que gostam de uma bela Roda Capoeira… Axé

 

Conheça o Mestre Zé Baiano

Mestre Zé Baiano

José Joaquim de Andrade Filho, esse é o meu nome de registro, sou conhecido como “Mestre Zé Baiano”, nascido em Paripiranga no Estado da Bahia. Hoje aos sessenta e um anos leciono Capoeira Angola em minha casa aqui na cidade de Caraguatatuba, Estado de São Paulo, Brasil. Onde soma-se aproximadamente quarenta e cinco anos de prática, aprendizados e ensinamentos.

Durante essa minha trajetória a Capoeira Angola possibilitou-me formar sob os olhos de Mestre Gato Preto, seis alunos dando-lhes o merecido título de professor dos quais quatro deles estão comigo e fazem parte dessa grande escola que é a “Escola de Capoeira Angola Rei Zumbi”. Ainda no século XX, no início da década de 80 tive a opurtunidade de conhecer Mestre Gato Preto, que foi o responsável pelo meu aperfeiçoamento em ritmo de jogo, musicalidade, formação de bateria e fundamentos da Capoeira Angola. Os ensinamentos que ofereço aos meus professores e alunos são reflexos de anos de trabalho sob supervisão e orientação de Mestre Gato Preto. Sou eternamente grato ao saudoso Mestre Gato Preto.


Nossa História
Fui um garoto sofrido e de coração grande, mas também fui teimoso em amar a Capoeira! Graças a Deus, Eu sou… O que sou!!

Nossa História Última Edição em 28/03/2015

Mestre Zé Baiano contando histórias

Nossa história confunde-se com a minha vida. Nasci em Paripiranga-BA em 08/01/1947. Quando criança brincava de pernada na Capoeira. Em 1965 cheguei em São Paulo e aqui conheci Capoeira em 1972. Em 1984 conheci o saudoso Mestre Gato Preto-BA(José Gabriel Goés/ Berimbau de ouro de Santo Amaro / Nascimento 19/03/1930 – Falecimento 06/08/2002 ). Com ele aperfeiçoei os meus conhecimetos na Capoeira Angola e tudo que a envolve: Ritmo de canto, Jogo, Formação de bateria, Convivência Social e Fundamentos da Capeira Agola. Mantenho as tradições passadas por Mestre Gato que podem ser conferidas por você que acompanha nosso trabalho.Verifique nossos produtos em “Itens para a Venda”

Fonte: Site Rei Zumbi

Conheça Mestre Curió

Mestre Curió

Minha imagem é minha cabeça” – Mestre Curió

Publicado originalmente no fanzine Mandinga, em 7 de junho de 1998

Quem é o mestre Curió?

Meu nome é Jaime Martins dos Santos, uma pessoa muito sofrida e vivida no cenário da capoeira nacional.

E o apelido de Curió?

Meu avô também era capoeirista e se chamava Curió, e esse nome surgiu por causa disso, quando eu comecei na capoeira todo mundo falava, “É o mesmo jogo do avô!”. Tentaram uma época me chamar de Dois de Prata, porque eu usava muita prata, mas não pegou.

Como foi que o senhor entrou para o mundo da capoeira?

Eu comecei capoeira com seis anos, e nem gostava muito, mas eu estudava numa escola, e tinha uns amiguinhos maiores do que eu, e eles aproveitavam do meu tamanho e me batiam mesmo. E eu tenho toda minha família de capoeiras, eu senti que estava na hora de aprender, aí cheguei pro meu bisavô e disse: “Eu preciso jogar capoeira”, e ele respondeu: “Muleque, você já quer jogar capoeira, mas você não gostava!” Aí eu expliquei tudo a ele. Na primeira aula ele me espancou o que pôde, mas eu aguentei, e quando voltei para a aula, já mais esperto, os garotos quando vieram me bater esbarraram no meu pé e na minha cabeça.

Qual foi o seu contato com Pastinha ?

Minha relação foi através do finado mestre Besouro de Santo Amaro, meu bisavô, ele me disse que se eu quisesse continuar com a capoeira, tinha que procurar Mestre Pastinha, porque só ele era angoleiro de verdade e de confiança.

Qual foi o seu contato com Pastinha ?

Minha relação foi através do finado mestre Besouro de Santo Amaro, meu bisavô, ele me disse que se eu quisesse continuar com a capoeira, tinha que procurar Mestre Pastinha, porque só ele era angoleiro de verdade e de confiança.

Como era o Mestre Pastinha ?

Era uma figura incalculável, sutil, muito educado e que fazia seu trabalho com muita sinceridade e honestidade, mas era rígido, muito rígido, e foi graças a essa rigidez que ele deixou tantos alunos bons.

Como era a relação entre aluno e mestre ?

Hoje os alunos querem que o mestre corra atrás deles, mas, naquela época, os alunos é que corriam atrás do mestre, porque tinham interesse. Hoje não levam capoeira com sinceridade, senão seria outra coisa!

Qual a importância da capoeira Angola hoje em dia ?

A importância da capoeira Angola naquela época e hoje em dia, para mim, é a mesma coisa, porque eu continuo com essa fidelidade que Deus me inspirou, e me nomeou mestre por Pastinha, meu avô, meu bisavô, e que me fez encarar a capoeira de corpo e alma. E eu a faço com muita sinceridade e responsabilidade como aprendi na Escola Mestre Pastinha, e tudo aquilo que eu achei lá, é o que eu estou transmitindo para os meus verdadeiros alunos, aqueles que querem me acompanhar e que querem a verdadeira capoeira Angola.

Como você vê a evolução da capoeira ?

Eu não vejo evolução, para lhe ser sincero, eu vejo é a perdição. A capoeira é muito rica, ela não precisa de infiltrações de outras artes marciais, porque ela foi a primeira luta no Brasil, e ela já traz sua filosofia. E hoje, o que eu vejo é a descaracterização, estão tirando o brilho, a essência, o patrimônio da capoeira, botam luta-livre, judô, karatê, eu gostaria que as pessoas olhassem com mais sensibilidade. E hoje, como Presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA), eu estou brigando em busca da originalidade na capoeira, porque, meu amigo!, angoleiro, na Bahia, atualmente tem muito pouco, porque jogar no chão é uma coisa, descer é outra coisa e jogar Angola é outra coisa. Porque capoeira Angola é somada, multiplicada, dividida e subtraída.

E o futuro…

Eu não vou ficar para semente a vida toda, e a minha preocupação é com meus alunos, eu quero que eles tenham alguma coisa de mim quando eu fechar os olhos, quero fazer o mesmo que Pastinha fez, deixar alguém para levar essa capoeira mais a frente e não deixá-la morrer. Eu quero ensinar muita capoeira e ver se ganho algum também… Não posso mais fazer as coisas de graça, estou chegando numa certa idade, já passei da metade e não quero morrer à míngua, pedindo esmola aos leitos de hospitais públicos, como aconteceu recentemente com mestre Bobó, Waldemar, meu mestre, mestre Bimba também e eu estou preocupado. As pessoas só olham os mestres depois de mortos, eu digo aos meus alunos – se quiserem fazer algo por mim, façam enquanto eu estiver vivo, porque depois de morto não estarei vendo nada. Eu não quero morrer e deixar minha família passando necessidade, com meus à toa como os filhos de Bobó, que era uma pessoa que tinha alunos em tudo que é lugar do mundo, e estes, quando ele estava no hospital, nem ligaram! E aí fica difícil. Eu tenho fé em Deus, nos orixás, Cosme Damião, que eu vou obter sucesso. Minha imagem é minha cabeça, e eu não estou aqui me preocupando com o poder, com cargo, nem com força, estou preocupado com a capoeira.

Religião…

Eu vou em todas religiões, acredito em tudo e desacredito em tudo ao mesmo tempo, mas a que eu tenho mais ligação é a umbanda, porque a capoeira Angola, de certa forma, é umbanda. Eu tenho descendência de africano, de nagô, de índio, então eu estou mais para a magia negra.

Sucesso…

Quando seu sucesso atrapalha alguém eles fazem tudo para lhe derrubar. Às vezes eu digo – não me atrapalhem que eu não sou rico, apenas trabalho para sobreviver, eu não tenho inveja de ninguém, o mesu Deus seu, é o mesmo meu, quando o seu mundo termina o meu começa. Se você não puder me ajudar, não me atrapalhe!

Como o senhor vê esse grande número de academias pelo Brasil, ensinando a capoeira regional ?

Eles às vezes se ferem quando mestre Curió fala, mas eu falo porque tenho êxito, e a capoeira que fazem por aí é puramente de exibição, sem essência. Dizem que é a capoeira Regional de mestre Bimba, mas até a capoeira de Bimba deixou de ser a mesma, a capoeira dele era gostosa, cheia de artimanhas. Nessas academias o que se vê é o cara tomando bomba, fazendo halterofilismo para ficar que nem o Hulk para jogar capoeira, enquanto a capoeira não precisa nada disso, porque não se mede o homem pelo tamanho e pela estatura, e sim pela sua capacidade.

Fonte: Campo de Mandinga / Teimosia

Canjiquinha

Washington Bruno da Silva, nasceu em Salvador (BA), filho de D. Amália Maria da Conceição. Aprendeu Capoeira com Antônio Raimundo – o legendário Mestre Aberrê. Iniciou-se na Capoeira em 1935, na Baixa do Tubo, no Matatu Pequeno. “No banheiro do finado Otaviano” (um banheiro público). Filho de lavadeira, Mestre Canjiquinha foi sapateiro, entregador de marmita, mecanógrafo. Dentre outras atividades foi também jogador de futebol (goleiro) do Ypiranga Esporte Clube, além de cantor de boleros nas noites soteropolitanas.

