Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
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Categoria : Capoeira

Mestre Noel
Noel José do Nascimento é o nome de batismo de mestre Noel, capoeirista e assessor cultural que leva seus conhecimentos da capoeira Angola para dezenas de alunos das Oficinas Culturais da Fundação Educacional e Cultural Deodato Santana/Sectur – Secretaria de Cultura e Turismo de São Sebastião. Natural da capital pernambucana, Recife, Noel chegou à cidade em 1990, iniciando seu trabalho prático diretamente com a capoeira no ano seguinte com outro mestre da cidade, Dominguinhos. Praticando e ensinando a arte genuinamente brasileira da capoeira dentro da escola chamada Angola, mestre Noel, tornou-se monitor cultural em 1995 e desde então tem levado seus conhecimentos aos alunos a quem ensina e também forma novos mestres que, segundo ele, poderão perpetuar esta prática no futuro. Suas aulas atualmente são realizadas em três localidades: na Escola Municipal Henrique Botelho às quartas e sextas-feiras das 9h às 11h; na Escola Municipal Topolândia às terças e quintas-feiras também entre 9h e 11h e no Centro Cultural São Sebastião Batuíra das 19h às 22h todas as terças e quintas-feiras, todos na região central da cidade. Às sextas-feiras, a partir das 19h, professores e alunos do município se reúnem em frente à Sectur para uma confraternização onde realizam uma roda de capoeira Angola e também de samba.

Em São Sebastião, onde pela primeira vez o dia 20 de novembro (Dia da Consciênia Negra) é feriado municipal, destaque para o show da cantora Sandra de Sá. A programação na região incluiu muita música, dança e arte em diversos bairros.

A cidade teve diversas ações em comemoração à Semana da Consciência Negra no Teatro Municipal, na Rua da Praia, na Praça do Pôr do Sol, em Boiçucanga, e no Instituto Verdescola, em Barra do Sahy. Ao longo da semana também hauve o XI Encontro Nacional de Capoeira Angola de São Sebastião; Comandado pelo Mestre Noel e Mestre Dominguinhos, com mestres convidados, Mestre Claudio, Mestre Moreno, Mestre Raimundinho entre outros o encerramento das Oficinas Culturais/2017 com o tema “Samba”; Fóruns Setoriais da Comunidade Negra; desfile de penteado afro; exposições e apresentações artísticas e culturais; cerimônias e rodas de conversa; caminhada Zumbi dos Palmares; show com a cantora Sandra de Sá, entre outros.

O dia 20 de novembro passou a ser considerado feriado municipal da Consciência Negra em São Sebastião, conforme decreto assinado pelo prefeito Felipe Augusto no mês de outubro. A Lei Federal 12.519/2011 instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Contando sempre com sua Esposa, Companheira e parceira Mestra Sú, mestre Noel recebe com carinho e respeito todos os convidados, permitindo a participação de todas as manifestações culturais locais, engrandecendo ainda mais o evento da semana da consciência negra na Cidade e Região. Deixo aqui expressados meus votos de muita saúde e paz, e boa continuidade a esse expressivo trabalho dedicado a Cultura Afro Brasileira, e após muitos anos dedicados a nossa Capoeira Angola poder ver brotar a semente para um futuro melhor. Que Deus, nosso criador e redentor abençoe grandemente o trabalho do Mestre Noel e Mestra Sú, para que continuem esse lindo trabalho por muitos e muitos anos.

Romário Itacaré

Conheçam Mestre Boca Rica

Metre Boca RicaNascido em Maragojipe, Bahia em 26 de novembro de 1936, Manoel Silva, o Mestre Boca Rica é um exemplo de dedicação  a Capoeira.

Nos anos de 50 inicia seus estudos com o Mestre Pastinha. Também frequentou o famoso barracão do Mestre Waldemar, o Passeio de Aguinelo, e outras rodas de Salvador.

Hoje seu curriculo é rico: mais de 30 países visitados, 5 cd’s gravados, e infinito número de amigos e admiradores.

Capoeiristas e pesquisadores do mundo todo vem a Salvador aprender e conhecer o Mestre Boca Rica.

Na década de 50, Manoel Silva inicia seus estudos com o Mestre Pastinha, que lhe dá o apelido de Boca Rica, por Manoel usar dentes de ouro em toda parte superior da boca. Mestre Boca Rica também frequentou o famoso barracão do Mestre Waldemar, o Passeio de Agnelo, e outras rodas de capoeira de Salvador. Atualmente dedica seu tempo às aulas de capoeira e de instrumentos no Forte da Capoeira.

In the 50’s Manoel Silva began his studies with Mestre Pastinha, who gave him the nickname Boca Rica, for the golden teeth he used to have across the top of his mouth. Mestre Boca Rica also attended the famous shed of Mestre Waldemar — Passeio de Agnelo — and other capoeiras in Salvador. Nowadays he devotes his time to capoeira’s lessons and instruments in the Forte da Capoeira.

Conheçam o Mestre Paulo dos Anjos

Paulo dos Anjos

Nome José Paulo dos Anjos, Brasileiro de Salvador, nasceu em 15 de Agosto de 1936
Origen: Mestre Canjiquinha
Poucos praticantes de Capoeira da atualidade se apegaram tanto à tradição e à originalidade da luta quanto o sergipano de Estância, José Paulo dos Anjos, ou apenas mestre Paulo dos Anjos. Ele faleceu em Salvador, onde residia, vítima de infecção hospitalar, contraída durante uma cirurgia, num hospital local. Seu desaparecimento, além de causar a perda de uma figura humana muito estimada, representa também uma outra perda — irreparável — para a Capoeira. Em especial para a linhagem da Capoeira Angola.
Mestre Paulo dos Anjos destacou-se, em vida, como um dos mais versáteis e exímios angoleiros deste século e um dos que mais resistiram às tentativas correntes de enxertar a Capoeira tradicional com os modismos e inovações da capoeira moderna. “Para mim, nada mudou. Eu continuo fazendo a Capoeira Angola conforme a tradição”, ele costumava dizer.

Nascido em 15 de agosto de 1936, na cidade sergipana de Estância, o jovem de catorze anos José Paulo dos Santos já despontava, em Salvador (1950) como um promissor lutador de boxe. Desde que conheceu o mestre Canjiquinha, um ano antes, afeiçoou-se à Capoeira e passou a freqüentar as rodas de rua da capital baiana e das cidades do Recôncavo. Nas festas de largo, sua técnica e sua habilidade começaram a chamar a atenção de todos e, daí em diante, o tempo se incumbiu de transformá-lo no mestre Paulo dos Anjos, consagrado pelas mãos do próprio mestre Canjiquinha.

Além do respeito que sua personalidade impunha naturalmente aos seus contemporâneos, ele se tornou muito conhecido, também, como cantador de Capoeira e teve várias músicas gravadas em CD, com seu estilo peculiar, mantendo a tradição da Capoeira também nas músicas. Ao lado do mestre Gato Preto, deu aulas na Ilha de Itaparica e também em outras localidades da região metropolitana de Salvador.

Na década de 70, transferiu-se para São Paulo, onde permaneceu por cinco anos. Em São José dos Campos, formou o grupo Anjos de Angola. Em 1978, venceu o campeonato de Capoeira, promovido no Ginásio do Pacaembu, na capital paulista. Retornou a Salvador, em 1980, e influiu no movimento de conscientização dos capoeiras na luta por melhores condições de trabalho. Integrou, a partir de 1987, a Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA) e acumulou seu trabalho na Capoeira com as atividades de funcionário público, na prefeitura de Salvador. Muitos de seus alunos são hoje, professores e mestres. Alguns já possuem academias próprias em Salvador e em São Paulo: Virgílio do Retiro, Jaime de Mar Grande, Jorge Satélite, Pássaro Preto, Amâncio, Neguinho, Renê, Alfredo, Djalma, Galego, Mala, Josias, Cabeção, Jequié, Feijão, Vital e Al Capone, entre outros.

Entrevista

“Eu sempre fui um angoleiro”

Uma das mais interessantes entrevistas do mestre Paulo dos Anjos foi concedida, em 1995, ao periódico “Capoeirando”, da Universidade Estadual Paulista (Unicamp), de Campinas. Como homenagem póstuma ao estimado mestre, a RC reproduz, abaixo, uma síntese dessa entrevista:

Capoeirando: Como ocorreu sua intimidade com a Capoeira?

Mestre Paulo dos Anjos: Aprendi com o mestre Canjiquinha e participava das rodas na academia do mestre Pastinha. Convivi com o mestre Gato Preto, ensinei com ele na Bahia e também ensinei muito tempo na academia dele, em São Paulo.

Cap.: Por que trocou a Bahia por São Paulo, na década de 70?

Paulo dos Anjos: A situação estava ruim para mim, numa época de maré sem peixe e um aluno — que treinava boxe comigo e sabia que eu jogava Capoeira — me convidou para ir para São Paulo, e eu fui.

Cap.: Continua ainda com suas aulas de Capoeira, em Salvador?

Paulo dos Anjos: Eu tenho a Associação de Capoeira Angola, mas são os alunos que dão as aulas. Eu dou aula no Salão Paroquial da Paz e alguns cursos fora da Bahia.

Cap.: Pela sua vivência, acha que a Capoeira está mudando?

Paulo dos Anjos: Para mim, nada mudou. Eu continuo fazendo a Capoeira Angola conforme a tradição. Eu sempre fui um angoleiro. Nem discuto a Regional porque não conheço, nem entendo. Se eu não entendo, não tenho que dar uma de entendedor!

Cap.: E como é essa questão da tradição?

Paulo dos Anjos: Tem que ter um cara mais velho do que eu para explicar.

Cap.: A tradição incluía o uso da navalha?

Paulo dos Anjos: Sempre teve gaiato, desordeiro com navalha. Safado, nunca deixou de ter (na Capoeira), mas uma coisa existia e parece que não existe mais: o respeito. Agora, tem moleque de vinte anos que, só porque dá um bocado de pulos, desafia o mestre e chama para brigar!

Cap.: Por que não se joga mais com navalha?

Paulo dos Anjos: Porque nunca se jogou Capoeira com navalha. Botar (navalha) no pé para jogar? Isso é mentira. É só exibição! É só show!

Cap.: Mesmo na antiga capoeira de rua não tinha navalha?

Paulo dos Anjos: Tinha, mas era no bolso do capoeirista. Para botar no pé e sair cortando, é mentira. Tem gente boa por aí que, se você pegar uma faca na mão e não for macho mesmo, ele toma a faca e ainda bate em você. Imagine por navalha no pé para sair cortando todo mundo! Isso é fantasia para enganar criança boba!

principal

 

Jaime lima nasceu em 1956 em Vera Cruz – Ilha de Itaparica (BA). Conhecido como Mestre Jaime de Mar Grande teve seu primeiro contato com a capuera em 1963 com Mestre Gerson Quadrado (1925-2005), um dos maiores cantadores de chulas da Bahia. Sua vida na capuêra inicia-se efetivamente em 1965 como discípulo de Mestre Paulo dos Anjos (1936-1999), desde então continua praticando e ensinando a capuêra e o samba de roda conforme a tradição de seu mestre.
Seu trabalho na área social e cultural iniciou-se em 1974, quando passou a ensinar a capuêra e o samba de roda, assumindo e idealizando os seguintes trabalhos: Grupo Clips Academia de Capoeira Angola (1974-1979); Grupo Negros de Angola (1980-1984); ACCAEA – Associação Cultural de Capoeira Angola Escrava Anastácia (1985-2005), a qual dedicou-se um longo período, tendo seu trabalho reconhecido tanto pelos Mestres mais velhos da Ilha como de Salvador, um dos momentos mais $$importantes para este trabalho foi o resgate das tradições de Mestre Quadrado que a 25 anos estava afastado do universo da capuêra; em 1999, atuou na revitalização junto as mulheres da Gamboa o grupo Terno de Rosas, manifestação popular ligada a Folia de Reis; Presidente do GAIAH – Grupo de Apoio Itaparicano Ambiental e Humanístico (2001–2004); Organizador do grupo Samba Tradicional da Ilha (2001); Fundador da ACCAAP – Associação Cultural de Capuêra Angola Paraguassu em atuação desde 2006.
Nativo da Ilha e preocupado com suas origens, Mestre Jaime de Mar Grande é considerado um ativista local importante em Gamboa envolvido em questões referentes ao resgate e manutenção das tradições e da cultura local.

 

Conheça o Mestre Deraldo

Mestre Deraldo

Mestre Deraldo Ferreira
Mestre Deraldo Ferreira, nascido na cidade de Santos, litoral de São Paulo, é fundador e Diretor Artístico do Centro Cultural Brasileiro da Nova Inglaterra, um dos três Pontos de Cultura brasileiros nos EUA designado pelo então ministro da Cultura Gilberto Gil. Como Mestre de Capoeira , Mestre Deraldo traz um mandato de 40 anos voltados à Capoeira, samba, percussão,dança, composição musical e coreografia. Ele é um dos pioneiros a trazer a Capoeira, samba, dança e percussão para a América do Norte. Mestre Deraldo começou a estudar Capoeira com a idade de 14 anos e tornou-se Mestre de Capoeira certificado no ano de 1984 em sua cidade natal, Santos. Mestre Deraldo estudou Capoeira Angola com Mestre João Pequeno de Pastinha, discípulo do Grande Mestre Pastinha, “pai e protetor da Capoeira Angola”. Mestre Deraldo foi reconhecido Mestre de Capoeira Angola pelas mãos de Mestre João Pequeno de Pastinha no ano de 2005, durante o Encontro Internacional do CECA em Salvador, organizado por Mestre Pé de Chumbo. Estavam presentes durante a solenidade os principais Mestres da velha guarda da Bahia ainda em atividade. De igual importância é o talento e a experiência de Deraldo como um instrutor. O Centro Cultural Brasileiro da Nova Inglaterra é a casa para a escola de Capoeira Angola de Mestre Deraldo, a Academia de Mestre João Pequeno de Pastinha, Centro Esportivo de Capoeira Angola, bem como a casa de sua dança, samba e aulas de percussão afro-brasileiras. Mestre Deraldo fundou escolas de Capoeira Angola no Canadá, Itália e Brasil, com núcleos em Porto Seguro/Bahia, São Paulo (capital) e litoral de São Paulo, na cidade de Santos, sua cidade natal. Ao longo dos últimos 25 anos, lecionou anualmente no Amherst College, Hampshire College, MIT, Smith College, em Wellesley College, Wheaton College, bem como numerosos estúdios de dança e música.

Mestre Deraldo com seu Discipulo Contra Mestre Elias

Deraldo e Elias

Fique de Olho nas datas do evento:

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Não Percam dias 05 e 6 de junho em Piracicaba –  com Vaguinho – GeacapJaime Mar Grande

Na história do Brasil, conta-se muito pouco a respeito das mulheres negras. Na escola, são pouquíssimas as aulas que citem as grandes guerreiras e líderes quilombolas, ou que simplesmente mencionem a existência das mulheres negras para além da escravidão. Em um país em que a escravidão não é retratada como uma vergonha para a nação –  pelo contrário, ainda se insiste que a população negra não lutou contra esse quadro -, isso não é nenhuma surpresa.

Nós, brasileiros, passamos vários anos na escola aprendendo sobre todos os detalhes das vidas de Dom Pedro I e II, seus familiares, seus casos sexuais e viagens. Na televisão, os imperadores viram protagonistas de minisséries, enquanto os atores e atrizes negros são reduzidos a papéis de escravos sem profundidade. Grandes lutadores como Zumbi dos Palmares, Dragão do Mar e José Luiz Napoleão, são pouco mencionados. Aliás, eles são lembrados apenas no mês de novembro, em razão do Dia da Consciência Negra; mas as mulheres negras, que contribuíram de tantas formas na luta contra a escravidão e nas conquistas sociais do Brasil, nem sequer são mencionadas.

Cordel sobre Dandara dos Palmares, líder quilombola e companheira de Zumbi.

O esquecimento das mulheres negras na história é algo que contribui para a vilipendiação da população negra. Por conta disso, as garotas negras crescem achando que não há boas referências intelectuais e de resistência nas quais possam se espelhar. Para descobrir seus referenciais, é preciso que se mergulhe em uma pesquisa individual, muitas vezes solitária, juntando peças de um enorme quebra-cabeça para no fim descobrir que pouquíssimo foi registrado a respeito de mulheres como Dandara dos Palmares ou Tereza de Benguela – importantes líderes quilombolas.

Devido ao machismo, é muito difícil encontrar registros da história das mulheres, especialmente aqueles que sejam contados de forma aprofundada e responsável. Ainda hoje, poucas mulheres, mesmo entre as brancas ou europeias, são citadas e celebradas por suas conquistas. No entanto, quando essas mulheres são negras, a negligência é ainda maior. Em um país onde mais de 50% da população é negra, a situação desse quadro é absurda.

Mesmo com os esforços racistas para apagar a história das mulheres negras, racismo nenhum será capaz de enterrar a memória de ícones como Luísa Mahin e Tia Simoa. Mulheres negras inteligentes, com grande capacidade estratégica, imensa coragem e ímpeto de transformação, que jamais se conformaram ou se dobraram diante do racismo e da misoginia; pelo contrário, lutaram e deram suas vidas para que mulheres negras como eu pudessem viver em liberdade e escrever, ocupando espaços que, ainda hoje, nos são de difícil acesso.

Infelizmente, tive que descobrir essas guerreiras por conta própria, contando com a ajuda de outras mulheres negras, companheiras de luta, que me apresentaram textos e materiais onde suas vidas foram contadas, ainda que brevemente. Por isso, decidi utilizar minha produção literária, meus cordéis, para contar as histórias dessas mulheres e fazer com que mais pessoas tomassem conhecimento de suas batalhas e do quanto são importantes para a história do Brasil. Até o momento, tenho vários cordéis biográficos que contam as trajetórias de Aqualtune e Carolina Maria de Jesus, além de outras já citadas nesse texto.

Nosso papel é fazer com que essas mulheres negras sejam conhecidas e seus feitos sejam estudados. Seja por meio do cordel, das redes sociais ou de trabalhos acadêmicos, precisamos registrar e divulgar essas memórias. Com elas, provamos que a população negra sempre lutou por seus direitos, provamos que as mulheres negras sempre foram protagonistas dos movimentos negro e de mulheres e que nunca se omitiram ou saíram das trincheiras. Afinal, essas mulheres são espelhos e exemplos do que todas as meninas e jovens negras podem ser.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br

CORDÉIS BIOGRÁFICOS:

  DANDARA DOS PALMARES – cordel biográfico contando a história de Dandara dos Palmares, mulher negra guerreira na resistência contra a escravidão no Brasil, líder do Quilombo dos Palmares e companheira de Zumbi.

