Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
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Categoria : Percussão

Conheçam o Mestre Caiçara

Mestre Caiçara

MESTRE CAIÇARA

Antônio Conceição Morais, conhecido como Mestre Caiçara, nasceu em Salvador, em 1923.
Caiçara marcou época na história capoeira. Era provocante, alegre, atrevido e simpático, Exibia uma capoeira bonita de se ver. Diziam os entendidos que ele era “uma das lendas vivas da capoeira” e que sua história “mais parecia ter sido tirada de livros de ficção”.
No Pelourinho de sua época, ele “ditava as regras num território de prostitutas e cafetões, de traficantes e malandros”. Todos tinham de pedir a sua benção.
Em um disco famoso, gravou os diversos toques de berimbau, as ladainhas e os sambas de roda. Cantador de primeira qualidade, contador de casos e de histórias, tinha sempre uma reza para oferecer aos seus admiradores e camaradas.
Muito conhecido e festejado nas Festas de Largo, sempre presente em qualquer evento popular, exibia sua camisa de cores vermelho e verde, e promovia sua Academia de Angola, dos Irmãos Unidos do Mestre Caiçaras, (nome também de um disco fonográfico gravado em São Paulo).
Ardente defensor das tradições africanas, postava-se todas as tardes no Terreiro de Jesus “vendendo seu peixe e gingando”. Ele era “o dono da capoeira de rua”, com sua impressionante voz, grave e profunda”. “O vozeirão de Caiçara ressoava como o dos possantes cantores de ópera; tanto pelo volume, quanto pela afinação, e também por um natural e sadio exibicionismo. Na música brasileira, seria o equivalente de um Orlando Silva – “o cantor das multidões” -, um Cauby Peixoto, ou um Nelson Gonçalves, que dominaram o cenário da música e do rádio com seus vozeirões”,
“Com muito orgulho e cheio de presepadas, contando lorotas, levantava a camisa e exibia a marca dos tiros, facadas e navalhadas, cada uma delas com sua história contada com muita prosopopeia, toda a vez que o convidavam para tomar cerveja gelada, “acompanhada de cachaça e tira gosto”.
Ricardo Cangaceiro relata seu encontro com Mestre Caiçara, dizendo: “Quando o conheci – eu, um iniciante de 23 anos de idade; ele, um homem maduro e mestre renomado de 46 anos -, após inúmeras cervejas super-geladas (algo que não é sempre fácil de achar em Salvador) e tira-gostos variados, estávamos sentados numa área de má reputação, do lado de fora de um botequim pé-sujo – ele, sentado, balançando para a frente e para trás como se numa cadeira-de-balanço; eu, num banquinho -, quando subitamente uma patrulha da polícia brecou no meio da rua e dela desceu um sargento tamanho geladeira que, a passos largos, se encaminhou cheio de decisão na nossa direção. trinquei. Fiquei mais gelado que a meia dúzia de louras que havíamos consumido. É que havia um pequeno problema. Aliás pequeno não: Mestre Caiçara segurava displicentemente, na mão repleta de anéis, um charuto de fazer inveja a qualquer charuto cubano de Fidel Castro. Rapidamente, por entre os vapores alcoólicos – tínhamos temperado a cerveja com algumas bem servidas doses de cachaça -, e o fumacê da Cannabis sativa, vislumbrei meu futuro próximo: ver o sol nascer quadrado por entre as grades de uma janelinha da penitenciária soteropolitana. Olhei rápido para mestre Caiçara e me preparei para o que desse e viesse. Será que ele, com seu passado de rufião, ia dar testa aos homens da lei? Ele continuava impávido no seu balanço na cadeira do bar, e a única atitude radical que tomou foi dar mais um profundo trago no charo, empestando mais ainda o odorífico do ambiente. O sargento chegou, parou em frente a Caiçaras, tocou um joelho no chão, traçou uns pontos riscados no chão, osculou a mão do mestre e pediu:- Sua benção, meu pai. Caiçara, bateu a cinza do charuto e traçou, com a mesma mão enfumaçada, alguns sinais cabalísticos sobre a cabeça do sargento enquanto murmurava algumas frases em nagô. O sargento levantou-se, agradeceu, entrou na patrulhinha, e partiu.”
Mestre Caiçaras faleceu em 26 de agosto de 1997.
MESTRE CAIÇARA
Mestre Caiçara
Foi no Recôncavo baiano, um lugar de segredos, mistérios e muita magia que nasceu um dos maiores nomes da História da capoeira de todos os tempos. Foi no dia 08 de maio de 1924 que Dona Adélia Maria da Conceição, famosa Ilalorixá da cidade de Cachoeira deu a luz ao menino Antônio Conceição Moraes, que futuramente seria conhecido como Mestre Caiçara.
A infância humilde e sofredora não impediu esse Cachoeirano de mergulhar de cabeça nas várias manifestações que o Recôncavo,
“o berço da cultura brasileira”, proporciona aos privilegiados nativos do lugar. Alem de respirar as tradicoes ancestrais Caiçara também conheceu outras culturas, foi praticante de Jiu-Jitsu, Boxe, Luta Livre e Luta Greco-Romana, porém foi na capoeira que escreveu a História e ficou famoso no mundo no mundo todo.
Em 1938, aos 14 anos anos de idade começou a praticar capoeira com o Mestre Aberrê, esse lhe ensinou os segredos e mistérios da capoeiragem, mas foi o mestre Valdemar que lhe aperfeiçoou no canto e no toque de berimbau. Mestre Caiçara foi uma das figuras mais polêmicas da História da capoeira, um caderno de 200 folhas seria pouco para contar a sua História e também as estórias a seu respeito ao longo dos seus 59 anos de ginga.

A Religiosidade:
Conheceu o candomblé e os seus mistérios através da sua mãe Adélia Maria da Conceição. A mesma o-teria preparado para assumir o seu lugar após a sua morte, foi questão de tempo para jovem Caiçara se tornasse respeitado no segmento, transformando se em um dos maiores líderes religiosos e conhecedores da religião afro em território brasileiro. Dependendo da quantidade de inimigos a sua reza forte era uma arma infalível na hora que a força física se esgotava, pois quem o-conhecia sabia que não era de enfeites as várias e diferenciadas guías que trazia em volta do pescoço. Chegou a ter duas casas de candomblé uma na Rua Uruguaia em Salvador e outra na cidade de Goiana no estado de Pernambuco. Porém se desgostou e abandonou o candomblé depois de ver a patifaria que o mesmo havia se tornado naquele determinado período, a cachaçada, a prostituição, o tráfico e muitas outras mundanices que naquele momento permeavam os terreiros de Salvador o-fizeram afastar da religiosidade.


As polemicas:
Durante a sua juventude Caiçara trabalhou de magarefe(abatedor de bois), o próprio dizia que quando queria arrumar uma encrenca, matava o boi bebia o sangue e saia feito um louco procurando brigas.
Rodou a Bahia testando a capoeira, ao todo foram 27 cicatrizes pelo corpo causadas por ferimentos de balas, navalha, faca, punhal, facão e etc. Cicatrizes essas que ele fazia questão de mostrar erguendo a camisa durante uma ladainha, pronunciando a seguinte frase:” ie… sou mandingueiro”.
As confusões com a polícia:
Ao mesmo tempo que era preso pela polícia por desacato, brigas, capoeiragem, ou algum outro tipo de delito, Caiçara se contradizia pela sua autoridade reconhecida por muitos dos soldados do seu tempo que não ousava prende-lo.
Caiçara e o prefeito:
Nos anos 60 o Mestre Caiçara juntamente com o Mestre Traíra, usando a capoeiragem trabalharam fazendo capangagem política para o então prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães.
Caiçara no Cangaço:
o mestre Dizia com orgulho que fez parte de um bando de cangaceiros ainda na adolescência, narrava com emoção as suas performances no bando, mostrava para todos a foto dele vestido de cangaceiros ao lado dos companheiros. Dizem que hoje essa foto se encontra em poder dos seus familiares.
A bengala:
A bengala que o mestre sempre carregava e se apoiava, não era apenas um objeto para descanso e equilíbrio de um idoso, pois dependendo da situação se tornava-se uma arma fatal. Aquela bengala lhe foi dada pelo seu Mestre Aberrê antes de morrer, segundo o próprio Caiçara o seu Mestre também usava bengala, pois além das suas utilidades era também um sinal de elegância.
Cobra mordeu Caiçara e morreu:
Segundo o próprio Mestre Caiçara certa vez foi picado por um Jaracuçu, porém o mestre apelou para o seu santo e após rezar a cobra morreu, em seguida ele fez o corrido. ” cobra mordeu Caiçara e morreu”
Mestre Caiçara x Mestre Bimba:
Certa vez Caiçara foi até o nordeste de Amaralina numa formatura do mestre Bimba e sentou-se como espectador na platéia.


alguns turistas chamavam pelo nome do mestre Bimba que ainda não tinha entrado, foi nesse momento Caiçara gritou:
– “O mestre sou eu”.
Os discípulos do mestre Bimba quiseram tirar satisfação Porém Bimba disse:
-Vamos fazer a exibição, depois
a gente acerta tudo.
No final do evento ambos foram jogar, e em um determinado momento Bimba lhe aplicou uma bênção partindo os lábios e lhe quebrando o nariz.
Caiçara então disse:
– O que é isso mestre?
Respondeu Bimba:
– Isso é pé meu filho.
O arrependimento e pedido de perdão ao mestre Bimba:
Em novembro de 1972, quando Bimba se despedia de Salvador para ir residir e trabalhar em Goiânia, o Mestre Caiçara, que há muitos anos não falava com ele, foi fazer as pazes com o antigo mestre e disse-lhe: “Sou o terceiro mestre da Bahia, depois do Senhor e do Mestre Pastinha, desculpe a minha ousadia”. Não vai embora mestre, a Bahia precisa do Senhor.
No campo das conquistas o mestre também não foi bobo não, ao longo da vida teve mais de 30 filhos com com inúmeras mulheres. Em um determinado período da sua juventude o mestre morou com duas mulheres ao mesmo tempo durante um ano, onze meses e seis dias, fato esse que ele tinha orgulho em narrar, pois sempre enaltecendo a sua vitalidade masculina para com as duas companheiras.
A paixão pelas crianças:
Uma coisa que deixava o Mestre Caiçara furioso era ver crianças maltratadas, ao longo da vida adotou vários meninos(as) de rua. No mês de outubro ele sempre fazia um caruru com seis mil quiabos no dia de São Cosme e São Damião, e anunciava no carro de som para a alegria da meninada. Outra grande paixão do mestre era os seus passarinhos, ele criava muitos, segundo o mesmo eram os pássaros o seu despertador pelas manhãs.
Roupa de homem não dá em menino:
Essa frase nasceu depois que um jovem rapaz hoje conhecido no mundo da capoeira se apresentou como mestre em uma roda onde Caiçara era umas das atrações, ao questionar o rapaz sobre a sua História na capoeira pronunciou a seguinte frase: -” Coloquei se no seu lugar de aluno, roupa de homem não dá em menino rapaz”.
Está aprendendo a soletrar e já acha que sabe ler:
Certa vez Caiçara jogava em uma roda quando viu um antigo aluno se a mostrando demais, o Mestre o-chamou para o jogo e o-acertou, deu lhe uma cabeçada certeira e disse:
– ” essas crianças de hoje são assim, começam a aprender soletrar e já acham que sabe ler.
Em 1969 gravou um LP  de capoeira, toques de berimbau e Samba de Roda. O disco em questão que se tornou uma relíquia da capoeira tem como título o nome da sua academia. Academia de Angola São Jorge dos iIrmãos Gemeos do Mestre Caiçara, a academia essa que era sempre representada nas cores da famosa camisa verde e vermelha que o mestre sempre usava em suas rodas.


Assim era o mestre Caiçara, conhecedor e defensor das tradições, valente porém com a alma de uma criança, polêmico, sério, extrovertido, brincalhão. Caiçara era imprevisível, foi o rei do Pelourinho em período onde a boêmia comandava aquele lugar. ali estavam presentes os donos da noite como: Prostitutas, traficantes, bicheiros, travestis, leões de chácaras, bicheiros e etc. Todos tomavam a sua bênção e respeitavam a figura mais respeitada do Pelô.
Foi um dos maiores cantadores da capoeira de todos os tempos. Quem nunca ouviu falar sobre as ladainhas das festas de largo da Bahia? Pois é. era ali que o mestre soltava o seu vozeirão que emocionava quem ouvia.
No dia 26 de agosto de 1997 a Bahia, a capoeira e toda a cultura brasileira choraram, Caiçara partiu para morar com Deus deixando muita tristeza nas rodas da terra, porém o seu nome, esse se tornou imortal e hoje roda o mundo através da capoeira.
Fontes:
. áudios extraídos do mestre Caiçara em ouro preto no ano de 1987.
.capoeiristas e mestres famosos da Bahia(Pedro Abib)
texto:
Antônio Luiz dos Santos Campos
( boa alma )

Mestre Pele da Bomba

Mestre Pelé da Bomba

Nome: Natalício Neves da Silva
País: Brasil
Cidade: Recôncavo Baiano, Salvador
Nascimento: 1934
Origem: Mestre Bugalho
Mais usada na Bahia, a expressão “gogó de ouro”é sinônimo de boa voz e de afinação.Num universo de opiniões tão divergentes como o da capoeira, mestre Pelé está entre os poucos que recebem, com unanimidade, este título. Direto de Salvador, ele nos conta o que viu e viveu nas rodas, uma história que começa há mais de meio século

“Iêêêêêêêê!” O chamado de Natalício Neves da Silva, o mestre Pelé, aliado aos primeiros acordes do berimbau, é experiência que, quem viveu, não esquece Sua voz expressiva é capaz de nos conduzir aos 500 anos de história e de nos conscientizar do poder libertador que a roda de capoeira representa.

Mestre Pelé nasceu em 1934. E do tempo em que se jogava capoeira nos finais de feira e nos dias de festa. Também fez parte de uma geração dividida entre a marginalizada capoeira de rua, e a institucionalizada capoeira nas academias.

Primeira roda — Na infância, Pelé ajudou o pai na luta pela sobrevivência. Fazia carvão, colhia mandioca e tratava a terra. Depois, vendia as mercadorias na capital baiana. Foi assim que chegou à rampa do Mercado Modelo, próxima igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, onde encontrou a nata da capoeira. “Conheci a capoeira aos 12 anos de idade, quando ia às feiras e às festas populares do recôncavo baiano. Eu ia com meu pai a Muritiba, São Félix e Cachoeira vender carvão. No final do dia, chegavam os ‘senhores’ de toda a região e”, começavam a brincar para se divertir. Era o povo que dava para o capoeirista o título de mestre, que disputava o título ali no jogo, jogo duro”, lembra. Foi numa dessas rodas que Pelé diz ter conhecido o lendário Besouro Mangangá. E confirma a lenda: “Ele sumia quando queria”.

Lendários — Para o mestre, era entre a Igreja da Conceição e a rampa do Mercado que rolavam as melhores rodas de capoeira da época. Em sua memória estão personagens como Valdemar da Liberdade, Caiçara, Zacarias, Traíra, Angolinha, Avani, Bel e DeI (irmãos), Onça Preta, Sete Mola, Cabelo Bom e Bom Cabelo (gêmeos) e Bugalho, que o teria encantado com sua agilidade. “Tinha muita gente importante, naquela época, além de Bimba e Pastinha. Os alunos deles não jogavam muito na rua. Eles evitavam por causa das brigas, não queriam ficar difamados. O pau quebrava e a policia na cavalaria vivia ‘escarreirando’ os capoeiras, acabando com as rodas. Os capoeiristas, por sua vez, quebravam a polícia no cacete. Bimba e Pastinha queriam evoluir, acabar com essa imagem do capoeira”.