Foi um visionário da capoeira, dizia sempre aos seus alunos” A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o mundo”. Tinha uma característica toda própria de tocar o berimbau, instrumento que segurava com a mão direita e tocava com a vaqueta na mão esquerda, mantendo o berimbau a altura do peito. Canjiquinha na sua ascensão, mesmo não tendo sido aluno do Mestre Pastinha foi Contra Mestre na academia deste. Ao sair fundou, já como Mestre, a sua própria academia. ASS. De capoeira Canjiquinha e seus amigos, fundada em 22/05/52, por onde passaram grandes capoeiras, alguns dos quais hoje renomados Mestres: Manoel Pé de Bode, Antonio Diabo, Foca, Roberto Grande, Roberto Veneno, Roberto Macaco, Burro Inchado, Cristo Seco, Garrafão, Sibe, Alberto, Paulo Dedinho (conhecido hoje como Paulo dos Anjos), Madame Geni (conhecido hoje como Geni Capoeira), Olhando Pra Lua (conhecido hoje como Lua Rasta), Brasília, Sapo, Peixinho Mine-saia, Papagaio, Satubinha, Vitos Careca, Cabeleira, Língua de Teiú, Urso, Bola de Sal, Boemia Tropical, Salta Moita, Melhoral, Lucidío, Bico de Bule, Bando, Dodô, Salomé, Mercedes, Palio, Cigana, Urubu de Botina, entre outros. Canjiquinha na sua academia jamais formou alunos, seguia a seguinte graduação: Aluno, Profissional, Contra Mestre, Mestre.

Participou também dos filmes “O Pagador de Promessas”, “Operação Tumulto”, “Capitães de areia”, “Barra Vento”, “Senhor dos Navegantes” e “A moça Daquela Hora”. Além de fotonovelas com Sílvio César e Leni Lyra. Fundou o Conjunto Folclórico Aberrê.

Canjiquinha foi o criador da festa de Arromba, jogava nas festas do Largo da Bahia. Nessas comemorações vários capoeiristas se reuniam e jogavam em troca de dinheiro e bebidas.

Outra Fonte:

Washington Bruno da Silva, Mestre Canjiquinha nasceu em 25 / 11 / 1925 e viveu até 08 / 11 / 1994, filho de José Bruno da Silva um grande alfaiate e de Amália Maria da Conceição uma lavadeira.

Nascido no Maciel de baixo n°06 (em cima do armazém de Nicanor) localizado nas imediações do Pelourinho. Seu apelido foi dado por amigo devido a um samba de Roberto Martins o qual era a única coisa que sabia cantar, Canjiquinha Quente era o nome da música.

Seu primeiro contato com a capoeira foi num local conhecido como banheiro de seu Otaviano na frente de uma quitanda no Matatu Pequeno, Brotas na Baixa do Tubo. Num dia de domingo em 1935 um cidadão chamado Antonio Raimundo (Mestre Aberre) convidou Canjiquinha a participar da brincadeira que ali rolava, e a partir da agilidade demonstrada por Canjiquinha mestre Aberre decidiu-o treinar. Passou 8 anos aprendendo, quando seu mestre disse: – Meu filho você corre este lugar aí, o que você ver de bom você pega e de ruim você deixa pra lá.

Neste lugar encontrei homens como: Onça Preta, Rosendo, Chico Três Pedaços, Zé de Brotas, Silva Boi, Dudu, Maré e outros.

Neste meio tempo foi sapateiro, carregador de marmita, tirava carga na feira com jegue, foi goleiro do Ypiranga esporte clube, mecanógrafo, e também apresentador de shows folclóricos.

Na opinião de Mestre Canjiquinha a capoeira não existe divisão entre angola e regional, ele dizia que ele era capoeira e obedecia ao toque, se tocar maneiro jogo amarrado, se tocar apressado você apressa.

Mestre Canjiquinha dono de um repertório inesgotável de músicas e improvisos, tendo uma grande facilidade de comunicação com o publico, acho que devido a essas foi convidado a participar de alguns filmes como: O Pagador de Promessas, Operação Tumulto, Capitães de Areia entre outros, alem de algumas fotonovelas com Silvio César e Leni Lyra. Teve como alunos alguns até renomados a mestre: Antonio Diabo, Burro Inchado, Madame Geni, Victor Careca, Robertão, Manoel Pé de Bode, Paulo dos Anjos, Brasília, Lua Rasta, Cristo Seco entre outros mais………….

“ Capoeira que é bom não cai
Mas quando cai, cai bem ”

Conheça o Mestre Meinha

Meinha

Messias do Santos, mais conhecido no mundo da capoeira como Mestre Meinha iniciou na capoeira no ano de 1966, com Mestre Avilmar, na academia de capoeira mocambos de zumbi,em São Paulo, formando-se a professor em fevereiro de 1972 e mestre.

Na década de 1979 à 1980 conheceu Jose Gabriel Goes (Mestre Gato Preto da Bahia) academia Berimbau de Ouro da Bahia, passando a ter treinamentos na capoeira angola.

Foi reconhecido a mestre capoeira angola no ano de 1999, pelo mestre Gato Preto em memória (in memorian), se considerando filho de mestre Leopoldina com quem convivi durante trinta anos, ate seu dia de óbito.

Mestre Meinha, é o mestre-presidente da Escola de Capoeira Angola Cruzeiro do Sul, onde realiza trabalhos com capoeira não Taboão da Serra.

Veja a Programação do Abril para Angola 2015 – Participe

Programação

O Evento será realizado em 4 dias, nas seguintes datas  23,24, 25 e 26 de Abril de 2015. A programação do evento conta com  inúmeras oficinas de Capoeira Angola ministradas pelos os mestres convidado, Samba de Roda, Lual, Fogueira, Rodas de Capoeira Angola, Jongo e Papoeira com os Mestres.

Veja abaixo a lista de mestres e oficinas que serão ministradas:

 

Dias e Horários

23/04/2015 – QUINTA – FEIRA

Local : à definir
15h:00min | Recepção de Boas Vindas e credenciamento dos inscritos
19h:00min | Abertura do Evento Apresentações: Danças Folclóricas
21h:00min | Homenagens – Mestres da Velha Guarda da Capoeira

  • Mestre Natanael – São Paulo
  • Mestre Kenura – São Paulo

21h:30min | Roda de Capoeira Angola com Mestres e Convidados
22h:30min | Roda de Samba

24/04/2015 – SEXTA – FEIRA

08h00min | Café da manhã e Boas Vindas
09h00min | Oficina de dança afro ( CM. Fábio
10h00min | Oficina Capoeira Angola

  • Turma A – Mestre Robinho
  • Turma B – Contra-mestra Gegê

11h30min | Roda de Capoeira
12h30min | Almoço
13h00min | Lazer
14h30min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turma B – Mestre Robinho
  • Turma A – Contra-mestra Gegê

16h00min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turmas A/B – Mestre Roberval

18h00min | Vivência de Capoeira – Mestre Bigo
20h00min | Jantar
21h00min |Fogueira ao ancestrais com contação de historias
22h00min | Tambor de Crioula- Mestre Amaral / Mestre Bamba

25/04/2015 – SÁBADO

08h00min | Café da Manhã
09h00min | Atividades Ludicas para vivenciar a capoeira – Contra-Mestre Cika
10h00min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turma A – Mestre Marrom
  • Turma B – Contra-mestra Tatiane

11h30min | Roda de Capoeira
13h00min | Almoço
14h00min | Lazer
15h00min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turma A – Contra-mestra Tatiane
  • Turma B – Mestre Marrom

16h30min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turmas A/B – Mestre Cavaco

18h00min | Vivência de Capoeira – (Mestre Boca Rica* )
20h00min | Jantar
21h00min | Noitada – Jongo – Mestre Marisco
22h30min | Samba de Roda –  Mestre Limaozinho
00h30min | Banda de reggea

26/04/2015 – DOMINGO

09h00min | Café da Manhã
10h00min | Bingo da Saudade
11h30min | Lazer e despedidas das Turmas A e B

Conheça Mestre Suassuna

Mestre Suassuna

Mestre Suassuna, Reinaldo Ramos Suassuna, é nascido em Ilhéus e criado em Itabuna.

Começou a praticar Capoeira em meados dos Anos 50 devido à orientação médica para praticar esportes e tratar assim de um problema de deficiência nas pernas. Teve seu início capoeirístico em Itabuna, tendo como seu 1º Mestre, o Mestre Maneca, aluno de Mestre Bimba e Zoião.

Naquela época, frequentava as rodas de rua, onde estavam presentes grandes capoeiristas da região, como os Mestres Sururú, Bigode de Arame e Maneca Brandão.>
Em 1972, Mestre Bimba visitou Mestre Suassuna em São Paulo, reconhecendo o seu trabalho e conferindo a ele um Certificado. Um dos mais importantes Mestres que a Capoeira já conheceu.

… tem uma coisa que a gente está começando a esquecer, que na Capoeira existem pessoas. Gente que é pra ser amigo da gente….(Mestre Suassuna)

Líder inconteste da capoeiragem em São Paulo e na região de Itabuna, de onde veio. Realizou o que para muitos era um sonho e uma meta, principalmente para Mestre Bimba e seus discípulos: instalar definitiva e solidamente a Capoeira no coração de São Paulo, a maior metrópole do país. Foi por eles reconhecido, nas palavras de Mestre Decânio, como “o apóstolo de Mestre Bimba em São Paulo”, liderando o grupo de pioneiros que aqui se encontravam. Daqui, a capoeira ganhou o mundo, e consolidou sua internacionalização.Fundador, em 1967, do Grupo de Capoeira Cordão de Ouro, um dos mais expressivos grupos da Capoeira brasileira e mundial, Mestre Suassuna é o principal responsável pela preservação do que há de melhor na movimentação e na arte da Capoeira.

Continua até hoje formando os seus “bambas” e orientando a todos que o procuram. Entre os muitos capoeiristas que Mestre Suassuna conheceu, dois foram de extrema importância para o desenvolvimento de seu trabalho, João Batestaca, ou Mestre João Grande, discípulo de Mestre Pastinha e Mestre Canjiquinha. Mestre João Grande influenciou o famoso Miudinho que é uma angola sarada que joga em cima, joga embaixo e joga dentro. Mestre Canjiquinha, artista que também era, influenciou toda a carreira artística de Mestre Suassuna.