 

 

LUÍSA MAHIN (novo!) – cordel biográfico contando a história de Luísa Mahin, mãe do poeta Luís Gama e grande liderança na luta contra a escravidão no Brasil.

 

 

  CAROLINA MARIA DE JESUS (novo!) – cordel biográfico que conta a história da escritora Carolina Maria de Jesus, suas origens e vida na favela do Canindé, até ter seu primeiro livro publicado.

 

 

  AQUALTUNE (novo!) – cordel biográfico que conta a história da princesa africana Aqualtune, filha de um rei no Congo, que foi vendida como escrava e trazida para o Brasil. Grande ícone para as mulheres negras brasileiras, a história de Aqualtune envolve outras lideranças quilombolas como Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares.

 

TEREZA DE BENGUELA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Tereza de Benguela, líder quilombola do quilombo de Quariterê. Dia 25 de Julho no Brasil é oficialmente o dia de Tereza de Benguela, uma data para enfatizar a luta das mulheres negras no país.

 

 

  TIA SIMOA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Tia Simoa, esposa de José Luiz Napoleão e liderança na luta contra a escravidão no Ceará. O cordel também fala do Grupo de Mulheres Negras do Cariri, o Pretas Simoa, pelo qual a história de Tia Simoa se tornou mais conhecida.

 

 

Fonte: http://jaridarraes.com/cordel/

Banzo, Batuque, Capoeiragem

Observe especialmente a partir do ponto 31:51 as cantigas de capoeira…….

No primeiro programa da Série “Afrobrasilidades em 78 rpm” Russo Passapusso escuta e reinventa duas gravações antigas: “Batuque”, dança do Quilombo dos Palmares, gravada em 1929 pela pernambucana Stefana de Macedo, e o tema de capoeira “Cala a boca menino”, apresentado pela primeira vez no rádio por Almirante, em 1938, e mais tarde, adaptado por João Donato. No repertório,o imáginário sobre a escravidão em disco. Chapas que lembram os acalantos das mães pretas, cantos de trabalho, do lamento negro às batucadas de libertação, gravadas entre 1932 e 1954.

Dansa do Quilombo dos Palmares - Acervo Discoteca Oneyda Alvarenga

  • Na fazenda do Ingá (Zé do Norte) – Inezita Barroso 1961
  • Jorge Amado sobre histórias contadas por velhas escravas da Bahia (Dorival Caymmi – Cancioneiro da Bahia)
  • História pro Sinhozinho (Dorival Caymmi) – Trio de Ouro 1943
  • Mãe Preta (Caco Velho e Piratini) – Conjunto Tocantins 1953*
  • Navio Negreiro (Edmundo Vaz Queiroz e Piratini) – Irmãs Medina 1945 *
  • Russo Passapusso recita “Redoma”, e escuta “Batuque”
  • Terra Seca (Ary Barroso) – Quatro Azes e um Coringa
  • Batuque (Dança do quilombo dos Palmares) – Stefana de Macedo 1929
  • Dentro da Toca (Motta da Motta) – Motta da Motta 1931*
  • Jornal O País – 1929 – sobre Batuque Stefana de Macedo
  • Batuque – versão de Letieres Leite e Russo Passapusso -Goma-Laca 2014 (video)
  • Na fazenda do Ingá (Zé do Norte) – Zé do Norte 1953 *
  • Soca Pilão (folclore paulista adaptado por José Roberto e J.Prates) – Inezita Barroso 1954 (vídeo).
  • Geme Negro – Ataulfo Alves e suas pastoras
  • Depoimento de João da Bahiana para o filme Conversa de Botequim, de Luiz Carlos Lacerda 1972.
  • Quê quê rê quê quê (João da Bahiana, Pixinguinha, Donga) Francisco Senna e Zaira de Oliveira 1932
  • Dos Vadios e Capoeiras – trecho do decreto 487, de 11 de outubro de 1890, artigo 402.
  • Birimbau (Clodoaldo Brito / J. L. Paiva Matos) – Vanja Orico 1955
  • Capoeira (J.B. de Carvalho/ Walter Tourinho/Guará) – J.B. de Carvalho 1955
  • Curiosidades Musicais (programa de Rádio de Almirante, veiculado no dia 20/06/1938)
  • Cala a Boca Menino (tema de capoeira adaptado por João Donato e Dorival Caymmi) João Donato 1972
  • João Donato sobre Cala a Boca Menino
  • Cala a Boca Menino – versão de Letieres Leite, Russo Passapusso e Juçara Marçal -Goma-Laca 2014
  • Corridos (temas de Capoeira) Mestre Bimba 1969

Apresentação, edição e roteiro: Biancamaria Binazzi / Leituras: Bruno Morais / Falas: Russo Passapusso, João Donato, Almirante / Gravação: Filipe Gomes / Realizado com apoio do ProAc.

*Fonogramas da Discoteca Oneyda Alvarenga do Centro Cultural São Paulo

  • Gravação do programa Curiosidades Musicais sobre cantigas de capoeira da Bahia. Nos berimbaus, Geraldo Conceição e Valter Vasconcelos  Foto: Acervo MIS-RJ/Coleção Almirante *Direitos Reservados

    Gravação do programa de rádio Curiosidades Musicais 1938 com Geraldo Conceição e Valter Vasconcelos *Direitos Reservados Acervo MIS/RJ- Coleção Almirante

Versão integral do “sensacional programa” Curiosidades Musicais, de Almirante, sobre as cantigas de capoeira da Bahia. Apresentado no dia 20 de Junho de 1938 na Rádio Nacional, o programa estreia uma série destinada a temas da música popular”folclórica”, trazendo pela primeira vez na história do rádio, a presença do “rudimentar e bárbaro instrumento afro-brasileiro”, o berimbau.


Integrante da primeira geração de historiadores da música popular brasileira, Almirante teve sua produção radiofônica investigada por Giuliana Souza de Lima, na pesquisa “Almirante – a mais alta patente do rádio – e a contrução da história da música popular brasileira (1938-1958), produzida no Departamento de História da USP, sob orientação do prof. José Geraldo Vinci de Moraes.

 






 

 

 

 

Mestre Leopoldina
Demerval lopes de Lacerda, Nascido em 12 de Fevereiro de 1933,O Mestre Leopoldina começou a aprender capoeira aos 18 anos, com o Quinzinho, um jovem malandro carioca, valente, temido e respeitado na região da Central do Brasil (RJ). Um ano depois, Quinzinho foi preso e assassinado na prisão. Leopoldina sumiu por uns tempos, e treinava sozinho, até que soube que Valdemar Santana, lutador bastante conhecido na época, trouxera da Bahia um capoeirista de nome Artur Emídio. Leopoldina foi apresentado a Artur, que o convidou para jogar. “Fui lá, meio envergonhado, e fiz aquilo que o finado Quinzinho tinha me ensinado. No começo a coisa correu bem, mas aos poucos Artur começou a crescer, e era pernada por tudo que era lado, e percebi que ele era mais fera ainda que o Quinzinho”. Foi assim que Leopoldina, aprendiz da capoeira carioca, foi apresentado à capoeira baiana.

Leopoldina continuou aprendendo com Mestre Artur Emídio, e hoje é Mestre consagrado, muito respeitado, tanto por seu jogo quanto pela habilidade com o berimbau, e por suas composições, admiradas e cantadas em todo o Brasil. É uma das maiores expressões da capoeira antiga, cheia de malandragem e

mandinga. É dono de uma simpatia e um carisma enormes, e já cunhou frases pitorescas do repertório da capoeira, como esta, que nos foi revelada uma vez em Guaratinguetá: “a capoeira é a maçonaria da malandragem!”. Viaja muito para a Europa e EUA, apresentando-se a convite dos mestres que ensinam no exterior.

Mestre Lua de Bobo
Edvaldo Borges da Cruz

Mestre Lua de Bobó, nasceu em Arembepe, no ano de 1950, ainda pequeno vai com a mãe – Dna. Maria Borges da Cruz, morar em Salvador, no bairro da Engomadeira.

Por volta de seus 15 anos conhece Mestre Bobó (Sr. Milton Santos) levado pelo amigo Bel. Primeiramente, treinou no fundo de quintal, “em terra batida”,

no Dique Pequeno do Tororó, em Salvador, BA, sempre na Academia de Capoeira Angola Cinco Estrelas.

Por esta academia passaram muitos capoeiristas além de ilustres visitantes. Como canta Mestre Lua de Bobó, “Mestre Bobó me ensinou com toda dedicação, agradeço a Deus do céu, o grande homem de valor, sou discípulo que aprende sou Mestre que dou lição”, Mestre Lua de Bobó tem a sua tradição”.

Passaram pela academia muitos capoeiristas, além de muitos outros ilustres visitantes..

Acompanhando seu Mestre por mais de 20 anos, inicialmente sendo chamado de “Olhar para Lua”, com o tempo passa a ser chamado pela capoeiragem baiana de Mestre Lua de Bobó, e em 1987, no Dique do Tororó, no clube Vasco da Gama, recebe oficialmente seu diploma de Mestre de seu Mestre Bobó (Sr. Milton Santos).

Após funda o Grupo de Capoeira Angola Menino de Arembepe (GCAMA) quando começa a ensinar na cidade de Arembepe e em Salvador BA no Clube de Regatas Vasco da Gama, no Dique do Tororó.

O Grupo de Capoeira Angola Menino de Arembepe foi fundado em 1987 por Mestre Lua de Bobó (Sr. Edvaldo Borges da Cruz) e oficializado em 1995, na cidade de Salvador, BA, Brasil.

O nome do grupo faz referência a sua infância, na praia de Arembepe em Camaçari, no litoral norte da Bahia.

Mestre Lua de Bobó, é um dos capoeiristas da Academia de Capoeira Angola Cinco Estrelas do Mestre Bobó (Sr.Milton Santos) que até hoje preserva a linhagem deixada por seu Mestre.

Seguindo os fundamentos recebidos, Mestre Lua desenvolveu um estilo próprio que se caracteriza pela habilidade e elegância dos movimentos assim como uma postura comprometida com o titulo de “Mestre da cultura da capoeira angola”. Imprimindo ao grupo e transmitindo a todos seus alunos o seu estilo, postura e elegância.

O grupo iniciou suas atividades na Associação dos Pescadores Unidos de Arembepe, em Arembepe, Camaçari BA, na gestão do Sr. “Lió” quando realizou seu “Iº Encontro de Capoeira Angola” em 1987, com a presença de vários capoeiristas de valor da Bahia como, Bobó, João Pequeno, Virgílio, João Grande, Curió, Pelé da Bomba e outros, assim como a companheira do falecido Seu Pastinha, D. Maria Romélia.

Em 1990 o grupo inicia suas aulas em Salvador, no Clube Regatas Vasco da Gama, no Dique do Tororó dividindo o espaço com Mestre Bobó. Onde permaneceu até 2001.

A partir de 2002 Mestre Lua de Bobó se muda definitivamente para Arembepe, passando a ministrar suas aulas e a realizar seu Encontro anual inicialmente na Associação Pescadores Unidos de Arembepe, até conseguir terminar a construção do seu espaço próprio.

Após muitas dificuldades e com a colaboração de alguns admiradores, no seu evento anual em janeiro de 2005, o grupo inaugura seu espaço à beira-mar num antigo terreno da família do Mestre Lua de Bobó, herdado de seus pais.

Localizado em frente à praia de Arembepe, o espaço torna-se um verdadeiro reduto angoleiro, uma fortaleza mágica construída pelo próprio Mestre.

O grupo tem como seus objetivos manter vivo os ensinamentos transmitidos pelo Mestre Bobó, ampliar a cultura e pratica da capoeira angola, como fonte de equilíbrio e de educação.

Fonte:meninosdearempbepe.org
Entrevista Somente Audio…

Conheça o Mestre João Grande

João Grande

João Oliveira dos Santos (Itagi, Bahia, 15 de janeiro de 1933) mais conhecido como Mestre João Grande, é um Mestre de capoeira contribuiu nacionalmente e internacionalmente no estilo angola. Foi aluno do pai da angola Mestre Pastinha, e possui uma academia em Nova Iorque.

Mestre João Grande nasceu em 15 janeiro de 1933, na pequena cidade de Itagi, no sul do estado da Bahia, entre Ilhéus e Itabuna. Itagi é tão pequeno que ele não aparece nos mapas da região. Como um jovem que não tinha tempo para a escola ou até mesmo jogar, e ele trabalhou ao lado de sua família nos campos. No entanto, durante o trabalho, ele foi capaz de se envolver em seu passatempo favorito, o estudo da natureza. Ele era fascinado pela forma como o vento move as árvores, as ondas no oceano, e em particular os movimentos dos animais, como a greve da cobra e do vôo do pássaro. Esta foi a influencia grande na sua prática e filosofia da Capoeira.
em Campo perto Itabuna

Com 10 anos ele viu “corta capim” pela primeira vez. Este é um movimento realizado por agachando-se, estendendo uma perna na frente e balançando-o em torno de um círculo, pulando sobre ele com a outra perna. Fascinado, ele perguntou o que foi chamado e foi dito que era “a dança do Nagos” – uma dança dos afro-descendentes na cidade de Salvador. O Yoruba do sudoeste da Nigéria teve uma grande influência cultural em Salvador, que foi considerda Roma Negra do Brasil. Mas a dança era, na verdade, de Central Africano origem- era Capoeira. João não aprendeu o nome correto do movimento até que muitos anos mais tarde, mas mudou sua vida para sempre. Com a idade de dez anos, ele saiu de casa em busca de “A Dança do Nagos”.
Pintura de Carybé Painting por Carybé

O jovem João lentamente fez seu caminho para o norte a pé, trabalhando como ele foi, e sobrevivendo como trabalhador migrante nas plantações da Bahia. Ele ficaria com famílias de outros trabalhadores agrícolas, passando de uma fazenda para outra. Finalmente, ele chegou à Salvador, o berço da Capoeira como nós o conhecemos, depois de 10 anos de viagens. Ele viu Capoeira, pela primeira vez em um lugar com o nome poético “Roça do Lobo” (Clearing of the Wolf). Não foi uma roda rua média viu naquele dia, mas uma reunião de personalidades importantes da Capoeira, como Menino Gordo, João Pequeno, que estava lá com seu primeiro professor de Capoeira, Mestre Barbosa, bem como o grande mágico capoeira Cobrinha Verde (Little Green Snake), um dos jogadores mais habilidos os do que era. João Grande e João Pequeno

Um encantado João perguntou Mestre Barbosa que o jogo foi chamado e foi dito: “Isso é Capoeira” João, então, pediu que ele pudesse aprender. Mestre Barbosa mandou para João Pequeno, que viria a ser seu companheiro mais próximo na Capoeira. João Pequeno mandou para Mestre Pastinha que tinha uma academia famosa no bairro Cardeal Pequeno de Brotas. Este foi rodas de Capoeira céu- Pastinha foram preenchidas com os nomes mais famosos da Capoeira. João pediu permissão para participar de sua academia, e Pastinha aceitou João como um estudante, iniciando um relacionamento que era ter um efeito profundo em sua vida. Com a idade de vinte anos, João estava começando capoeira relativamente tarde na vida. Ele passou a estudar com os outros ensinando na academia de Pastinha, Cobrinha Verde incluído, mas sua influência primária sempre foi, e continua a ser, Pastinha.
Academia de Pastinha Mestre Pastinha e sua academia, João Grande da esquerda

Capoeira Angola muito enriqueceram a vida do Mestre, mas era uma vida difícil para ele e muitos outros capoeiristas da época. A maioria trabalhava longas e duras horas por muito pouco dinheiro, a fim de sustentar a si e suas famílias. Muitos capoeiristas trabalhou nas docas, carga e descarga de navios. Quando nos intervalos e feriados costumavam jogar ou capoeira “vadiar”. Uma definição muito literal de “vadiar” significa ficar sem fazer nada.

Mestre João Grande, eventualmente, tornou-se um capoeirista tão aclamado que quando Carybé, um pintor famoso por sua documentação da Cultura Africano na Bahia, escolheu para fazer estudos de capoeira ele escolheu João Grande como um modelo.

João Grande e João Pequeno são destaque em vários filmes de Capoeira, incluindo uma em que eles demonstram as técnicas de faca do art. Em 1966, João Grande viajou para o Senegal com Mestre Pastinha para demonstrar capoeira no 1º festival Internacional de Artes Negras em Dakar. Ele foi agraciado com o Diploma de Capoeira de Pastinha em 1968 tornando-o um verdadeiro mestre inteiro de Capoeira. Em seguida, ele excursionou pela Europa e Oriente Médio com Viva Bahia, um grupo pioneiro que realizou artes folclóricas afro-brasileiras, como capoeira, samba de roda, maculelê, puxada candomblé e da Rede.
Samba de Roda de Samba de Roda

Eventualmente, a academia de Pastinha caiu em tempos difíceis. Pastinha, velho, doente e quase totalmente cego, foi convidado pelo governo para desocupar o prédio para reformas. Mas, o espaço nunca foi devolvido a ele. Em vez disso, tornou-se um restaurante com entretenimento, agora chamado SENAC. Pastinha morreu falido e amargo sobre seu tratamento, mas nunca se arrependeu vivendo a vida de um capoeirista.
Mestre Pastinha Mestre Pastinha no final de sua vida

Depois de Pastinha morreu, Mestre João Grande parou de jogar Capoeira. Ele continuou a tocar música e dança em shows folclóricos, mas já não realizada capoeira. Ele retornou ao Mestre Moraes e Cobrinha Mansa convenceu-o a sair da aposentadoria em meados de 1980. Ele começou a ensinar com sua organização Grupo Capoeira Angola -Pelourinho. Em 1989, ele foi convidado por Jelon Vieira para visitar os Estados Unidos. Jelon foi o primeiro a apresentar formalmente capoeira para os EUA em 1974. A turnê foi um tremendo sucesso. Em 1990 ele voltou a apresentar Capoeira Angola no Festival Nacional de Artes Negras, em Atlanta, na Geórgia e no Centro de Schomberg para Pesquisas em Cultura Negra em New York City. Mestre João Grande decidiu que gostava os EUA e tem ensinado em Nova York desde então.
Academia de NYC Roda Mestre em NYC

Mestre João Grande tem ensinado milhares de alunos em sua academia e tem sido palco de inúmeras apresentações de Capoeira Angola. Ele viajou a Europa, Brasil, Japão e muitas partes os EUA para ensinar e executar. Em 1995, ele recebeu um doutorado em Letras Humanas de Upsala College, East Orange, NJ. Em 2001, ele foi premiado com o National Heritage Fellowship da National Endowment for the Arts, que é um dos mais prestigiados prémios dados aos praticantes de artes tradicionais em os EUA. Mestre João Grande também gravou um CD de áudio e vários DVDs com si mesmo e seus alunos, bem como outras figuras ilustres da Capoeira Angola.