Capoeira de Rua – O aprendizado da maioria dos capoeiristas dessa época era mesmo nas grandes rodas na rampa do Mercado Modelo e nas chamadas festas de largo, que começavam na festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia – coração da cidade baixa, próxima ao elevador Lacerda — no dia 1º de dezembro e se prolongavam até o dia 8 do mesmo mês. Depois, vinha a festa de Santa Luzia, frequentada pelos estivadores (trabalhadores do cais do porto), muitos deles, capoeiristas. “Era o dia todo: banho de mar, samba de roda, samba de viola que era uma tradição. Todos os ritmos vindos do recôncavo baiano. Nestas festas, reuniam-se os melhores mestres de capoeira e os melhores locadores de berimbau. Foi num desses momentos que comecei a cantar e a tocar”, relembra.

Foi Bugalho, carregador de embarcações que, nas horas de descanso e nas noites de lua-cheia, ensinou o menino Natalício a gingar nas areia da praia da Preguiça. “Segui a tradição do meu mestre, Bugalho, um grande tocador de berimbau. Ele era um dos melhores, tocava muito bem o São Bento Grande, principalmente quando era noite de lua. Sentávamos na areia da praia e, quando ele tocava, era possível ouvi-lo na cidade alta”

Além das rodas da Liberdade nas tardes de domingo, em que o guarda civil Zacarias Boa Morte “tomava conta”, Pelé mostrava sua arte nas rodas de Valdemar da Liberdade, num galpão de palha de dendê, cercado de bambu. “Eu era ligeiro, tinha um sapateado que ajudava muito. Eles não me pagavam. E, quando eu chegava nas rodas da invasão do Corta Braço, no bairro de Pero Vaz, mestre Valdemar dizia: Lá vem Satanás!”

Experiência — Durante 25 anos Pelé deu aulas de capoeira e, também, no V Batalhão da Policia Militar. “Naquele tempo, era comum a polícia treinar capoeira”. Além dessas atividades, mestre Pelé participou, ao mesmo tempo, deimportantes grupos folclóricos da Bahia como o Viva Bahia. Fez apresentações com o grupo de mestre Canjiquinha, no Belvedere da Praça da Sé, shows para turistas, onde mostrava a capoeira, o maculelê, a puxada de rede e o samba de roda. Sorrindo muito, Pelé explica que “na capoeira, tudo sai da ginga. A ginga, o molejo e a flexibilidade são importantes para o capoeirista, tanto para defesa quanto para o ataque”.

Retorno — Mestre Pelé ficou longe da capoeira por vinte anos. Foi trazido de volta às rodas pelo projeto de resgate e valorização de mestres antigos, criado pela Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA). Hoje, ele integra o Conselho de Mestres da associação e participa de eventos importantes. Recentemente, emocionou, com sua voz, quem esteve presente no enterro dos mestres Caiçara, Bom Cabrito e Zacarias Boa Morte, e na missa de sétimo dia de Caiçara.

Na ABCA, Pelé espera conseguir viabilizar o projeto de aposentadoria para mestres com mais de 65 anos de vida e 35 anos de capoeira. “O ministro da Previdência, Waldec Ornelas, já votou a aposentadoria das mães e pais de santo que, como os capoeiristas, também tiveram suas atividades proibidas e perseguidas. Além disso, também vamos conseguir provar que Capoeira Angola é cultura popular, e não arte marcial”, finaliza o cantador.

capoeiramalungo.hpg.ig.com.br

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Mestre de Kunta Kinte (Geraldo Xisto Gonçalves ), Idealizador do  Cecab-Centro de Estudos da Cultura Afro Brasileira fundado em 1985 pelo até então integrante do Grupo de Capoeira Angola Lua Nova, que decidiu por resgatar cultura afro de forma ampliada, abrangendo além da Capoeira também o Samba de Raiz, Maculelê, Puxada de Rede entre outros.
Mestre Kunta pratica a Capoeira desde 1970, e uma vez idealizada a fundação do Cecab, iniciou a ampliação de sua área de trabalho junto à comunidade de São José dos Pinhais prestando serviços de utilidade pública tais como a redação de textos para colunas dos jornais Correio de Notícias e Nosso Jornal de São José dos Pinhais, onde presta esclarecimentos sobre atividades culturais bem como sobre as religiões de matrizes africanas, fomenta a luta pela resistência negra contra o racismo, comenta atualidades das leis que versam sobre o tema afro, etc (vide cópia de alguns destes artigos anexas). Fundamenta as atividades do Cecab na família e no resgate da história dos antepassados. Viveu a discriminação da Capoeira ocasionada pela desinformação e hoje luta pelo reconhecimento público de seu valor. Representou o Paraná em eventos nacionais relacionados à Capoeira e o Brasil em eventos internacionais. Atua através do Cecab de forma a prestar esclarecimentos/fomentar o interesse da comunidade no que diz respeito a diversas ramificações da cultura afro e manter viva a luta pelo respeito pelo ser humano e igualdade social.

Abaixo Depoimento do Mestre Kunta sobre o evento Abril prá Angola do Mestre Meinha…

 

Durante muitos anos o Mestre Kunta, fez trabalhos de rua, levando a arte da capoeira a conhecimento de muitas pessoas no Centro de grandes cidades, principalmente em São Paulo, pulando no arco de facas e jogando Capoeira. O Mestre Kunta por muitos anos era presença constante na Academia Santamarense do Mestre Zumbi na Zona sul, aonde eu Romário, tive o prazer de conviver e jogar com o Mestre por muitas vezes, temos algumas histórias contadas , e rimos muito quando lembramos desses momentos legais na Santamarense nos idos de 1977 a 1980, eu era menino, mas já admirava a capoeira do Mestre Kunta.

Conheça Mestre Limão

Mestre LimnãoMestre Paulo dos Santos,(Mestre Limão) nasceu em 18/07/1945, em Santo Amaro da Purificação, Bahia.

Aprendeu capoeira quando criança, nas rodas de rua. Tornou-se aluno de Mestre Caiçara (que foi um grande Angoleiro)

Apelido: Recebeu este apelido do Mestre Canjiquinha, devido ao fato de vender limão na feira.

1969 – Veio para São Paulo, juntamente com o Mestre Caiçara para gravar um disco. Começou a frequentar as rodas da república, fez amizades com vários capoeiristas vindos da Bahia como: Mestre Joel, Mestre Suassuna, Mestre Brasília entre outros.

Mestre Limão, conheceu Mestre Pinatti, com o qual consolidou uma amizade e foi convidado junto também com Mestre Paulão para abrirem uma academia. Ainda no ano de 69, mas precisamente no dia 01 de agosto de 1969, foi fundada a Academia São Bento Pequeno, onde eram sócios: Mestres: Limão, Paulão e Pinatti.

Em 1970, Paulo Limão (Mestre Limão)sentiu necessidade de fundar a sua própria academia e a fundou no dia 01 de junho de 1970, na Avenida Morumbi (Academia Quilombo dos Palmares (Zona Sul-SP), ganhou muitos alunos, respeito e admiração tornando-se um dos maiores nomes da capoeira.

Mestre limão, apesar de ter se dado muito em SP, frequentemente ia para a Bahia visitar seus familiares, onde ele permanecia na maioria das vezes por muito tempo; de 6 meses a 1 ano na sua velha Bahia.

Limão era Angoleiro, mas ele ensinou a Regional ; as únicas pessoas que ele ensinou Angola foi para o seu Sobrinho Limãozinho, Silvio Acarajé, para o Jorginho (este depoimento é segundo Mestre Limãozinho.

Limão era um fino aplicador de rasteira. Uma frase que Mestre Limão dizia com muita freqüência era: “Tem aluno e tem discípulo, o discípulo quer pegar toda a essência do Mestre.”

Mestre Limão faleceu em 1985, Limão foi para a Bahia, para nunca mais voltar. Foi a sua última viagem a tão querida Bahia.

A Viajem sem Volta.

Mestre Limão faleceu na Usina Paranaguá; ele teve uma briga pessoal com um cara da lavoura da cana.”

Relato na época divulgado no jornal da bahia segundo Prof.José Roberto:

No ano de 1985, Limão resolveu ir embora para a Bahia e foi trabalhar na Usina Paranaguá, em Santo Amaro da Purificação. Lá na usina ele se desentendeu com um rapaz e acabou matando o cara com um golpe de Capoeira. Foi feita uma cilada na Fazenda e Limão foi morto a traição. Ele foi esquartejado com grande crueldade, mas deixou sua marca registrada como um dos melhores capoeiristas que o Brasil já teve.

Prof. José Roberto.

Infelizmente não tem muita foto de Mestre Limão na Web
Version in English

Mestre Paulo dos Santos, was born on 07/18/1945 in Santo Amaro da Purification, Bahia.

He learned capoeira as a child in the street wheels. He became a student of Master Caiçara (which was a great Angoleiro)

Surname:. He received this nickname the Master Canjiquinha due to the fact of selling lemon in the marketplace

1969 – He came to São Paulo, along with Rascal Master to burn a disc. He began attending the republic wheels, made friends with many coming from Bahia Capoeira as:. Master Joel, Suassuna Master, Master Brasilia among others

Lemon Master, met master Pinatti with which cemented a friendship and was invited along too with Paulão master to open a gym. Still in the year 69, but precisely on August 01, 1969, it was founded the São Bento Pequeno Academy, where they were partners: Masters:. Lemon, Paulo and Pinatti

In 1970, Paul Lemon (Lemon Master) felt the need to found their own academy and founded on June 1, 1970, at Avenida Morumbi (Quilombo Academy of Palmares (South-SP Zone), has won many students, respect and admiration making it one of the largest poultry names.

Master lemon, despite having given up a lot in SP, often went to visit their relatives Bahia, where he remained for the most part long; 6 months to 1 year in old Bahia.

Lemon was Angoleiro, but he taught Regional; the only people he taught Angola went to his nephew Little lemon, Silvio Acarajé for Jorginho (this statement is the second Master Little lemon.

Lemon was a fine trailing applicator. A phrase that Lemon Master said very often was: “Are you a student and disciple has the disciple wants to catch the essence of the Master.”

Lemon master died in 1985, Lemon went to Bahia, never to return. It was his last trip to beloved Bahia.

The Travelling without Volta.

Lemon master died in Paranaguá plant; he had a personal fight with a guy from the sugarcane crop. ”

Reporting at the time published in the journal bahia second Prof.José Roberto:

In 1985, Lemon decided to leave for Bahia and went to work in the plant Paranaguá, in Santo Amaro purification. There at the plant he fell out with a guy and ended up killing the guy with a stroke of Capoeira. A trap was made in Finance and Lemon was killed betrayal. He was quartered with great cruelty, but left his trademark as one of the best capoeiristas that Brazil has ever had.

Professor José Roberto.

Unfortunately not much photo Lemon Master Web

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Conheçam o Silvio Acarajé

Silvio AcarajéNome: Silvio dos Santos. exímio tocador de Berimbau, nasceu em São Paulo em 16 de Novembro de 1954, filho do Sr Casemiro dos Santos e Dona Maria Thereza dos Santos, Iniciou a capoeira no ano de 1969 com o Mestre Paulo Gomes, em 1970 assistindo e tocando berimbau nas rodas de capoeira da Praça da República em São Paulo viu o Mestre Limão jogar capoeira e então começou a treinar com ele, lá conheceu o Mestre Limãozinho, amigo que veio a ser seu cunhado. Em 03 de Dezembro de 1972 ele se formou com o Mestre Paulo Limão na Academia Quilombo dos Palmares. Era capoeirista tinha uma jogo bonito e diferenciado ,um exímio tocador de berimbau, chegou a gravar dois CDS o primeiro foi Capoeira Primitiva, com toques de berimbau raros e por muitos esquecidos e o segundo Saga do Urucungo. Artista plástico fazia desenhos encantadores, fez gravuras em muitas academias, inclusive desenhou com muito carinho a Academia do Mestre Silvestre a Vera Cruz em São Paulo. Silvio Acarajé  nos deixou em 23 de Fevereiro de 1996 em um acidente de Caiaque na Ilha de Itaparica em Vera Cruz, e deixou muitos admiradores, na memoria de familiares e muitos capoeiristas que até hoje ouvem e tentam aprender os toques registrados nos Cds. Agradeço a dona Rosinha, irmã  e também ao Mestre Limãozinho cunhado e admirador do Silvio Acarajé que nos deram detalhes sua vida e obra.

Fonte: www.congodeouro.com.br

Conheça um pouco mais sobre o fantástico mundo da musicalidade da Capoeira.

Esta matéria a seguir foi escolhida a dedo, para vocês conhecerem e aprenderem um pouco mais sobre a musicalidade da capoeira, analisando o trabalho de Silvio Acarajé vocês terão a honra de aprender novos toques e seus respectivos fundamentos. O texto a seguir foi extraído do encarte do CD Capoeira Primitiva de Silvio Acarajé. Axé!

Silvio Acarajé – Capoeira Primitiva

Meu Mestre foi Paulo Limão que está descrito no livro: Capoeira Angola- Waldeloir Rego. Como “Santo Amaro”, o saudoso mestre nasceu em Santo Amaro da Purificação- BA foi para Salvador e tornou-se então contramestre de Caiçara; o mestre Caiçara, considerado então na época (Limão) como um dos melhores Angoleiros da Bahia, deixando sua marca de forma inesquecível nas rodas realizadas no Terreiro de Capoeira do Mestre Pastinha, sendo até escolhido por Mestre João Grande como seu companheiro de jogo; de toque firme e característico no berimbau é possível ouvi-lo no LP de seu Mestre: o Caiçara.
Os toques que lá se ouvem são do mestre em questão. Quem ensinou-lhe os toques, dizia-me sempre foi: Mestre Gato e Mestre Canjiquinha , Limão com o firme propósito de não deixar a cultura e os toques da Capoeira Angola (e Regional) ficar no esquecimento ou mesmo morrer, e tendo em vista o visível interesse em aprender de Silvio Acarajé e seu sobrinho Limãozinho (agora meu cunhado), passa então a ensinar-nos os segredos do berimbau, da dança, no jogo e na luta da capoeira, seja Angola ou Regional.
Eu, pessoalmente dediquei-me ao máximo, aprendendo tudo o que ele me ensinava e sempre buscando mais, perguntando sobre toques os mais esquecidos e difíceis e como se jogava também! Vendo também Mestre Canjiquinha, Gato, tocadores da Ilha e Mercado Modelo; a decorar os sete toques da Capoeira Regional; daquela época para cá (1970) aprendi muito, foi realmente um curso.
Isto que estamos começando a fazer é um trabalho de “base”, que tem naturalmente a força dos Nossos Ancestrais! É um trabalho que traz à tona, o que estava perdido no fundo, encoberto pelo lamaçal do descaso, do esquecimento.
Eis aqui, os toques de berimbau em Gêgy, Angola e outros toques exóticos usados no passado, na Capoeira Angola, guardados outrora em segredo, a sete chaves pelos velhos mestres, apresentados aqui pela primeira vez, de forma tão abrangente ao público capoeira.