 

Mestre Suassuna reinventou as seqüências da Capoeira e tem um vasto trabalho artístico e musical. Tão importante no nosso tempo quanto foram Mestre Bimba e Mestre Pastinha no século XX, Mestre Suassuna é ícone na Capoeira e tem reconhecimento internacional com discípulos atuando em vários países do mundo. Está no hall dos grandes nomes que trabalham em prol da capoeira e dos capoeiristas.

Fonte: Site Cordão de Ouro Mangalot

Reinaldo Ramos Suassuna, ou Mestre Suassuna, (Itabuna, 3 de julho de 1938) é um dos mais importantes mestres de capoeira no Brasil.1

Fundou em 1967, o Grupo de Capoeira Cordão de Ouro em São Paulo, e é considerado um dos maiores difusores da capoeira internacionalmente. Ele formou Mestre Caveirinha, Mestre Zambi ( Risadinha) entre outros.

Mestre
Decânio
Mestre
Suassuna
Mestre
Brasília
Mestre
Itapoan
Mestre
Esdras Damião
Mestre
Leopoldina
artur emidio
Mestre
Artur Emidio
Mestre
Deputado
Mestre
Gato (RJ)
Mestre
Dal
Mestre
Acordeon
Mestre
Zé Carlos “Tinta Forte”
Mestre
Zé Antônio
Mestre
João Grande
Mestre
João Pequeno
Mestre
Lua
Mestre
Gato Preto
Mestre
Gildo Alfinete
Mestre
Bola Sete
Mestre
Boneco
Mestre
Burguês
Mestre
Camisa
Mestra
Cigana
Mestre
Toni Vargas
boa gente
Mestre
Boa Gente
Mestre
Mestre
Peixinho
Mestre
Geni
Mestre
Gigante
Mestre
Ramos
Mestre
Barrão
Mestre
Nestor Capoeira
Mestre
Jelon
Mestre
Paulinho Sabiá
Mestre
Ousado
Mestre
Pelé
Mestre
Mão Branca
Mestre
Boca Rica
Mestre
Nacional
Mestre
Neco
Mestre Moa do
Catendê
Mestre
Gladson

miguel machado

Não há um capoeirista em São Paulo ou em outros estados brasileiros,( dos mais antigos) que não tenha de alguma forma treinado com o Mestre ou com algum dos seus discípulos,  espalhado por todo mundo em lugares como, Jamaica, Bélgica e muitos outros países, e no Brasil em São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e em grandes Cidades brasileiras como Ribeirão Preto e muitas outras o Grupo Cativeiro do mestre Miguel Machado vem escrevendo sua história há dezenas de anos. Presente pelo menos em 14 Países e em mais de 10 estados brasileiros.

Historia

O Grupo Cativeiro Capoeira rusulta da união de seis Mestres de Capoeira: Miguel, Caoi, Belisco, Ely, Rodolfo e Sidney, responsáveis pelo melhor nível técnico da capoeira treinada nas academias, festas e praças no Estado de São Paulo e no Brasil. Porém, por broblemas particulares de cada um, pararam com a prática da capoeiragem, ficando só Mestre Miguel.

A Capoeira, na década de 1970, durante o governo do Presidente Médice, e oficializada como Esporte Nacional. Em todo o país são organizados seminários e simpósios para se estabelecer critérios, regras e conceitos para se criar federações e campeonatos estaduais e nacionais.

Mestre Miguel participou do primeiro Campeonato Paulista em 1975, quando se sagra Campeão Paulista na categoria de Peso Médio para, em seguida, representando o Estado de São Paulo, ser o único Campeão Brasileiro, na categoria Peso Médio. Na década de 80 , sagra-se Campeão Universitário Paulista pela UMC – Universidade de Mogi das Cruzes.

Mestre Miguel preocupava-se com a conotação que a entidade governamental federal, oficial, dava e pretendia enquadrar os capoeiras e capoeiristas. Como pretensão maior, queria desenvolver nos capoeiristas um falso nacionalismo, como, por exemplo:

– graduação de capoeiristas baseada nas cores da Bandeira Brasileira;

– critérios e conceitos militares; por exemplo: antes de começar as aulas de capoeira nas academias, ou nas rodas realizadas em ruas e praças, todos os alunos se perfilam em posição de “sentido”, em saudação á Bandeira Nacional, gritando “Salve!” (como acontecia nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul);

– Saudação ao Mestre para começar a roda: Em Curitba (Paraná), o aluno negro tinha que beijar a mão do “Mestre”, em sinal de respeito.

Infelizmente, hoje em dia, no limiar do Ano 2000, final do Século XX, o oportunismo e escravismo continuam neste país, de Norte a Sul, de Leste a Oeste: falsos mestres, falsos angoleiros, falsos professores, intelectuais, homossexuais, falsos educadores, falsos administradores de capoeira, fazem qualquer negócio com a cultura negra para se realizarem e se dar bem na vida. Mas nós, do Grupo Cativeiro Capoeira, nascemos e viemos para combater essas perversões onde quer que elas se manifestem: a demais, centros de capoeira, ruas, praças, festas de largo, etc.

O Grupo Cativeiro Capoeira segue nesta lute desde a década de 1970, tendo, como objetivo principal: integrar e socializar, respeitando características históricas, sociais, econômicas e culturais de cada um para negro, branco, pobre, rico, homem, menino e mulher, se lembre que NÃO DEVE SER CATIVO DE NIGUÉM.

Grupo Cativeiro em Ribeirão Preto

O mestre Miguel veio a Ribeirão Preto para divulgar o Cativeiro e deixou três mestres para treinar os interessados. “O mestre Garcia era um desses instrutores e acabou trazendo o projeto para Franca. Ele morava em Ribeirão e vinha aos fins de semana para cá. Com o passar do tempo, ele transferiu as responsabilidades para um professor chamado Mateus.

Dos formandos do Mateus, saiu um mestre francano, o Cavalo, que hoje reside e atua no México. Foi esse mestre quem formou os contramestres que hoje tocam o projeto em Franca: Adriano Isaias de Andrade, Alexandre Isaias de Andrade e eu”, disse Evaldo.

Aulas

O Cativeiro oferece aulas pagas em sua sede e gratuitas em centros comunitários e escolas. A sede do grupo fica na avenida Brasil, 494, na Vila Aparecida. Os telefones para contato são 9 9140-6755 ou 9 9197-7655. Todos os sábados, a partir do meio dia, o grupo faz uma roda livre de capoeira na Praça Barão, no Centro, para mostrar à comunidade um pouco mais sobre essa arte.

Conheça Mestre Zumbi

Zumbi

José dos Santos Pinto, mais conhecido como “Mestre Zumbi” exerce seus trabalhos na Associação de Capoeira Santamarense. Formado pelo Mestre Zumbi, abriu sua academia em Santo Amaro e depois na Cupecê na Cidade Ademar, formou diversos professores e mestres, sito alguns deles…. Mestre Sarará, Mestre Tarzan(finado), Mestre Toninho, Mestre Mussum, Mestre Carioquinha (Hoje no Chile)… e muitos outros – Frequentador assíduo das rodas da República e com um coração de bondade indescritível.

A Foto é para dar uma noção do tamanho da encrenca que o outro capoeira enfrentaria, dono de um jogo envolvente brincalhão e técnico, o mestre Zumbi se divertia muito enquanto aplicava martelos, rasteiras, cabeçadas e tesouras nos seus oponentes…. ainda me lembro que o Mestre Juntava os mais graduados para fazer treinos de emboscada na Santamarense. As demais memórias e histórias deixo para contar pessoalmente, temos muitas outras.

A Vida de Mestre Zumbi

Inicio
Nascido em 26 de Outubro de 1949 na cidade de Muritiba – BA , Jose dos Santos Pinto, filho de Domitilia de Araujo Pinto e Antonio Manoel dos Santos , conhecido no mundo da capoeira como Mestre Zumbi ( apelido recebido de Mestre Gilvan por ser um Negro forte , destemido e Guerreiro nas rodas de capoeira) , iniciou sua caminhada na capoeira em 1961 com Mestre Roxinho onde praticou a arte até o ano de 1968 e neste período teve tbem uma passagem por Salvador

Chegada a São Paulo
Veio para São Paulo em 1968 para trabalhar em obras e em uma delas conheceu Mestre Natanael que lhe fez o convite para treinar onde o apresentou para o Mestre Silvestre (Formado por Mestre Caiçara )no ano de 1970) permaneceu até 1973 treinando na Associação de Capoeira Vera Cruz no bairro da Vila Mariana

Associação de Capoeira Santamarense
Em 1973 Mestre Zumbi fundou a Associação de Capoeira Santamarense devido o Bairro de Santo Amaro ser seu reduto onde sempre viveu e onde foi fortalecido seu nome (Zumbi de Santo Amaro), nas décadas de 70 e 80 aproximadamente Mestre Zumbi fez parte do Grupo de Shows da equipe Cordão de ouro (presidida por Mestre Suassuna ) onde em suas apresentações e treinamentos aperfeiçoou sua agilidade, destreza e domínio do corpo, esta equipe realizava apresentações por todo Brasil, nesta época a sua rotina de treino já ocupava uma média de 8 a 12 horas diárias
Mestre Zumbi sempre foi ousado, pois além das apresentações com o Grupo de Shows viajava o Brasil todo frequentando as várias rodas de rua de Capoeira, além de fazer shows de rua onde pulava arcos de faca e vendia ervas e pomadas medicinais

Capoeira de resistência

Capoeira já era sua forma de ganhar dinheiro para sobreviver , nas décadas de 80 e 90 foi o auge da sua capoeiragem, pois frequentava a temida roda de rua da Praça da República fundada em 1953 por Mestre Ananias, esta roda ficou muito famosa pois é o celeiro dos melhores e habilidosos capoeiras da época, neste período também como várias outras manifestações negras a capoeira era perseguida e vários de seus praticantes foram presos sem justificativas e sim apenas por praticar a arte nas praças e ruas .