Fonte: joaogrande.org

João Pequeno

João Pequeno
João Pereira dos Santos ou Mestre João Pequeno, (Araci, 27 de dezembro de 1917 – Salvador, 9 de dezembro de 2011) foi um mestre de capoeira brasileiro1 .
Biografia
Filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira. Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil como servente de pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame. Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha. Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno. No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”. Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió2 .

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade. Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande, João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó. Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos, Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo. Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, além de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela. João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a ideia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário2 . Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo (1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto número de discípulos. Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o título de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva2 .

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda, com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana. Além de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.2 Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

Fonte: Wikipedia

Mestree Waldemar

Mestre Waldemar

Waldemar Rodrigues da Paixão (Ilha de Maré, 1916 – Salvador, 1990), mais conhecido como Mestre Waldemar, Waldemar da Liberdade ou Waldemar do Pero Vaz, é um mestre de capoeira baiano.
A vida de Waldemar como capoeirista e mestre de capoeira começa na década de 1940, onde ele implanta um barracão na invasão do Corta-Braço, futuro bairro da Liberdade, onde joga-se capoeira e choquen pom todos os domingos, também ensinando na rampa do mercado na cidade baixa. Praticava uma diversidade de capoeira, dos mais lentos aos mais combativos, com afirmada preferência para os mais lentos1 .
Durante a década de 1950, a capoeira dele na Liberdade atrai acadêmicos, artistas e jornalistas. Os etnólogos Anthony Leeds em 1950 e Simone Dreyfus em 1955 gravam o som dos berimbaus. O escultor Mário Cravo e o pintor Carybé, também capoeiristas, freqüentam o barracão. Mais tarde, a maior parte dos renomados capoeiristas afirmam ter grande influência na capoeira de Waldemar, na de Mestre Cobrinha Verde do bairro de Nordeste de Amaralina até na de Mestre Bimba.
De acordo com Albano Marinho de Oliveira (1956), o grupo da Liberdade começou a cantar longos solos antes do jogo (hoje chamados ladainhas). O próprio Waldemar reivindicou, em depoimento a Kay Shaffer, ter inventado de pintar o berimbau. A fabricação e venda para os turistas de berimbau foi uma fonte de renda para mestre Waldemar.
Waldemar, como bom capoeirista, andou na sombra. Ficou discreto sobre suas atividades e breve em sua fala. Mal existem fotos dele antes de velho. Não procurou a fama e, apesar de seu notado talento de cantor e de tocador de berimbau, não integrou muito o mercado de espetáculo turístico. Também, a música que se escuta nas gravações de 1951 e 1955 é coletiva, sempre tendo, ao menos, um dialogo de dois berimbaus.


Velho e impossibilitado de jogar capoeira e de tocar berimbau pela doença de Parkinson, Waldemar ainda aproveitou um pouco do movimento de resgate das tradições dos anos 1980, cantando em diversas ocasiões e gravando CD com Mestre Canjiquinha.
Na Bahia existem um bairro e uma rua que recebem seu nome.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Jogo de Dentro
Jorge Egídio dos Santos conhecido no mundo da capoeira como Mestre Jogo de Dentro, ingressou na Capoeira Angola em 1982, no Forte Santo Antônio-Salvador\BA na academia do Mestre João Pequeno de Pastinha. Depois de um ano foi batizado pelo Mestre João Grande, de quem recebeu o apelido de Jogo de Dentro devido seu estilo de jogo. Em 1986, Mestre João Pequeno deixou-o responsável em dar aulas e organizar as rodas na sua ausência. No dia 23 de Setembro de 1990 Mestre João Pequeno passou-lhe o título de Contra-Mestre, em reconhecimento ao seu trabalho iniciado em 1989 no Teatro Miguel Santana, qual foi convidado a dar aulas para os alunos do Mestre João Grande devido sua mudança para os Estados Unidos. Batizou o Grupo com o nome “HERANÇA DE PASTINHA”, em seguida mudou para “FILHOS DE JOÃO GRANDE E JOÃO PEQUENO” , mudando o nome por definitivo para “SEMENTE DO JOGO DE ANGOLA”. Em setembro de 1990 registra o Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola.
No dia 27 de fevereiro de 1994 Mestre João Pequeno entrega-lho o Diploma de Mestre de Capoeira Angola e diz estar orgulhoso em ver o trabalho desenvolvido por seu discípulo Jorge Egídio dos Santos sendo conhecido no mundo da Capoeiragem por Mestre Jogo de Dentro.

Mestre Jogo de Dentro,Mestre Noel e Romario
Em 1996 Mestre Jogo de Dentro mudou-se para Campinas- SP para expandir e divulgar o seu trabalho com Capoeira Angola, morou durante 12 anos e deixou alunos responsáveis dando continuidade ao trabalho do Grupo. Em 2007 retorna a Salvador e retoma as atividades do Grupo no Calafate com crianças e adolescentes.
Além de realizar oficinas em eventos de outros grupos, vive hoje entre o trabalho na Sede do grupo, na Ilha de Cacha-Prego/BA, e os núcleos da Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, DF, Itália, Canadá e Israel.


Semente do Jogo de Angola é um Grupo de Capoeira Angola fundado por Jorge Eugídio dos Santos – Mestre Jogo de Dentro – no dia 9 de setembro de 1990 no Teatro Miguel Santana no bairro Pelourinho na cidade de Salvador-BA no Brasil.1
O Mestre Jogo de Dentro foi formado pelo Mestre João Pequeno de Pastinha que, por sua vez, foi formado por Mestre Pastinha, conhecido como o pai da Capoeira Angola.
O Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola é uma entidade civil sem fins lucrativos, de caracter social, cultural, beneficente assistencial, fundado por Jorge Egídio dos Santos – “Mestre Jogo de Dentro”- em 09 de Setembro de 1990, no Teatro Miguel Santana – Pelourinho – Salvador-Bahia.

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Conheça o Mestre Zé Baiano

Mestre Zé Baiano

José Joaquim de Andrade Filho, esse é o meu nome de registro, sou conhecido como “Mestre Zé Baiano”, nascido em Paripiranga no Estado da Bahia. Hoje aos sessenta e um anos leciono Capoeira Angola em minha casa aqui na cidade de Caraguatatuba, Estado de São Paulo, Brasil. Onde soma-se aproximadamente quarenta e cinco anos de prática, aprendizados e ensinamentos.

Durante essa minha trajetória a Capoeira Angola possibilitou-me formar sob os olhos de Mestre Gato Preto, seis alunos dando-lhes o merecido título de professor dos quais quatro deles estão comigo e fazem parte dessa grande escola que é a “Escola de Capoeira Angola Rei Zumbi”. Ainda no século XX, no início da década de 80 tive a opurtunidade de conhecer Mestre Gato Preto, que foi o responsável pelo meu aperfeiçoamento em ritmo de jogo, musicalidade, formação de bateria e fundamentos da Capoeira Angola. Os ensinamentos que ofereço aos meus professores e alunos são reflexos de anos de trabalho sob supervisão e orientação de Mestre Gato Preto. Sou eternamente grato ao saudoso Mestre Gato Preto.


Nossa História
Fui um garoto sofrido e de coração grande, mas também fui teimoso em amar a Capoeira! Graças a Deus, Eu sou… O que sou!!

Nossa História Última Edição em 28/03/2015

Mestre Zé Baiano contando histórias

Nossa história confunde-se com a minha vida. Nasci em Paripiranga-BA em 08/01/1947. Quando criança brincava de pernada na Capoeira. Em 1965 cheguei em São Paulo e aqui conheci Capoeira em 1972. Em 1984 conheci o saudoso Mestre Gato Preto-BA(José Gabriel Goés/ Berimbau de ouro de Santo Amaro / Nascimento 19/03/1930 – Falecimento 06/08/2002 ). Com ele aperfeiçoei os meus conhecimetos na Capoeira Angola e tudo que a envolve: Ritmo de canto, Jogo, Formação de bateria, Convivência Social e Fundamentos da Capeira Agola. Mantenho as tradições passadas por Mestre Gato que podem ser conferidas por você que acompanha nosso trabalho.Verifique nossos produtos em “Itens para a Venda”

Fonte: Site Rei Zumbi

Conheça Mestre Curió

Mestre Curió

Minha imagem é minha cabeça” – Mestre Curió

Publicado originalmente no fanzine Mandinga, em 7 de junho de 1998

Quem é o mestre Curió?

Meu nome é Jaime Martins dos Santos, uma pessoa muito sofrida e vivida no cenário da capoeira nacional.

E o apelido de Curió?

Meu avô também era capoeirista e se chamava Curió, e esse nome surgiu por causa disso, quando eu comecei na capoeira todo mundo falava, “É o mesmo jogo do avô!”. Tentaram uma época me chamar de Dois de Prata, porque eu usava muita prata, mas não pegou.

Como foi que o senhor entrou para o mundo da capoeira?

Eu comecei capoeira com seis anos, e nem gostava muito, mas eu estudava numa escola, e tinha uns amiguinhos maiores do que eu, e eles aproveitavam do meu tamanho e me batiam mesmo. E eu tenho toda minha família de capoeiras, eu senti que estava na hora de aprender, aí cheguei pro meu bisavô e disse: “Eu preciso jogar capoeira”, e ele respondeu: “Muleque, você já quer jogar capoeira, mas você não gostava!” Aí eu expliquei tudo a ele. Na primeira aula ele me espancou o que pôde, mas eu aguentei, e quando voltei para a aula, já mais esperto, os garotos quando vieram me bater esbarraram no meu pé e na minha cabeça.

Qual foi o seu contato com Pastinha ?

Minha relação foi através do finado mestre Besouro de Santo Amaro, meu bisavô, ele me disse que se eu quisesse continuar com a capoeira, tinha que procurar Mestre Pastinha, porque só ele era angoleiro de verdade e de confiança.

Qual foi o seu contato com Pastinha ?

Minha relação foi através do finado mestre Besouro de Santo Amaro, meu bisavô, ele me disse que se eu quisesse continuar com a capoeira, tinha que procurar Mestre Pastinha, porque só ele era angoleiro de verdade e de confiança.

Como era o Mestre Pastinha ?

Era uma figura incalculável, sutil, muito educado e que fazia seu trabalho com muita sinceridade e honestidade, mas era rígido, muito rígido, e foi graças a essa rigidez que ele deixou tantos alunos bons.

Como era a relação entre aluno e mestre ?

Hoje os alunos querem que o mestre corra atrás deles, mas, naquela época, os alunos é que corriam atrás do mestre, porque tinham interesse. Hoje não levam capoeira com sinceridade, senão seria outra coisa!

Qual a importância da capoeira Angola hoje em dia ?

A importância da capoeira Angola naquela época e hoje em dia, para mim, é a mesma coisa, porque eu continuo com essa fidelidade que Deus me inspirou, e me nomeou mestre por Pastinha, meu avô, meu bisavô, e que me fez encarar a capoeira de corpo e alma. E eu a faço com muita sinceridade e responsabilidade como aprendi na Escola Mestre Pastinha, e tudo aquilo que eu achei lá, é o que eu estou transmitindo para os meus verdadeiros alunos, aqueles que querem me acompanhar e que querem a verdadeira capoeira Angola.

Como você vê a evolução da capoeira ?

Eu não vejo evolução, para lhe ser sincero, eu vejo é a perdição. A capoeira é muito rica, ela não precisa de infiltrações de outras artes marciais, porque ela foi a primeira luta no Brasil, e ela já traz sua filosofia. E hoje, o que eu vejo é a descaracterização, estão tirando o brilho, a essência, o patrimônio da capoeira, botam luta-livre, judô, karatê, eu gostaria que as pessoas olhassem com mais sensibilidade. E hoje, como Presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA), eu estou brigando em busca da originalidade na capoeira, porque, meu amigo!, angoleiro, na Bahia, atualmente tem muito pouco, porque jogar no chão é uma coisa, descer é outra coisa e jogar Angola é outra coisa. Porque capoeira Angola é somada, multiplicada, dividida e subtraída.

E o futuro…

Eu não vou ficar para semente a vida toda, e a minha preocupação é com meus alunos, eu quero que eles tenham alguma coisa de mim quando eu fechar os olhos, quero fazer o mesmo que Pastinha fez, deixar alguém para levar essa capoeira mais a frente e não deixá-la morrer. Eu quero ensinar muita capoeira e ver se ganho algum também… Não posso mais fazer as coisas de graça, estou chegando numa certa idade, já passei da metade e não quero morrer à míngua, pedindo esmola aos leitos de hospitais públicos, como aconteceu recentemente com mestre Bobó, Waldemar, meu mestre, mestre Bimba também e eu estou preocupado. As pessoas só olham os mestres depois de mortos, eu digo aos meus alunos – se quiserem fazer algo por mim, façam enquanto eu estiver vivo, porque depois de morto não estarei vendo nada. Eu não quero morrer e deixar minha família passando necessidade, com meus à toa como os filhos de Bobó, que era uma pessoa que tinha alunos em tudo que é lugar do mundo, e estes, quando ele estava no hospital, nem ligaram! E aí fica difícil. Eu tenho fé em Deus, nos orixás, Cosme Damião, que eu vou obter sucesso. Minha imagem é minha cabeça, e eu não estou aqui me preocupando com o poder, com cargo, nem com força, estou preocupado com a capoeira.

Religião…

Eu vou em todas religiões, acredito em tudo e desacredito em tudo ao mesmo tempo, mas a que eu tenho mais ligação é a umbanda, porque a capoeira Angola, de certa forma, é umbanda. Eu tenho descendência de africano, de nagô, de índio, então eu estou mais para a magia negra.

Sucesso…

Quando seu sucesso atrapalha alguém eles fazem tudo para lhe derrubar. Às vezes eu digo – não me atrapalhem que eu não sou rico, apenas trabalho para sobreviver, eu não tenho inveja de ninguém, o mesu Deus seu, é o mesmo meu, quando o seu mundo termina o meu começa. Se você não puder me ajudar, não me atrapalhe!

Como o senhor vê esse grande número de academias pelo Brasil, ensinando a capoeira regional ?

Eles às vezes se ferem quando mestre Curió fala, mas eu falo porque tenho êxito, e a capoeira que fazem por aí é puramente de exibição, sem essência. Dizem que é a capoeira Regional de mestre Bimba, mas até a capoeira de Bimba deixou de ser a mesma, a capoeira dele era gostosa, cheia de artimanhas. Nessas academias o que se vê é o cara tomando bomba, fazendo halterofilismo para ficar que nem o Hulk para jogar capoeira, enquanto a capoeira não precisa nada disso, porque não se mede o homem pelo tamanho e pela estatura, e sim pela sua capacidade.

Fonte: Campo de Mandinga / Teimosia

Canjiquinha

Washington Bruno da Silva, nasceu em Salvador (BA), filho de D. Amália Maria da Conceição. Aprendeu Capoeira com Antônio Raimundo – o legendário Mestre Aberrê. Iniciou-se na Capoeira em 1935, na Baixa do Tubo, no Matatu Pequeno. “No banheiro do finado Otaviano” (um banheiro público). Filho de lavadeira, Mestre Canjiquinha foi sapateiro, entregador de marmita, mecanógrafo. Dentre outras atividades foi também jogador de futebol (goleiro) do Ypiranga Esporte Clube, além de cantor de boleros nas noites soteropolitanas.

Foi um visionário da capoeira, dizia sempre aos seus alunos” A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o mundo”. Tinha uma característica toda própria de tocar o berimbau, instrumento que segurava com a mão direita e tocava com a vaqueta na mão esquerda, mantendo o berimbau a altura do peito. Canjiquinha na sua ascensão, mesmo não tendo sido aluno do Mestre Pastinha foi Contra Mestre na academia deste. Ao sair fundou, já como Mestre, a sua própria academia. ASS. De capoeira Canjiquinha e seus amigos, fundada em 22/05/52, por onde passaram grandes capoeiras, alguns dos quais hoje renomados Mestres: Manoel Pé de Bode, Antonio Diabo, Foca, Roberto Grande, Roberto Veneno, Roberto Macaco, Burro Inchado, Cristo Seco, Garrafão, Sibe, Alberto, Paulo Dedinho (conhecido hoje como Paulo dos Anjos), Madame Geni (conhecido hoje como Geni Capoeira), Olhando Pra Lua (conhecido hoje como Lua Rasta), Brasília, Sapo, Peixinho Mine-saia, Papagaio, Satubinha, Vitos Careca, Cabeleira, Língua de Teiú, Urso, Bola de Sal, Boemia Tropical, Salta Moita, Melhoral, Lucidío, Bico de Bule, Bando, Dodô, Salomé, Mercedes, Palio, Cigana, Urubu de Botina, entre outros. Canjiquinha na sua academia jamais formou alunos, seguia a seguinte graduação: Aluno, Profissional, Contra Mestre, Mestre.

Participou também dos filmes “O Pagador de Promessas”, “Operação Tumulto”, “Capitães de areia”, “Barra Vento”, “Senhor dos Navegantes” e “A moça Daquela Hora”. Além de fotonovelas com Sílvio César e Leni Lyra. Fundou o Conjunto Folclórico Aberrê.

Canjiquinha foi o criador da festa de Arromba, jogava nas festas do Largo da Bahia. Nessas comemorações vários capoeiristas se reuniam e jogavam em troca de dinheiro e bebidas.

Outra Fonte:

Washington Bruno da Silva, Mestre Canjiquinha nasceu em 25 / 11 / 1925 e viveu até 08 / 11 / 1994, filho de José Bruno da Silva um grande alfaiate e de Amália Maria da Conceição uma lavadeira.

Nascido no Maciel de baixo n°06 (em cima do armazém de Nicanor) localizado nas imediações do Pelourinho. Seu apelido foi dado por amigo devido a um samba de Roberto Martins o qual era a única coisa que sabia cantar, Canjiquinha Quente era o nome da música.

Seu primeiro contato com a capoeira foi num local conhecido como banheiro de seu Otaviano na frente de uma quitanda no Matatu Pequeno, Brotas na Baixa do Tubo. Num dia de domingo em 1935 um cidadão chamado Antonio Raimundo (Mestre Aberre) convidou Canjiquinha a participar da brincadeira que ali rolava, e a partir da agilidade demonstrada por Canjiquinha mestre Aberre decidiu-o treinar. Passou 8 anos aprendendo, quando seu mestre disse: – Meu filho você corre este lugar aí, o que você ver de bom você pega e de ruim você deixa pra lá.

Neste lugar encontrei homens como: Onça Preta, Rosendo, Chico Três Pedaços, Zé de Brotas, Silva Boi, Dudu, Maré e outros.

Neste meio tempo foi sapateiro, carregador de marmita, tirava carga na feira com jegue, foi goleiro do Ypiranga esporte clube, mecanógrafo, e também apresentador de shows folclóricos.

Na opinião de Mestre Canjiquinha a capoeira não existe divisão entre angola e regional, ele dizia que ele era capoeira e obedecia ao toque, se tocar maneiro jogo amarrado, se tocar apressado você apressa.