Gostaria e salientar e peço o testemunho dos velhos mestres capoeiras que ao passar dos tempos os toques impregnados de axé (os segredos do berimbau) vinham apagando-se da memória dos capoeiras, toques esses que os capoeiras atuais nem sequer ouviram falar! São Toques em Gêgy, como a Angola, o São Bento Grande, o Gêgy Puro, todos esses tocados à maneira Gêgy, que é bem diferente dos conhecidos.
A Angola Dobrada, a Cavalaria Antiga, o Aviso e o Tico-Tico, que são executados à maneira do ex- negro- escravo, o festivo Barravento, o Bizarro Muzenza.
Vamos viver sim, reviver de modo espetacular e autêntico, embora que de um peso colossal de tradição, o que mais rico, puro e brilhante da cultura Afro-Baiana existente; a magia musical da Capoeira Angola; sua mandinga seus mistérios…
Vamos reviver a Velha Bahia da Capoeira, ou se preferirem, a Velha Capoeira da Bahia.
Silvio Acarajé
(Silvio dos Santos)


Toques do CD Capoeira Primitiva- Silvio Acarajé
1- Angola Santo Malandreu: Criação Silvio Acarajé, uma ladainha, uma preparação para o início do jogo da capoeira.
2- Gegy: É um toque vigoroso. O jogo da capoeira é em Angola, a diferença está no toque do berimbau, no repique onde predomina a influência do Gegy- Nagô.
3- São Bento Grande em Gegy: A capoeira é jogada na forma idêntica ao São Bento Grande de Angola. A diferença está no repique Gêgy. No final desta faixa, o ritmo é mudado para Angola.
4- Jogo de Fora: É um toque rapidíssimo, para um jogo de reconhecimento do adversário. Visa observar suas falhas, acontecendo o “Jogo de Dentro”.
5- Jogo de Dentro: Toque muito bonito e vigoroso, começa a moda de São Bento Grande Regional e termina de forma espetacular, numa Angola. No jogo, os contendores enfrentam-se dentro da área do outro, para aplicar e, defender-se dos golpes. É um jogo mais avançado, próprio dos capoeiras bem adiantados na “Arte-Luta”.
6- Dandara: Criação de Silvio Acarajé, homenagem às mulheres que praticam a capoeira. Dandara de acordo com os registros de Palmares, foi o grande amor de Zumbi, o Rei dos Quilombos dos Palmares.
7- São Bento Grande de Angola: “Triplique” por ser constituído por obras de repiques tão rápidos, o ritmo se “triplica”.
8- Samango: Toque antigo é executado batendo-se com a baqueta só embaixo do dobrão, portanto, usando-se somente uma nota. O jogo é muito curioso, praticamente não há ginga, bate-se o pé no chão (um pé só) num movimento de pedalar ao contrário soltando bruscamente os golpes, enganando o adversário.
9- Muzenza: É originário do Candomblé, e no jogo da capoeira, demonstra-se desprezo ao adversário.
10- Angola Dobrada: Pode-se dizer que é o mesmo jogo da Angola, só que o capoeira joga com extrema atenção e na mesma abertura do adversário entrando de cabeça, mãos e pés.
11- Tico-Tico: É um toque no qual a batida da palheta e chocalho do caxixi, imita o pássaro. Dizem os nativos que é muito usado na Ilha de Maré, refúgio dos escravos, capoeiras e pessoas ligadas à cultura afro.
12- São Bento Pequeno de Angola: No jogo da capoeira, os contendores jogam mais em pé sem levar a efeito os golpes, tendo um caráter mais demonstrativo, visando aprimorar os movimentos.
13- Cavalaria Antiga: Toque que era executado com a finalidade de avisar aos negros foragidos da chegada de alguma patrulha da cavalaria,ou qualquer outro inimigo de então.
14- Angola em Gêgy: Ritmo cadenciado, vigoroso, exige do berimbau uma técnica aprimorada.
15- Idalina de Angola: Somente usado pelos capoeiras mais adiantados, que jogavam com uma navalha virada, inversamente colocada, segura entre os dedos dos pés dos capoeiristas, que tentavam atingir tendão do seu oponente.
16- Barravento: Pode-se dizer, um dos mais bonitos toques da capoeira, muito rápido, agradável de se ouvir em que o solista demonstra os infindáveis recursos de repique que há no berimbau. O jogo é solto, muito á vontade; é uma demonstração de alegria.
17- Ave-Maria: Com início lento, demonstrando equilíbrio e conhecimento da arte.
18- Aviso: Pouco conhecido, esquecido. Muito antigo e de execução super-rápida. Tinha como finalidade de alertar os escravos da presença inimiga.

 

Name: Silvio dos Santos. Was born in São Paulo on November 16, 1954, the son of Mr. Casemiro dos Santos and Mrs. Maria Thereza dos Santos. He began capoeira in 1969 with Mestre Paulo Gomes, in 1970, watching and playing berimbau on the wheels Of capoeira from Praça da República in São Paulo saw Master Lemon play capoeira and then began to train with him, there met Master Lemon, a friend who became his brother-in-law. On December 3, 1972 he graduated with Master Paulo Limão at Academia Quilombo dos Palmares. He was a capoeirista had a beautiful and differentiated game, an excellent berimbau player, got to record two CDS the first was Capoeira Primitiva, with touches of berimbau rare and for many forgotten and the second Saga of Urucungo. Unfortunately Silvio Acarajé left us on February 23, 1996 in a kayak accident on the Island of Itaparica in Vera Cruz, and left many admirers, in memory of family and many capoeiristas who to this day listen and try to learn the touches recorded on CDs. I thank Dona Rosinha, sister and also the Master Lemonade brother-in-law and admirer of Silvio Acarajé who gave us details of his life and work.

Source: www.congodeouro.com.br

Get to know more about the fantastic world of Capoeira’s musicality.

This article was chosen by hand, so that you may know and learn a little more about the musicality of capoeira, analyzing the work of Silvio Acarajé you will have the honor to learn new touches and their respective foundations. The following text was extracted from the booklet of the Capoeira Primitiva CD by Silvio Acarajé. Axe!

Silvio Acarajé – Capoeira Primitiva

My Master was Paulo Limão who is described in the book: Capoeira Angola – Waldeloir Rego. As “Santo Amaro,” the late master was born in Santo Amaro da Purification-BA went to Salvador and became foreman at Caiçara; The master Caiçara, considered then at the time (Limão) as one of the best Angoleiros of Bahia, leaving his mark of unforgettable form in the wheels realized in the Terreiro de Capoeira of Mestre Pastinha, being even chosen by Mestre João Grande like his game companion; Of firm and characteristic touch in the berimbau, it is possible to hear it in the LP of its Master: the Caiçara.
The touches that are heard there belong to the master in question. Who taught him the touches, I was always told: Master Cat and Master Canjiquinha, Limão with the firm purpose of not letting the culture and touches of Capoeira Angola (and Regional) stay in oblivion or even die, and in view The visible interest in learning from Silvio Acarajé and his nephew Lemonzo (now my brother-in-law), then teaches us the secrets of berimbau, dance, game and capoeira fight, be it Angola or Regional.
I personally dedicated myself to the maximum, learning everything he taught me and always seeking more, asking about touches the most forgotten and difficult and how to play too! See also Master Canjiquinha, Gato, Island players and Mercado Modelo; To decorate the seven touches of Capoeira Regional; From that time on (1970) I learned a lot, it was really a course.
This we are beginning to do is a “grassroots” work, which naturally has the power of Our Ancestors! It is a work that brings out, what was lost in the background, covered by the mire of neglect, forgetfulness.
Here are the ringtones of berimbau in Gêgy, Angola and other exotic touches used in the past, in Capoeira Angola, once secretly guarded by the old masters, presented here for the first time, so comprehensively to the capoeira audience.

I would like to point out and ask for the testimony of the old capoeiras masters who, in the course of time, the impregnated touches of axé (the secrets of the berimbau) were disappearing from the memory of the capoeiras, touches which the current capoeiras did not even hear! There are touches in Gêgy, such as Angola, São Bento Grande, Gêgy Puro, all those played the Gêgy way, which is very different from the ones known.
The Angolan Dobrada, the Ancient Cavalry, the Warning and the Tico-Tico, which are executed in the manner of the ex- black slave, the festive Barravento, the Bizarro Muzenza.
Let us live yes, revive in a spectacular and authentic way, albeit that of a colossal weight of tradition, the richest, purest and brightest of the existing Afro-Baiana culture; The musical magic of Capoeira Angola; Your mandinga your mysteries …
We will revive the Old Bahia of Capoeira, or if you prefer, the Old Capoeira of Bahia.
Silvio Acarajé
(Silvio dos Santos)

Ringtones of the CD Capoeira Primitiva- Silvio Acarajé
1- Angola Santo Malandreu: Creation Silvio Acarajé, a litany, a preparation for the beginning of the capoeira game.
2- Gegy: It’s a vigorous touch. The game of capoeira is in Angola, the difference is in the touch of the berimbau, in the peal where the influence of the Gegy-Nagô predominates.
3- São Bento Grande in Gegy: Capoeira is played in the same way as São Bento Grande de Angola. The difference is in the Gêgy peal.

Besouro de Mangangá

Besouro Mangangá, Manoel Henrique Pereira

Besouro Mangangá
Nome completo Manoel Henrique Pereira
Nascimento 1895
Santo Amaro, Bahia Bahia, Brasil
Morte 1924 (29 anos)
Ocupação Capoeirista Procurar imagens disponíveis
Manoel Henrique Pereira (Santo Amaro, 1895—1924), mais conhecido como Besouro Mangangá foi um capoeirista baiano que no início do século XX tornou-se o maior símbolo da capoeira baiana. Sua fama chegou ao nível nacional a partir dos anos 1930 e, com a expansão da capoeira para outros continentes, internacionalizou-se.[1]

História[editar | editar código-fonte]
Besouro Mangangá era filho de Maria José e João Matos Pereira, nascido em 1895, e foi assassinado no arraial de Maracangalha, na Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro onde faleceu em 1924. [2], era natural do recôncavo baiano e viveu naquela região, em um período nas florescências dos canaviais em Santo Amaro, tinham importante papel no cenário produtivo, através dos saveiros pelo rio subaé levavam as mercadorias que iam e chegavam até o cais de Salvador.

Manoel Henrique que, desde cedo, aprendeu os segredos da capoeira com o Mestre Alípio no trapiche de baixo, foi batizado como Besouro Mangangá por causa da crença de muitos que diziam que quando ele entrava em alguma embrulhada e o número de inimigos era grande demais, sendo impossível vencê-los, então ele se transformava em besouro e saía voando. Várias lendas surgiram em torno de Besouro para justificar de seus feitos, a principal atribui-lhe o “corpo fechado” e que balas e punhais não podiam feri-lo. Devido aos seus supostos poderes Besouro Mangangá tornou-se um personagem mitológico para os praticantes da capoeira, tendo sua identidade relacionada aos valentões, capadócios, bambas e malandros.

Especula-se que não gostava da polícia e que teria praticado de vários confrontos com as força policiais, às vezes levando vantagem nos embates, porém, segundo Antonio Liberac Cardoso Simões Pires[6]: “Suas práticas não podem ser associadas ao banditismo, pois Besouro sempre se caracterizou como um trabalhador por toda sua vida, nunca sendo preso por roubo, furto ou atividade criminal comum. Suas prisões foram relacionadas às ações contra a polícia, principalmente no período em que esteve no exército”. Algumas documentações históricas registram os confrontos entre Besouro Mangangá e a polícia, como o ocorrido em 1918, no qual Besouro teria se dirigido a uma delegacia policial no bairro de São Caetano, em Salvador, para recuperar um berimbau que pertencia ao seu grupo. Com a recusa do agente em devolver o objeto apreendido, Besouro partiu para o ataque com ajuda de alguns companheiros. Eles não conseguiram recuperar o berimbau desejado, pois foram vencidos pelos policiais, os quais receberam ajuda de um grupo de moradores locais:

Aos dez dias de setembro de mil novecentos e dezoito,
nesta capital do estado da Bahia (…) Argeu Cláudio de Souza,
com vinte e três anos de idade, solteiro, natural deste estado,
praça do primeiro batalhão da brigada policial (…)
foi interrogado pelo doutor delegado que lhe perguntou o seguinte:
como foi feita a agressão de que foi vítima no posto policial
de São Caetano? (…) Ali apareceu um indivíduo mal trajado,
e encostando-se a janela central do referido posto,
durante uns cinco minutos, em atitude de quem observava alguma coisa,
que decorrido este tempo, o dito indivíduo interpelando o respondente,
pediu-lhe um berimbau que se achava exposto juntamente com armas apreendidas….
Estilo de luta[editar | editar código-fonte]
A capoeira praticada no recôncavo baiano no final do século XIX e início do século XX apresentava aspectos próprios, tinha em seus traços lúdicos a inserção de instrumentos de cordas – possivelmente houve a mescla entre a prática do samba e da capoeira – e nos treinamentos de luta envolvia técnicas em torno do uso de armas como a faca e a navalha; o chapéu era um importante elemento na defesa das investidas de mão armada.[9] Os praticantes de capoeira desse período desenvolveram uma técnica de ataque com faca e navalha que consistia no fato do lutador amarrar sua arma e um elástico e treinar o ato de lançar a arma, ferir o adversário e retornar a mão novamente.

Morte de Besouro[editar | editar código-fonte]
As circunstâncias de sua morte são contraditórias. Há versões que afirmam que Besouro morreu em um confronto com a polícia; outras, que foi traído, com um ataque de faca pelas costas. Esta última é muito cantada e transmitida oralmente na capoeira conta que um fazendeiro, conhecido por Dr. Zeca, após seu filho Memeu ter apanhado de Besouro, armou uma cilada. O fazendeiro tinha um amigo que era administrador da Usina de Maracangalha, de nome Baltazar. Besouro não sabia ler, então mandaram uma carta para Baltazar, pelo próprio Besouro, pedindo ao administrador que desse fim dele por lá mesmo. Baltazar recebeu a carta, leu, e disse a Besouro que aguardasse a resposta até o dia seguinte. Besouro passou a noite por lá; no outro dia foi buscar a resposta. Quando chegou na porta foi cercado por uns 40 homens, que o iam matar. As balas nada lhe fizeram; um homem o feriu a traição com uma faca de tucum (ou ticum), um tipo de madeira, tida como a única arma capaz de matar um homem de corpo fechado.

O atestado de óbito relata da seguinte forma:

Manoel Henrique, mulato escuro, solteiro, 24 anos, natural de Urupy,
residente na Usina Maracangalha, profissão vaqueiro, entrou no dia 8
de julho de 1924 às 10 e meia horas do dia, falecendo às sete horas da noite,
de um ferimento perfuro-inciso do abdômen.
Cadê o Besouro[editar | editar código-fonte]
Canção muito conhecida na capoeira:

Besouro Mangangá era homem de corpo fechado
Bala não matava e navalha não lhe feria
Sentado ao pé da cruz enquanto a polícia o seguia
Desapareceu enquanto o tenente dizia

Cadê o Besouro
Cadê o Besouro
Cadê o Besouro
Chamado Cordão de Ouro

Besouro era um homem que admirava a valentia
Não aceitava a covardia maldade não admitia
Com a traição quebrou-se a feitiçaria
Mas a reza forte só Besouro quem sabia

Atrás de Besouro,
O tenente mandou a cavalaria
No estado da Bahia
E Besouro não sabia

Já de corpo aberto,
Fez sua feitiçaria
Cada golpe de Besouro
Era um homem que caía

Hoje, Besouro é conhecido como Cordão de Ouro, o exu das sete encruzilhadas. Está presente nos terreiros de Umbanda, onde incorpora em médiuns. Besouro, quando chega no terreiro, senta-se no chão em posição de lótus. Besouro, quando vem trabalhar, não gosta muito de conversar e gira nos seus protegidos calado.[carece de fontes]

Filme[editar | editar código-fonte]
Uma adaptação cinematográfica da história de Besouro, dirigida por João Daniel Tikhomiroff, estreou no Brasil no dia 30 de outubro de 2009. Besouro foi interpretado por Ailton Carmo. O trailer foi o de maior sucesso do cinema brasileiro no ano.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Felipe Santo AmaroMeu nome e Felipe Santiago. Comecei a aprender a capoeira com 18 anos de idade com o mestre Arlindo um angoleiro pra ninguém colocar defeito.