A Rasteira da vida, a força e retorno do guerreiro

Foi acometido em 2000 a um Avc que o quase tirou de suas atividades, mesmo ficando 2 anos sem andar e sem falar não desistiu da Capoeira por amor e respeito a arte, isto o fez ter forças para resistir e buscar a sua recuperação e até hoje continua na luta, voltando com mais força reinaugurou a sua academia na Av. Cupecê
E com esta força de vontade hoje Mestre Zumbi esta de volta as rodas cantando e Jogando
Comemorando seus 50 anos de Capoeira como sempre viveu, com força, energia, vitalidade e muita disposição

Fonte : Biografia ( Chocolate)
Mestre Zumbi em todo seu período de capoeira fez alguns discípulos e formados

O Projeto Capoeira na Praça visa valorizar a tradição e os fundamentos da Capoeira a partir do conhecimento e a vivência da figura do Mestre resgatando as rodas nas ruas campos e praças , expandindo em outros espaços e regiões . Pretendendo assim , reconhecer e itensificar o trabalhjo já realizado pelo Mestre Zumbi , fortalecendo a roda na praça do Jardim Miriam e expandindo para no mínimo mais 05 praças e campos ( campinhos de futebol da comunidade) região.

Santamarense no Chile

Nuestro grupo esta formado por aproximadamente 25 miembros activos los cuales somos instruidos en el arte de la capoeira por nuestro instructor “Gamela”; quien es dicipulo de mestre “Carioquinha”; quien a su vez es dicipulo del gran mestre “Zumbi”

En 1989 llego a Chile el Mestre de capoeira Celio Goçalves Dos Reis más, conocido como Mestre;”Carioquinha”; formado por el Mestre José Dos Santos Pinto, más conocido en el mundo de la Capoeira como gran Mestre “Zumbí”. Cuando Mestre Carioquinha llego a Chile no comenzó a enseñar Capoeira. Su trabajo era de chofer de camiones.
En 1995 nuestro Mestre participo en un programa de televisión en el cual lamentablemente sufrió un accidente, el cual lo dejo invalido, perdiendo el 70% de movilidad en su cuerpo; sin importarle su condición comenzó a dar clases de Capoeira en Santiago de Chile en la comuna de Maipú.
En 1999 fue a dar diferentes exhibiciones de Capoeira en la V región, más específicamente en la comuna de Cartagena; fue ahí donde conoció a Pablo Salazar Del Rió quien ya desempeñaba su labor como capoerista en la zona.
Pablo Salazar al no pertenecer a ningún grupo y no tener Mestre; decidió comenzar a practicar con Mestre Carioquinha.
En el año 2003 Pablo Salazar viaja a Brasil, específicamente a la ciudad de Sâo Paulo, en donde se encuentra la Asociación de Capoeira Santamarense, la cual es dirigida por nuestro gran Mestre “Zumbí”. Pablo ahí practico para conocer más sobre fundamentos de la Capoeira.
El 27 de Julio del 2003 Pablo Salazar Del Rió recibió su formatura de manos de Mestre “Zumbí”; y con la autorización de Mestre “Carioquinha”; Pablo Salazar, más conocido en la Capoeira como Instructor “Gamela”; se desempeña en su trabajo en la V región (en San Antonio Y Cartagena) enseñando lo que es la Capoeira.La Asociación de Capoeira Santamarense se encuentra en estos momentos con un numero aproximado de 300 miembros activos a lo largo de todo Chile.

Las clases se imparten en diferentes partes de Chile y son tres las personas que están a cargo: en Santiago, a la cabeza del grupo nuestro Mestre “Carioquinha”, imparte clases en la comuna de Maipú.

En Melipilla y Lo Ovalledor las clases son impartidas por el estagiario “Julio … .

En San Antonio y Cartagena las clases son impartidas por el instructor “Gamela”.

En el verano del 2004, fuimos visitados pro el Profesor “Pinta negra”, quien también es formado por Mestre “Zumbí” mientras estaba con nosotros “Pinta negra”; impartió diversas clases y seminarios en nuestra zona.

Silvestre

Silvestre Vitório Ferreira, na Bahia chamado Ferreirinha, aqui conhecido por Silvestre, foi aluno de Mestre Pastinha, treinou algumas aulas com Mestre Bimba e foi formado de mestre Caiçara. Em 1966 trouxe sua capoeira para São Paulo.

Mestre Silvestre foi o fundador do Grupo de Capoeira Vera Cruz e ensinou por muitos anos na Praça da Árvore em São Paulo. Este local aonde funcionou por muitos anos a academia Vera Cruz, era um cinema, e haviam pelo menos 3 rodas de capoeira na academia, o Mestre Formou muitos Capoeiras, como Mestre Zumbi,Pigmeu, entre outros.

Fonte: Romário

Tenho muitas histórias legais dessa época, mas prefiro contar pessoalmente….

Além disso na Academia também podíamos encontrar o Mestre Carlos ( Irmão do Mestre Silvestre ) o Mestre Bira do Reggae seu Filho e muitos visitantes para participar das rodas e batizados sempre lotados.

Pessoalmente tinha uma amizade muito boa com o Mestre, que Deus o tenha ao seu lado nas rodas lá no Céu.

Em 1972 fundou a Federação Paulista de capoeira juntamente com outros Mestres.

Nascido em 29 de julho de 1946 e faleceu em 21 de setembro de 2003

Mestre Virgilio

Mestre Virgílio de Ilhéus (BA) José Virgílio dos Santos, mais conhecido como Mestre Virgílio, 83 (em 2017) anos, é o mais antigo representante da velha guarda da Capoeira Angola de Ilhéus. Iniciado na capoeiragem aos 09 anos de idade, em meados de 1943, aprendeu o jogo com velhos angoleiros como os mestres Chico da Onça, Claudemiro, João Valença e Barreto. Na década de 50 foi formado Contra-Mestre por Mestre João Grande, que morou alguns anos na região de Ilhéus, sendo conhecido como João Bate-Estaca. Atualmente coordena a Associação de Capoeira Angola Mucumbo e desenvolve um trabalho de Capoeira Angola no Terreiro Matamba Tombenci Neto no bairro da Conquista e na comunidade de Olivença em Ilhéus, ( mãe Ilza) todos sem fins lucrativos. O mestre tem viajado pelo Brasil divulgando a Capoeira e lançou um cd recentemente com 20 composições, com fomento do projeto Capoeira Viva.

Fonte Cedefes

O Mestre Virgílio,  ( Conhecido como Mestre Virgílio de Ilhéus) com mais de  73 anos de dedicação à Capoeira Angola. Suas aulas estão sendo ministradas no Teatro Municipal de Ilhéus e na Casa do Artistas, dando seguimento com o seu trabalho de fortalecimento do Grupo de Capoeira Angola Mucumbo. Antigo morador de favela tira do cotidiano excelentes letras acompanhadas com a percussão típica da Capoeira Angola.

Conheça Mestre Eziquiel

Mestre Eziquiel

Mestre Eziquiel – Grupo Luanda

Iniciou-se na Capoeira ainda menino, aprendendo-a de oitiva, coisa comum aos meninos de Salvador. Somente na década de 1960, levado por Sacy aluno de Mestre Bimba, chegou ao Centro de Cultura Física Regional-CCFR, de onde não saiu mais, formando-se lenço azul do Mestre Bimba e um dos seus mais fiéis discípulos, informação dada pelo Prof. Romario Itacare do Grupo Luanda.

Foi por muito tempo da Polícia Militar Baiana, onde iniciou sua carreira de Mestre de Capoeira ensinando no quartel dos dendenzeiros. Mais tarde, com a partida de Mestre Bimba para Goiânia (1972), assumiu, juntamente com Mestre Vermelho 27, a responsabilidade pela academia do antigo Mestre no Terreiro de Jesus em Salvador. Por fim, acabou por fundar seu próprio grupo, junto do Mestre Franklin, o Grupo Luanda, com sede no Bairro do Resgate (Cabula), próximo a sua casa. O grupo tinha a intenção de realizar shows e divulgar a cultura baiana, e com ela o Maculelê, a Puxada de Rede, e principalmente, a Capoeira.

Um dos maiores divulgadores da Capoeira pelo Brasil e pelo mundo, fez parte dos Grupos Folclóricos Olodum e Grupos Folclóricos Olodumaré, participando inclusive do Festival Internacional de Folclore, em Salta na Argentina. Com esses grupos obteve o primeiro lugar em dois anos consecutivos. Mais tarde, em Quito, Equador, sagrou-se também “Campeão de Folclore”, recebendo o “Huminaua de Oro”, e Campeão Brasileiro de Ginga.

Como discípulo de Mestre Bimba é, juntamente com Mestre Itapoan, um dos maiores responsáveis pela disceminação da filosofia e dos conhecimentos de seu Mestre e da Capoeira Regional pelo mundo da Capoeira. Mestre Itapoan comandando a parte teórica e histórica da Regional, e o saudoso Mestre Eziquiel preparando os esquetes dos jogos de Iuna, Benguela e São Bento Grande, como também, das sequências e balões ensinados no CCFR.

A figura humilde, alegre e amiga de Mestre Eziquiel sempre foi uma porta aberta para qualquer pessoa interessada em aprender um pouco mais. No passado, a voz marcante, com um estilo único de interpretar, fez dele um dos maiores cantadores e compositores da Capoeira, enquanto, no presente, a saudade e o vazio deixados por sua partida o tornam uma das maiores presenças em nosso meio.

Ratinho

Associação de Capoeira Angola Rabo de Arraia (ACCARA). Um dos mestres mais antigos e referência da capoeira angola gaúcha, Mestre Ratinho narra a sua trajetória na capoeira desde os anos 1970, revelando a sua contribuição para a consolidação desta arte em Porto Alegre. Fala sobre a sua atuação junto ao grupo Rabo de Arraia e discorre sobre a complementaridade entre os saberes popular e acadêmico a partir de sua experiência como professor de Educação Física no ensino superior. Vídeo realizado em 17 de maio de 2014, na Praça Otávio Rocha.