Mestre Canjiquinha dono de um repertório inesgotável de músicas e improvisos, tendo uma grande facilidade de comunicação com o publico, acho que devido a essas foi convidado a participar de alguns filmes como: O Pagador de Promessas, Operação Tumulto, Capitães de Areia entre outros, alem de algumas fotonovelas com Silvio César e Leni Lyra. Teve como alunos alguns até renomados a mestre: Antonio Diabo, Burro Inchado, Madame Geni, Victor Careca, Robertão, Manoel Pé de Bode, Paulo dos Anjos, Brasília, Lua Rasta, Cristo Seco entre outros mais………….

“ Capoeira que é bom não cai
Mas quando cai, cai bem ”

Conheça o Mestre Meinha

Meinha

Messias do Santos, mais conhecido no mundo da capoeira como Mestre Meinha iniciou na capoeira no ano de 1966, com Mestre Avilmar, na academia de capoeira mocambos de zumbi,em São Paulo, formando-se a professor em fevereiro de 1972 e mestre.

Na década de 1979 à 1980 conheceu Jose Gabriel Goes (Mestre Gato Preto da Bahia) academia Berimbau de Ouro da Bahia, passando a ter treinamentos na capoeira angola.

Foi reconhecido a mestre capoeira angola no ano de 1999, pelo mestre Gato Preto em memória (in memorian), se considerando filho de mestre Leopoldina com quem convivi durante trinta anos, ate seu dia de óbito.

Mestre Meinha, é o mestre-presidente da Escola de Capoeira Angola Cruzeiro do Sul, onde realiza trabalhos com capoeira não Taboão da Serra.

Veja a Programação do Abril para Angola 2015 – Participe

Programação

O Evento será realizado em 4 dias, nas seguintes datas  23,24, 25 e 26 de Abril de 2015. A programação do evento conta com  inúmeras oficinas de Capoeira Angola ministradas pelos os mestres convidado, Samba de Roda, Lual, Fogueira, Rodas de Capoeira Angola, Jongo e Papoeira com os Mestres.

Veja abaixo a lista de mestres e oficinas que serão ministradas:

 

Dias e Horários

23/04/2015 – QUINTA – FEIRA

Local : à definir
15h:00min | Recepção de Boas Vindas e credenciamento dos inscritos
19h:00min | Abertura do Evento Apresentações: Danças Folclóricas
21h:00min | Homenagens – Mestres da Velha Guarda da Capoeira

  • Mestre Natanael – São Paulo
  • Mestre Kenura – São Paulo

21h:30min | Roda de Capoeira Angola com Mestres e Convidados
22h:30min | Roda de Samba

24/04/2015 – SEXTA – FEIRA

08h00min | Café da manhã e Boas Vindas
09h00min | Oficina de dança afro ( CM. Fábio
10h00min | Oficina Capoeira Angola

  • Turma A – Mestre Robinho
  • Turma B – Contra-mestra Gegê

11h30min | Roda de Capoeira
12h30min | Almoço
13h00min | Lazer
14h30min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turma B – Mestre Robinho
  • Turma A – Contra-mestra Gegê

16h00min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turmas A/B – Mestre Roberval

18h00min | Vivência de Capoeira – Mestre Bigo
20h00min | Jantar
21h00min |Fogueira ao ancestrais com contação de historias
22h00min | Tambor de Crioula- Mestre Amaral / Mestre Bamba

25/04/2015 – SÁBADO

08h00min | Café da Manhã
09h00min | Atividades Ludicas para vivenciar a capoeira – Contra-Mestre Cika
10h00min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turma A – Mestre Marrom
  • Turma B – Contra-mestra Tatiane

11h30min | Roda de Capoeira
13h00min | Almoço
14h00min | Lazer
15h00min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turma A – Contra-mestra Tatiane
  • Turma B – Mestre Marrom

16h30min | Oficina de Capoeira Angola

  • Turmas A/B – Mestre Cavaco

18h00min | Vivência de Capoeira – (Mestre Boca Rica* )
20h00min | Jantar
21h00min | Noitada – Jongo – Mestre Marisco
22h30min | Samba de Roda –  Mestre Limaozinho
00h30min | Banda de reggea

26/04/2015 – DOMINGO

09h00min | Café da Manhã
10h00min | Bingo da Saudade
11h30min | Lazer e despedidas das Turmas A e B

Conheça Mestre Suassuna

Mestre Suassuna

Mestre Suassuna, Reinaldo Ramos Suassuna, é nascido em Ilhéus e criado em Itabuna.

Começou a praticar Capoeira em meados dos Anos 50 devido à orientação médica para praticar esportes e tratar assim de um problema de deficiência nas pernas. Teve seu início capoeirístico em Itabuna, tendo como seu 1º Mestre, o Mestre Maneca, aluno de Mestre Bimba e Zoião.

Naquela época, frequentava as rodas de rua, onde estavam presentes grandes capoeiristas da região, como os Mestres Sururú, Bigode de Arame e Maneca Brandão.>
Em 1972, Mestre Bimba visitou Mestre Suassuna em São Paulo, reconhecendo o seu trabalho e conferindo a ele um Certificado. Um dos mais importantes Mestres que a Capoeira já conheceu.

… tem uma coisa que a gente está começando a esquecer, que na Capoeira existem pessoas. Gente que é pra ser amigo da gente….(Mestre Suassuna)

Líder inconteste da capoeiragem em São Paulo e na região de Itabuna, de onde veio. Realizou o que para muitos era um sonho e uma meta, principalmente para Mestre Bimba e seus discípulos: instalar definitiva e solidamente a Capoeira no coração de São Paulo, a maior metrópole do país. Foi por eles reconhecido, nas palavras de Mestre Decânio, como “o apóstolo de Mestre Bimba em São Paulo”, liderando o grupo de pioneiros que aqui se encontravam. Daqui, a capoeira ganhou o mundo, e consolidou sua internacionalização.Fundador, em 1967, do Grupo de Capoeira Cordão de Ouro, um dos mais expressivos grupos da Capoeira brasileira e mundial, Mestre Suassuna é o principal responsável pela preservação do que há de melhor na movimentação e na arte da Capoeira.

Continua até hoje formando os seus “bambas” e orientando a todos que o procuram. Entre os muitos capoeiristas que Mestre Suassuna conheceu, dois foram de extrema importância para o desenvolvimento de seu trabalho, João Batestaca, ou Mestre João Grande, discípulo de Mestre Pastinha e Mestre Canjiquinha. Mestre João Grande influenciou o famoso Miudinho que é uma angola sarada que joga em cima, joga embaixo e joga dentro. Mestre Canjiquinha, artista que também era, influenciou toda a carreira artística de Mestre Suassuna.

 

Mestre Suassuna reinventou as seqüências da Capoeira e tem um vasto trabalho artístico e musical. Tão importante no nosso tempo quanto foram Mestre Bimba e Mestre Pastinha no século XX, Mestre Suassuna é ícone na Capoeira e tem reconhecimento internacional com discípulos atuando em vários países do mundo. Está no hall dos grandes nomes que trabalham em prol da capoeira e dos capoeiristas.

Fonte: Site Cordão de Ouro Mangalot

Reinaldo Ramos Suassuna, ou Mestre Suassuna, (Itabuna, 3 de julho de 1938) é um dos mais importantes mestres de capoeira no Brasil.1

Fundou em 1967, o Grupo de Capoeira Cordão de Ouro em São Paulo, e é considerado um dos maiores difusores da capoeira internacionalmente. Ele formou Mestre Caveirinha, Mestre Zambi ( Risadinha) entre outros.

Mestre
Decânio
Mestre
Suassuna
Mestre
Brasília
Mestre
Itapoan
Mestre
Esdras Damião
Mestre
Leopoldina
artur emidio
Mestre
Artur Emidio
Mestre
Deputado
Mestre
Gato (RJ)
Mestre
Dal
Mestre
Acordeon
Mestre
Zé Carlos “Tinta Forte”
Mestre
Zé Antônio
Mestre
João Grande
Mestre
João Pequeno
Mestre
Lua
Mestre
Gato Preto
Mestre
Gildo Alfinete
Mestre
Bola Sete
Mestre
Boneco
Mestre
Burguês
Mestre
Camisa
Mestra
Cigana
Mestre
Toni Vargas
boa gente
Mestre
Boa Gente
Mestre
Mestre
Peixinho
Mestre
Geni
Mestre
Gigante
Mestre
Ramos
Mestre
Barrão
Mestre
Nestor Capoeira
Mestre
Jelon
Mestre
Paulinho Sabiá
Mestre
Ousado
Mestre
Pelé
Mestre
Mão Branca
Mestre
Boca Rica
Mestre
Nacional
Mestre
Neco
Mestre Moa do
Catendê
Mestre
Gladson

miguel machado

Não há um capoeirista em São Paulo ou em outros estados brasileiros,( dos mais antigos) que não tenha de alguma forma treinado com o Mestre ou com algum dos seus discípulos,  espalhado por todo mundo em lugares como, Jamaica, Bélgica e muitos outros países, e no Brasil em São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e em grandes Cidades brasileiras como Ribeirão Preto e muitas outras o Grupo Cativeiro do mestre Miguel Machado vem escrevendo sua história há dezenas de anos. Presente pelo menos em 14 Países e em mais de 10 estados brasileiros.

Historia

O Grupo Cativeiro Capoeira rusulta da união de seis Mestres de Capoeira: Miguel, Caoi, Belisco, Ely, Rodolfo e Sidney, responsáveis pelo melhor nível técnico da capoeira treinada nas academias, festas e praças no Estado de São Paulo e no Brasil. Porém, por broblemas particulares de cada um, pararam com a prática da capoeiragem, ficando só Mestre Miguel.

A Capoeira, na década de 1970, durante o governo do Presidente Médice, e oficializada como Esporte Nacional. Em todo o país são organizados seminários e simpósios para se estabelecer critérios, regras e conceitos para se criar federações e campeonatos estaduais e nacionais.

Mestre Miguel participou do primeiro Campeonato Paulista em 1975, quando se sagra Campeão Paulista na categoria de Peso Médio para, em seguida, representando o Estado de São Paulo, ser o único Campeão Brasileiro, na categoria Peso Médio. Na década de 80 , sagra-se Campeão Universitário Paulista pela UMC – Universidade de Mogi das Cruzes.

Mestre Miguel preocupava-se com a conotação que a entidade governamental federal, oficial, dava e pretendia enquadrar os capoeiras e capoeiristas. Como pretensão maior, queria desenvolver nos capoeiristas um falso nacionalismo, como, por exemplo:

– graduação de capoeiristas baseada nas cores da Bandeira Brasileira;

– critérios e conceitos militares; por exemplo: antes de começar as aulas de capoeira nas academias, ou nas rodas realizadas em ruas e praças, todos os alunos se perfilam em posição de “sentido”, em saudação á Bandeira Nacional, gritando “Salve!” (como acontecia nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul);

– Saudação ao Mestre para começar a roda: Em Curitba (Paraná), o aluno negro tinha que beijar a mão do “Mestre”, em sinal de respeito.

Infelizmente, hoje em dia, no limiar do Ano 2000, final do Século XX, o oportunismo e escravismo continuam neste país, de Norte a Sul, de Leste a Oeste: falsos mestres, falsos angoleiros, falsos professores, intelectuais, homossexuais, falsos educadores, falsos administradores de capoeira, fazem qualquer negócio com a cultura negra para se realizarem e se dar bem na vida. Mas nós, do Grupo Cativeiro Capoeira, nascemos e viemos para combater essas perversões onde quer que elas se manifestem: a demais, centros de capoeira, ruas, praças, festas de largo, etc.

O Grupo Cativeiro Capoeira segue nesta lute desde a década de 1970, tendo, como objetivo principal: integrar e socializar, respeitando características históricas, sociais, econômicas e culturais de cada um para negro, branco, pobre, rico, homem, menino e mulher, se lembre que NÃO DEVE SER CATIVO DE NIGUÉM.

Grupo Cativeiro em Ribeirão Preto

O mestre Miguel veio a Ribeirão Preto para divulgar o Cativeiro e deixou três mestres para treinar os interessados. “O mestre Garcia era um desses instrutores e acabou trazendo o projeto para Franca. Ele morava em Ribeirão e vinha aos fins de semana para cá. Com o passar do tempo, ele transferiu as responsabilidades para um professor chamado Mateus.

Dos formandos do Mateus, saiu um mestre francano, o Cavalo, que hoje reside e atua no México. Foi esse mestre quem formou os contramestres que hoje tocam o projeto em Franca: Adriano Isaias de Andrade, Alexandre Isaias de Andrade e eu”, disse Evaldo.

Aulas

O Cativeiro oferece aulas pagas em sua sede e gratuitas em centros comunitários e escolas. A sede do grupo fica na avenida Brasil, 494, na Vila Aparecida. Os telefones para contato são 9 9140-6755 ou 9 9197-7655. Todos os sábados, a partir do meio dia, o grupo faz uma roda livre de capoeira na Praça Barão, no Centro, para mostrar à comunidade um pouco mais sobre essa arte.

Conheça Mestre Zumbi

Zumbi

José dos Santos Pinto, mais conhecido como “Mestre Zumbi” exerce seus trabalhos na Associação de Capoeira Santamarense. Formado pelo Mestre Zumbi, abriu sua academia em Santo Amaro e depois na Cupecê na Cidade Ademar, formou diversos professores e mestres, sito alguns deles…. Mestre Sarará, Mestre Tarzan(finado), Mestre Toninho, Mestre Mussum, Mestre Carioquinha (Hoje no Chile)… e muitos outros – Frequentador assíduo das rodas da República e com um coração de bondade indescritível.

A Foto é para dar uma noção do tamanho da encrenca que o outro capoeira enfrentaria, dono de um jogo envolvente brincalhão e técnico, o mestre Zumbi se divertia muito enquanto aplicava martelos, rasteiras, cabeçadas e tesouras nos seus oponentes…. ainda me lembro que o Mestre Juntava os mais graduados para fazer treinos de emboscada na Santamarense. As demais memórias e histórias deixo para contar pessoalmente, temos muitas outras.

A Vida de Mestre Zumbi

Inicio
Nascido em 26 de Outubro de 1949 na cidade de Muritiba – BA , Jose dos Santos Pinto, filho de Domitilia de Araujo Pinto e Antonio Manoel dos Santos , conhecido no mundo da capoeira como Mestre Zumbi ( apelido recebido de Mestre Gilvan por ser um Negro forte , destemido e Guerreiro nas rodas de capoeira) , iniciou sua caminhada na capoeira em 1961 com Mestre Roxinho onde praticou a arte até o ano de 1968 e neste período teve tbem uma passagem por Salvador

Chegada a São Paulo
Veio para São Paulo em 1968 para trabalhar em obras e em uma delas conheceu Mestre Natanael que lhe fez o convite para treinar onde o apresentou para o Mestre Silvestre (Formado por Mestre Caiçara )no ano de 1970) permaneceu até 1973 treinando na Associação de Capoeira Vera Cruz no bairro da Vila Mariana

Associação de Capoeira Santamarense
Em 1973 Mestre Zumbi fundou a Associação de Capoeira Santamarense devido o Bairro de Santo Amaro ser seu reduto onde sempre viveu e onde foi fortalecido seu nome (Zumbi de Santo Amaro), nas décadas de 70 e 80 aproximadamente Mestre Zumbi fez parte do Grupo de Shows da equipe Cordão de ouro (presidida por Mestre Suassuna ) onde em suas apresentações e treinamentos aperfeiçoou sua agilidade, destreza e domínio do corpo, esta equipe realizava apresentações por todo Brasil, nesta época a sua rotina de treino já ocupava uma média de 8 a 12 horas diárias
Mestre Zumbi sempre foi ousado, pois além das apresentações com o Grupo de Shows viajava o Brasil todo frequentando as várias rodas de rua de Capoeira, além de fazer shows de rua onde pulava arcos de faca e vendia ervas e pomadas medicinais

Capoeira de resistência

Capoeira já era sua forma de ganhar dinheiro para sobreviver , nas décadas de 80 e 90 foi o auge da sua capoeiragem, pois frequentava a temida roda de rua da Praça da República fundada em 1953 por Mestre Ananias, esta roda ficou muito famosa pois é o celeiro dos melhores e habilidosos capoeiras da época, neste período também como várias outras manifestações negras a capoeira era perseguida e vários de seus praticantes foram presos sem justificativas e sim apenas por praticar a arte nas praças e ruas .

A Rasteira da vida, a força e retorno do guerreiro

Foi acometido em 2000 a um Avc que o quase tirou de suas atividades, mesmo ficando 2 anos sem andar e sem falar não desistiu da Capoeira por amor e respeito a arte, isto o fez ter forças para resistir e buscar a sua recuperação e até hoje continua na luta, voltando com mais força reinaugurou a sua academia na Av. Cupecê
E com esta força de vontade hoje Mestre Zumbi esta de volta as rodas cantando e Jogando
Comemorando seus 50 anos de Capoeira como sempre viveu, com força, energia, vitalidade e muita disposição

Fonte : Biografia ( Chocolate)
Mestre Zumbi em todo seu período de capoeira fez alguns discípulos e formados

O Projeto Capoeira na Praça visa valorizar a tradição e os fundamentos da Capoeira a partir do conhecimento e a vivência da figura do Mestre resgatando as rodas nas ruas campos e praças , expandindo em outros espaços e regiões . Pretendendo assim , reconhecer e itensificar o trabalhjo já realizado pelo Mestre Zumbi , fortalecendo a roda na praça do Jardim Miriam e expandindo para no mínimo mais 05 praças e campos ( campinhos de futebol da comunidade) região.

Santamarense no Chile

Nuestro grupo esta formado por aproximadamente 25 miembros activos los cuales somos instruidos en el arte de la capoeira por nuestro instructor “Gamela”; quien es dicipulo de mestre “Carioquinha”; quien a su vez es dicipulo del gran mestre “Zumbi”

En 1989 llego a Chile el Mestre de capoeira Celio Goçalves Dos Reis más, conocido como Mestre;”Carioquinha”; formado por el Mestre José Dos Santos Pinto, más conocido en el mundo de la Capoeira como gran Mestre “Zumbí”. Cuando Mestre Carioquinha llego a Chile no comenzó a enseñar Capoeira. Su trabajo era de chofer de camiones.
En 1995 nuestro Mestre participo en un programa de televisión en el cual lamentablemente sufrió un accidente, el cual lo dejo invalido, perdiendo el 70% de movilidad en su cuerpo; sin importarle su condición comenzó a dar clases de Capoeira en Santiago de Chile en la comuna de Maipú.
En 1999 fue a dar diferentes exhibiciones de Capoeira en la V región, más específicamente en la comuna de Cartagena; fue ahí donde conoció a Pablo Salazar Del Rió quien ya desempeñaba su labor como capoerista en la zona.
Pablo Salazar al no pertenecer a ningún grupo y no tener Mestre; decidió comenzar a practicar con Mestre Carioquinha.
En el año 2003 Pablo Salazar viaja a Brasil, específicamente a la ciudad de Sâo Paulo, en donde se encuentra la Asociación de Capoeira Santamarense, la cual es dirigida por nuestro gran Mestre “Zumbí”. Pablo ahí practico para conocer más sobre fundamentos de la Capoeira.
El 27 de Julio del 2003 Pablo Salazar Del Rió recibió su formatura de manos de Mestre “Zumbí”; y con la autorización de Mestre “Carioquinha”; Pablo Salazar, más conocido en la Capoeira como Instructor “Gamela”; se desempeña en su trabajo en la V región (en San Antonio Y Cartagena) enseñando lo que es la Capoeira.La Asociación de Capoeira Santamarense se encuentra en estos momentos con un numero aproximado de 300 miembros activos a lo largo de todo Chile.