Meu primeiro teste foi numa festa de 13 de Maio. Eu estava apreciando e ele estava na roda, de repente, ele me puxou pelo braço e quando me saltou eu corri e quando me distraí ele me puxou de novo e mandou me cobri. Já o rabo de Arrais seguia a voz dele. Eu caí na negativa e a partir daí o jogo rolou. Só que por motivo de trabalho eu dei uma parada. Recomecei aos 20 anos com Vivi de Popó, que me aperfeiçoou.

Hoje estou aqui, com esta boa idade praticando capoeira sendo querido e amado por todos, ajudando o quanto posso pra não deixar esta arte se extinguir. E assim eu vou matando a saudade no meio dessa boa juventude. Enquanto Deus estiver me dando força e resistência, estarei sempre lado a lado com a capoeira. A minha vida foi muito sofrida, perdi meus pais ainda na adolescência e comecei a trabalhar para sobreviver.

Fui um grande farrista, porém, muito respeitado e cumpridor do meu dever. A melhor fase da minha vida dentro do esporte foi depois dos sessenta anos. Idade onde muitos pensam em parar, foi exatamente quando eu comecei a me destacar. Hoje a minha popularidade abrange não só o estado da Bahia, como uma boa parte do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, entre outros.

Pratico a capoeira por amor e espero que todos os seguidores desta arte mantenham este mesmo amor e dedicação. Nesta forma a capoeira fica sendo mais divulgada e o seu seguidor, chega a esta mesma idade que eu me encontro (76 anos), praticando a arte com todo vigor. O mestre Felipe, o angoleiro mais velho em atividade de Santo Amaro, é um dos maiores compositores das músicas de capoeira do Recôncavo Baiano. Já participou nas gravações de dois CD’s de capoeira, “Salve Deus e Salve a Pátria” – 2001 e “Vamos Vencer Camará” – 2003. Confecciona artesanatos, e participa de inúmeras rodas de samba. As habilidades do mestre Felipe são muitos grandes. Não se resume só as rodas de capoeira. Isto é visto através dos artesanatos que o mesmo confecciona e também das participações de inúmeras rodas de samba, onde esse velho mestre mostra a beleza e simpatia toda alegria do povo do Recôncavo.

Mestre Felipe como outros mestres são os chamados o ouro da nova geração que estar chegando esta geração que não estar tendo o mínimo de respeito em estar tentando respeitar os princípios artístico e cultural de uma arte que foi massacrada e desvalorizadas por uma sociedade preconceituosa. E que agora de uma forma bem sutil esta arte estar conquistando seu movimento a qual ela já merecia. Mas o que nos estamos tentando colocar e que os que estão tendo contato com esta arte tente a cada momento valorizar os seus ideias .

Porque ser angoleiro não apenas estar colocando a perna pra cima não e sim vem concedida de um contexto herquico e que precisa continuar sendo vista assim como era com energias voltadas ao ensinamento e preservação da mesma .Em quantos ainda temos alguns guardiões daquela época vivos pra nos mostrar realmente o que e como foi o ser capoeirista e sobreviver a varias questões desta arte mania tais como racismo, preconceitos social racial intelectual. Enfim uma seria de bloqueios que impedia mas eles continuar sendo verdadeiros e mantiveram ate os seus últimos dias porque eu penso que nos tempos de hoje estar sendo muito fácil ensinar e aprender a capoeira de angola porque em primeiro lugar ninguém estar querendo se preocupar em se transportar mas ate a África e sim ensinar uma coisa parecida com isso .

O mestre Felipe de Santo Amaro, relata a sua vivencia naquele tempo coisa que era a forma de aprender capoeira com os mestres antigos quer dizer com os capoeiristas antigos e naquela época não existia a academia e sim a roda a qual tinha que ser um pouco valente pra entrar e sair dos movimentos. Então na idade ainda de jovem deste mestre já não era tão fácil aprender capoeira e sim a vontade que vigorava dentro desta arte. E a vivencia dele e um relato que serve como exemplo pra a nova geração de hoje pra ver que os mestres que ganharam os nomes que tem hoje não havia uma preocupação de ser mestre ou ensinar porque a capoeira era feita de forma harmoniosa prazerosa e com uma paixão e nos tempos de hoje a paixão estar ligada ao lado marcial competitivo pois entrar hoje na roda nos remete a estar se defendendo contra o outro que quer mostrar apenas a forma como se faz pra pegar e não mostrar a beleza desta belíssima arte.

Em 2017 Mestre Felipe de Santo Amaro – BA, estará no Abril pra Angola, compartilhando com todos nós sua experiência de vida. Inscreva-se

Gerson Quadrado

Gérson Francisco da Anunciação, conhecido Mestre Quadrado. Nascido em 1925, na Ilha de Mar Grande, Recôncavo baiano.

Foi um grande capoeirista e um dos maiores conhecedores de chulas. Gravou os CDs: Encanto banto num recanto da ilha: capoeira angola e samba chula; e Aruê Pã com o grupo Samba tradicional da Ilha. Além de ter participação em: Samba de Roda, Patrimônio da Humanidade.

Faleceu em 17 de abril de 2005, mesmo dia em que foi fundada a Associação dos Sambadores e Sambadeiras do estado da Bahia.
“Eu amo a capoeira. Amo tanto a capoeira que se tiver um doente para morrer ali, precisando de uma vela e mandarem eu comprar uma vela para ele… Se eu ouvir um gunga tocando… Bom, ele vai morrer. Sem a vela.”

Sambador como poucos. Capoeirista de primeira grandeza. Cantador fora de série, batuqueiro, conhecedor e participante de afoxé, Terno de Rosas, Chegança, Rancho do Boi. Esse era o Mestre Quadrado.

Em primeiro de julho de 1925 nasceu Gerson Francisco da Anunciação na Gamboa/Vera Cruz, Ilha de Itaparica. Órfão por parte de mãe, ainda muito cedo foi abandonado pelo pai. O mesmo pai que não queria, de jeito nenhum, que ele aprendesse capoeira. Para nossa sorte, o menino foi desobediente e resolveu ir atrás do berimbau.

Considerava seu principal mestre na capoeira um pedaço de bananeira. Durante muitos anos, vários capoeiristas quiseram que o mestre mostrasse a eles como tinha sido esse aprendizado com a bananeira. Ele não contava. De acordo com Seu Gerson, ainda pequeno ele viu um senhor chamado Julio da Penha treinando com a bananeira e passou a imitá-lo. Além da planta, passou por mestres de carne e osso, como Bitonha e Reginaldo.

Mas a vida não era só capoeira: sustentava suas três irmãs mais novas desde pequeno, quando seu pai partiu. Pescando, mariscando, trabalhando no cal da Ilha, nas docas de Salvador. O trabalho pesado foi endurecendo e fazendo crescer o corpo do pequeno Gerson, que ficou muito forte. A ponto de parecer um “quadrado”.

Mestre Gerson Quadrado contava das suas “corridas” da polícia, na antiga rampa do antigo Mercado Modelo. Pandeiros furados, ter que se esconder dentro de tonéis, em saveiros ou, se desse sorte, na casa de amigos para fugir da repressão. A perseguição à capoeira, que muitos hoje lêem em livros de história, foi vivida na pele por esse grande homem.

Todos que conviveram com Seu Gerson garantem: era de um caráter raro de se ver hoje. Prezava o cultivo da verdade sob qualquer circunstância. Era um homem de princípios, inflexível. “Passei fome- mas o que era dos outros, graças a Deus, nunca peguei. Porque não era meu.” São muitas as histórias contadas sobre a honestidade e a simplicidade desse capoeirista, que conviveu com Cobrinha Verde, Aberrê, Caiçara, Canjiquinha, Pastinha.

Manteve, em frente à bodega de Mané Zambeta, na Ilha de Itaparica, uma roda de capoeira por muito anos debaixo de um grande cajueiro. Roda por onde passaram grandes nomes da capoeira, famosos hoje ou não.

Além da capoeiragem, Mestre Gerson Quadrado virou lenda também no samba. Foi um dos grandes mestres dessa arte. Chegava a cantar 50 chulas sem parar para pensar. Tocava, conhecia os fundamentos, desafiava. Aprendeu com Mané Zambeta, Vitaliano, Luiza, Teófilo (Gago) Lopes e Chico da Viola.

Mestre Gerson Quadrado, mesmo tendo tido fama de valentão quando jovem (fama assumida por ele mesmo em depoimentos gravados) era cheio de carinho e atenção com quem o cercava. Falava com doçura com aqueles que ganhavam sua confiança, que podiam inclusive ter a sorte de aprender um samba raro com esse grande homem.

Talvez esse jeito carinhoso tenha aparecido por ele estar sempre cercado de mulheres: 3 irmãs, a mulher Balbina, seis filhas e umas vinte netas. Uma das suas irmãs, Dona Aurinda, aparece no maravilhoso documentário “Cantador de Chula” tocando seu prato.

Mestre Jaime de Mar Grande era muito próximo a Mestre Gerson. Os dois nasceram na Ilha, viveram bem pertinho. Ele contou certa vez, em um evento em São Paulo, que Mestre Gerson Quadrado se afastou durante um período do mundo da capoeira. Mas que esse afastamento se deu por amor. O velho mestre amava tanto a capoeira que não podia ver as fofocas, os “disse-me-disse” dos capoeiristas. E, para não se chatear com a capoeira, preferiu se afastar. Mas o amor falou mais alto (com uma ajudinha de Mestre Jaime) e Mestre Gerson voltou ao mundo da capoeiragem. Outro mestre que teve um bom convívio com Mestre Gerson foi Mestre Lua Rasta, aprendendo com ele e o homenageando em vida sempre que possível.

A capoeira e o samba de roda devem muito a esse homem que, infelizmente, nos deixou em 17 de abril de 2005.

Meet Master Gerson Quadrado

Gerson Quadrado
Gérson Francisco of the Anunciação, known Quadrado Master. Born in 1925 on the island of Mar Grande, Recôncavo, Bahia.
He was a great capoeirista and one of the greatest connoisseurs of cool. Recorded CDs: Charming banto in a corner of the island: capoeira angola and samba chula; And Aruê Pã with the traditional Samba group of the Island. Besides having participation in: Samba de Roda, Patrimony of Humanity.
He died on April 17, 2005, the same day that the Association of Sambadores and Sambadeiras of the State of Bahia was founded.

“I love capoeira. I love capoeira so much that if there is a patient to die there, needing a candle and have me buy a candle for him … If I hear a gunga playing … Well, he’s going to die. Without the candle. ”
Sambador as few. Capoeirista of first greatness. Outstanding singer, drummer, connoisseur and participant of afoxé, Suit of Roses, Chegança, Rancho do Boi. This was the Square Master.
On July 1, 1925 Gerson Francisco of the Annunciation was born in Gamboa / Vera Cruz, Island of Itaparica. Orphaned by his mother, he was abandoned very early by his father. The same father who did not want him to learn capoeira at all. Luckily, the boy was disobedient and decided to go after the berimbau.
He considered his main master in capoeira a piece of banana. For many years, several capoeiristas wanted the master to show them how he had learned this with the banana tree. He did not count. According to Seu Gerson, as a young man, he saw a gentleman named Julio da Penha training with the banana tree and began to imitate him. Besides the plant, he passed masters of flesh and bone, such as Bitonha and Reginaldo.
But life was not just capoeira: it supported its three younger sisters from small, when its father left. Fishing, mariscando, working on the lime of the Island, on the docks of Salvador. The heavy work was hardening and growing the body of the little Gerson, who became very strong. It looks like a “square.”
Mestre Gerson Quadrado counted on his “races” of the police, in the old ramp of the old Model Market. Pierced pandeiros, having to hide inside barrels, on sloops or, if luckily, in the house of friends to escape the repression. The persecution of capoeira, which many today read in history books, was lived in the skin by this great man.
Everyone who lived with Seu Gerson guarantees: it was a rare character to see today. He preached the cultivation of truth under all circumstances. He was a man of principle, inflexible. “I was hungry, but what was in others, thank God, I never got it. Because it was not mine. “There are many stories told about the honesty and simplicity of this capoeirista, who lived with Cobrinha Verde, Aberrê, Caiçara, Canjiquinha, Pastinha.
In front of the Mané Zambeta winery, on the Island of Itaparica, he kept a capoeira wheel for many years under a large cashew tree. Roda where famous capoeira’s famous names have passed.
Besides capoeira, Mestre Gerson Quadrado also became a legend in samba. He was one of the great masters of this art. I could sing 50 guys without stopping to think. He touched, he knew the basics, he challenged. He learned with Mané Zambeta, Vitaliano, Luiza, Teófilo (Gago) Lopes and Chico da Viola.
Mestre Gerson Quadrado, even though he had been known as a bully as a young man (a self-assumed fame in recorded testimonials) was full of affection and attention with those around him. He spoke sweetly to those who gained his confidence, who could even be lucky enough to learn a rare samba with this great man.
Perhaps this affectionate way has appeared because he is always surrounded by women: three sisters, the Balbina woman, six daughters and some twenty granddaughters. One of her sisters, Dona Aurinda, appears in the wonderful documentary “Cantador de Chula” playing her plate.
Mestre Jaime de Mar Grande was very close to Mestre Gerson. The two were born on the Island, lived close by. He once told, at an event in São Paulo, that Master Gerson Quadrado moved away during a period of the world of capoeira. But that this withdrawal was for love. The old master so loved capoeira that he could not see the gossip, the “told me,” of the capoeiristas. And, in order not to get upset about the capoeira, he preferred to walk away. But love spoke louder (with a little help from Mestre Jaime) and Mestre Gerson returned to the world of capoeira. Another master who had a good relationship with Mestre Gerson was Mestre Lua Rasta, learning from him and honoring him in life whenever possible.
Capoeira and samba de roda owe much to this man who, unfortunately, left us on April 17, 2005.

Totonho de Maré

MESTRE TOTONHO DE MARÉ
(m. maré)

Antônio Laurindo Das Neves nasceu na última década do séc. XIX, no dia 17 de setembro do ano de 1894 na Ilha de Maré, Salvador(BA) era filho de Manoel Gasparino Neves e de Margarida Neves, era 5 anos mais novo que o Mestre Pastinha(1889-1981), 1 ano mais velho que Besouro Magangá(1895-1924), e 6 anos mais velho que o Mestre Bimba(1900-1974). Foi um dos mais afamados entre os antigos capoeiristas da Bahia, o próprio dizia ter aprendido capoeira sozinho. Foi observando mais antigos que ele jogarem que o Mestre Maré desenvolveu o seu aprendizado e depois foi testa-lo pelas ruas de Salvador, com o passar do tempo o mesmo ganhou as rodas e o respeito dos bambas do seu tempo.

Maré compôs o seleto grupo de bambas que frequentava a gengibirra. A gengibirra era a nata da capieoragem baiana, frequentada por Aberrê, Livino Diogo, Noronha, Amorzinho e muitos outros grandes nomes da capoeira da Bahia nas primeiras décadas do séc. XX.(inclusive esse último “Amorzinho” era um guarda de quarteirão, foi ele quem entregou ao Mestre Pastinha a responsabilidade de assumir e organizar gengibirra no ano de 1941).