Conheça o Mestre Cobra Mansa

Cobra Mansa

Cinézio Feliciano Peçanha é natural do Rio de Janeiro. Nascido em 19/05/1960. Começou na capoeira em 1973 junto com Mestre Josias da Silva e Raimundo no Rio de Janeiro, mais precisamente em Duque de Caxias. Jogou capoeira em rodas de Duque Caxias com os mestres Russo e Peixinho de Caxias. Em 1974 Cobra Mansa começou estudos em capoeira com o Mestre Moraes sempre na modalidade Angola. Antes de dedicar sua vida à Capoeira de Angola, Cobra Mansa trabalhou como fotógrafo e como vendedor de rua. Em 1979 foi para Belo Horizonte, onde trabalhou como policial por 2 anos. Em 1981 passou a residir em Salvador, em 1992 juntamente com Mestre Moraes funda o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP), onde por um período, também teve a oportunidade de treinar com Mestre João Grande (Discípulo de Mestre Pastinha).Mestre Cobrinha mudou-se para os Estados Unidos, onde abriu uma escola em Washington DC, em 1994. Posteriormente começou a atuar como professor adjunto na George Washington University.

Em 1996, Cobra Mansa deixa o GCAP e funda a International Capoeira Angola Foundation (ICAF) em Washington e, junto aos Mestres Jurandir e Valmir, expande a ICAF e cria uma comunidade com escolas filiadas em várias partes do mundo, a Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA).

Em 2004 ele deixou os EUA e voltou a residir em Salvador, no Brasil, criando o Kilombo Tenonde, organização que atualmente situa-se na cidade de Valença, região sul da Bahia. O Kilombo Tenonde atua no ensino e divulgação da Capoeira e no desenvolvimento de projetos de agricultura orgânica.

O Mestre Cobra Mansa participou de vários documentários como Capoeiragem na Bahia, No Rastro da Cobra, Mandinga em Manhattan, Mandinga em Colômbia entre outros. Recentemente ele completou uma jornada pela região centro-oeste da África, em busca das raízes da Capoeira naquele continente. Esteve por 06 anos viajando para Angola e Moçambique pesquisando sobre o “N’golo” e outras tradições culturais locais que tenham contribuído de alguma forma, no passado, para o desenvolvimento da Capoeira. Foi condecorado embaixador cultural pela embaixada do Brasil em Chicago , co-diretor nos documentários Mandinga em Manhattan, Mandinga em Colômbia e Jogo de corpo, ganhou em 2º lugar o concurso de jardinagem na Rússia .

Realizou e ministrou palestras em diversos lugares do Brasil e do Mundo suas pesquisas sobre o arco musical e as danças e lutas e jogos de combate em Moçambique, África do Sul, Namíbia e Angola .

Tem ministrado palestras sobre Permacultura e Capoeira Angola em países como Rússia, Trinidad e Tobago,Costa Rica, entre outros. Atualmente promove o Permangola, um evento que envolve a permacultura e capoeira.

E como a busca por conhecimento não pode parar, o Mestre está atualmente fazendo Doutorado em Educação na área de Difusão do Conhecimento.

Fonte: Informações obtidas diretamente com o Mestre Cobra Mansa.

Mestre Zelão

José Carlos dias Chaves, conhecido na capoeira como Mestre Zelão nasceu em São Luiz do Maranhão no dia 27 de Abril de 1967,iniciou a capoeira no inicio da década de oitenta em São Luis do Maranhão, com os mestres Baiano e Bira no Grupo Marabaiana,

Veio para São Paulo no final de 1986,se integrou no Grupo Cativeiro no final da década de oitenta, tendo de inicio o Mestre Miguel( Miguel Machado ou Miguel Preto para alguns) e consecutivamente os mestres Biné e o mestre Cavaco, Mestre Zelão saiu do grupo Cativeiro nos inicio dos anos noventa. Com o Mestre Cavaco  se formou professor de capoeira no inicio de 1990, fundou junto com os professores Djavan, Martinho, Pernambuco, Gaucho e o mestre Cavaco o Grupo Negaça capoeira angola no ano de 1995.

 

No Grupo Negaça foi intitulado pelo mestre Cavaco a contra mestre em 2005. Permaneceu no grupo até 2009, quando fundou o grupo capoeira angola Mutungo,onde até os dias atuais dirije um trabalho de capoeira angola em São Paulo

Mestre Bimba

A Vida
Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado) filho de Luiz Cândido Machado e Maria
Martinha do Bonfim, nasceu no bairro de Engenho Velho, freguesia de brotas, Salvador
Bahia em 23 de novembro de 1900. Recebeu esse apelido devido a uma aposta que sua
mãe fez com a parteira que o ” aparou ” . Ao contrário do que a Mãe achava, a parteira
disse que iria nascer um menino, se fosse receberia o apelido de “Bimba” pôr se tratar, na Bahia, de um nome popular do órgão sexual masculino.
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A Prática
Começou a praticar capoeira aos 12 anos de idade na estrada das Boiadas, hoje o Bairro
Negro da Liberdade, com o africano Bentinho, capitão da navegação Baiana. Foi estivador durante 14 anos e começou a ensinar capoeira aos 18 anos de idade no Bairro onde nasceu no “Clube União em Apuros”. Até 1918 não existia academias como hoje e treinava-se nas esquinas, nas portas dos armazéns e até no meio do mato.
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O Surgimento da Regional
Consideramos ineficaz e muito folclorizada a capoeira da época, devido ao fato de os
movimentos eram extremamente disfarçados, mestre Bimba resolveu desenvolver um estilo de capoeira mais eficiente, inspirando-se no antigo “Batuque” (luta na qual seu pai era um grande lutador, considerado até um campeão) e acrescentando a sua própria criatividade, introduziu movimentos que ele julgava necessário para que a capoeira fosse mais eficaz. Então em 1928, mestre Bimba criou o que ele denominou “Capoeira Regional Baiana” por ser esta praticada única e exclusivamente em Salvador.


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O Reconhecimento da Capoeira no Brasil
A partir da década de 30, com a implantação do Estado Novo, o Brasil atravessou uma fase de grandes transformações políticas e culturais, onde os ideais nacionalistas e de modernização Ficaram em evidência. Nesse contexto, surge a oportunidade de Mestre Bimba fazer com que o novo estilo de capoeira alcançasse as classes sociais mais privilegiadas. Em 1936 fez a 1º apresentação do trabalho e no ano seguinte foi convidado pelo governador da Bahia,o General Juracy Magalhães, para fazer uma apresentação do palácio do governador onde estavam presentes autoridades e convidados, inclusive o presidente da época que gostou
muito da apresentação. Dessa forma a capoeira é reconhecida como”Esporte Nacional” Mestre Bimba foi reconhecido pela Sec. Ed. Ass. Pública ao estado da Bahia como Professor de Educação física e sua academia foi a 1ª no Brasil reconhecida por Lei.
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A diferença
O que faz com que Mestre Bimba se destacasse do demais capoeiristas de sua época, é que ele foi o 1º a desenvolver um sistema de ensino e a ensinar em recinto fechado. Além desse sistema , ele elaborou técnicas de defesa Pessoal até mesmo contra armas . Mestre Bimba preocupava-se demais com a imagem da Capoeira, não permitindo treinar em sua academia aqueles que não trabalhavam nem estudavam.
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A Morte
Em 1973, Mestre Bimba, por motivos financeiros, deixou a Bahia, sob acusação de que os “Poderes Públicos” Jamais haviam o ajudado. Faleceu em Fevereiro de
1974 em Goiânia, vítima de um derrame cerebral.