Las clases se imparten en diferentes partes de Chile y son tres las personas que están a cargo: en Santiago, a la cabeza del grupo nuestro Mestre “Carioquinha”, imparte clases en la comuna de Maipú.

En Melipilla y Lo Ovalledor las clases son impartidas por el estagiario “Julio … .

En San Antonio y Cartagena las clases son impartidas por el instructor “Gamela”.

En el verano del 2004, fuimos visitados pro el Profesor “Pinta negra”, quien también es formado por Mestre “Zumbí” mientras estaba con nosotros “Pinta negra”; impartió diversas clases y seminarios en nuestra zona.

Silvestre

Silvestre Vitório Ferreira, na Bahia chamado Ferreirinha, aqui conhecido por Silvestre, foi aluno de Mestre Pastinha, treinou algumas aulas com Mestre Bimba e foi formado de mestre Caiçara. Em 1966 trouxe sua capoeira para São Paulo.

Mestre Silvestre foi o fundador do Grupo de Capoeira Vera Cruz e ensinou por muitos anos na Praça da Árvore em São Paulo. Este local aonde funcionou por muitos anos a academia Vera Cruz, era um cinema, e haviam pelo menos 3 rodas de capoeira na academia, o Mestre Formou muitos Capoeiras, como Mestre Zumbi,Pigmeu, entre outros.

Fonte: Romário

Tenho muitas histórias legais dessa época, mas prefiro contar pessoalmente….

Além disso na Academia também podíamos encontrar o Mestre Carlos ( Irmão do Mestre Silvestre ) o Mestre Bira do Reggae seu Filho e muitos visitantes para participar das rodas e batizados sempre lotados.

Pessoalmente tinha uma amizade muito boa com o Mestre, que Deus o tenha ao seu lado nas rodas lá no Céu.

Em 1972 fundou a Federação Paulista de capoeira juntamente com outros Mestres.

Nascido em 29 de julho de 1946 e faleceu em 21 de setembro de 2003

Mestre Virgilio

Mestre Virgílio de Ilhéus (BA) José Virgílio dos Santos, mais conhecido como Mestre Virgílio, 83 (em 2017) anos, é o mais antigo representante da velha guarda da Capoeira Angola de Ilhéus. Iniciado na capoeiragem aos 09 anos de idade, em meados de 1943, aprendeu o jogo com velhos angoleiros como os mestres Chico da Onça, Claudemiro, João Valença e Barreto. Na década de 50 foi formado Contra-Mestre por Mestre João Grande, que morou alguns anos na região de Ilhéus, sendo conhecido como João Bate-Estaca. Atualmente coordena a Associação de Capoeira Angola Mucumbo e desenvolve um trabalho de Capoeira Angola no Terreiro Matamba Tombenci Neto no bairro da Conquista e na comunidade de Olivença em Ilhéus, ( mãe Ilza) todos sem fins lucrativos. O mestre tem viajado pelo Brasil divulgando a Capoeira e lançou um cd recentemente com 20 composições, com fomento do projeto Capoeira Viva.

Fonte Cedefes

O Mestre Virgílio,  ( Conhecido como Mestre Virgílio de Ilhéus) com mais de  73 anos de dedicação à Capoeira Angola. Suas aulas estão sendo ministradas no Teatro Municipal de Ilhéus e na Casa do Artistas, dando seguimento com o seu trabalho de fortalecimento do Grupo de Capoeira Angola Mucumbo. Antigo morador de favela tira do cotidiano excelentes letras acompanhadas com a percussão típica da Capoeira Angola.

Conheça Mestre Eziquiel

Mestre Eziquiel

Mestre Eziquiel – Grupo Luanda

Iniciou-se na Capoeira ainda menino, aprendendo-a de oitiva, coisa comum aos meninos de Salvador. Somente na década de 1960, levado por Sacy aluno de Mestre Bimba, chegou ao Centro de Cultura Física Regional-CCFR, de onde não saiu mais, formando-se lenço azul do Mestre Bimba e um dos seus mais fiéis discípulos, informação dada pelo Prof. Romario Itacare do Grupo Luanda.

Foi por muito tempo da Polícia Militar Baiana, onde iniciou sua carreira de Mestre de Capoeira ensinando no quartel dos dendenzeiros. Mais tarde, com a partida de Mestre Bimba para Goiânia (1972), assumiu, juntamente com Mestre Vermelho 27, a responsabilidade pela academia do antigo Mestre no Terreiro de Jesus em Salvador. Por fim, acabou por fundar seu próprio grupo, junto do Mestre Franklin, o Grupo Luanda, com sede no Bairro do Resgate (Cabula), próximo a sua casa. O grupo tinha a intenção de realizar shows e divulgar a cultura baiana, e com ela o Maculelê, a Puxada de Rede, e principalmente, a Capoeira.

Um dos maiores divulgadores da Capoeira pelo Brasil e pelo mundo, fez parte dos Grupos Folclóricos Olodum e Grupos Folclóricos Olodumaré, participando inclusive do Festival Internacional de Folclore, em Salta na Argentina. Com esses grupos obteve o primeiro lugar em dois anos consecutivos. Mais tarde, em Quito, Equador, sagrou-se também “Campeão de Folclore”, recebendo o “Huminaua de Oro”, e Campeão Brasileiro de Ginga.

Como discípulo de Mestre Bimba é, juntamente com Mestre Itapoan, um dos maiores responsáveis pela disceminação da filosofia e dos conhecimentos de seu Mestre e da Capoeira Regional pelo mundo da Capoeira. Mestre Itapoan comandando a parte teórica e histórica da Regional, e o saudoso Mestre Eziquiel preparando os esquetes dos jogos de Iuna, Benguela e São Bento Grande, como também, das sequências e balões ensinados no CCFR.

A figura humilde, alegre e amiga de Mestre Eziquiel sempre foi uma porta aberta para qualquer pessoa interessada em aprender um pouco mais. No passado, a voz marcante, com um estilo único de interpretar, fez dele um dos maiores cantadores e compositores da Capoeira, enquanto, no presente, a saudade e o vazio deixados por sua partida o tornam uma das maiores presenças em nosso meio.

Ratinho

Associação de Capoeira Angola Rabo de Arraia (ACCARA). Um dos mestres mais antigos e referência da capoeira angola gaúcha, Mestre Ratinho narra a sua trajetória na capoeira desde os anos 1970, revelando a sua contribuição para a consolidação desta arte em Porto Alegre. Fala sobre a sua atuação junto ao grupo Rabo de Arraia e discorre sobre a complementaridade entre os saberes popular e acadêmico a partir de sua experiência como professor de Educação Física no ensino superior. Vídeo realizado em 17 de maio de 2014, na Praça Otávio Rocha.

Conheça o Mestre Cobra Mansa

Cobra Mansa

Cinézio Feliciano Peçanha é natural do Rio de Janeiro. Nascido em 19/05/1960. Começou na capoeira em 1973 junto com Mestre Josias da Silva e Raimundo no Rio de Janeiro, mais precisamente em Duque de Caxias. Jogou capoeira em rodas de Duque Caxias com os mestres Russo e Peixinho de Caxias. Em 1974 Cobra Mansa começou estudos em capoeira com o Mestre Moraes sempre na modalidade Angola. Antes de dedicar sua vida à Capoeira de Angola, Cobra Mansa trabalhou como fotógrafo e como vendedor de rua. Em 1979 foi para Belo Horizonte, onde trabalhou como policial por 2 anos. Em 1981 passou a residir em Salvador, em 1992 juntamente com Mestre Moraes funda o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP), onde por um período, também teve a oportunidade de treinar com Mestre João Grande (Discípulo de Mestre Pastinha).Mestre Cobrinha mudou-se para os Estados Unidos, onde abriu uma escola em Washington DC, em 1994. Posteriormente começou a atuar como professor adjunto na George Washington University.

Em 1996, Cobra Mansa deixa o GCAP e funda a International Capoeira Angola Foundation (ICAF) em Washington e, junto aos Mestres Jurandir e Valmir, expande a ICAF e cria uma comunidade com escolas filiadas em várias partes do mundo, a Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA).

Em 2004 ele deixou os EUA e voltou a residir em Salvador, no Brasil, criando o Kilombo Tenonde, organização que atualmente situa-se na cidade de Valença, região sul da Bahia. O Kilombo Tenonde atua no ensino e divulgação da Capoeira e no desenvolvimento de projetos de agricultura orgânica.

O Mestre Cobra Mansa participou de vários documentários como Capoeiragem na Bahia, No Rastro da Cobra, Mandinga em Manhattan, Mandinga em Colômbia entre outros. Recentemente ele completou uma jornada pela região centro-oeste da África, em busca das raízes da Capoeira naquele continente. Esteve por 06 anos viajando para Angola e Moçambique pesquisando sobre o “N’golo” e outras tradições culturais locais que tenham contribuído de alguma forma, no passado, para o desenvolvimento da Capoeira. Foi condecorado embaixador cultural pela embaixada do Brasil em Chicago , co-diretor nos documentários Mandinga em Manhattan, Mandinga em Colômbia e Jogo de corpo, ganhou em 2º lugar o concurso de jardinagem na Rússia .

Realizou e ministrou palestras em diversos lugares do Brasil e do Mundo suas pesquisas sobre o arco musical e as danças e lutas e jogos de combate em Moçambique, África do Sul, Namíbia e Angola .

Tem ministrado palestras sobre Permacultura e Capoeira Angola em países como Rússia, Trinidad e Tobago,Costa Rica, entre outros. Atualmente promove o Permangola, um evento que envolve a permacultura e capoeira.

E como a busca por conhecimento não pode parar, o Mestre está atualmente fazendo Doutorado em Educação na área de Difusão do Conhecimento.

Fonte: Informações obtidas diretamente com o Mestre Cobra Mansa.

Mestre Zelão

José Carlos dias Chaves, conhecido na capoeira como Mestre Zelão nasceu em São Luiz do Maranhão no dia 27 de Abril de 1967,iniciou a capoeira no inicio da década de oitenta em São Luis do Maranhão, com os mestres Baiano e Bira no Grupo Marabaiana,

Veio para São Paulo no final de 1986,se integrou no Grupo Cativeiro no final da década de oitenta, tendo de inicio o Mestre Miguel( Miguel Machado ou Miguel Preto para alguns) e consecutivamente os mestres Biné e o mestre Cavaco, Mestre Zelão saiu do grupo Cativeiro nos inicio dos anos noventa. Com o Mestre Cavaco  se formou professor de capoeira no inicio de 1990, fundou junto com os professores Djavan, Martinho, Pernambuco, Gaucho e o mestre Cavaco o Grupo Negaça capoeira angola no ano de 1995.

 

No Grupo Negaça foi intitulado pelo mestre Cavaco a contra mestre em 2005. Permaneceu no grupo até 2009, quando fundou o grupo capoeira angola Mutungo,onde até os dias atuais dirije um trabalho de capoeira angola em São Paulo

Mestre Bimba

A Vida
Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado) filho de Luiz Cândido Machado e Maria
Martinha do Bonfim, nasceu no bairro de Engenho Velho, freguesia de brotas, Salvador
Bahia em 23 de novembro de 1900. Recebeu esse apelido devido a uma aposta que sua
mãe fez com a parteira que o ” aparou ” . Ao contrário do que a Mãe achava, a parteira
disse que iria nascer um menino, se fosse receberia o apelido de “Bimba” pôr se tratar, na Bahia, de um nome popular do órgão sexual masculino.
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A Prática
Começou a praticar capoeira aos 12 anos de idade na estrada das Boiadas, hoje o Bairro
Negro da Liberdade, com o africano Bentinho, capitão da navegação Baiana. Foi estivador durante 14 anos e começou a ensinar capoeira aos 18 anos de idade no Bairro onde nasceu no “Clube União em Apuros”. Até 1918 não existia academias como hoje e treinava-se nas esquinas, nas portas dos armazéns e até no meio do mato.
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O Surgimento da Regional
Consideramos ineficaz e muito folclorizada a capoeira da época, devido ao fato de os
movimentos eram extremamente disfarçados, mestre Bimba resolveu desenvolver um estilo de capoeira mais eficiente, inspirando-se no antigo “Batuque” (luta na qual seu pai era um grande lutador, considerado até um campeão) e acrescentando a sua própria criatividade, introduziu movimentos que ele julgava necessário para que a capoeira fosse mais eficaz. Então em 1928, mestre Bimba criou o que ele denominou “Capoeira Regional Baiana” por ser esta praticada única e exclusivamente em Salvador.


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O Reconhecimento da Capoeira no Brasil
A partir da década de 30, com a implantação do Estado Novo, o Brasil atravessou uma fase de grandes transformações políticas e culturais, onde os ideais nacionalistas e de modernização Ficaram em evidência. Nesse contexto, surge a oportunidade de Mestre Bimba fazer com que o novo estilo de capoeira alcançasse as classes sociais mais privilegiadas. Em 1936 fez a 1º apresentação do trabalho e no ano seguinte foi convidado pelo governador da Bahia,o General Juracy Magalhães, para fazer uma apresentação do palácio do governador onde estavam presentes autoridades e convidados, inclusive o presidente da época que gostou
muito da apresentação. Dessa forma a capoeira é reconhecida como”Esporte Nacional” Mestre Bimba foi reconhecido pela Sec. Ed. Ass. Pública ao estado da Bahia como Professor de Educação física e sua academia foi a 1ª no Brasil reconhecida por Lei.
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A diferença
O que faz com que Mestre Bimba se destacasse do demais capoeiristas de sua época, é que ele foi o 1º a desenvolver um sistema de ensino e a ensinar em recinto fechado. Além desse sistema , ele elaborou técnicas de defesa Pessoal até mesmo contra armas . Mestre Bimba preocupava-se demais com a imagem da Capoeira, não permitindo treinar em sua academia aqueles que não trabalhavam nem estudavam.
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A Morte
Em 1973, Mestre Bimba, por motivos financeiros, deixou a Bahia, sob acusação de que os “Poderes Públicos” Jamais haviam o ajudado. Faleceu em Fevereiro de
1974 em Goiânia, vítima de um derrame cerebral.

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Antigo Método de Treinamento de Bimba
Mestre Bimba desenvolveu o 1º método de ensino que vemos a seguir como ele funcionava:
• Exame de admissão
Dizia-se que em outros tempos, Mestre Bimba aplicava uma “Gravata” no pescoço do
indivíduo que quisesse treinar e dizia “Agüenta ai sem chiar”, Se agüentasse o tempo que ele mesmo determinava estaria matriculado. Mestre Bimba justificava esse critério dizendo que só queria macho em sua academia. Mais tarde mudou os critérios, Submetendo o Candidato a fazer alguns movimentos para que ele pudesse avaliar se o pretendente tinha condição ou não para praticar a capoeira regional. A próxima fase seria aprender a “Seqüência de Ensino”.
• O Aprendizado
O aluno nesse fase aprendia o que se chamava “Seqüência de Ensino” que eram as oito
seqüências de movimentos de ataque, esquivas e contra ataque destinadas somente aos
iniciantes, simulando as situações mais comuns que o aluno enfrentaria durante o jogo de capoeira.
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Observação:
Esse foi o 1º método de ensino criado para ensinas alguém a jogar capoeira e o calouro
treinava essas seqüências em duplas sem o acompanhamento dos instrumentos. Quando
estas estivessem bem decoradas o Mestre dizia: “Amanha você vai entrar no aço, no aço
do Berimbau”.
Era comum naquele tempo dizerem que o capoeirista quando agarrado, não tinha como
reagir. Então mestre Bimba, com sua criatividade ensinava seus alunos quais eram as
melhores saídas.Todos esses ensinamentos faziam com que o método de mestre Bimba
fosse incomparável e esse treinamento durava cerca de 3 meses só então é que o aluno
seria batizado.
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O Batizado
O batizado era quando o aluno jogava pela 1ª vez na roda com o acompanhamento dos
instrumentos que era formado por 1 berimbau e 2 pandeiros. O mestre escolhia o formado que jogaria com o calouro e então tocava o toque que caracteriza a capoeira regional, para isso o calouro era colocado no centro da roda para que o formado ou o próprio mestre desse um apelido a ele. Escolhido o “nome de guerra” todos aplaudiam e então o mestre mandava o calouro pedir a “Benção” do padrinho, e ao estender a mão para o formado que o batizou, receberia uma “Benção”(Golpe frontal dado com a parte inferior do pé empurrando o adversário na altura do peito) que o jogava no chão.
Era necessários pelo menos, 6 meses de treino para se formar na Capoeira Regional. O
exame era realizado em 4 domingos seguidos, no Nordeste de Amaralina, academia do
mestre, os alunos a serem examinados eram escolhidos por ele. Durante 4 dias os alunos
eram submetidos a algumas situações onde teriam que mostrar os valores adquiridos
durante a fase de aprendizado, como por exemplo: força, reflexo, flexibilidade e etc. No
último domingo é que o mestre dizia quem havia sido aprovado e então ensinava novos
golpes e também marcava o dia da formatura.
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A Formatura
A cerimônia iniciava com uma roda de formados antigos para que as madrinhas e os
convidados pudessem ver o que era a Capoeira Regional. Mestre Bimba ficava ao lado
do som, que era formado por 1 Berimbau e 2 pandeiros, comandando a roda e cantando
as músicas características da Regional. Terminada a roda, o mestre chamava o orador que geralmente era um formado mais antigo
para falar um breve histórico da Capoeira Regional e do mestre.
Após o histórico, o mestre entregava as medalhas aos paraninfos e os lenços azuis (Graduação dos Formados) as madrinhas.O paraninfos colocava a medalha ao lado esquerdo do peito do Formado e as madrinhas colocavam os lenços nos pescoços dos seus respectivos afilhados. A partir dai os formados demonstravam alguns movimentos a pedido do mestre para mostrar a sua competência, incluindo os movimentos de “cintura desprezada”, “jogo de floreio” e o “escrete” que era o jogo combinado com o uso dos Balões.
Para terminar, chegava a hora do “Tira-medalha” onde o recém formado jogava com um
formado antigo que tentava tirar a sua medalha com qualquer golpe aplicado com o pé. Só então depois de passar por isso tudo é que o aluno poderia se considerar aluno formado de mestre Bimba, tendo direito até de jogar na roda quando o mestre estivesse tocando Iuna que é o toque (onde quem joga hoje são só os mestres) criado por ele para esse fim. A partir dai só restava o curso de especialização que veremos a seguir.
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O Curso de Especialização
Tinha duração de 3 meses, sendo 2 na academia e 1 nas matas da Chapada do Rio Vermelho Tratava-se de um treinamento de guerrilha, onde aconteciam as emboscadas, armadilhas e etc., que consistia em submeter o formado a situações das mais difíceis, desde defender-se de 3 ou mais Capoeiristas, até defender-se de armas. Terminado o curso, o mestre fazia a mesma festa para os novos especializados, e estes recebiam o lenço vermelho a cor que representava a nova graduação. O aluno que se formava ou se especializava, tinha a o dever de pendurar um quadro com a foto mestre, do padrinho, do orador, e a própria foto.
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Conclusão
Mestre Bimba realmente foi o grande “propulsor” da Capoeira no Brasil mas , muitos dos Métodos citados acima não são mais usados na verdade grande parte deles não existe mais a muito tempo mas, foram muitos úteis. Para nós Capoeiristas só resta dizer: Muito obrigado ao Mestre Bimba.