O Mestre Maré era um homem fisicamente muito forte, a sua força, a sua destreza e a sua grande estatura o-fez ser vencedor de grandes duelos corporais em lutas de rua pela Bahia. Durante a sua juventude, foi por diversas vezes campeão baiano de capoeira(lutas clandestinas organizadas por estivadores do caís que além de Maré tinha o estivador e capoeirista Victor H.U, como um dos grandes campeões, lembrando que o Mestre Bimba foi o primeiro a subir no ringue em lutas oficiais durante os anos 30, inclusive Victor H.U, foi um dos lutadores derrotado pelo criador da regional). Muitos dos antigos angoleiros eram respeitados pelos seus certeiros rabos de arraia, Maré era respeitado pelas suas certeiras e fortes cabeçadas que sempre levava ao chão quem as-recebiam, ora fossem companheiros de jogo, ora fossem adversários de luta em brigas de rua.

Maré foi um capoeirista n’uma época em que a capoeira era proibida pelo código penal, um período onde os seus praticantes a-usavam para os mais variados meios. A capoeira era um meio de sobrevivência, era a principal arma nos conflitos com a polícia, era usada para fazer capangagem política, era usada para marcação de território, era usada nas brigas dentro das casas de prostituição, era usada para guardar casas de jogos, era usada para resolver pendências pessoais e etc. Todos esses fatores faziam a sociedade ver a capoeira e os capoeiristas como um perigo para a sociedade. Ser capoeirista no tempo do Mestre Maré era matar um leão por dia, não bastava ficar atento apenas com a perseguição policial, teria também que se esquivar dos grandes valentões que ganharam as ruas de Salvador nesse período.

Maré assim como o Mestre Noronha não tinha uma roda de capoeira fixa, ele participava das rodas dos amigos geralmente nas festas de largo da Bahia. A voz trêmula da velhice, a barba branca, as rugas no rosto e os cabelos brancos lhe garantiam o respeito de todos dentro da capoeiragem. Não era muito de se meter confusões e só brigava para se defender, foi preso apenas uma vez depois tomar a arma de um homem que queria mata-lo, e após espancar o dito cujo ele foi parar na cadeia. Participou do filme “dança de guerra dirigido pelo Mestre Jair Moura no ano de 1968, um documentário com a participação dos grandes mestres da velha guarda baiana, nesse periodo o Mestre Maré já tinha 74 anos de idade, seis anos antes da sua morte. A única entrevista existente em audio do Mestre Maré foi gravada justamente por Jair Moura durante as gravações de dança de guerra, além do filme e da entrevista existe também um CD, relativo ao documentário, tudo isso está disponível no YouTube.

Muito pouco se sabe sobre esse importante nome da capoeiragem baiana, um dos mais
importantes nomes da capoeira antiga registrado na história. O Mestre Bimba se referia ao mesmo como “meu companheiro Maré”, ambos tinham um respeito muito um pelo outro. Inclusive os antigos angoleiros ao questionarem as gloriosas vitórias do Mestre Bimba no ringue usaram o argumento que ele teria que lutar com o Mestre Maré que era campeão baiano, porém essa luta nunca aconteceu.

Para tristeza da capoeira e da cultura Brasileira, no dia 18 de outubro de 1974 as cortinas do espetáculo da vida se fechou para o mestre Maré, e ele fez a sua passagem aos 80 anos de idade. Oito décadas de muitas aventuras, capoeiragem, alegrias, tristesas, glórias e muitas histórias. Infelizmente Maré não escapou da triste sina da capoeiragem antiga de morrer na miséria, assim como morreu Bimba, Pastinha, Noronha e toda a nata da capoeira baiana.

“Faço parte do grupo de galanteiros da capoeira ”
(M. Maré)

Fontes:
entrevista cedida por Maré a Jair Moura em 1968.

.MAGALHÃES FILHO JOGO DE DISCURSOS: A DISPUTA POR HEGEMONIA NA TRADIÇÃO DA CAPOEIRA ANGOLA BAIANA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Ciências Sociais.

Texto:
Antônio Luiz dos Santos Campos(boa alma)
Mestre Maré aos 80 anos de idade

Cobrinha Verde

Rafael Alves França, o Mestre Cobrinha Verde, viveu entre 1917 e 1983 e foi um dos mais temidos e respeitados capoeiristas de sua época.

Nascido na cidade de Santo Amaro da Purificação, berço da capoeira baiana, afirmava ser um parente legítimo do lendário capoeirista Besouro Mangangá, mais precisamente seu primo. Foi com ele que aos quatro anos de idade que se iniciou na arte da capoeiragem. Além de seu primo, também teve a oportunidade de aprender com os mais famosos capoeiristas daquela época, como Siri de Mangue, Canário Pardo e Doze Homens.

O apelido “cobrinha-verde” foi dado pelo próprio Besouro Mangangá, devido à sua agilidade e destreza com as pernas. Foi um dos poucos conhecedores do jogo de “Santa Maria”. Toque onde os capoeiras jogavam com navalhas entre os dedos dos pés e chegou a ser o mais antigo capoeirista em atividade.

Alcançou o posto de 3° Sargento no antigo Quartel do CR em Campo Grande e chegou a participar da revolução de 32. Após dar baixa no exército, começou a dar aulas de capoeira na Fazenda Garcia. Também ensinou no Centro Esportivo de Capoeira Angola Dois de Julho, localizado no nordeste de Amaralina. Chegou a dividir os trabalhos com Mestre Pastinha, onde passou seus conhecimentos para seus alunos que incluíam os futuros mestres, João Grande e João Pequeno.

Cobrinha Verde sempre ensinou a capoeira de graça. Conforme foi contado por ele próprio, seu primo Besouro o fez prometer que jamais cobraria dinheiro para ensinar a arte da capoeira. E essa promessa foi mantida até o final de sua vida.

Em determinada época de sua vida Mestre Cobrinha Verde sai do recôncavo baiano e viaja grande parte do nordeste se metendo em várias aventuras, entre elas, acompanhar o bando de cangaceiros de Horácio de Matos.

Em uma dessas aventuras contou que em certa ocasião, armado com um facão de 18 polegadas, enfrentou oito policiais que abriram fogo contra ele e com o dito facão conseguiu desviar todas as balas. Alguma semelhança com seu primo Besouro?

Esta e muitas outras façanhas eram atribuídas não só à sua agilidade e destreza, mas também a algumas mandingas que só os baianos do recôncavo conhecem. Contava o mestre que essas mandingas foram ensinadas por um africano de nome Pascoal que era vizinho de sua avó.

Dizia o mestre que possuía um patuá com poderes mágicos, que poderiam livrá-lo de inimigos e de algumas situações críticas, quando se metia em alguma confusão. Dizia também que esse patuá era vivo e que ficava pulando, quando era deixado num prato virgem. Mas um dia o patuá foi embora por causa de um erro que o mestre havia cometido.

Depois de muitas aventuras e “causos” para contar, Cobrinha Verde volta à Bahia, onde vive até o final de sua vida.

Em 1963, foi convidado pelo ator de cinema Roberto Batalin, para gravar um disco de capoeira, junto com os mestres Traíra e Gato. Este disco recebeu o nome de “Traíra Capoeira da Bahia”. Foi um dos primeiros do gênero e é considerada uma obra prima da capoeira.

Em 1983, Mestre Cobrinha Verde se despede deste mundo, deixando um legado digno dos antigos mestres da capoeira da Bahia.

Salve Mestre Cobrinha Verde

 Manduca da Praia
Manoel Alves da Silva, o Manduca da Praia…
Foi muito antes da abolição que os capoeiristas individualmente ou em maltas, perturbaram e aterrorizaram a sociedade carioca.
Os maltas eram usadas indiscriminadamente em rixas de políticos de diferentes facções. As duas principais eram os Nagôs e os Guaiamus, ele não participava de nenhuma, pois tinha uma banca de peixe e fazia segurança de pessoas ilustres e achava que atrapalharia seus negócios. Um capoeirista famoso conhecido por toda população do Rio de Janeiro foi o Manduca da Praia, homem de negócios, respondeu a 27 processos por ferimentos graves e leves, sendo absolvido em todos eles pela sua influência pessoal e de amigos.
Era pardo claro, alto, reforçado, usava barba grisalha. Sua figura inspirava temores para uns e confiança para outros. Vestia-se com decência, chapéu na cabeça, usava um relógio que era preso por uma corrente de ouro, casaco grosso e comprido que impressionava as pessoas com seu porte, usava como arma uma bengala de cana-da-índia e a ele deviam respeito. 

Década de 40

Certa vez na festa da Penha brigou com um grupo de romeiros armados de pau, ao final da briga deixou alguns inutilizados e outros estendidos no chão, entre outras brigas e confusões. Ganhava bastante dinheiro, seu trabalho era uma banca de peixe que tinha no mercado, vivia com regalias e finais de semana saía para as noitadas.

No entanto, o episódio que rendeu mais fama a Manduca da Praia foi uma luta com um deputado português chamado Santana, homem que se destacava por sua força e por ser exímio lutador de pau. Santana, tendo chegado à cidade, ouviu falar de Manduca da Praia e decidiu desafiá-lo para um combate, já que era conhecido por não recuar diante de qualquer adversário. Manduca foi o campeão, deixando Santana impressionado com sua habilidade, e conta-se que os dois saíram abraçados e foram beber juntos, tendo tornado-se amigos a partir de então.


Data da foto: Década de 40 .
Coleção: Nereu Esteves de Aguiar. Festa de Casamento.Descrição:No casamento de Miguel e Odete.….,…., Gervásio Esteves de Aguiar,
Caetano Norberto,
Pedrinho Muniz,
Alzemiro Santos,
Américo Muniz dos Reis,
Valter Pares, Alberto Teixeira,
Manoel Alves (Manduca),
Djalma e Rosa Muniz dos Reis,
Manoel Esteves e Jovina.

 

Morador da Cidade Nova, era capoeira por conta e risco assim disse Nulo Moraes. Manduca não participava da capoeiragem local, não recebia influência nem visitava outras rodas, pode-se dizer que ele era um malandro nato. Manduca da Praia conquistou o título de valentão, subestimando touros bravos, que sobre os quais saltava quando era atacado.
Na freguesia de São José, regia as eleições, ditando regras e manipulando cédulas.
década de 50

Por volta de 1850, Manduca “iniciou sua carreira de rapaz destemido e valentão,  dotado de enorme força física e “destro como uma sombra”, Manduca cursou a escola de horários integral da malandragem e da valentia das ruas do Rio de Janeiro na época de perigosos capoeiras como, Mamede, Aleixo Açougueiro, Pedro Cobra, Bemtevi e Quebra Coco. Desde cedo destacou-se no uso da navalha e do punhal; no manejo do petrópolis – um comprido porrete de madeira-de-lei, companheiro inseparável dos valentões da época – na malícia da banda e da rasteira; e com soco, a cabeçada e o rabo de arraia tinha uma intimidade a toda prova. Tinha algo que o destacava e diferenciava de seus contemporâneos – facínoras, valentes e rufiões – fazendo que se tornasse uma lenda viva, e mais tarde um mito cantado e celebrado até os dias de hoje:uma inteligência fria, calculista e implacável; uma sede de poder, de status e de dinheiro; tudo isso aliado a uma visão de comerciante e de homens de negócios. Fez fama e dinheiro. Foi famoso temido e respeitado.

 

Conheçam Mestre Boca Rica

Metre Boca RicaNascido em Maragojipe, Bahia em 26 de novembro de 1936, Manoel Silva, o Mestre Boca Rica é um exemplo de dedicação  a Capoeira.

Nos anos de 50 inicia seus estudos com o Mestre Pastinha. Também frequentou o famoso barracão do Mestre Waldemar, o Passeio de Aguinelo, e outras rodas de Salvador.

Hoje seu curriculo é rico: mais de 30 países visitados, 5 cd’s gravados, e infinito número de amigos e admiradores.

Capoeiristas e pesquisadores do mundo todo vem a Salvador aprender e conhecer o Mestre Boca Rica.

Na década de 50, Manoel Silva inicia seus estudos com o Mestre Pastinha, que lhe dá o apelido de Boca Rica, por Manoel usar dentes de ouro em toda parte superior da boca. Mestre Boca Rica também frequentou o famoso barracão do Mestre Waldemar, o Passeio de Agnelo, e outras rodas de capoeira de Salvador. Atualmente dedica seu tempo às aulas de capoeira e de instrumentos no Forte da Capoeira.

In the 50’s Manoel Silva began his studies with Mestre Pastinha, who gave him the nickname Boca Rica, for the golden teeth he used to have across the top of his mouth. Mestre Boca Rica also attended the famous shed of Mestre Waldemar — Passeio de Agnelo — and other capoeiras in Salvador. Nowadays he devotes his time to capoeira’s lessons and instruments in the Forte da Capoeira.

principal

 

Jaime lima nasceu em 1956 em Vera Cruz – Ilha de Itaparica (BA). Conhecido como Mestre Jaime de Mar Grande teve seu primeiro contato com a capuera em 1963 com Mestre Gerson Quadrado (1925-2005), um dos maiores cantadores de chulas da Bahia. Sua vida na capuêra inicia-se efetivamente em 1965 como discípulo de Mestre Paulo dos Anjos (1936-1999), desde então continua praticando e ensinando a capuêra e o samba de roda conforme a tradição de seu mestre.
Seu trabalho na área social e cultural iniciou-se em 1974, quando passou a ensinar a capuêra e o samba de roda, assumindo e idealizando os seguintes trabalhos: Grupo Clips Academia de Capoeira Angola (1974-1979); Grupo Negros de Angola (1980-1984); ACCAEA – Associação Cultural de Capoeira Angola Escrava Anastácia (1985-2005), a qual dedicou-se um longo período, tendo seu trabalho reconhecido tanto pelos Mestres mais velhos da Ilha como de Salvador, um dos momentos mais $$importantes para este trabalho foi o resgate das tradições de Mestre Quadrado que a 25 anos estava afastado do universo da capuêra; em 1999, atuou na revitalização junto as mulheres da Gamboa o grupo Terno de Rosas, manifestação popular ligada a Folia de Reis; Presidente do GAIAH – Grupo de Apoio Itaparicano Ambiental e Humanístico (2001–2004); Organizador do grupo Samba Tradicional da Ilha (2001); Fundador da ACCAAP – Associação Cultural de Capuêra Angola Paraguassu em atuação desde 2006.
Nativo da Ilha e preocupado com suas origens, Mestre Jaime de Mar Grande é considerado um ativista local importante em Gamboa envolvido em questões referentes ao resgate e manutenção das tradições e da cultura local.

 

O Dossiê da Capoeira do IPHAN, Um rico conteúdo sobre a Capoeira, sua Origem e muito mais Disponível em PDF Aproveite pois realmente quem gosta de Capoeira vai amar o conteúdo:
O desafio do inventário cultural para registro e salvaguarda da Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil, realizado entre 2006 e 2007, era construir um diálogo entre o tempo histórico passado e o tempo presente. Como patrimônio vivo, a capoeira se mantinha no cenário atual por meio dos mestres que representavam o saber e, ao mesmo tempo, acumulava produção documental que atravessava os últimos três séculos. Este trabalho – elaborado por uma equipe multidisciplinar – reconstitui brevemente a história da capoeira e registra seu momento presente, por meio de pesquisa historiográfica e trabalho de campo. As fontes estudadas encontram-se nos maiores acervos de documentos sobre a capoeiragem do Rio de Janeiro e em Salvador.