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Antigo Método de Treinamento de Bimba
Mestre Bimba desenvolveu o 1º método de ensino que vemos a seguir como ele funcionava:
• Exame de admissão
Dizia-se que em outros tempos, Mestre Bimba aplicava uma “Gravata” no pescoço do
indivíduo que quisesse treinar e dizia “Agüenta ai sem chiar”, Se agüentasse o tempo que ele mesmo determinava estaria matriculado. Mestre Bimba justificava esse critério dizendo que só queria macho em sua academia. Mais tarde mudou os critérios, Submetendo o Candidato a fazer alguns movimentos para que ele pudesse avaliar se o pretendente tinha condição ou não para praticar a capoeira regional. A próxima fase seria aprender a “Seqüência de Ensino”.
• O Aprendizado
O aluno nesse fase aprendia o que se chamava “Seqüência de Ensino” que eram as oito
seqüências de movimentos de ataque, esquivas e contra ataque destinadas somente aos
iniciantes, simulando as situações mais comuns que o aluno enfrentaria durante o jogo de capoeira.
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Observação:
Esse foi o 1º método de ensino criado para ensinas alguém a jogar capoeira e o calouro
treinava essas seqüências em duplas sem o acompanhamento dos instrumentos. Quando
estas estivessem bem decoradas o Mestre dizia: “Amanha você vai entrar no aço, no aço
do Berimbau”.
Era comum naquele tempo dizerem que o capoeirista quando agarrado, não tinha como
reagir. Então mestre Bimba, com sua criatividade ensinava seus alunos quais eram as
melhores saídas.Todos esses ensinamentos faziam com que o método de mestre Bimba
fosse incomparável e esse treinamento durava cerca de 3 meses só então é que o aluno
seria batizado.
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O Batizado
O batizado era quando o aluno jogava pela 1ª vez na roda com o acompanhamento dos
instrumentos que era formado por 1 berimbau e 2 pandeiros. O mestre escolhia o formado que jogaria com o calouro e então tocava o toque que caracteriza a capoeira regional, para isso o calouro era colocado no centro da roda para que o formado ou o próprio mestre desse um apelido a ele. Escolhido o “nome de guerra” todos aplaudiam e então o mestre mandava o calouro pedir a “Benção” do padrinho, e ao estender a mão para o formado que o batizou, receberia uma “Benção”(Golpe frontal dado com a parte inferior do pé empurrando o adversário na altura do peito) que o jogava no chão.
Era necessários pelo menos, 6 meses de treino para se formar na Capoeira Regional. O
exame era realizado em 4 domingos seguidos, no Nordeste de Amaralina, academia do
mestre, os alunos a serem examinados eram escolhidos por ele. Durante 4 dias os alunos
eram submetidos a algumas situações onde teriam que mostrar os valores adquiridos
durante a fase de aprendizado, como por exemplo: força, reflexo, flexibilidade e etc. No
último domingo é que o mestre dizia quem havia sido aprovado e então ensinava novos
golpes e também marcava o dia da formatura.
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A Formatura
A cerimônia iniciava com uma roda de formados antigos para que as madrinhas e os
convidados pudessem ver o que era a Capoeira Regional. Mestre Bimba ficava ao lado
do som, que era formado por 1 Berimbau e 2 pandeiros, comandando a roda e cantando
as músicas características da Regional. Terminada a roda, o mestre chamava o orador que geralmente era um formado mais antigo
para falar um breve histórico da Capoeira Regional e do mestre.
Após o histórico, o mestre entregava as medalhas aos paraninfos e os lenços azuis (Graduação dos Formados) as madrinhas.O paraninfos colocava a medalha ao lado esquerdo do peito do Formado e as madrinhas colocavam os lenços nos pescoços dos seus respectivos afilhados. A partir dai os formados demonstravam alguns movimentos a pedido do mestre para mostrar a sua competência, incluindo os movimentos de “cintura desprezada”, “jogo de floreio” e o “escrete” que era o jogo combinado com o uso dos Balões.
Para terminar, chegava a hora do “Tira-medalha” onde o recém formado jogava com um
formado antigo que tentava tirar a sua medalha com qualquer golpe aplicado com o pé. Só então depois de passar por isso tudo é que o aluno poderia se considerar aluno formado de mestre Bimba, tendo direito até de jogar na roda quando o mestre estivesse tocando Iuna que é o toque (onde quem joga hoje são só os mestres) criado por ele para esse fim. A partir dai só restava o curso de especialização que veremos a seguir.
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O Curso de Especialização
Tinha duração de 3 meses, sendo 2 na academia e 1 nas matas da Chapada do Rio Vermelho Tratava-se de um treinamento de guerrilha, onde aconteciam as emboscadas, armadilhas e etc., que consistia em submeter o formado a situações das mais difíceis, desde defender-se de 3 ou mais Capoeiristas, até defender-se de armas. Terminado o curso, o mestre fazia a mesma festa para os novos especializados, e estes recebiam o lenço vermelho a cor que representava a nova graduação. O aluno que se formava ou se especializava, tinha a o dever de pendurar um quadro com a foto mestre, do padrinho, do orador, e a própria foto.
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Conclusão
Mestre Bimba realmente foi o grande “propulsor” da Capoeira no Brasil mas , muitos dos Métodos citados acima não são mais usados na verdade grande parte deles não existe mais a muito tempo mas, foram muitos úteis. Para nós Capoeiristas só resta dizer: Muito obrigado ao Mestre Bimba.

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Jose Carlos dos Santos, Mestre Limãozinho, nascido na cidade de Salvador em 15/09/1957. Formado em 3 de dezembro de 1972, pela Academia de Capoeira Quilombos dos Palmares do Mestre Paulo Limão.

Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha (Salvador, 5 de abril de 1889 — Salvador, 13 de novembro de 1981), foi um dos principais mestres de Capoeira da história.1

Mais conhecido por Mestre Pastinha, nascido em 1889 dizia não ter aprendido a Capoeira em escola, mas “com a sorte”. Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha no jogo, ainda garoto. Em depoimento prestado no ano de 1967, no ‘Museu da Imagem e do Som’, Mestre Pastinha relatou a história da sua vida: “Quando eu tinha uns dez anos – eu era franzininho – um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para a rua – ir na venda fazer compra, por exemplo – e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza.” A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência.1

“Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga da gente. Vem cá, meu filho, ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui”. Começou então a formação do mestre que dedicaria sua vida à transferência do legado da Cultura Africana a muitas gerações. Segundo ele, a partir deste momento, o aprendizado se dava a cada dia, até que aprendeu tudo. Além das técnicas, muito mais lhe foi ensinado por Benedito, o africano seu professor. “Ele costumava dizer: não provoque, menino, vai botando devagarinho ele sabedor do que você sabe (…). Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito.”1
Ensino e difusão

Foi na atividade do ensino da Capoeira que Pastinha se distinguiu. Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da Capoeira e na capacidade de comunicar-se. Os conceitos do mestre Pastinha formaram seguidores em todo Brasil. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. Foi o maior propagador da Capoeira Angola, modalidade “tradicional” do esporte no Brasil.1

Em 1941, fundou a primeira escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho, na Bahia. Hoje, o local que era a sede de sua academia é um restaurante do Senai.1

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Em 1966, integrou a comitiva brasileira ao primeiro Festival Mundial de Arte Negra no Senegal, e foi um dos destaques do evento. Contra a violência, o Mestre Pastinha transformou a capoeira em arte. Em 1965, publicou o livro Capoeira Angola, em que defendia a natureza desportista e não-violenta do jogo.1

Entre seus alunos estão Mestres como João Grande, João Pequeno, Boca Rica, Curió, Bola Sete (Presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola), entre muitos outros que ainda estão em plena atividade. Sua escola ganhou notoriedade com o tempo, frequentada por personalidades como Jorge Amado, Mário Cravo e Carybé, cantada por Caetano Veloso no disco Transa (1972). Apesar da fama, o “velho Mestre” terminou seus dias esquecido. Expulso do Pelourinho em 1973 pela prefeitura, sofreu dois derrames seguidos, que o deixaram cego e indefeso. Morreu aos 93 anos.1

Durante décadas, dedicou-se ao ensino da Capoeira, e mesmo quando cego não deixava de acompanhar seus alunos. Vicente Ferreira Pastinha morreu no ano de 1981, mas continua vivo nas rodas, nas cantigas, no jogo.

“Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, capoeira, mãe. E embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.”

Fonte: Wikipédia

Mestre Moraes

Pedro Moraes Trindade (Ilha de Maré, 9 de Fevereiro de 1950) também conhecido como Mestre Moraes é um notório mestre e difusor da Capoeira Angola pós-Pastinha.

Seu pai também era capoeirista praticante de Capoeira Angola. Começou a treinar por volta dos oito anos na academia de Mestre Pastinha que já cego e sem dar aula, passou o controle da academia para seus alunos. Moraes foi aluno de Mestre João Grande, que junto de João Pequeno eram grandes discípulos de Pastinha.

Por volta dos anos 80, na intenção de preservar e transmitir os ensinamentos de seus mestres, fundou o GCAP – Grupo de Capoeira Angola Pelourinho – na tentativa de resgatar a filosofia da capoeira em suas raízes africanas, que havia perdido seu valor para o lado comercial das artes-marciais.

Atualmente vive em Salvador, Bahia e divide seu tempo entre lecionar Inglês e Português numa escola pública, e presidir os projetos culturais da GCAP.

Fonte: Wikipédia

Mestre Zequinha
(Entrevista com o Mestre Zequinha)

Meu nome é José de Almeida Filho, conhecido nas rodas de capoeira como Mestre Zequinha. Sou piracicabano com muito orgulho, pratico a capoeira há 30 anos e tenho muito prazer em falar de muitos mestres que fazem parte de minha história, em especial quatro deles. O primeiro não era mestre, mas para mim foi, pois foi o meu primeiro mestre de capoeira. Prefeito, como era chamado, dedicou mais de um ano me ensinando. Nos conhecemos numa fábrica de cadeiras em Piracicaba.SP, em 1975. Nas minhas primeiras semanas de trabalho, minha bicicleta quebrou e tive que levar meu almoço para a fábrica. Depois do almoço fui dar um passeio e ao passar pela garagem da fábrica vi o Prefeito fazendo alguns movimentos que me encantaram, então perguntei o que ele estava fazendo e foi aí que ele me explicou que era a capoeira. Desde então começou a me ensinar todos os dias na hora do almoço, naquela mesma garagem. Passaram-se 6 meses e o Prefeito disse que estava muito corrido, pois não estava tendo mais tempo para descansar na hora do almoço e disse que não iria mais me ensinar. Mas como eu não queria parar de aprender falei com minha mãe, D. Maria, se o Prefeito poderia me ensinar no quintal de casa, e ela aceitou. O Prefeito continuou me ensinando no quintal de casa, junto com mais outros 3 colegas, por mais ou menos 1 ano. Um certo dia, ele me disse que como não era formado não tinha mais o que ensinar para mim e me aconselhou a procurar um tal de João. Fui atrás, mas não o encontrei e acabei conhecendo Claudival da Costa – Mestre Cosmo. Foi num desfile de Carnaval que o vi pela primeira vez, conversamos e logo comecei a praticar a capoeira com ele. Pratiquei a capoeira com Mestre Cosmo por 10 anos, me formando Professor em 1985, e durante estes anos ele me ensinou muito, me ensinou a ter respeito pelos mais velhos, bem como pelos mais novos e me mostrou os caminhos para que eu buscasse a capoeira que pratico hoje.

                    

Em 1986 foi o meu maior contato com a Capoeira Angola, foi amor à primeira vista, quando visitei a Bahia e lá fiz um curso com um dos mais famosos mestres de Capoeira Angola, discípulo de Mestre Pastinha, o Mestre João Pequeno. Neste mesmo ano também tive contato com um dos maiores cantadores e tocadores de berimbau da Bahia, Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão, onde tive uma grande aula teórica, em sua própria casa em Salvador, sobre a história da capoeira, a formação de uma bateria e toques de berimbau.

Foi também em 1986, no Forte Santo Antonio, em Salvador, onde fui assistir uma aula, que tive o privilégio de conhecer o renomado Mestre Boca Rica, também discípulo do saudoso Mestre Pastinha. Mas, o maior contato com o Mestre Boca Rica foi no Mercado 7 Portas, onde todos os anos se realizava uma roda em homenagem ao aniversário do mestre. Desde então, nunca mais perdi o contato com Mestre Boca Rica, que sempre me ensinou muito, sendo meu conselheiro e me passando muita segurança, estando sempre presente em todos os meus eventos.