Samba-de-Roda-Mestre-Limãozinho-e-Dona-Rosinha_resize

Jose Carlos dos Santos, Mestre Limãozinho, nascido na cidade de Salvador em 15/09/1957. Formado em 3 de dezembro de 1972, pela Academia de Capoeira Quilombos dos Palmares do Mestre Paulo Limão.

Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha (Salvador, 5 de abril de 1889 — Salvador, 13 de novembro de 1981), foi um dos principais mestres de Capoeira da história.1

Mais conhecido por Mestre Pastinha, nascido em 1889 dizia não ter aprendido a Capoeira em escola, mas “com a sorte”. Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha no jogo, ainda garoto. Em depoimento prestado no ano de 1967, no ‘Museu da Imagem e do Som’, Mestre Pastinha relatou a história da sua vida: “Quando eu tinha uns dez anos – eu era franzininho – um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para a rua – ir na venda fazer compra, por exemplo – e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza.” A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência.1

“Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga da gente. Vem cá, meu filho, ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui”. Começou então a formação do mestre que dedicaria sua vida à transferência do legado da Cultura Africana a muitas gerações. Segundo ele, a partir deste momento, o aprendizado se dava a cada dia, até que aprendeu tudo. Além das técnicas, muito mais lhe foi ensinado por Benedito, o africano seu professor. “Ele costumava dizer: não provoque, menino, vai botando devagarinho ele sabedor do que você sabe (…). Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito.”1
Ensino e difusão

Foi na atividade do ensino da Capoeira que Pastinha se distinguiu. Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da Capoeira e na capacidade de comunicar-se. Os conceitos do mestre Pastinha formaram seguidores em todo Brasil. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. Foi o maior propagador da Capoeira Angola, modalidade “tradicional” do esporte no Brasil.1

Em 1941, fundou a primeira escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho, na Bahia. Hoje, o local que era a sede de sua academia é um restaurante do Senai.1

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Em 1966, integrou a comitiva brasileira ao primeiro Festival Mundial de Arte Negra no Senegal, e foi um dos destaques do evento. Contra a violência, o Mestre Pastinha transformou a capoeira em arte. Em 1965, publicou o livro Capoeira Angola, em que defendia a natureza desportista e não-violenta do jogo.1

Entre seus alunos estão Mestres como João Grande, João Pequeno, Boca Rica, Curió, Bola Sete (Presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola), entre muitos outros que ainda estão em plena atividade. Sua escola ganhou notoriedade com o tempo, frequentada por personalidades como Jorge Amado, Mário Cravo e Carybé, cantada por Caetano Veloso no disco Transa (1972). Apesar da fama, o “velho Mestre” terminou seus dias esquecido. Expulso do Pelourinho em 1973 pela prefeitura, sofreu dois derrames seguidos, que o deixaram cego e indefeso. Morreu aos 93 anos.1

Durante décadas, dedicou-se ao ensino da Capoeira, e mesmo quando cego não deixava de acompanhar seus alunos. Vicente Ferreira Pastinha morreu no ano de 1981, mas continua vivo nas rodas, nas cantigas, no jogo.

“Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, capoeira, mãe. E embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.”

Fonte: Wikipédia

Mestre Moraes

Pedro Moraes Trindade (Ilha de Maré, 9 de Fevereiro de 1950) também conhecido como Mestre Moraes é um notório mestre e difusor da Capoeira Angola pós-Pastinha.

Seu pai também era capoeirista praticante de Capoeira Angola. Começou a treinar por volta dos oito anos na academia de Mestre Pastinha que já cego e sem dar aula, passou o controle da academia para seus alunos. Moraes foi aluno de Mestre João Grande, que junto de João Pequeno eram grandes discípulos de Pastinha.

Por volta dos anos 80, na intenção de preservar e transmitir os ensinamentos de seus mestres, fundou o GCAP – Grupo de Capoeira Angola Pelourinho – na tentativa de resgatar a filosofia da capoeira em suas raízes africanas, que havia perdido seu valor para o lado comercial das artes-marciais.

Atualmente vive em Salvador, Bahia e divide seu tempo entre lecionar Inglês e Português numa escola pública, e presidir os projetos culturais da GCAP.

Fonte: Wikipédia

Mestre Zequinha
(Entrevista com o Mestre Zequinha)

Meu nome é José de Almeida Filho, conhecido nas rodas de capoeira como Mestre Zequinha. Sou piracicabano com muito orgulho, pratico a capoeira há 30 anos e tenho muito prazer em falar de muitos mestres que fazem parte de minha história, em especial quatro deles. O primeiro não era mestre, mas para mim foi, pois foi o meu primeiro mestre de capoeira. Prefeito, como era chamado, dedicou mais de um ano me ensinando. Nos conhecemos numa fábrica de cadeiras em Piracicaba.SP, em 1975. Nas minhas primeiras semanas de trabalho, minha bicicleta quebrou e tive que levar meu almoço para a fábrica. Depois do almoço fui dar um passeio e ao passar pela garagem da fábrica vi o Prefeito fazendo alguns movimentos que me encantaram, então perguntei o que ele estava fazendo e foi aí que ele me explicou que era a capoeira. Desde então começou a me ensinar todos os dias na hora do almoço, naquela mesma garagem. Passaram-se 6 meses e o Prefeito disse que estava muito corrido, pois não estava tendo mais tempo para descansar na hora do almoço e disse que não iria mais me ensinar. Mas como eu não queria parar de aprender falei com minha mãe, D. Maria, se o Prefeito poderia me ensinar no quintal de casa, e ela aceitou. O Prefeito continuou me ensinando no quintal de casa, junto com mais outros 3 colegas, por mais ou menos 1 ano. Um certo dia, ele me disse que como não era formado não tinha mais o que ensinar para mim e me aconselhou a procurar um tal de João. Fui atrás, mas não o encontrei e acabei conhecendo Claudival da Costa – Mestre Cosmo. Foi num desfile de Carnaval que o vi pela primeira vez, conversamos e logo comecei a praticar a capoeira com ele. Pratiquei a capoeira com Mestre Cosmo por 10 anos, me formando Professor em 1985, e durante estes anos ele me ensinou muito, me ensinou a ter respeito pelos mais velhos, bem como pelos mais novos e me mostrou os caminhos para que eu buscasse a capoeira que pratico hoje.

                    

Em 1986 foi o meu maior contato com a Capoeira Angola, foi amor à primeira vista, quando visitei a Bahia e lá fiz um curso com um dos mais famosos mestres de Capoeira Angola, discípulo de Mestre Pastinha, o Mestre João Pequeno. Neste mesmo ano também tive contato com um dos maiores cantadores e tocadores de berimbau da Bahia, Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão, onde tive uma grande aula teórica, em sua própria casa em Salvador, sobre a história da capoeira, a formação de uma bateria e toques de berimbau.

Foi também em 1986, no Forte Santo Antonio, em Salvador, onde fui assistir uma aula, que tive o privilégio de conhecer o renomado Mestre Boca Rica, também discípulo do saudoso Mestre Pastinha. Mas, o maior contato com o Mestre Boca Rica foi no Mercado 7 Portas, onde todos os anos se realizava uma roda em homenagem ao aniversário do mestre. Desde então, nunca mais perdi o contato com Mestre Boca Rica, que sempre me ensinou muito, sendo meu conselheiro e me passando muita segurança, estando sempre presente em todos os meus eventos.

                         

Em 1989 vim a conhecer um dos mais elegantes mestres de Capoeira Angola, o Mestre Lua de Bobó. O mestre tem elegância no cantar, no tocar de um berimbau e no jogo de capoeira. Quando joguei a capoeira com ele pela primeira vez, parecia que nos conhecíamos há muitos anos e depois deste jogo fui conhecer o trabalho dele lá em Salvador, no Dique do Tororó e tivemos muitos outros encontros em rodas de capoeira.

No ano de 1995 convidei o Mestre Lua de Bobó para participar de um evento que realizava em Piracicaba. Ele ficou hospedado em minha casa, nos tornamos amigos e, em 1996, quando criei a Escola de Capoeira Raiz de Angola, o convidei para ser o padrinho, e ele aceitou com muito agrado. Ele é também o Diretor Técnico da escola e vem a Piracicaba, 2 ou 3 vezes por ano, ministrar aulas teóricas e práticas e avaliar o desempenho dos alunos. No evento realizado em Piracicaba, em 1997, o Mestre Boca Rica disse que naquele dia eu tinha me tornado mestre, pelo evento realizado e pelo jogo que fiz com os mestres presentes. Ele disse que iria me formar, e assim foi feito no ano de 2001, onde me presenteou com um diploma de mestre.

    

Em 2002, o Mestre Lua de Bobó realizou seu evento em Arembepe.BA, onde estavam presentes vários alunos da Escola de Capoeira Raiz de Angola e também o Professor Tim Tim de Manaus (formado por mim). Nesta data o mestre tinha preparado a minha formatura, mas por motivos econômicos, eu não pude estar presente. No ano de 2003, em Arembepe, o Mestre Lua de Bobó realizou outro evento, oficializando a minha formatura e vim receber mais um diploma de mestre. Foram 4 dias com oficinas, palestras e rodas, sendo que no último dia foi realizado a cerimônia oficial de minha formatura. O Mestre Lua de Bobó me apresentou a todos os mestres presentes, falou sobre o meu trabalho e o motivo pelo qual estava me formando. Depois me passou a palavra, onde fiz um juramento a todos, dizendo que jamais iria decepcioná-los e nunca deturparia a legítima Capoeira Angola.

Foi um momento de muita emoção para mim e todos os presentes. Em seguida começou a roda de formatura, onde comecei jogando com o mestre mais renomado, Mestre João Pequeno. Em seguida joguei com os seguintes mestres: Mestre Bigodinho, Mestre Brandão, Mestre Pelé do Tonél, Mestre Pelé da Bomba, Mestre Zé Pretinho, Mestre Ciro, Mestre Almir, Mestre Faísca, Mestre Pedra e Mestre Orelha. Também estavam presentes vários Contra Mestres, Professores, entre eles o Professor Lampião (formado por mim) e Trenéis de vários lugares do Brasil e do Mundo.

        

Em todos esses anos praticando a capoeira, conheci muitos mestres famosos representantes da chamada “velha guarda” da Bahia, além de outros mais jovens. Entre estes capoeiristas posso citar: Mestre João Pequeno, Mestre Waldemar da Paixão, Mestre Canjiquinha, Mestre Paulo dos Anjos, Mestre Curió, Mestre Felipe de Santo Amaro, Mestre Ferreirinha de Santo Amaro, Mestre Brandão, Mestre Papo Amarelo, Mestre Bobó, Mestre Boca Rica, Mestre Lua de Bobó, Mestre Morais, Mestre Renê, Mestre Augusto, Mestre Vermelho Boxéu, Mestre Vermelho 27, Mestre Nenél, Mestre Martinho, Mestre Lua Rasta, Mestre Gato Preto, Mestre Barba Branca, Mestre Mário Bom Cabrito, Mestre Dois de Ouro, Mestre Jaime de Mar Grande, Mestre Ananias, Mestre Pessoa, Mestre Virgílio, Mestre Gerson Quadrado, Dona Maria Romélia – a Dona Lice (esposa de Mestre Pastinha), Mestre No, Mestre Mala, Mestre Gildo Alfinete, Mestre Cobrinha Mansa, Mestre Valmir, Mestre Fernando, Mestre Diogo, Mestre Jogo de Dentro, Mestre Cláudio de Feira de Santana, Mestre Macaco de Santo Amaro, e muitos outros que não me recordo neste momento, todos baianos e de muita tradição na capoeira. Devo muito a todos eles, pois me ajudaram muito na minha formação como Angoleiro.

Ainda nos dias de hoje os ideais de Zumbi de igualdade e liberdade são objetivos a serem alcançados, já que não vivemos em uma sociedade justa, com oportunidades iguais. Neste atual contexto social, a capoeira – e de maneira especial a Capoeira Angola, por deter esse poder de anular diferenças é uma das poucas atividades que homens e mulheres, pobres e ricos, pretos e brancos, doutores e analfabetos convivem em harmonia e igualdade.

         

Mestre Zequinha realiza seu trabalho com a Capoeira Angola em Piracicaba, estado de São Paulo. Iniciou os seus aprendizados na arte da capoeira em 1975, sendo formado professor em 1985 e recebendo o título de mestre em duas ocasiões diferentes, em 2001 pelas mãos de Mestre Boca Rica e em 2002, em um grande evento em Arembepe.BA, pelo Mestre Lua de Bobó. Com o modismo tomando conta da capoeira e a crescente proliferação de pessoas preocupadas apenas com o desenvolvimento de determinados elementos desta arte, acabam por reduzir a capoeira cada vez mais a uma mera atividade física. Mestre Zequinha, depois de muitas pesquisas, com o pensamento de atuar na preservação dos rituais, costumes, tradições, ritmos e cantinelas, fundou em 1996 a Escola de Capoeira Raiz de Angola, com o objetivo de transmitir os valores culturais, as origens históricas, os verdadeiros significados e os conhecimentos técnicos e filosóficos da Capoeira Angola, disponibilizando a qualquer indivíduo o acesso a um rico universo cultural formado pela luta, dança, música e pela história que tanto se mistura com a de nosso país.

Em 2001, com a evolução natural dos trabalhos, a Escola de Capoeira Raiz de Angola realizou a primeira formatura de professores, com a formação do Professor Tim Tim e do Professor Lampião. Em 2003, após retomar um projeto muito antigo, Mestre Zequinha e a escola conseguiram realizar a gravação do primeiro CD de Capoeira Angola, com músicas inéditas. Procurando preservar a história e a tradição desta arte, a escola vem atuando em diversos setores da sociedade piracicabana, se destacando na realização de eventos culturais, como o EXPARCUN (Exposição de Arte e Cultura Negra), a Semana de Conscientização e Valorização da Raça Negra, a Semana Cultural da ESALQ-USP, a FECONEZU, além dos Encontros Nacionais de Capoeira Angola, que tem o intuito de difundir cada vez mais a tradição da Capoeira Angola entre os piracicabanos e toda a região. Além disso, Mestre Zequinha, juntamente com seus graduados, realizam projetos sociais que envolvem o ensino da capoeira em centros comunitários, universidades, associações de bairros, atuando com isto na formação física, social e cultural do cidadão. O próximo sonho, meta ainda a ser conquistada, é a de dar um endereço fixo, um espaço próprio para a Escola de Capoeira Raiz de Angola, que funcionará como um local que possa formar verdadeiros angoleiros e com isso manter viva as tradições da Capoeira Angola.

Mestre Zequinha

Mestre Zequinha realiza seu trabalho com a Capoeira Angola em Piracicaba, estado de São Paulo. Iniciou os seus aprendizados na arte da capoeira em 1975, sendo formado professor em 1985 e recebendo o título de mestre em duas ocasiões diferentes, em 2001 pelas mãos de Mestre Boca Rica e em 2002, em um grande evento em Arembepe.BA, pelo Mestre Lua de Bobó. Com o modismo tomando conta da capoeira e a crescente proliferação de pessoas preocupadas apenas com o desenvolvimento de determinados elementos desta arte, acabam por reduzir a capoeira cada vez mais a uma mera atividade física. Mestre Zequinha, depois de muitas pesquisas, com o pensamento de atuar na preservação dos rituais, costumes, tradições, ritmos e cantinelas, fundou em 1996 a Escola de Capoeira Raiz de Angola, com o objetivo de transmitir os valores culturais, as origens históricas, os verdadeiros significados e os conhecimentos técnicos e filosóficos da Capoeira Angola, disponibilizando a qualquer indivíduo o acesso a um rico universo cultural formado pela luta, dança, música e pela história que tanto se mistura com a de nosso país.

Nesses 40 anos de pratica de Capoeira conheci grandes Mestres, vi grandes jogos que ninguém tira de mim.

Muitos jogam Capoeira igual a mim, mas poucos viveram o que vivi, viram o que eu vi, e jamais viveram tudo isso, pois muitos desses grandiosos Mestres já não se encontram mais entre nós! 