O DOSSIÊ DA CAPOEIRA DO IPHAN

Dicionario Kimbundu

 

Coordenado por J.Pereira do Nascimento em 1907,(Médico da Armada Real)  foi escrito o dicionário de Português para Kimbundu, com expressões palavras e frases, como é do século passado, é comum encontrar palavras do próprio português escritas erroneamente, mas quem poderá dizer se hoje é que acertamos?. Muitas curiosidades nas expressões e palavras disponível para baixar…

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O kimbundu é a língua da região de Luanda, Catete, Malanje e as áreas de fronteira no Norte (Dembos – variante crioula kimbundu/kikongo) e no Centro (Kuanza Sul – variante crioula kimbundu/umbundu). É falada por mais de um milhão e meio de pessoas.
Faz parte da grande família de línguas africanas a que a partir do século passado os europeus convencionaram chamar Bantu (bantu significa «pessoas», e é plural de muntu. Em Kimbundu mutu designa «pessoa», com o plural em atu).
Estes apontamentos foram elaborados com o intuito de ajudar todos aqueles que manifestam preocupação em conhecer os entrelaçamentos da língua portuguesa com as línguas africanas. Neste caso, o kimbundu foi uma das línguas de África que mais conviveu com o português, pelo menos desde o século dezesseis até à actualidade.
Penso ser a primeira vez que na Internet aparecem apontamentos de uma língua africana falada num PALOP.
Para a elaboração destes elementos gramaticais rudimentares não foi usada qualquer obra de referência. Utilizei somente os meus conhecimentos pessoais.
1 – Regra geral
Ao contrário de muitas línguas europeias, o Kimbundu caracteriza-se pela prefixação na formação do género, dos tempos e pessoas verbais.
As palavras concordam entre si pelo prefixo, o que confere à língua grande musicalidade e ritmo.
O dikamba diami dia-mu-zeka (O meu amigo está a dormir)
O makamba mami a-mu-zeka (Os meus amigos estão a dormir)
Muxima uami (O meu coração. Note-se a concordância mu — u, a regra seria mu – mu, mas não a musicalidade)
Frase simples:
Eme ngabiti ku mbanji ia dibata die (Passei perto da tua casa)
– O verbo kubita está no passado (ngabiti). No presente seria ngibita.
– A partícula ku aqui não é a desinência dos verbos, mas sim «perto» ou «dentro», mas sem pormenorizar. Tem menos força que mu (dentro de, com especificação). Mas muitas vezes ku e mu usam-se consoante a concordância rítmica.
– Por corruptela, o português vulgarizou kubata para designar a casa dos angolanos. Mas ku bata ou ku dibata significa «em casa».
«Casa» também pode ser inzo (pl. jinzo). Assim: inzo iami (a minha casa), jinzo jietu (as nossas casas), jinzo jiami (as minhas casas), jinzo jia (as casas deles)
– Mbanji ia (perto de — repare-se na concordância «mb» «i». Não podia ser de outra maneira)
– Dibata die (tua casa — die aqui refere-se a «teu, tua» e por isso o som é mais aberto do que o diê referido a «seu, sua»
2 – Pronúncia e sons
Em Kimbundu os sons são abertos, com algumas excepções («uê»).
Regra geral não há acentos. As palavras são normalmente graves.
«s» é sempre «ss»
«z» é sempre «z»
«c» é quase sempre representado por «k»
«g» é sempre «g» e nunca «jê» que, em kimbundu é sempre representado por «j»
Não há som «rr», quando muito, em algumas regiões, «r» muito fraco (como em «conversar»).
3 – Classes de nomes
Há em Kimbundu várias classes de nomes, com distintas formas de plural.
A) MU — A
Só se aplica a pessoas
muxiluanda (primitivo habitante da ilha de Luanda) — axiluanda
muhatu (mulher) — ahetu (plural irregular por não poder haver dois sons «a» seguidos)
mona (filho) — ana («mona» é aglutinação de «mu+ana»)
mubika (escravo) — abika muadiakimi (velho sábio) — adiakimi
B) MU — MI
O mesmo prefixo, desde que não se aplique a pessoas, forma plural diferente
muxima (coração) — mixima
mulembu (dedo) — milembu
muxitu (mata) — mixitu
mundele (branco) — mindele
mutue (cabeça) — mitue
C) DI — MA
dikamba (amigo) — makamba
diala (homem) — mala
dikolombolo (galo) — makolombolo
dikota (o mais velho) — makota
diaku (mão) — maku
D) KI — I
kinama (perna) — inama
kilumba (rapariga) — ilumba
kima (coisa) — ima kifuba (osso) — ifuba
kimuezu (barba) – imuezu (barbas)
E) MP, ND, NG, MB, etc — JI
São nomes de origem estrangeira.
Note-se que o «m» e o «n» iniciais antes de consoante nunca se lêem. A sua função é nasalar a consoante.
No singular, a palavra seguinte deve começar por «i»: mpange ietu (o nosso companheiro); tata ie (o teu pai); mama iami (a minha mãe); nja iami (o meu pénis).
Muitas vezes utiliza-se o singular como plural, mas a palavra seguinte vai para o plural: mpange jietu (os nossos companheiros), ngulo jiami (os meus porcos)
ndungo (picante) — jindungo
mpange (companheiro) — jipange (a nasalação cai)
ngulo (porco-leitão) — jingulo
mbolo (pão) — jimbolo
henda (saudade) — jihenda
sabu (provérbio) — jisabu
nvunda (raiva) — jinvunda
tata (pai) — jitata
sanji (galinha) — jisanji
ndanji (raiz) — jindanji
ngandu (jacaré) — jingandu
mbua (cão) — jimbua (jímbua)
nja (pénis) — jinja
hombo (cabra) — jihombo («h» aspirado)
F) KA — TU
O prefixo ka designa o diminutivo
kangombe (boizinho) — tungombe (boizinhos)
kasanji (galinha pequena) — tusanji
Kahombo (cabrinha) – tuhombo (cabrinhas)
Kalumba (rapariguinhas) – tulumba (rapariguinhas)
Kandenge (rapazinhos) – tungembe (rapazinhos)
Kanzamba (elefantezinho) – tunzamba (elefantezinhos)
G) Plurais irregulares
Não há regras precisas. Já vimos muhatu/ahetu
DI — ME
disu (olho) — mesu
4) Verbos
A) Geral
Todos os verbos, no infinito, têm a desinência ku
Kuala (ser), Kuala ni (ter), Kubonga (apanhar), Kuia (ir), Kuiza (vir), Kudia (comer), Kukalakala (trabalhar), Kusanga (encontrar), Kuloa (odiar), Kuzola (amar), Kutunda (sair)
B) Pronomes pessoais
Para se conjugarem os verbos, tal como nas outras línguas, utilizam-se os pronomes pessoais que, em muitos casos, se sutentendem:
eme
eie
muene
etu
enu
ene
C) Pronomes possessivos (usam-se com prefixos concordantes com os nomes)
uami (o muxima uami – o meu coração; o dikamba diami – o meu amigo; o muhatu uami – a minha mulher; o inzo iami – a minha casa)
ue (o tata ie – o teu pai)
ue (o inzo ie – a casa dele)
tuetu (o ixi ietu – a nossa terra)
nuenu (o mbiji ienu – o vosso mês)
a (o mona-a-ngulu a – a leitoa deles — «mona-a-ngulu» significa literalmente: «filho de porco»)
D) Presente do indicativo
Tome-se o exemplo simples do verbo kuala (ser)
(eme) ngala <ngi+ala>
(eie) uala
(muene) uala
(etu) tuala
(enu) nuala
(ene) ala
Há aqui uma concordância «lógica». Na primeira pessoa do singular o prefixo do verbo é sempre «ng». As outras seguem os prefixos do pronome (note-se: muene uala. Podia ser «muene muala», mas o «m» cai, para tornar o encadeamento «mais leve»).
-Verbo kukala ni (ter)
ngala ni, uala ni, uala ni, tuala ni, nuala ni, ala ni
NOTA: O verbo ter em kimbundu expressa-se sempre como «ter com…»:
ngala ni nzala (tenho fome), ki ngala ni makamba (não tenho amigos)
-Verbo kuiza (vir)
ngiza
uiza
uiza
tuiza
nuiza
iza
E) Presente-acção A acção forma-se com mu ou ngolo ou ngalo, conforme a região.
(eme) nga-mu-tunda (estou a sair) ou ngolo tunda ou ngalo tunda
(eie) ua-mu-tunda; uolo tunda; ualo tunda
(muene) ua-mu-tunda; uolo tunda; ualo tunda
(etu) tua-mu-tunda; tuolo tunda; tualo tunda
(enu) nua-mu-tunda; nuolo tunda; nualo tunda
(ene) a-mu-tunda; olo tunda; alo tunda
(eme) nga-mu-ia (estou a comer) ou ngoloia ou ngaloia
(eme) nga-mu-xana (estou a chamar)
(eme) ngolo kuiza (estou a vir); (eme) ngoloia (estou a ir)
F) Futuro
Forma-se com ngondo
(eme) ngondo kuiza (virei) — Neste caso o «ku» do verbo não cai. É um imperativo da musicalidade da linguagem falada
(eie) uondo kuiza
(muene) uondo kuiza
(etu) tuondo kuiza
(enu) nuondo kuiza
(ene) ondo kuiza
Mas:
ngondo zeka (dormirei); ngondo fua (morrerei)
ngondoia (comerei); ngondo kuala (serei, estarei)
G) Passado
– Do verbo kuzeka
ngazekele, uazekele, uazekele, tuazekele, nuazekele, azekele (dormi)
ngalele (fui, verbo ser)
– Do verbo kuia
eme ngai (o presente é eme ngia, uia, uia, tuia, nuia, aia), eie uai, muene uai, etu tuai, enu nuai, ene ai
– Do verbo kukala (ser)
ngexile, uexile, uexile, tuexili, nuexile, axile
– Do verbo kukala ni (ter)
ngexile ni, uexile ni, uexile ni, tuexile ni, nuexile ni, axile ni
H) Imperativo
– Na segunda pessoa do singular forma-se com o infinito do verbo sem a partícula ku
: Zuela! (fala!)
Tunda! (sai!)
Diê! (come! — Para dar mais força à ordem, o «a» final do verbo – Kudia (acento no «u») – foi substituido pelo som longo iê)
– Na segunda pessoa do plural, forma-se com o sufixo «enu»:
Dienu! (comei!)
Zekenu! (dormi!)
Ivuenu! (ouvi!) – verbo Kuivua (acento no «i»)
Este enu tem a ver com o significado «gentes», «pessoas» ( enu akua zanzala — as pessoas da sanzala)
I) Negativa
– Uma das possibilidades de formação é com a partícula «ki»:
eme ki ngala ni nzo (não tenho casa)
eme ki (ngala) muhatu (não sou mulher)
– Mas também se utiliza a partícula «ku»:
Monami, kutundê! Monami zeka!
(Meu filho, não saias! Meu filho, dorme! – Esta frase pertence a uma canção muito popular em Luanda em Fevereiro de 1961. É o lamento de uma mãe que aconselha o filho a não sair de casa por causa da Pide)
– Outra forma de negativa verbal:
Xitu, nga-i-diami (A carne, não a comi . Não se diz «Ngadiami o xitu»)
Eme ngeniami (ji)ndandu (Já não tenho parentes há muito tempo; a forma verbal ngeniami significa «não tenho há muito tempo»)
J) Forma reflexa
Forma-se com a partícula di:
Ku-di-sanga kua makamba
(encontrar-se com os amigos, dar encontro com os amigos)
(mona+ietu)
(estou a encontrar-me com o nosso filho)
L) Pronomes reflexos
ngi, ku, mu, tu, nu, a
Muene ua-ngi-zola (ele ama-me)
(Ene) a-ku-vualela (nasceram-te)
Em Kimbundu não há «o», «a» como reflexos, mas sim «lhe», «lhes».
Por isso no Português de Luanda se diz «eu vi-lhe»: Nga-ku-mona (eu vi-te)
M) Muitas vezes o verbo não aparece na frase:
Eme, diala (eu sou homem)
Kitadi, mona-a-ngene (o dinheiro é filho alheio). Nota: ngene usa-se muito em kimbundu para designar as coisas dos outros, alheias ( inzo ia ngene – casa alheia; kitadi-kia-ngene – dinheiro alheio)
5) Forma de cumprimento
O cumprimento matinal é extremamente importante. Não tem nada a ver com o seco «bom dia» ou «olá». É um cumprimento em que se estabelece uma relação social.
– Uazekele kiebi?, ou simplesmente, Uazekele? (dormiste bem?)
– Ngazekele kiambote! (dormi bem!)
Depois disto pergunta-se pelos filhos, pela mãe, pela avó, etc.:
-O tata, kiebi? (O mama, kiambote?)
(o teu pai, está bem? a tua mãe, está bem?)
Quando as pessoas se encontram, perguntam-se:
– Kebi? (ou uala kiebi?) (como estás?)
– Kiambote! (ou ngala kiambote!) (estou bem!)
E quando se despedem, podem dizer:
-Mungu, ue! (até amanhã)
-Mungu uenu! (até amanhã a vocês!)
6) Sim, não
Kiene (sim)
Kana (não) – ler «kanáa»
– Uandala kuia ni eme? (queres ir comigo?)
– Kana! (não!)
7) Expressões de reforço
A expressão muene, além de significar «ele», «ela», significa também «mesmo».
Eie muene! (tu mesmo!)
Muene muene! (ele mesmo!)
O tata muene! (o pai mesmo!)
Kidi muene! (é mesmo verdade!)
Nga-ku-zolo kiavulu muene! (Gosto mesmo muito de ti! – É a expressão mais poderosa usada em kimbundu para manifestar directamente um grande amor)
Kiambotebote (muito bem), kiavuluvulu (muitíssimo), kionenenene (muito grande), kiofelefele (muito pequeno):
-Eme, kiambotebote! (estou muito, muito bem!)
– Uala ni kitadi? – Kiavuluvulu! (tens dinheiro? Muitíssimo)
Repare-se também neste reforço:
Tuoloietu! (estmos juntos! – Há aqui duas partículas repetitivas designando a primeira pessoa do plural: «tu». É um reforço muito comum no kimbundu)
8) Diversos
A)
A-ngi-vualela mu Luanda (verbo Kuvuala – nascer) (Nasceram-me em Luanda)
Em Kimbundu não se diz «nasci» mas «nasceram-me», «nasceram-te», etc.: a-mu-vualela (ele nasceu; literalmente: nasceram-lhe)
B) Talvez devido à necessidade do ritmo, em kimbundu diz-se:
– O kikalakalu, nga-ki-zuba kia (literalmente: o trabalho, acabei-o já. Em Português diz-se: Já acabei o trabalho).
A expressão «kia» (já) vai sempre para o fim da frase:
– Dikolombolo diakokolo kia! (o galo já cantou!)
– (Eme) ngadi kia! (Já comi!)
– (Ene) afu kia (Eles já morreram)
– O jisoba jafu kia (Os sobas já morreram)
C) Ki (quando)
Ki ngibita bu tandu ia dikalu, akuetu a-ngi-xana monangambéee!
(«Quando passo em cima do carro (camioneta) as pessoas chamam-me filho de carregador». É a forma pejorativa como os colonos tratavam os negros quando estes iam na carroçaria das camionetas, muitas vezes para o «contrato» (trabalho nos cafezais), pois não tinham acesso à cabina). Note-se o aportuguesamenteo de dikalu (carro), tal como ngeleja (igreja).
Ki uenda, uibula (quando viajares, informa-te)
D) Kioso (todo)
O izua ioso (todos os dias. Literalmente: os dias todos)
E) Boba, bana, baba
Boba (em algumas regiões baba) (aqui, cá)
Bana (banáa) (lá, ali)
Há regiões em que o «b» é duro e quase aspirado, como se tivesse um «v» à frente: «bvabva»
Ngala boba (estou aqui)
Mas note-se esta expressão característica:
Za kuku! (Vem cá!)
F) Género Não há feminino como ele se entende em Português.
Assim, usam-se as expressões auxiliares «muhatu (mulher)» e «diala» (homem) quando se quer especificar:
Mona-ua-muhatu (criança do sexo feminino)
Mona-a-diala (criança do sexo masculino)
Nzamba-ia-diala (elefante macho)
Hoji-ia-muhatu (leoa)
Mas há outra forma:
sanji — dikolombolo
G) Conversar
Em Kimbundu não se diz conversar, mas «pôr conversa»:
Kuta maka (muene ua-mu-kuta maka – eçle está a pôr conversa)
H) Artigo definido
Em Kimbundu só se usa «o» correspondente aos portugueses «o, a, os as».
O njila (o caminho – o jinjila – os caminhos)
O nhoka ia-di-nhingi (a cobra enrolou-se)
I) Tempo
Mu ukulu (antigamente, há muito tempo)
Lelu (hoje. Usa-se muito dizer Lelu, lelu! – hoje é hoje)
Mungu (amanhã)
Mungudina (á) (depois de amanhã)
Maza (ontem)
Mazadina (á) (anteontem)
9) Alguns números
1-moxi
2-iadi
3-tatu
4-uana
5-tanu
6-samanu
7-sambuadi
10-kuinhi
11 – kuinhi-ni-moxi (dez mais um)
12 – kuinhi-ni-iadi (dez mais dois)
Note-se a regra geral da língua, que atira os adjectivos para depois dos nomes e faz concordar todas as palavras pelo prefixo:
Poko imoxi (uma faca. Literalmente: faca uma)
Jipoko jiadi (duas facas)
Muxi umoxi (uma árvore)
Makamba (m)asamanu (seis amigos)
Uma vez, duas vezes:
Lumoxi, luiadi…
Ngadi ngo lumoxi (só comi uma vez)
10) Interjeições (algumas usam-se em Português de Luanda, que muitas vezes segue o Kimbundu e não o Português de Portugal)
Aiué ou Aiuê! (dor ou embevecimento)
Ala! (não me maces. Desprezo)
Auá! (desdém, enfado)
Exi! (que maçada!, é demais!)
Haca! (Livra!)
Hela! (Caramba!)
Hum! (indecisão. Mas também «sim»)
Hum-hum (lamentação)
Também! (tens cada uma!)
Tunda! (sai!)
Xê! (Olá, tu, você!)
11) Anga – ou
Kufua anga kutolola (Morrer ou vencer – slogan do MPLA nos anos 60)
12) Deus
Nzambi (Deus todo-poderoso) – Ngana Nzambi (Senhor Deus)
Kalunga (Deus do mar, associado a morte) – Kalunga nguma (Deus da morte)
13) Neologismos
A grande língua de referência do kimbundu é o português, a que ele recorre sempre que o seu vocabulário (mais incompleto) apresenta lacunas. O kimbundu da cidade, por ter necessidade de mais vocabulário, interpenetrou-se com o português local, importando variadíssimas expressões.
a) Em kimbundu não existe «se», por isso se recorre ao português:
Kalakala, se uandala kukala mutu! (Estuda, se queres ser pessoa!)
b) Lumingu (domingo), Sapalo (sábado), Ngeleja (igreja), dikalu (carro, camião)
c) Em geral termos políticos e económicos
d) A expressão bessa, ngana (a sua bênção, senhor), por exemplo
e) O português usa, por exemplo, a expressão minhoca ( nkoka – cobra)
f) Conceição – Sesa< (á)
g) Cadeia – caleia (por exemplo, a conhecida canção do movimento de libertação: Doutor Netoé mu caleia, ngongoé (O Doutor Neto está na cadeia, que sofrimento)
h) Mesa – mesa. (Leia-se: messa)