                         

Em 1989 vim a conhecer um dos mais elegantes mestres de Capoeira Angola, o Mestre Lua de Bobó. O mestre tem elegância no cantar, no tocar de um berimbau e no jogo de capoeira. Quando joguei a capoeira com ele pela primeira vez, parecia que nos conhecíamos há muitos anos e depois deste jogo fui conhecer o trabalho dele lá em Salvador, no Dique do Tororó e tivemos muitos outros encontros em rodas de capoeira.

No ano de 1995 convidei o Mestre Lua de Bobó para participar de um evento que realizava em Piracicaba. Ele ficou hospedado em minha casa, nos tornamos amigos e, em 1996, quando criei a Escola de Capoeira Raiz de Angola, o convidei para ser o padrinho, e ele aceitou com muito agrado. Ele é também o Diretor Técnico da escola e vem a Piracicaba, 2 ou 3 vezes por ano, ministrar aulas teóricas e práticas e avaliar o desempenho dos alunos. No evento realizado em Piracicaba, em 1997, o Mestre Boca Rica disse que naquele dia eu tinha me tornado mestre, pelo evento realizado e pelo jogo que fiz com os mestres presentes. Ele disse que iria me formar, e assim foi feito no ano de 2001, onde me presenteou com um diploma de mestre.

    

Em 2002, o Mestre Lua de Bobó realizou seu evento em Arembepe.BA, onde estavam presentes vários alunos da Escola de Capoeira Raiz de Angola e também o Professor Tim Tim de Manaus (formado por mim). Nesta data o mestre tinha preparado a minha formatura, mas por motivos econômicos, eu não pude estar presente. No ano de 2003, em Arembepe, o Mestre Lua de Bobó realizou outro evento, oficializando a minha formatura e vim receber mais um diploma de mestre. Foram 4 dias com oficinas, palestras e rodas, sendo que no último dia foi realizado a cerimônia oficial de minha formatura. O Mestre Lua de Bobó me apresentou a todos os mestres presentes, falou sobre o meu trabalho e o motivo pelo qual estava me formando. Depois me passou a palavra, onde fiz um juramento a todos, dizendo que jamais iria decepcioná-los e nunca deturparia a legítima Capoeira Angola.

Foi um momento de muita emoção para mim e todos os presentes. Em seguida começou a roda de formatura, onde comecei jogando com o mestre mais renomado, Mestre João Pequeno. Em seguida joguei com os seguintes mestres: Mestre Bigodinho, Mestre Brandão, Mestre Pelé do Tonél, Mestre Pelé da Bomba, Mestre Zé Pretinho, Mestre Ciro, Mestre Almir, Mestre Faísca, Mestre Pedra e Mestre Orelha. Também estavam presentes vários Contra Mestres, Professores, entre eles o Professor Lampião (formado por mim) e Trenéis de vários lugares do Brasil e do Mundo.

        

Em todos esses anos praticando a capoeira, conheci muitos mestres famosos representantes da chamada “velha guarda” da Bahia, além de outros mais jovens. Entre estes capoeiristas posso citar: Mestre João Pequeno, Mestre Waldemar da Paixão, Mestre Canjiquinha, Mestre Paulo dos Anjos, Mestre Curió, Mestre Felipe de Santo Amaro, Mestre Ferreirinha de Santo Amaro, Mestre Brandão, Mestre Papo Amarelo, Mestre Bobó, Mestre Boca Rica, Mestre Lua de Bobó, Mestre Morais, Mestre Renê, Mestre Augusto, Mestre Vermelho Boxéu, Mestre Vermelho 27, Mestre Nenél, Mestre Martinho, Mestre Lua Rasta, Mestre Gato Preto, Mestre Barba Branca, Mestre Mário Bom Cabrito, Mestre Dois de Ouro, Mestre Jaime de Mar Grande, Mestre Ananias, Mestre Pessoa, Mestre Virgílio, Mestre Gerson Quadrado, Dona Maria Romélia – a Dona Lice (esposa de Mestre Pastinha), Mestre No, Mestre Mala, Mestre Gildo Alfinete, Mestre Cobrinha Mansa, Mestre Valmir, Mestre Fernando, Mestre Diogo, Mestre Jogo de Dentro, Mestre Cláudio de Feira de Santana, Mestre Macaco de Santo Amaro, e muitos outros que não me recordo neste momento, todos baianos e de muita tradição na capoeira. Devo muito a todos eles, pois me ajudaram muito na minha formação como Angoleiro.

Ainda nos dias de hoje os ideais de Zumbi de igualdade e liberdade são objetivos a serem alcançados, já que não vivemos em uma sociedade justa, com oportunidades iguais. Neste atual contexto social, a capoeira – e de maneira especial a Capoeira Angola, por deter esse poder de anular diferenças é uma das poucas atividades que homens e mulheres, pobres e ricos, pretos e brancos, doutores e analfabetos convivem em harmonia e igualdade.

         

Mestre Zequinha realiza seu trabalho com a Capoeira Angola em Piracicaba, estado de São Paulo. Iniciou os seus aprendizados na arte da capoeira em 1975, sendo formado professor em 1985 e recebendo o título de mestre em duas ocasiões diferentes, em 2001 pelas mãos de Mestre Boca Rica e em 2002, em um grande evento em Arembepe.BA, pelo Mestre Lua de Bobó. Com o modismo tomando conta da capoeira e a crescente proliferação de pessoas preocupadas apenas com o desenvolvimento de determinados elementos desta arte, acabam por reduzir a capoeira cada vez mais a uma mera atividade física. Mestre Zequinha, depois de muitas pesquisas, com o pensamento de atuar na preservação dos rituais, costumes, tradições, ritmos e cantinelas, fundou em 1996 a Escola de Capoeira Raiz de Angola, com o objetivo de transmitir os valores culturais, as origens históricas, os verdadeiros significados e os conhecimentos técnicos e filosóficos da Capoeira Angola, disponibilizando a qualquer indivíduo o acesso a um rico universo cultural formado pela luta, dança, música e pela história que tanto se mistura com a de nosso país.

Em 2001, com a evolução natural dos trabalhos, a Escola de Capoeira Raiz de Angola realizou a primeira formatura de professores, com a formação do Professor Tim Tim e do Professor Lampião. Em 2003, após retomar um projeto muito antigo, Mestre Zequinha e a escola conseguiram realizar a gravação do primeiro CD de Capoeira Angola, com músicas inéditas. Procurando preservar a história e a tradição desta arte, a escola vem atuando em diversos setores da sociedade piracicabana, se destacando na realização de eventos culturais, como o EXPARCUN (Exposição de Arte e Cultura Negra), a Semana de Conscientização e Valorização da Raça Negra, a Semana Cultural da ESALQ-USP, a FECONEZU, além dos Encontros Nacionais de Capoeira Angola, que tem o intuito de difundir cada vez mais a tradição da Capoeira Angola entre os piracicabanos e toda a região. Além disso, Mestre Zequinha, juntamente com seus graduados, realizam projetos sociais que envolvem o ensino da capoeira em centros comunitários, universidades, associações de bairros, atuando com isto na formação física, social e cultural do cidadão. O próximo sonho, meta ainda a ser conquistada, é a de dar um endereço fixo, um espaço próprio para a Escola de Capoeira Raiz de Angola, que funcionará como um local que possa formar verdadeiros angoleiros e com isso manter viva as tradições da Capoeira Angola.

Mestre Zequinha

Mestre Zequinha realiza seu trabalho com a Capoeira Angola em Piracicaba, estado de São Paulo. Iniciou os seus aprendizados na arte da capoeira em 1975, sendo formado professor em 1985 e recebendo o título de mestre em duas ocasiões diferentes, em 2001 pelas mãos de Mestre Boca Rica e em 2002, em um grande evento em Arembepe.BA, pelo Mestre Lua de Bobó. Com o modismo tomando conta da capoeira e a crescente proliferação de pessoas preocupadas apenas com o desenvolvimento de determinados elementos desta arte, acabam por reduzir a capoeira cada vez mais a uma mera atividade física. Mestre Zequinha, depois de muitas pesquisas, com o pensamento de atuar na preservação dos rituais, costumes, tradições, ritmos e cantinelas, fundou em 1996 a Escola de Capoeira Raiz de Angola, com o objetivo de transmitir os valores culturais, as origens históricas, os verdadeiros significados e os conhecimentos técnicos e filosóficos da Capoeira Angola, disponibilizando a qualquer indivíduo o acesso a um rico universo cultural formado pela luta, dança, música e pela história que tanto se mistura com a de nosso país.

Nesses 40 anos de pratica de Capoeira conheci grandes Mestres, vi grandes jogos que ninguém tira de mim.

Muitos jogam Capoeira igual a mim, mas poucos viveram o que vivi, viram o que eu vi, e jamais viveram tudo isso, pois muitos desses grandiosos Mestres já não se encontram mais entre nós! 