“Capoeira  Angola para mim é minha arte, é minha vida, é onde me torno menino, forte e fraco. Forte porque consigo jogar bem e envolver meu parceiro de roda sem machucá-lo e sem que ele me machuque e fraco porque quando faço um belo jogo, um belo movimento me emociono, me da alegria e o meu corpo se arrepia, meus olhos se enchem de água e me sinto fraco, mas a vontade de vencer é muita e ai me recupero logo. Sinto-me forte e alegre como um escravo que acabou de derrotar o capitão do mato e está correndo para o Quilombo, me sinto livre, forte sendo capaz de ir muito mais longe. Isso é a Capoeira  Angola, só quem sente é que sabe. ´´

4O Anos de dedicação a capoeira nesse 01 de Abril 2015

Bom dia meus Amigos e minhas Amigas de tantos anos, e amigos recentes que conquistei pelos eventos por onde andei,e pelas redes sociais, Venho com muita alegria compartilhar com vocês essa minha alegria de hoje dia 1º de Abril de 2015, estou completando 40 anos de pratica e de vida entregue a essa arte que me deu vida, saúde, sabedoria, amigos, consciência da minha cultura, da minha gente, de onde vim e pra onde quero ir e chegar, felicidades e muita calma pra lutar contra as diversidades da vida e aquelas imposta sobre nós pretos e pobres! 40 anos dedicado a Capoeira, Valorizando os grandes Mestre Guardiões da Capoeira que tanto lutaram pra manter viva essa Luta arte que nós deu a Liberdade pra ir e vir com dignidade que todos nos seres humanos merecemos. Gratidão total à minha princesa, minha rainha que me deu a vida e sempre me apoiou naquilo em que eu acreditava, minha querida Mãe! minha filha Luana, ao Mestre Cosmo, Mestre João Pequeno, Mestre Boca Rica, Mestre Lua de Bobó que tiveram uma influência direta na minha formação como homem e hoje como um Mestre de Capoeira Angola, à minha comunidade pelo carinho que tens comigo e que me mantem firme na minha luta de todos os dias, e que é minha base que me sustenta em pé! ( Lampião, Meia Noite TimTim, Mileni, Jubileu, Garcia, Andorinha, Pingo, Raquel, Isabela, Paina, Marina, Ziane, cheroso, Bambu, Manaiba, Wick, Carcara, Rosinha, Neide, Conce, Preta, Brígida, Priscila, Sabia, Betinho, Ganga Zumba, Saara, Pé, Margarete, Gisele, Taila, Regina, Thiago, Juliana, Junior, Limbo, Laurinha, Enzo, Galega, as criança de Meia Noite, me perdoe se estou esquecendo alguém.) Não poço deixar de citar esses grandes Mestres amigos de Tantos anos, Mestre Cavaco, Mestre Ananias, Mestre Bigo, Mestre Gaguinho, Mestre Augusto, Mestre KK Bonates, Mestre Moa do Katende, Mestre Jequié, Mestre Virgílio de Ilhéus, Mestre Jogo de Dentro, Mestre Cabelo, Mestre Plinio, Mestre Ratinho, Mestre Gê e João, Luiza Maluza, Mestre Claudio Costa, Mestre Angolinha, Mestre Dominguinhos, Mestre Noel, Mestre Ciro, Mestre Djop, Mestre Lua Rasta, Mestre Pé de Chumbo, Mestre Felipe de Santo Amaro, Mestre Limãozinho, minha querida Professora Rosinha, Mestre Peixe, Mestre Levy, Mestre Jaime, Mestre Antônio Affonso, Mestre Marcial, Mestre Garcia, Mestre Pedro Feitosa, Romário, Mestre Gaúcho, Mestre Zelão Mestre Topete, e Tantos outros que não cabe aqui. Exatamente em 1º de Abril de 1975 dei meus primeiros passo nesse mundo magico da Capoeira! CAPOEIRA ANGOLA SEMTE QUEM SABE JOGA E JOGA QUEM SENTE… “OBRIGADO À JAH, AOS ORIXAS EM ESPECIAL À OXALA E OGUM QUE ME FORTALESSE´´
Me desculpa o texto longo de mais, pois não deu pra resumir 40 anos em 4 linhas rssss…

contato:EMAIL:capoeiraraizdeangola@yahoo.com.br

Fonte: Blog da Escola Raiz de Angola de Piracicaba

Mestre Ananias

Mestre Ananias

Ao pensar em Mestre Ananias, precisamos compreender que seu legado transpassa os parâmetros e doutrinas estabelecidas na Cultura da Capoeira nas últimas décadas. A estruturação da Capoeira em São Paulo foi conduzida por capoeiras baianos, porém em uma realidade sócio-cultural que segue uma trilha diferente, cheia de segredos a serem desvendados.

OBRA VIVA, DURADOURA

Bahia…
Ananias Ferreira nasceu em 1924 em São Félix (BA), nesta região que vivencia a força e influência africana em solo brasileiro e que oferece a Capoeira, o Samba e o Candomblé como alicerces formadores da nossa cultura. Sua infância, portanto, foi brincar e compartilhar esse universo, uma realidade cheia de contrastes em relação ao que vivemos hoje. Em suas lembranças, Ananias falava de um senhor que tocava berimbau de imbé, ou cipó caboclo, o Mestre Juvêncio, também de seus companheiros de roda: os irmãos Toy e Roxinho, Caial, Estevão, João de Zazá, Café e Vito. Ele lembrava também de Inácio do Cavaquinho (que fazia samba com seu pai) e da roda de capoeira que armavam na venda do Seu Mané da Viola em Muritiba na rua do “Caga à Toa” (hehe).

Ainda muito jovem, Ananias trabalhou na lavoura de cana e nas indústrias de fumo, quando decidiu ir a Salvador em busca de melhores condições de vida. Na capital baiana, morou nos bairros do Engenho Velho de Brotas, Curuzu e Liberdade, onde é acolhido por um dos grandes mestres da Capoeira, Valdemar da Liberdade. Aí teve sua maior influência e passa a ser responsável pela bateria junto a Bugalho, Zacarias e Mucungê. Nessa época de formação da Capoeira (que se apresenta hoje) conviveu com grandes nomes como Mestres Pastinha, Nagé, Onça Preta, Noronha, Dorival (irmão de Mestre Valdemar), Traíra, Cobrinha Verde, Canjiquinha – de quem recebeu seu diploma – e tantos outros. Foi ali no Corta-Braço (assim é conhecida a região onde se localizava o Barracão do Mestre Valdemar) que os produtores Wilson e Sérgio Maia buscaram Mestre Ananias, Evaristo, Félix e algumas baianas para trabalhar na cena teatral paulistana…

São Paulo, 1953…
Junto a Plínio Marcos e Solano Trindade na cena teatral paulistana, Ananias contribuiu para dar visibilidade à riqueza do patrimônio espiritual e estético do Negro brasileiro. Sacudiu os teatros paulistanos (Municipal, Arena, São Pedro, TAIB, São Paulo Chic, entre outros) com os sambistas Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro, Zeca da Casa Verde, Talismã, Jangada, Silvio Modesto, João Valente, João Sem Medo e outros batuqueiros. Atuou na peça Balbina de Iansã, em 1970, e em Jesus Homem, em 1980 (ambas de autoria de Plínio Marcos. Esteve no elenco da primeira encenação de O Pagador de Promessas (dirigida no TBC por Flávio Rangel em 1960) e teve participação na trilha sonora da filmagem deste enredo, em cartaz nos cinemas dois anos após. Também participou dos filmes Brasil do Nosso Brasil (produzido por Xangô), Fronteira do Inferno e Ravina (de Anita Castelane) e fez gravações com Jair Rodrigues, entre outros.

Pioneiro entre os capoeiristas a estabelecer residência na terra da garoa, Mestre Ananias estava  em plena atividade até sua passagem, e é enorme influência para gerações na tradição da Capoeira Paulistana e o representante do Samba de Roda do Recôncavo Baiano na capital.

Neste mais de meio século, conviveu com grandes capoeiristas baianos que viveram e passaram por São Paulo, como Zé de Freitas, Limão, Valdemar (do Martinelli), Hermógenes, Gilvan, Silvestre, Paulo Gomes, Suassuna, Brasília, Joel e muitos outros.

Ananias Ferreira foi uma figura emblemática da cultura afro-brasileira, que ao longo de uma vida extensa ─ com tenacidade e carisma ─ manteve viva a mais pura ancestralidade no moderno coração da maior cidade do Brasil.

Foi o representante mais significativo entre os criadores de uma instituição que se mantém há mais de meio século: a roda de capoeira dominical da Praça da República em São Paulo. Uma autêntica agora, espaço de resistência, de confronto e diálogo dos talentos e dos estilos mais diversos, e também de aprendizagem. Poucos capoeiristas na cidade de São Paulo não conheceram de perto esta roda ou estiveram cientes da oportunidade de entrar livremente nela. Esta instituição é a emanação do carisma de uma pessoa, Mestre Ananias, cujo axé inscreve esta vitalidade coletiva num lugar altamente simbólico, compatibilizando a liberdade informal da rua com a urbanidade dos costumes.

A AFRICANIDADE NA GESTUALIDADE E NA VOZ : A TRANSMISSÃO DA HERANÇA AFRICANA ATRAVÉS DA ARTE
Cada vez mais escassos hoje entre os expoentes reconhecidos da cultura afro-brasileira são aqueles que portam no seu corpo as marcas gestuais, as posturas, as inflexões vocais que denotam a origem cultural africana. Aquilo que se tentou resgatar através do exemplo do reconhecimento tão tardio de uma Clementina de Jesus ainda está vivo em poucos redutos do Brasil, entre os quais o manancial que irrigou musicalmente o país com o Samba de Roda – hoje Patrimônio da Humanidade na categoria de expressões orais e imateriais: o Recôncavo da Bahia, onde o Mestre nasceu e se criou.

Tanto na roda de capoeira, na ginga e na mandinga, como na entonação e nas síncopes do canto, do pandeiro, do atabaque, nos passos inesperados do samba dançado, tudo aquilo que suscitava nas anotações de campo de Mário de Andrade julgamentos entusiastas e de admiração, está sendo transmitido pelo exemplo vivo do Mestre. Sabemos da importância do registro de vivências que se tornarão modelos clássicos para as gerações vindouras.

REGISTROS DOCUMENTAIS
Somente aos 80 anos Mestre Ananias gravou o primeiro cd de capoeira como protagonista, junto a seus discípulos formados no início da década de 90 e que vivem sua rotina diária. Aos 83 anos, lançou com o grupo Garoa do Recôncavo seu primeiro cd de Samba de Roda. Em 2009, foi um dos mestres selecionados para o registro no documentário Cantador de Chula (de Marcelo Rabello) como o único sambador convidado que não reside na região do Recôncavo.

No ano de 1979, participou da gravação do LP de Mestre Joel e também esteve presente em gravações amadoras de outros grupos de capoeira no decorrer de sua carreira.

Com problemas de saúde e aos 91 anos, o mestre foi chamado para comandar as rodas lá no céu em 21 de Julho de 2016, mas sua obra jamais será esquecida por todos seus discípulos, amigos e companheiros de jornada -” Me diga ai Bahia”  descanse em paz Mestrão.

Fonte: Blog Ananias Casa

Conheça o Mestre Cavaco

Mestre Cavaco

Mestre Cavaco
cavaco_montado Domingos de Lau do Nascimento, nascido em 27/06/1948 em São Sebastião do Passé – Bahia, iniciou seu aprendizado na Capoeira através do Mestre Domingos Mão de Onça.

Vindo para São Paulo, em 1978 continuou seu aprendizado no Grupo Ilha de Marajó com o Mestre Zé Boneco no Taboão da Serra – SP, onde se tornou professor.

Após alguns anos veio fazer parte do Grupo Cativeiro com Mestre Miguel Machado, na academia que se localizava na Avenida da Consolação, ministrou aulas em diversos locais vindo a se tornar Contra-Mestre.

De 1991 a 1995 junto com mais dois pofessores, conquistaram um espaço e realizavam todos os domingos uma roda na Praça da República sempre com a participação de grandes Mestres como Mestre Ananias dentre outros, também durante este período ficou expondo seu material referente a capoeira, dando destaque ao berimbau feito por ele.

Em 1995 fundou seu próprio Grupo, o Grupo Negaça Capoeira Angola, juntamente com seus professores e alunos, localizada na rua dos Bororós n.º 51 na Bela Vista-SP, passando pelas ruas Antônio Corúja e Ribeiro de Lima, localizada no Bom Retiro-SP, e atualmente na rua Marieta da Silva 197 – Vila Guilherme, onde desenvolve um trabalho além de coordenar a roda mensal no ” Barracão da Fábrica do M. Cavaco”.

Além da Capoeira Angola, ainda na década de 90 assumiu a direção da fábrica O Berimbau instrumentos musicais, criado em meados dos anos de 70 pelo Mestre Tomas.

Mestre Cavaco, com mais de 20 anos de experiência na área de instrumentos musicais, vem inovando e melhorando a qualidade de uma linha de mais de 30 instrumentos de percussão todos feitos artesanalmente.

Qualidade esta que tem exportação para outros estados do Brasil e para Europa como França, Alemanha, Espanha dentre outros.

M Plinio

O Mestre Plinio começou capoeira na rua do bairro onde morava em 1979, mas foi só em 1981 que entrou numa academia mesmo.A partir daí não parou de praticar a capoeira sempre na presença de um mestre. Quando conheceu o Mestre Môa do Katendê ele disse  para o Plinio,que já estava preparado para desenvolver um trabalho com a capoeira. Logo depois, em 1993 Encontrou o Mestre Jogo de Dentro e começou a trabalhar na Fábrica dos Sonhos onde surgiram seus primeiros alunos.

Mestre Plínio Conviveu com Mestre Jogo de Dentro durante 5 anos até que ele o formou Contra Mestre em 1998. O seu primeiro espaço foi na Consolação, no ano de 1993 onde montou o grupo Angoleiro Sim Sinhô. Lá ficou 1 ano e depois foi para a Turiassu onde esta desde 1996 desenvolvendo o trabalho de capoeira angola em São Paulo.

Cronologia

 

1990 a 1992 Lecionou capoeira e percussão na FEBEM.

1990 a 1993 Trabalhou no projeto “Turma Faz Arte”.

1993 a 1995 Trabalhou com Roberto Freire e foi instrutor de capoeira dos grupos Somaterapia.
Fundou o Grupo e Associação (da qual é Presidente) “Centro de Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô”.

1995 e 1996 Realizou os 2 eventos nacionais de Capoeira Angola no Estado de São Paulo, com o grupo “Semente do Jogo de Angola” fundado pelo Mestre Jogo de Dentro. Fundou Associação da Capoeira Angola do Estado de São Paulo.

(ACASP) 2001 a 2003 Participou do projeto “Parceiros do Futuro” pelo Governo do Estado de São Paulo.
Lecionou Capoeira Angola no Centro Cultural Chico Science.
Coordenou as aulas de Capoeira Angola na creche Coração de Maria.

2002 a 2006 Participou como convidado de Honra (e palestrante em 2005) do Grupo São Salomão no evento em Homenagem ao Mestre Paulo dos Anjos

2005 Realizou um workshop de Capoeira Angola no 2º encontro de Capoeira Angola de Curitiba.
Foi convidado e palestrante do Grupo “Semente do Jogo de Angola” em Montreal, Canadá. Realizou o 1º encontro do Centro de Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô em Atibaia, SP.

Fonte:Informações retiradas do site oficial do Mestre Plínio

Rua Turiassu 1172 Perdizes São Paulo SP Brasil CEP:05005-000 t. 55 (11) 3673-0688

angoleiros@angoleirosimsinho.org.br


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Conheça Emilia Biancardi

Emilia Biancardi

Emília Biancardi, etnomusicóloga, professora e pesquisadora da música folclórica brasileira, é especialista nas manifestações tradicionais da Bahia.
Nascida em Salvador, Bahia, viveu sua infância e parte da adolescência em Vitória da Conquista, interior do Estado, o que lhe proporcionou os primeiros contatos com as manifestações populares que, desde então, a fascinavam.
Em 1962 criou o grupo “VIVA BAHIA”, o primeiro e mais importante grupo parafolclórico do Brasil, na época. Levando para os palcos do mundo inteiro a materialização de incansável pesquisa do repertório musical afro-baiano.
Perfeccionista ao extremo, a professora Emília Biancardi sempre procurou expressar nos seus espetáculos o que de mais genuíno existia na cultura baiana. Para a formação dos seus alunos, reuniu os melhores representantes das manifestações culturais de Salvador e do Recôncavo Baiano. Entre os professores estavam Mestre Pastinha e João Grande (capoeira), Mestre Popó do Maculelê (foi com o grupo “VIVA BAHIA” que pela primeira vez o Maculelê foi apresentado para o grande público e divulgado no exterior), Neuza Saad (dança), D. Coleta de Omolu (dança do Candomblé), Sr. Negão de Doni (toques do Candomblé) e Mestre Canapun (puxada de rede). Muitos outros mestres de capoeira passaram pelo grupo, como Bom Cabrito, Alabama, Cabeludo, Saci, Antonio Diabo, Manuel Pé de Bode, Coice de Mula, Amém, Jelon, Loremil, Nô, Camisa Roxa e Boca Rica, entre outros. Consagrado internacionalmente, serviu de inspiração e incentivo para a formação de outros grupos de prestígio no Brasil e exterior, inclusive para o Balé Folclórico da Bahia, cujo criador, Walsson Botelho, foi integrante do grupo e discípulo da professora Emília Biancardi.
O “VIVA BAHIA” foi um dos principais responsáveis pela internacionalização da capoeira. Muitos mestres que viajaram com o grupo não retornaram das viagens. Amém ficou na Califórnia, Jelon e Loremil introduziram a capoeira em Nova York, nos anos 1970.
As viagens incluíam toda a América do Sul, Europa, EUA, Oriente Médio e África. As apresentações no exterior integraram promoções culturais realizadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e da Bahiatursa, além de turnês organizadas por empresários, com exibições em teatros e festivais diversos.
A grandiosidade e excelência do trabalho realizado pelo grupo foi reconhecida pelo escritor baiano Jorge Amado, que afirmou o seguinte:
“O Conjunto ‘VIVA BAHIA’ é uma realização vitoriosa e digna de todo apoio em seu trabalho de divulgação do folclore brasileiro (…) Seus espetáculos e seus três LPs dão uma visão realmente admirável da beleza do folclore baiano”.
Como professora do Colégio Estadual Severino Vieira, Biancardi idealizou, em 1968, a Orquestra Afro-Brasileira, usando instrumentos tradicionais, e outros criados e confeccionados por ela e pelos alunos. Criou e dirigiu por 10 anos a Fundação Yabás Arte Brasil em Woodstock-Nova Iorque, EUA. Compõe músicas para balés e peças de teatro, aplicando os conhecimentos adquiridos através de pesquisas da música folclórica rural e urbana. Tem seis livros publicados (“Lindro Amo”, 1968; “Cantorias da Bahia”, 1969; “Viva Bahia Canta”, 1970; “Dança da Peiga”, 1983; “Olelê Maculelê”, 1990 e “Raízes Musicais da Bahia”, 2001), além de textos sobre a música tradicional publicados em livros e revistas no Brasil e exterior. Lançou três LPs pela Philips do Brasil (“Viva Bahia nº. 1”, “Viva Bahia nº. 2” e “Folclore Rural”) e um Cd pelo Club House Studio Germantown, Nova Iorque, EUA.

Exposição Atual em Salvador no Solar Ferrão no Pelourinho

O Maculelê é uma manifestação cultural oriunda cidade de Santo Amaro da Purificação – Bahia, berço também da Capoeira. É uma expressão teatral que conta através da dança e de cânticos, a lenda de um jovem guerreiro, que sozinho conseguiu defender sua tribo de outra tribo rival usando apenas dois pedaços de pau, tornando-se o herói da tribo.