Créditos Rui Ramos – Rui Ramos, jornalista angolano, nascido em Luanda em 1945.

Princiapl

Uma vida inteira dedicada à tradição do Tambor de Crioula: essa é a história de Mestre Amaral, um homem que realizou o sonho de viver da sua fé e devoção a São Benedito. Nascido em uma família de coreiros e coreiras da Baixada Maranhense, ele é o filho caçula de 18 irmãos. E foi justamente o filho mais novo que mais se apegou à tradição da família.

Entre todos os filhos de seu Miguel Arcanjo e dona Filomena Mendes, alguns se formaram e moram em outros estados, enquanto outros seguiram as mais diversas profissões. Mas Mestre Amaral foi o único que seguiu carreira dentro da manifestação cultural que tem o título de Patrimônio Cultural do Brasil.

Ele acompanhava o pai nas rodas de Tambor de Crioula desde os 5 anos. Mesmo com tão pouca idade, o pai o levava em um banquinho de madeira a cavalo para os pagamentos de promessas que duravam a noite toda. Foi observando a apresentação dos tocadores e coreiras que ele começou a aprender as primeiras batidas do ritmo incessante.

Em casa, o pai de Mestre Amaral também fazia questão de repassar todos os seus conhecimentos para os filhos desde as toadas até a montagem dos instrumentos. “Hoje, é tudo mais fácil para fazer os instrumentos com a energia elétrica. Mas no tempo que meu pai me ensinou, a gente tinha que usar o ferro quente para furar e até colocar partes no forno quente. Era tudo tradicional”, recordou.

Mas foi em São Luís que ele passou por vários grupos como o de seu tio, mestre Felipe de Sibá, e outros grandes nomes como os mestres Leonardo, Apolônio e Nivô, e batalhou para realizar o sonho de ter o próprio grupo de Tambor de Crioula.

Trabalho – Enquanto não acompanhava as rodas de tambor ou aprendia mais com o pai, a vida em Tabocal, comunidade de São Vicente Férrer, era de muito trabalho. Todos os filhos ajudavam a cuidar de uma roça e da produção de farinha de mandioca no quintal de casa para que os produtos fossem vendidos para grandes comerciantes da cidade.

Por causa disso, Mestre Amaral não teve a oportunidade de um ensino regular. A própria mãe o colocava para estudar a cartilha do ABC e a tabuada em casa. “Hoje, o povo pensa que pode até ser judiação colocar os filhos para trabalhar como aconteceu comigo. Mas acho que aprendi mais trabalhando e ajudando meus pais do que indo para a escola, porque foi assim que aprendi a respeitar e ter empenho nas coisas”, afirma.

Apenas depois que o pai morreu, Mestre Amaral veio para São Luís para morar no Bairro de Fátima e depois no Coqueiro – Estiva. O primeiro emprego formal foi em uma cerâmica da capital, onde ele trabalhava na produção de tijolos. Depois disso, passou por uma empresa como ajudante de pedreiro e acabou sendo contratado. E o último foi na Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), quando o mestre já tinha quase 30 anos.

O tambor – Sem tempo para se dividir entre o trabalho e o Tambor de Crioula, Mestre Amaral optou por se dedicar somente ao tambor. “Eu pedia para sair mais cedo para ir para o tambor e meus chefes me liberavam, mas não me sentia mais a vontade para pedir toda vez. Depois de muito pedir, decidi sair do trabalho para montar meu tambor. Não queriam nem me dar as contas perguntando se eu ia viver de terecô”, conta.

Foi quase um ano até conseguir realizar o sonho de montar o próprio grupo. Mestre Amaral lembra que quando decidiu deixar o emprego para seguir carreira como mestre de Tambor de Crioula, ele estava recém-separado da primeira esposa e ainda não tinha um lugar para morar. Por isso, todo o dinheiro que recebia usava para pagar o aluguel e não sobrava muito para montar seu grupo. “Nunca me arrependi de ter largado o trabalho para fazer o que gosto. O Tambor de Crioula é uma paixão que só vai acabar quando eu morrer, mas vai continuar com meus filhos e o pessoal do meu tambor”.

Mesmo com toda dificuldade, ele não deixou se abater e começou a ministrar oficinas sobre como montar e tocar os tambores e vender miniaturas de instrumentos feitas por ele no terraço da Fonte do Ribeirão. Quando se mudou para o Beco da Pacotilha, seu nome já era referência. Começaram a surgir convites para tocar em aniversários, eventos promovidos por igrejas católicas e até em casamentos. “Parece que eu fechei o olho e quando abri já tinha virado mestre. Foi muito rápido apesar de toda a dificuldade. Mas foram as pessoas que fizeram o que sou hoje”, diz.

Centro Cultural – Como as rodas de tambor que ele promovia ficavam cada vez maiores, era preciso encontrar um lugar mais confortável para os coreiros e coreiras que se juntaram a Mestre Amaral e para ampliar as oficinas que eram ministradas por ele. Depois de muito procurar, ele encontrou um prédio abandonado ao lado da sede da Prefeitura de São Luís, na rua conhecida como Montanha Russa.

Há quase dois anos, o local onde já havia funcionado um restaurante estava ocupado por dezenas de moradores de rua e usuários de droga. Mas Mestre Amaral conseguiu transformá-lo em um ponto de cultura. “Eu pensei: “Meu Deus, me ajuda a encontrar um espaço porque eu sei que não é certo, mas vou tentar ocupar um lugar, não invadir”. Passei dias e três noites sem dormir aqui tentando tirar o pessoal e consegui sem brigas. Essa foi a maior provação que eu passei e meu São Benedito me ajudou a vencer”, afirma.

Mestre Amaral enfrentou ainda uma ação judicial que pedia a retirada dele do local. Mas com o apoio de muitas pessoas que acompanhavam seu trabalho e funcionários dos órgãos públicos vizinhos ao centro cultural, ele conseguiu a concessão para se manter no espaço em que atualmente mora com sua família e trabalha.

Referência – Por causa de sua grande preocupação em manter o Tambor de Crioula vivo e da forma mais tradicional possível, Mestre Amaral ganhou reconhecimento em todo o país. Ele já foi convidado a ministrar oficinas em cidades como Belo Horizonte, Viçosa, Florianópolis e Fortaleza, cidade onde criaram o grupo de tambor Filhos do Sol – Discípulos de Mestre Amaral. Além disso, ele já se apresentou na África em 2007, levado pela Secretaria estadual de Cultura .

Apesar do esforço, ele conta que a manifestação popular já sofreu muitas transformações. Mas dentro do seu tambor, os costumes aprendidos com seu pai ainda na região da Baixada não perdem espaço. “Hoje, as pessoas veem o tambor mais como uma opção de lazer, mas não pode ser assim. Não é só para querer se divertir, beber e tirar foto. Tem que respeitar São Benedito, os coreiros e as coreiras”, frisa.

Uma das tradições mantida pelo mestre é utilizar apenas a cachaça pura durante as rodas de tambor, que segura as apresentações até o nascer do sol. Outra é encerrar a roda de tambor em frente ao altar de São Benedito para pedir proteção também a Preto Velho, Santa Cecília, Iemanjá, Santo Antônio e Nossa Senhora de Aparecida.

Além disso, Mestre Amaral não dispensa o pagamento de uma promessa de família que ocorre todo ano. Em todo dia 14 de outubro, uma grande festa é oferecida a São Benedito para pagar uma promessa feita pelos tataravôs de Mestre Amaral e que já foi passada por quatro gerações da família. O motivo da promessa ele não lembra, mas conta que espera que os filhos continuem com a tradição. “Assim como fazia no interior, a gente não vende nada no dia da promessa. Tudo que tem aqui é dado: cachaça de Brejo de Anapurus, azeite de coco e mel de abelha. A gente mata o porco e as mulheres cozinham. No tempo do meu pai ainda tinham as ladainhas, que eram as novenas. Esse que é o ritual”, relata.

Tradição passada para as novas gerações

Assim como ele, Mestre Amaral conta que os filhos mais novos já demonstram interesse pela dança, canto e as toadas em louvor a São Benedito. Os pequenos Ian Miguel e Benedito, respectivamente de 3 anos e 1 ano e 8 meses, já acompanham o pai nas rodas de tambor. Os dois são filhos da atual esposa de Mestre Amaral, Suzana, que também é coreira.

Mesmo muito pequenos para alcançar o tambor, os filhos já batem no instrumento na tentativa de imitar o pai. Por isso, Mestre Amaral fez tambores em miniaturas para que os pequenos possam acompanhá-lo. Além dos dois pequenos, o enteado de Mestre Amaral, Felipe (8), também já mostra interesse pelo Tambor de Crioula.

“O gosto pelo tambor partiu deles mesmos. Eles já cantam as minhas cantigas e participam da roda de tambor. Não ficam até o final porque vai até tarde, mas na hora do encerramento eles voltam e vem para perto do altar. Um dia desses, eu estava preparando um tambor e eles vieram perguntar se o coro estava molhado como se estivessem querendo aprender”, diz.

Contente com o apego que os filhos têm ao Tambor de Crioula, Mestre Amaral tem o sonho de poder um dia oferecer todas as atividades do Centro Cultural de forma gratuita para crianças carentes. Dessa forma, o espaço poderia oferecer um serviço à sociedade e, ao mesmo tempo, manter a tradição do Tambor de Crioula entre os mais jovens. “Para isso, preciso ter uma estrutura maior para receber as crianças, que eu ainda não tive condição de fazer. Mas meu santo vai me ajudar a poder fazer mais, ter força para levar mais para frente”, afirmou.

Apelido

Mestre Amaral nasceu Geraldo Mendes. O apelido ele mesmo conta como conseguiu: “Assim que eu cheguei a São Luís e fui morar no Coqueiro – Estiva eu jogava muita bola. Jogava nos times amadores do Antena Futebol Clube e o Real Brasil. Nessa época também tinha o Amaral, que jogava na Seleção, que diziam que ele tinha o olho morto que nem eu e parecia muito comigo. Então me batizaram como Amaral e pegou. Ninguém mais me chamou pelo meu nome”

RAIO-X

NOME COMPLETO

Geraldo Mendes

NASCIMENTO

14 de outubro de 1962

NATURALIDADE

São Vicente de Férrer

PROFISSÃO

Mestre de Tambor de Crioula

FILIAÇÃO

Miguel Arcanjo e Filomena Mendes

ESTADO CIVIL

Casado com Suzana

FILHOS

Geniel Mendes (30); Valdenilson Mendes (26); Ian Miguel (3); Benedito (1 ano e 8 meses)

QUALIDADE

Trabalhar com prazer

DEFEITO

Não tem

ALEGRIA

Família

TRISTEZA

Perda dos pais

SAUDADE

Dos pais

Fonte: Blog do Joel Jacinto

 

principal

Rita da Barquinha

Rita da Barquinha nasceu  em 28 de Junho de 1948, na cidade de Bom Jesus dos Pobres e cresceu assistindo aos movimentos tradicionais da Cidade…. Uma guerreira formidável, incansável e cheia de amor a cultura local…(descrita assim por toda a comunidade de BJP) a durante algum tempo morou em Salvador, e sempre acompanhou os movimentos culturais do recôncavo….

A Barquinha é uma tradição cultivada há muitos anos em Bom Jesus dos Pobres, tem sua origem nas comemorações do ano novo, onde as mulheres da localidade, esposas dos pescadores e dos saveiristas como forma de agradecimento às divindades do mar por ter protegido as famílias, suas embarcações e consequentemente, os seus sustentos, reuniam-se com a comunidade no último dia do ano tocando tambores e dançando no ritmo do samba de roda, passando de casa em casa, pedindo oferendas que eram colocadas numa pequena barca levada por uma das mulheres. No último minuto do ano a barquinha era colocada no mar, juntamente com as oferendas e os pedidos às águas para que levasse os momentos ruins do ano velho e trouxesse os bons fluídos do ano vindouro em forma de fartura nas pescarias, nos negócios, propiciando a paz e a união do homem com o mar.