“Capoeira  Angola para mim é minha arte, é minha vida, é onde me torno menino, forte e fraco. Forte porque consigo jogar bem e envolver meu parceiro de roda sem machucá-lo e sem que ele me machuque e fraco porque quando faço um belo jogo, um belo movimento me emociono, me da alegria e o meu corpo se arrepia, meus olhos se enchem de água e me sinto fraco, mas a vontade de vencer é muita e ai me recupero logo. Sinto-me forte e alegre como um escravo que acabou de derrotar o capitão do mato e está correndo para o Quilombo, me sinto livre, forte sendo capaz de ir muito mais longe. Isso é a Capoeira  Angola, só quem sente é que sabe. ´´

4O Anos de dedicação a capoeira nesse 01 de Abril 2015

Bom dia meus Amigos e minhas Amigas de tantos anos, e amigos recentes que conquistei pelos eventos por onde andei,e pelas redes sociais, Venho com muita alegria compartilhar com vocês essa minha alegria de hoje dia 1º de Abril de 2015, estou completando 40 anos de pratica e de vida entregue a essa arte que me deu vida, saúde, sabedoria, amigos, consciência da minha cultura, da minha gente, de onde vim e pra onde quero ir e chegar, felicidades e muita calma pra lutar contra as diversidades da vida e aquelas imposta sobre nós pretos e pobres! 40 anos dedicado a Capoeira, Valorizando os grandes Mestre Guardiões da Capoeira que tanto lutaram pra manter viva essa Luta arte que nós deu a Liberdade pra ir e vir com dignidade que todos nos seres humanos merecemos. Gratidão total à minha princesa, minha rainha que me deu a vida e sempre me apoiou naquilo em que eu acreditava, minha querida Mãe! minha filha Luana, ao Mestre Cosmo, Mestre João Pequeno, Mestre Boca Rica, Mestre Lua de Bobó que tiveram uma influência direta na minha formação como homem e hoje como um Mestre de Capoeira Angola, à minha comunidade pelo carinho que tens comigo e que me mantem firme na minha luta de todos os dias, e que é minha base que me sustenta em pé! ( Lampião, Meia Noite TimTim, Mileni, Jubileu, Garcia, Andorinha, Pingo, Raquel, Isabela, Paina, Marina, Ziane, cheroso, Bambu, Manaiba, Wick, Carcara, Rosinha, Neide, Conce, Preta, Brígida, Priscila, Sabia, Betinho, Ganga Zumba, Saara, Pé, Margarete, Gisele, Taila, Regina, Thiago, Juliana, Junior, Limbo, Laurinha, Enzo, Galega, as criança de Meia Noite, me perdoe se estou esquecendo alguém.) Não poço deixar de citar esses grandes Mestres amigos de Tantos anos, Mestre Cavaco, Mestre Ananias, Mestre Bigo, Mestre Gaguinho, Mestre Augusto, Mestre KK Bonates, Mestre Moa do Katende, Mestre Jequié, Mestre Virgílio de Ilhéus, Mestre Jogo de Dentro, Mestre Cabelo, Mestre Plinio, Mestre Ratinho, Mestre Gê e João, Luiza Maluza, Mestre Claudio Costa, Mestre Angolinha, Mestre Dominguinhos, Mestre Noel, Mestre Ciro, Mestre Djop, Mestre Lua Rasta, Mestre Pé de Chumbo, Mestre Felipe de Santo Amaro, Mestre Limãozinho, minha querida Professora Rosinha, Mestre Peixe, Mestre Levy, Mestre Jaime, Mestre Antônio Affonso, Mestre Marcial, Mestre Garcia, Mestre Pedro Feitosa, Romário, Mestre Gaúcho, Mestre Zelão Mestre Topete, e Tantos outros que não cabe aqui. Exatamente em 1º de Abril de 1975 dei meus primeiros passo nesse mundo magico da Capoeira! CAPOEIRA ANGOLA SEMTE QUEM SABE JOGA E JOGA QUEM SENTE… “OBRIGADO À JAH, AOS ORIXAS EM ESPECIAL À OXALA E OGUM QUE ME FORTALESSE´´
Me desculpa o texto longo de mais, pois não deu pra resumir 40 anos em 4 linhas rssss…

contato:EMAIL:capoeiraraizdeangola@yahoo.com.br

Fonte: Blog da Escola Raiz de Angola de Piracicaba

Mestre Ananias

Mestre Ananias

Ao pensar em Mestre Ananias, precisamos compreender que seu legado transpassa os parâmetros e doutrinas estabelecidas na Cultura da Capoeira nas últimas décadas. A estruturação da Capoeira em São Paulo foi conduzida por capoeiras baianos, porém em uma realidade sócio-cultural que segue uma trilha diferente, cheia de segredos a serem desvendados.

OBRA VIVA, DURADOURA

Bahia…
Ananias Ferreira nasceu em 1924 em São Félix (BA), nesta região que vivencia a força e influência africana em solo brasileiro e que oferece a Capoeira, o Samba e o Candomblé como alicerces formadores da nossa cultura. Sua infância, portanto, foi brincar e compartilhar esse universo, uma realidade cheia de contrastes em relação ao que vivemos hoje. Em suas lembranças, Ananias falava de um senhor que tocava berimbau de imbé, ou cipó caboclo, o Mestre Juvêncio, também de seus companheiros de roda: os irmãos Toy e Roxinho, Caial, Estevão, João de Zazá, Café e Vito. Ele lembrava também de Inácio do Cavaquinho (que fazia samba com seu pai) e da roda de capoeira que armavam na venda do Seu Mané da Viola em Muritiba na rua do “Caga à Toa” (hehe).

Ainda muito jovem, Ananias trabalhou na lavoura de cana e nas indústrias de fumo, quando decidiu ir a Salvador em busca de melhores condições de vida. Na capital baiana, morou nos bairros do Engenho Velho de Brotas, Curuzu e Liberdade, onde é acolhido por um dos grandes mestres da Capoeira, Valdemar da Liberdade. Aí teve sua maior influência e passa a ser responsável pela bateria junto a Bugalho, Zacarias e Mucungê. Nessa época de formação da Capoeira (que se apresenta hoje) conviveu com grandes nomes como Mestres Pastinha, Nagé, Onça Preta, Noronha, Dorival (irmão de Mestre Valdemar), Traíra, Cobrinha Verde, Canjiquinha – de quem recebeu seu diploma – e tantos outros. Foi ali no Corta-Braço (assim é conhecida a região onde se localizava o Barracão do Mestre Valdemar) que os produtores Wilson e Sérgio Maia buscaram Mestre Ananias, Evaristo, Félix e algumas baianas para trabalhar na cena teatral paulistana…

São Paulo, 1953…
Junto a Plínio Marcos e Solano Trindade na cena teatral paulistana, Ananias contribuiu para dar visibilidade à riqueza do patrimônio espiritual e estético do Negro brasileiro. Sacudiu os teatros paulistanos (Municipal, Arena, São Pedro, TAIB, São Paulo Chic, entre outros) com os sambistas Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro, Zeca da Casa Verde, Talismã, Jangada, Silvio Modesto, João Valente, João Sem Medo e outros batuqueiros. Atuou na peça Balbina de Iansã, em 1970, e em Jesus Homem, em 1980 (ambas de autoria de Plínio Marcos. Esteve no elenco da primeira encenação de O Pagador de Promessas (dirigida no TBC por Flávio Rangel em 1960) e teve participação na trilha sonora da filmagem deste enredo, em cartaz nos cinemas dois anos após. Também participou dos filmes Brasil do Nosso Brasil (produzido por Xangô), Fronteira do Inferno e Ravina (de Anita Castelane) e fez gravações com Jair Rodrigues, entre outros.

Pioneiro entre os capoeiristas a estabelecer residência na terra da garoa, Mestre Ananias estava  em plena atividade até sua passagem, e é enorme influência para gerações na tradição da Capoeira Paulistana e o representante do Samba de Roda do Recôncavo Baiano na capital.

Neste mais de meio século, conviveu com grandes capoeiristas baianos que viveram e passaram por São Paulo, como Zé de Freitas, Limão, Valdemar (do Martinelli), Hermógenes, Gilvan, Silvestre, Paulo Gomes, Suassuna, Brasília, Joel e muitos outros.

Ananias Ferreira foi uma figura emblemática da cultura afro-brasileira, que ao longo de uma vida extensa ─ com tenacidade e carisma ─ manteve viva a mais pura ancestralidade no moderno coração da maior cidade do Brasil.

Foi o representante mais significativo entre os criadores de uma instituição que se mantém há mais de meio século: a roda de capoeira dominical da Praça da República em São Paulo. Uma autêntica agora, espaço de resistência, de confronto e diálogo dos talentos e dos estilos mais diversos, e também de aprendizagem. Poucos capoeiristas na cidade de São Paulo não conheceram de perto esta roda ou estiveram cientes da oportunidade de entrar livremente nela. Esta instituição é a emanação do carisma de uma pessoa, Mestre Ananias, cujo axé inscreve esta vitalidade coletiva num lugar altamente simbólico, compatibilizando a liberdade informal da rua com a urbanidade dos costumes.

A AFRICANIDADE NA GESTUALIDADE E NA VOZ : A TRANSMISSÃO DA HERANÇA AFRICANA ATRAVÉS DA ARTE
Cada vez mais escassos hoje entre os expoentes reconhecidos da cultura afro-brasileira são aqueles que portam no seu corpo as marcas gestuais, as posturas, as inflexões vocais que denotam a origem cultural africana. Aquilo que se tentou resgatar através do exemplo do reconhecimento tão tardio de uma Clementina de Jesus ainda está vivo em poucos redutos do Brasil, entre os quais o manancial que irrigou musicalmente o país com o Samba de Roda – hoje Patrimônio da Humanidade na categoria de expressões orais e imateriais: o Recôncavo da Bahia, onde o Mestre nasceu e se criou.

Tanto na roda de capoeira, na ginga e na mandinga, como na entonação e nas síncopes do canto, do pandeiro, do atabaque, nos passos inesperados do samba dançado, tudo aquilo que suscitava nas anotações de campo de Mário de Andrade julgamentos entusiastas e de admiração, está sendo transmitido pelo exemplo vivo do Mestre. Sabemos da importância do registro de vivências que se tornarão modelos clássicos para as gerações vindouras.

REGISTROS DOCUMENTAIS
Somente aos 80 anos Mestre Ananias gravou o primeiro cd de capoeira como protagonista, junto a seus discípulos formados no início da década de 90 e que vivem sua rotina diária. Aos 83 anos, lançou com o grupo Garoa do Recôncavo seu primeiro cd de Samba de Roda. Em 2009, foi um dos mestres selecionados para o registro no documentário Cantador de Chula (de Marcelo Rabello) como o único sambador convidado que não reside na região do Recôncavo.

No ano de 1979, participou da gravação do LP de Mestre Joel e também esteve presente em gravações amadoras de outros grupos de capoeira no decorrer de sua carreira.

Com problemas de saúde e aos 91 anos, o mestre foi chamado para comandar as rodas lá no céu em 21 de Julho de 2016, mas sua obra jamais será esquecida por todos seus discípulos, amigos e companheiros de jornada -” Me diga ai Bahia”  descanse em paz Mestrão.

Fonte: Blog Ananias Casa