Até onde se tem conhecimento, dona Melica foi uma das primeiras mulheres da localidade a sustentar a tradição, levando por muitas gerações a festa em comemoração ao ano bom. Posteriormente, com a morte da dançarina, apareceu a figura de dona Orenita, como uma incentivadora do folguedo, colocando outras mulheres para dançar e, principalmente, a então menina Rita para fazer as apresentações de dança e música. Com o passar dos anos, a tradição foi diminuindo até chegar ao ponto de ser extinta, porque a maior incentivadora já não tinha tanto interesse e Rita mudou-se para Salvador, onde constituiu família, deixando de visitar a localidade por muitos anos.
Mas, o melhor estava por vir: Rita, agora mulher, casada e mãe de filhos, resolveu um dia passar as festas de fim de ano no seu Bom Jesus dos Pobres, e percebendo que a tradição já não mais existia, pediu ao marido ajuda financeira para que se construísse uma barquinha, reuniu o povo e saiu de porta em porta, cantando e sambando, resgatando a tradição, deixando emocionada toda a sua comunidade.
Desde então, todos os anos, Rita da Barquinha, como passou a ser chamada, apresenta-se em toda passagem de ano com suas baianinhas e também nas festividades do padroeiro, sendo a principal atração da Lavagem de Bom Jesus, além de receber convites para fazer shows em eventos culturais, desfiles, chegando até a participar de um festival cultural na França.
É presença marcante e muito aguardada no desfile cívico do Dois de Julho na cidade do Salvador e também na famosa Caminhada Axé.

 

13734810_1115035398571823_1369512824_nA jornada é o evento de anúncio da Festa, e consiste na caminhada pelas ruas do distrito, onde o povo, entoando uma espécie de ladainha que é o cântico de pedido de esmola, transporta o Cristo crucificado de casa em casa, pedindo donativos para a realização da festa.
Após o cântico de esmola, é chegada a vez do samba de roda tomar espaço em forma de agradecimento.
Devemos lembrar que, todos os cânticos são entoados com a ajuda luxuosa de pandeiros e violas, sem esquecer das palmas repercutidas por pedaços de tábuas. Apenas uma pequena descrição do que é esta festa.

Bira de Freitas

E a Alegria Continua…


Bom Jesus dos Pobres é um distrito da cidade de Saubara, Bahia, Brasil. Localiza-se a três quilômetros de Praia de Cabuçu e sua praia caracteriza-se por ser tranquila e rasa.

Distante da Praça de Bom Jesus dos Pobres 1,5 Km situa-se a Praia da Bica onde é possível encontrar uma bica de água doce que fica de frente para um mar de águas cristalinas.

Opção para quem gosta de lugares tranquilos e paradisíacos é a praia Monte Cristo que fica a 4 Km de Bom Jesus.
Fonte Wikipedia

Praia de Bom Jesus dos Pobres

Próxima ao canal do Rio Paraguaçu, trecho de correntezas fortes, a praia exige cuidados para o banho em alguns trechos. A paisagem é marcada por manguezais e areias bastante extensas. Destaque para a Capela de Bom Jesus dos Pobres, do século XVII. A razoável infraestrutura local inclui um luxuoso resort.

Imagens de Bom Jesus dos Pobres

Luiz Poeira

Luiz Poeira do Instituto Tambor

“No zunir do berimbau de uma roda de capoeira que girava no Embú (SP), Luiz Poeira aprendeu técnicas de repuxo, pintura, entalhe e afinação do instrumento. Unindo essa paixão aos seus estudos sobre manifestações culturais brasileiras e africanas, ele se tornou artesão na arte dos instrumentos percussivos. Poeira utiliza somente materiais selecionados para garantir a consistência precisa dos sons. O toque colorido vêm de tintas e tecidos que revestem a base de seus instrumentos. A madeira entalhada resulta em uma estética tribal que remete a tambores ancestrais. Todo o processo é feito artesanalmente em busca da estética desejada e qualidade sonora”. (Artesanato na Música, Girassol Comunicações).
Com sua habilidade e dedicação para criar instrumentos rústicos e notáveis ao mesmo tempo, precisos, Poeira colabora para a preservação da cultura afro-brasileira.
Ao longo de sua estrada com mais de 20 anos, desde que iniciou no artesanato de instrumentos musicais de percussão, Poeira passou por oficinas e “luthierias” onde obteve orientações e mentoria de artistas importantes, como: Nilton Cesar Siqueira (artista plástico e artesão), Joana Henri Lemos, o músico e artesão Romulo Albuquerque.
O estilo de Poeira, refinado e preciso, destaca-se a ponto de fundar, em 2008, seu próprio ateliê, o Instituto Tambor, atualmente localizado na Vila Sonia, zona oeste de São Paulo.

Seus instrumentos são popularmente reconhecidos como “tambor do Poeira”, todavia, ele faz sempre questão de colocar a bandeira do Instituto Tambor a frente, pois contextualiza toda sua produção em prol de um movimento cultural e de desenvolvimento humano, prioritários e acima dos lucros financeiros. Seu sonho é que o Instituto Tambor evolua para uma organização, com infra-estrutura para acolher e proporcionar benefícios à comunidade, por meio de: cursos para formação de artesãos de instrumentos musicais de percussão, aulas de percussão e dança, academia de tambores, capoeira e outros relacionados.
O Instituto Tambor é frequentemente convidado para participar de exposições, seminários e eventos culturais, onde seus tambores e conteúdos de referência, são presença marcante.

 

Para maiores informações:

Rua Professor Arnaldo Amado Ferreira, 21
Vila Sonia – São Paulo SP CEP 05519-010
Brasil

55 11 3744-3719
55 11 9-9437-0890 (Claro)
55 11 9-5452-1443 (TIM)

poeira1@yahoo.com.br

 

 

Evento do Contra Mestre Elias em Santos

Evento do Zequinha

Quilombo Baoba

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Conheça a Carolina de Jesus

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Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 14 de março de 1914 — São Paulo, 13 de fevereiro de 1977) foi uma escritora brasileira.
Biografia
Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Filha ilegítima de um homem casado, foi tratada como pária durante toda a infância, e sua personalidade agressiva contribuiu para os momentos difíceis pelos quais passou. Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever.

A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da Igreja Católica quando ainda era jovem. No entanto, ao longo da vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na congregação. Em seu diário, Carolina muitas vezes faz referências religiosas.
Em 1937, sua mãe morreu, e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família. Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.
Teve vários envolvimentos amorosos quando jovem, mas sempre se recusou a casar-se, por ter presenciado muitos casos de violência doméstica. Preferiu permanecer solteira. Cada um dos seus três filhos era de um pai diferente, sendo um deles um homem rico e branco. Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.


Histórico
O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas cobria a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do local gritando “Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!” Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal. A história de Carolina “eletrizou a cidade” e, em 1960, Quarto de despejo, foi publicado.
A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana (segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos primeiros três dias). Embora escrito na linguagem simples e deselegante de uma pessoa sem muita instrução, seu diário foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa. Mas não foram somente fama e publicidade que Carolina ganhou com a publicação de seu diário: despertou também o desprezo e a hostilidade de seus vizinhos. “Você escreveu coisas ruins sobre mim, você fez pior do que eu fiz”, gritou um vizinho bêbado. Chamavam-a de prostituta negra, que havia se tornado rica por escrever sobre a favela, mas que se recusava a compartilhar o dinheiro. Muitas pessoas jogavam pedras e penicos cheios nela e em seus filhos. A raiva dos vizinhos também teria sido motivada pela mudança de endereço de Carolina, para uma casa de tijolos nos subúrbios, o que foi possível com os ganhos iniciais da publicação de seu diário. Vizinhos se juntaram ao redor do caminhão e não a deixavam partir.
A filha de Carolina, Vera Eunice hoje professora,contou, em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz. [1]
Pobre e esquecida, Carolina Maria de Jesus morreu em 1977, de insuficiência respiratória, aos 62 anos.[2]
Perspectiva
Carolina jamais se resignou às condições impostas pela classe social a qual pertencia. Em uma vizinhança com alto nível de analfabetismo, saber escrever era uma conquista excepcional. Carolina escreveu poemas, romances e histórias. Um dos temas abordados em seu diário foram as pessoas do seu entorno; a autora descrevia a si mesma como alguém muito diferente dos outros favelados, e afirmava “que detestava os demais negros da sua classe social”.
Ao ver muitas pessoas do seu círculo social sucumbirem às drogas, álcool, prostituição, violência e roubo, Carolina lutou para se manter fiel à escrita, e aos filhos, a quem sustentava vendendo lixo reciclável e com as latas de comida e roupa que encontrava no lixo. Parte do papel que recolhia era guardado para poder continuar escrevendo.
Escreveu e publicou alguns livros após Quarto de Despejo, porém sem muito sucesso. Seu auge e decadência como figura pública foram fugazes. Isso possivelmente ocorreu devido à sua personalidade forte, que a afastava de muita gente, além da drástica mudança no panorama político brasileiro, a partir do golpe de estado em 1964, que marginalizaria qualquer manifestação popular.
Além disso, Carolina também escreveu poemas, histórias curtas, e diários breves, embora estes nunca tenham sido publicados. A edição de 1977 do Jornal do Brasil trazia, no obituário da autora, comentários sobre ela supostamente se culpar por não ter sabido aproveitar a sua breve fama, e afirmava que ela havia morrido pobre devido à sua teimosia. No entanto, o que é realmente relevante é a importância da sua história para a compreensão da condição de vida nas favelas brasileiras da época.
Seu livro foi amplamente lido, tanto na Europa ocidental capitalista e nos Estados Unidos, como nos países do bloco socialista, o chamado bloco oriental e Cuba; um abrangente público que mostrava como a sua história havia tocado milhares pessoas fora do Brasil.
Para o ocidente liberal e capitalista, seu primeiro livro retratava um sistema cruel e corrupto reforçado durante séculos por ideais colonizadores presentes nas dinâmicas sociais da população. Já para os leitores comunistas, suas histórias representavam perfeitamente as falhas do sistema capitalista no qual o trabalhador é a parte mais oprimida do sistema econômico.
Como é observado pelo historiador José Carlos Sebe, “traduções dos seus diários em classe foram utilizadas por diversos especialistas estrangeiros sobre o Brasil, durante anos.”; isso indica a importância mundial do seu papel como fonte primária sobre a vida nas favelas. E o autor Robert M. Levine descreve de que modo “a palavra da Carolina deu vida a uma parte da América Latina pouco estudada nos livros didáticos tradicionais.”

Fonte: Wikipedia

Camafeu de Oxossi

Camafeu de Oxóssi

Ápio Patrocínio da Conceição – Camafeu de Oxóssi (Salvador, BA, 4 de outubro de 1915 – 1994).
Cantor, músico e comerciante baiano, Ápio Patrocínio da Conceição ficou conhecido pelo seu apelido, Camafeu de Oxóssi. Devido a suas muitas qualidades, tornou-se um ícone da cidade de Salvador, capital do estado da Bahia. Camafeu de Oxóssi é citado em diversas músicas e livros que retrataram a cidade na segunda metade do século XX. Obá de Xangô da Casa de Candomblé Axê Opô Afonjá e ex-presidente do Afoxé Filhos de Gandhi, esteve, ao lado de outras personalidades da cultura afro-brasileira, representando o Brasil e a Bahia no primeiro Festival de Artes Negras realizado em Senegal.

Ápio Patrocínio da Conceição nasceu em Salvador, cidade onde residiria por toda a sua vida e onde ainda jovem receberia o apelido de Camafeu, palavra que dá nome a uma pedra preciosa, um doce e um broche. O apelido seria complementado pela referência ao Orixá Oxóssi, que protegia o jovem adepto da religião do candomblé. Filho da baiana de tabuleiro Maria Firmina da Conceição, Camafeu de Oxóssi perdeu o pai, Faustino José do Patrocínio, quando ainda era muito novo. Cresceu pelas bandas do Pelourinho, trabalhando em pequenos ofícios ambulantes como engraxate, vendedor de cadarço e de jornal. Estudou na Escola de Aprendiz de Artífice, trabalhando na fundição e mais tarde passou para a estiva, até tornar-se dono da Barraca de São Jorge, no antigo Mercado Modelo, que vendia berimbaus e artigos religiosos afro-brasileiros.
Da sua vivência e conhecimentos adquiridos nas ruas de Salvador, Camafeu tornou-se Mestre em Capoeira, exímio tocador de berimbau, cantador e compositor de cantigas, chulas, sambas, além de conhecedor de inúmeras estórias e lendas da cidade. Era como uma memória viva das ruas de Salvador.

Da sua vivência em um dos mais tradicionais terreiros de Salvador, o Candomblé Axé Opô Afonjá, nos tempos da renomada Mãe Senhora, tornou-se Obá de Xangô, posto conferido a outros nomes de destaque da cultura brasileira como o artista plástico Carybé e os cantores Dorival Caymmi e Gilberto Gil.
Durante a década de 60 quando foi inaugurado o curso de Iorubá da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Camafeu foi um dos primeiros alunos do curso. Na mesma década lançou pela Continental seu primeiro disco, intitulado “Berimbaus da Bahia” (1967), composto de cantigas de capoeira em seu lado A e cantigas de Orixás no lado B. No ano seguinte, lançou seu segundo disco, desta vez pela gravadora Philips, “Camafeu de Oxóssi”, composto também por músicas de capoeira e canções votivas a Orixás.

Em 1972 Camafeu inaugurou, ao lado de sua esposa Toninha, um restaurante no novo Mercado Modelo, instalado no prédio da antiga alfândega, depois que um incêndio destruiu o antigo. O lugar tornou-se rapidamente um dos mais procurados de Salvador, famoso por um ótimo tempero e atendimento impecável. Desde então, o restaurante de Camafeu de Oxóssi divide espaço com outro também bastante conhecido, que pertence à família da famosa cozinheira baiana Maria de São Pedro, falecida em 1958.
Entre 1976 e 1982 Camafeu de Oxóssi foi presidente do famoso Bloco de Afoxé Filhos de Gandhy, fundado em 1949, mesmo ano em que o líder Indiano Mahatma Gandhi, que inspira o grupo, morreu assassinado. O Bloco teve origem entre trabalhadores da estiva e desfila pelas ruas de Salvador durante o carnaval e outras festas, cantando em louvor aos Orixás. Entre 1973 e 1976 o grupo passou por uma crise e deixou inclusive de desfilar. Camafeu de Oxóssi foi um dos responsáveis pela retomada e crescimento do grupo, trazendo de volta integrantes que haviam deixado de desfilar pelo Afoxé.
Ápio Patrocínio da Conceição faleceu em 1994, na cidade de Salvador, aos 78 anos, vítima de um câncer. Seu enterro foi um dos mais assistidos da Bahia. Para uma última despedida a Camafeu de Oxóssi, compareceram figuras ilustres da vida politica e cultural baiana, em cerimônia realizada no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco.

 

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Fontes e Referências


Foto:
Adenor Gondim

Bibliografia:
AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos: guia de ruas e mistérios. Desenhos de Carlos Bastos. 27ª Edição. Rio de Janeiro: Record, 1977.

CARYBÉ. As Sete Portas da Bahia: texto e desenhos de Carybé; prefácio de Jorge Amado. 4ª Edição. Rio de Janeiro: Record, 1976.  

SALAH, Jacques. A Bahia de Jorge Amado. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 2008.

Internet:
http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2007/02/camafeu-de-oxossi.html (último acesso em 13/06/2014).

Gildo Alfinete

Mestre Gildo Alfinete nasceu em 1940, em Salvado