Sua origem é desconhecida. Uns dizem que é africana, outros afirmam que ela tenha vindo dos índios brasileiros e há até quem diga que é uma mistura dos dois. O próprio Mestre Popó do Maculelê, considerado o pai do maculelê, deixa clara a sua opinião de que o maculelê é uma invenção dos escravos no Brasil, assim como a capoeira.

A lenda da qual teria surgido o maculelê possui também várias versões.
Em uma delas conta-se que Maculelê era um negro fugido que tinha doença de pele. Ele foi acolhido por uma tribo indígena e cuidado por eles, mas ainda assim não podia realizar todas as atividades com o grupo, por não ser um índio. Certa vez Maculelê foi deixado sozinho na aldeia, quando toda a tribo saiu para caçar. Eis que uma tribo rival aparece para dominar o local. Maculelê, usando dois bastões, lutou sozinho contra o grupo rival e, heroicamente, venceu a disputa. Desde então passou a ser considerado um herói na tribo.

Outra lenda fala do guerreiro indígena Maculelê, um índio preguiçoso e que não fazia nada certo; por esta razão, os demais homens da tribo saíam em busca de alimento e deixavam-no na tribo com as mulheres, os idosos e as crianças. Uma tribo rival ataca, aproveitando-se da ausência dos caçadores. Para defender a sua tribo, Maculelê, armado apenas com dois bastões já que os demais índios da sua tribo haviam levado todas as armas para caçar, enfrenta e mata os invasores da tribo inimiga, morrendo pelas feridas do combate. Maculelê passa a ser o herói da tribo e sua técnica reverenciada.

Conta outra lenda que a encenação do Maculelê baseia-se em um episódio épico ocorrido numa aldeia primitiva do reino de Ioruba, em que, certa vez, saíram os guerreiros juntos para caçar, permanecendo na aldeia apenas 22 homens, na maioria idosa, junto das mulheres e crianças. Disso aproveitou-se uma tribo inimiga para atacar, com maior número de guerreiros. Os 22 homens remanescentes teriam então se armado de curtos bastões de pau e enfrentado os invasores, demonstrando tanta coragem que conseguiram colocá-los em debandada. Quando retornaram os outros guerreiros, tomaram conhecimento do ocorrido e promoveram grande festa, na qual os 22 homens demonstraram a forma pela qual combateram os invasores. O episódio passou então a ser comemorado freqüentemente pelos membros da tribo, enriquecido com música característica e movimentos corporais peculiares. A dança seria assim uma homenagem à coragem daqueles bravos guerreiros.

Podemos ver que a primeira lenda indica a mistura da cultura africana com a indígena quando se diz que um “negro fugido” é acolhido por uma “tribo indígena”. Na outra já não há a menção de negro fugido ou escravo, o protagonista era o “índio preguiçoso”. Indicação da origem indígena. E por fim, na terceira versão diz que o episódio aconteceu em uma “aldeia primitiva no reino de Ioruba”. Indicação de origem africana.

Há muitas outras versões de lendas sobre o Maculelê, mas todas sustentam a versão de um guerreiro sozinho, enfrentando a invasão inimiga com apenas dois bastões.

Por muito tempo o maculelê foi apresentado nas ruas e praças da cidade, nos dias de festa da padroeira conforme Mestre Popó, explica com suas próprias palavras em uma entrevista cedida à Maria Mutti em 16/12/1968 em Santo Amaro – Bahia:

“Segundo Mestre Popó, Maculelê é luta e dança ao mesmo tempo, se um feitor aparecia na senzala à noite, pensava que era a maneira de adoração aos deuses das terras deles (dos negros escravos), as músicas não davam ao feitor entender o que eles cantavam.
A festa era realizada de 8 de dezembro (consagração de Nossa Senhora da Conceição) e 2 de fevereiro (dia de Yemanjá) em Santo Amaro da Purificação. Acontecia nas praças e nas ruas da cidade e era considerada uma festa “profana” realizada pelos negros escravos.
“em marcha guizada, a “Marcha de Angola’’, que tem algo de Capoeira e de Samba, tudo isso em Movimentos sempre ao compasso das batidas das grimas (bastões).”

Mestre Popó do Maculelê
No início do século XX, com a morte dos mestres do Maculelê, a manifestação deixou de acontecer por muitos anos, até que em 1943, Paulino Aluisio de Andrade, o Mestre Popó do Maculelê, resolve reunir parentes e amigos para ensinar a dança baseado em suas antigas lembranças. Consegue então resgatar o Maculelê e forma o Conjunto de Maculelê de Santo Amaro o qual ganhou grande fama. Mestre Popó começou a aprender o Maculêle com um grupo de pretos velhos, ex-escravos Malês, livres. Segundo ele já não tinha mais escravidão nessa época e eles se reuniam à noite: João Oléa, Tia Jô e Zé do Brinquinho: “eles eram livres, mas quem botou o Maculelê fui eu mesmo” (Popó).
Segundo Plínio de Almeida (Pequena História do Maculêle) o Maculêle existe desde 1757 em Santo Amaro da Purificação e as cores branca e vermelha nos rostos, que assustavam as pessoas, poderia ser símbolos de algumas tribos Africanas, como por exemplo, os Iorubas. Mas na verdade fica muito difícil identificar exatamente à qual grupo étnico está associado à origem do Maculêle. Podemos citar, por exemplo: os Cabindas, os Gêges, os Angolas os Moçambiques, os Congos, os Minas, os Cababas.

Instrumentos
O instrumento fundamental no maculelê é o atabaque. Na época de Mestre Popó eram usados três atabaques seguindo a formação do candomblé. Outros instrumentos como o agogô e o ganzá também eram tocados durante a apresentação. Hoje vemos apresentações de maculelê, na maioria das vezes somente com o atabaque.

Indumentária e Pintura
Na época de Mestre Popó a indumentária era simples, de acordo com as condições cotidianas dos dançarinos. Geralmente usavam camisas e calças comuns aos africanos, de algodão cru e pés descalços.
Estes pintavam os rostos e as partes desnudas com tintas feitas com restos de fuligem de carvão ou de fundo de panelas. Exageravam na tintura vermelha que usavam na boca que era feita com sementes de urucum. Algumas pessoas do grupo empoavam suas cabeleiras com farinha de trigo, usavam touca nas cabeças ou lenço no pescoço.

Cânticos
Muitos dos cânticos do maculelê, provém dos candomblés de caboclo, alguns das canções de escravos e outros até fazem menções à cultura indígena. Os cânticos acompanham o desenrolar da apresentação do maculelê. Cada parte da encenação do maculelê tem a sua cantiga certa que acompanha. São muitos os cânticos do maculelê e cada grupo tem os seus prediletos. Eis alguns deles cantados antigamente na época de Mestre Popó:

Cântico para saudação:
Ô boa noite pra quem é de boa noite/Ô bom dia pra quem é de bom dia/A benção meu papai a benção/Maculêle é o rei da valentia.

Homenagem à Princesa Isabel: (alguns homenageiam Zumbi dos Palmares):
Vamos todos louva/A nossa nação brasileira/Viva a dona Isabel (ou Zumbi dos Palmares) /Ai meu Deus/Que nos livrou do cativeiro

Peditório: (ocorre nas saídas às ruas):
Deus que lhe dê, ê/Deus que lhe dá, á/Lhe dê dinheiro/Como areia no mar.

Louvação aos pretos de Cabindas ou Louvor a Nossa senhora da Conceição:
Nós somos pretos da Cabinda de Aruanda/A Conceição viemos louvar/Aranda ê, ê, ê/Aranda ê, ê, á.

Fulô da Jurema, de influência indígena:
Você bebeu Jurema/Você se embriagou/Com a fulô do mesmo pau/Vosmicê se levanto.

Saudação de chegança:
Ô sinhô dono da casa/Nós viemos aqui lhe vê/Viemos lhe pergunta/Como passa vosmicê
Saudação de despedida:
Quando eu for embora ê/Todo mundo chora ê.

Em cena
Durante a apresentação do maculelê, os componentes, que representam a tribo rival, formam um círculo em volta de uma pessoa, que representa o herói. Todos sustentando um par de bastões nas mãos. O desenrolar da história é contado através dos cânticos que são respondidos em côro. Além do côro os componentes batem os bastões (grimas) no ritmo do atabaque que é tocado pelo mestre do maculelê.

O Maculelê hoje
Hoje o maculelê se mantém preservado graças à sua incorporação por grupos de capoeira, que incluíram a dança nas suas apresentações em batizados e festas populares. Os componentes se apresentam vestidos de saia de sisal, sem camisa e com pinturas pelo corpo. Há também alguns grupos que preferem se apresentar com seus abadás usuais, o que deixa evidente a sua descaracterização, o que deve ser evitado para que não percamos mais uma manifestação cultural através do esquecimento de suas raízes.

O maculelê faz parte do folclore brasileiro e deve ser preservado como patrimônio cultural, assim como a capoeira. Deve ser mantido e respeitado como tradição. Seja ela trazida por nossos irmãos africanos ou criada pelos nativos indígenas, a beleza do maculelê traz em si os traços da miscigenação cultural de um país onde a cultura é a mais rica do mundo, apesar de não receber o reconhecimento que merece.

Salve o Maculelê Salve Mestre Popó

Axé

Bibliografia:
-Mutti, Maria: Maculêle, Santo Amaro da Purificação, 1968.
-Carybé: As Setes Portas da Bahia, Coleção Recôncavo, Ed. Livraria, 1951 2a.Edição.
-Almeida, Plínio de: Pequena História do Maculêle.
Sites para referência:

Matthias Röhrig Assunção e Mestre Cobra Mansa

A origem da capoeira sempre foi controvertida. Mestre Pastinha (1889-1981), um dos mais famosos capoeiristas da Bahia, durante muito tempo pensou que a ginga que aprendera desde criança provinha de uma mistura do batuque angolano e do candomblé dos jejes, africanos da Costa da Mina, com a dança dos caboclos da Bahia. Mas, por falta de mais conhecimentos, não podia ir muito além dessa afirmação.

Isso até a década de 1960. Foi quando uma revelação mudou completamente suas idéias sobre as origens da capoeira. À frente de sua academia, situada no Pelourinho, em Salvador, Pastinha recebeu a visita de um pintor vindo de Angola. Chamava-se Albano Neves e Sousa e afirmava que tinha visto na África uma dança semelhante ao tipo de capoeira que o mestre baiano ensinava. Só que lá chamava-se n’golo.

Até então, ninguém por aqui tinha ouvido falar de nada semelhante. A memória oral não registrava nenhuma prática ancestral específica. Muitos afirmavam, e continuam afirmando, que a capoeira teria sido inventada pelos escravos nas senzalas. Outros, que teria sido criada pelos quilombolas em sertões distantes. Estudiosos têm ressaltado o caráter urbano da capoeira, pois as fontes do século XIX só  documentam sua prática por escravos africanos e crioulos (negros nascidos no Brasil) em cidades portuárias, como Rio de Janeiro e Salvador. Naquela época, era uma “brincadeira” proibida, e a grande maioria dos africanos presos por “jogar” capoeira no Rio de Janeiro era originária da África centro-ocidental, das “nações” Congo, Angola e Benguela. Em Salvador, a capoeira também era identificada como uma “brincadeira dos negros angola”. Por essa razão, faz realmente sentido buscar as raízes da capoeira na região dos atuais Congo e Angola.

O n’golo, explicou Neves e Sousa ao velho capoeirista, é dançado por rapazes nos territórios do sul de Angola, durante o ritual da puberdade das meninas. Chamado de mufico, efico ou efundula, esse ritual marca a passagem da moça para a condição de mulher, apta a namorar, casar e ter filhos. É uma grande festa em que se consome muito macau, bebida feita de um cereal chamado massambala. O objetivo do n’golo é vencer o adversário atingindo seu rosto com o pé. A dança é marcada pelas palmas, e, como na roda de capoeira, não se pode pisar fora de uma área demarcada. N’golo significa “zebra” e, de fato, alguns movimentos, em particular o golpe dado pelo pé, de costas e com as duas mãos no chão, parecem mesmo com o coice de uma zebra.

Os registros e a argumentação de Albano eram bastante convincentes. Se os africanos escravizados nas Américas lograram, apesar de condições terrivelmente adversas, adaptar suas religiões e seus rituais, assim como suas festas e danças de umbigadas, não seria lógico que também trouxessem para cá seus jogos de combate e suas artes marciais? Sabe-se que os exércitos congolês e angolano eram formados por guerreiros exímios na luta corporal. Vários cronistas destacaram a habilidade com que eles evitavam golpes, jogando o corpo para o lado de maneira imprevisível e confundindo o adversário.

Ainda que muitos dos africanos escravizados conhecessem as artes da guerra, a maioria se dedicava à agricultura ou à pecuária antes de ser aprisionada e embarcada à força para as Américas. Os povos pastores de Angola, em particular, por causa da necessidade de proteger o gado que tangiam contra eventuais gatunos,  desenvolveram técnicas de combate individuais, sabendo manejar paus e outras armas contundentes contra os inimigos.

Os cronistas coloniais não forneceram descrições pormenorizadas das técnicas nem dos rituais desses antigos jogos de combate, o que torna impossível qualquer tentativa de aproximá-los da capoeira como hoje a conhecemos. Os significados culturais desses rituais também mudaram ao longo dos séculos, acompanhando a intensa transformação socioeconômica  e cultural por que passou a África a partir do século XVII. Até as fronteiras étnicas foram redesenhadas antes que se chegasse à configuração atual. Assim, todas as manifestações que porventura existem hoje em Angola são expressões contemporâneas, e só  têm relações tênues com os jogos de combate do tempo do tráfico negreiro.

Infelizmente, Mestre Pastinha (ver box), por ocasião da visita de Albano Neves e Sousa, já estava com a vista comprometida por uma catarata – aliás, nunca operada por falta de recursos. Isso limitava muito qualquer plano seu de divulgar a recente descoberta. Chegou a contar a história que ouviu para seus alunos mais próximos, mas não deixou nenhum registro escrito sobre o n’golo. Nem seu livro Capoeira Angola, publicado pela primeira vez em 1964, nem seus diversos manuscritos, por serem anteriores ao encontro com o pintor luso-angolano, mencionam a “dança da zebra”. Mas Albano Neves e Sousa conseguiu convencer outros brasileiros de sua teoria, entre eles o então presidente da Sociedade Brasileira de Folclore, Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).

De volta a Angola, Neve e Souza organizou, em 1966, a exposição “…Da minha África e do Brasil que eu vi…”, com o material de suas viagens aos países de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico, apontando semelhanças entre expressões culturais africanas e dos negros brasileiros. No prefácio do catálogo da exposição, Câmara Cascudo mencionava que o pintor “viu a ginástica do n’golo, batizada em ‘capoeira’”. O renomado folclorista seria o primeiro a divulgar no Brasil a teoria do n’golo como luta ancestral da capoeira. Ele conhecera Albano Neves e Sousa durante uma viagem a Angola em 1963, e daí nasceu uma amizade cultivada por correspondência durante muitos anos.

Depois de sua viagem ao Brasil e de seu encontro com a capoeira, o pintor explicou a Cascudo, numa longa carta, suas idéias sobre as origens dessa arte. O folclorista potiguar encampou a teoria, tanto que citou longos trechos da carta do pintor no seu livro Folclore do Brasil (1967) e incorporou a explicação no seu Dicionário de Folclore (1972, 3ª ed.). Baseado nas informações fornecidas pelo amigo, Cascudo deu mais detalhes sobre a dança da zebra e sua trajetória até se transformar em capoeira. Explicou que o n’golo seria típico entre os povos pastores do sul de Angola. O ritual era precedido por uma luta de mãos abertas, a liveta. O jovem que ganhasse no n’golo teria o direito de escolher sua noiva entre as meninas recém-iniciadas, sem ter de pagar dote. Cascudo sugeriu que o n’golo teria chegado ao Brasil através do porto de Benguela.

Aqui, essa tradição tribal se transformara em instrumento de defesa e ataque de bandidos. Na edição, ele incluiu três desenhos do n’golo, feitos por um artista de Natal com base na obra de Neves e Sousa. Os esforços conjuntos do pintor, do folclorista e do velho capoeirista para resgatar o vínculo ancestral ligando a capoeira a Angola acabaram dando resultado.
Os desenhos originais de Neves e Sousa só foram publicados em 1972, num livro com o mesmo título da exposição de 1966. A epígrafe é significativa: “Digam o que disserem… Se Portugal foi o Pai do Brasil, Angola foi a Mãe Preta que o trouxe ao colo!” Reúne elaborados a partir dos esboços e aquarelas feitos no campo durante vinte anos, acompanhados de pequenos textos explicativos.

Algumas imagens evidenciam semelhanças surpreendentes entre a capoeira e o n’golo, como o uso de golpes com os pés enquanto as mãos se apóiam no chão (chamado na capoeira de “meia lua de compasso” ou “de rabo-de-arraia”), muito raro em outras artes marciais. Recentemente, surgiram mais evidências desse parentesco. A viúva de Albano revelou esboços e aquarelas inéditos, que ilustram estas páginas. Eles mostram detalhes adicionais do n’golo: o apoio nos braços com uma perna dobrada e a outra esticada para dar um golpe, por exemplo, é idêntico à movimentação na capoeira. E a postura de defesa, com um joelho dobrado e outro esticado, é muito parecida com a “negativa” dos nossos capoeiristas. Como esses movimentos parecem existir somente em jogos de combate da diáspora dos povos bantos, permanece relevante o vínculo ancestral entre o n’golo e a capoeira brasileira.

O livro de 1972 foi publicado numa pequena edição caseira e circulou pouco na época. Mas as imagens do n’golo – muitas vezes circulando via fotocópia de fotocópia – ficaram famosas entre os capoeiristas. O estilo de capoeira angola, que chegou a ser considerado em extinção na década de 1970, experimentou um extraordinário crescimento depois da morte de Mestre Pastinha. Uma nova geração de capoeiristas “angoleiros”, liderados por Mestre Moraes e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho – GCAP, revigorou o estilo a partir de 1982. Alunos mais antigos de Pastinha, como os mestres João Pequeno e João Grande, lembravam ocasionalmente a história do n’golo, mas não de maneira categórica, como seria feito por Moraes e seu grupo. O GCAP escolheu a dança da zebra como símbolo do estilo, porque representava bem a ancestralidade angolana da sua arte e também ia ao encontro das afirmações do movimento negro sobre a importância da cultura africana na formação do Brasil.

A partir da década de 1990, o n’golo e as listras da zebra têm figurado nos logotipos e nos websites de muitos grupos de capoeiristas, assim como nas camisas e nos brindes distribuídos em seus eventos. Os detalhes fornecidos por Cascudo e os desenhos de Neves e Sousa, repetidos e reproduzidos inúmeras vezes,viraram referência obrigatória no meio. O n’golo acabou por transformar-se num mito de origem, numa “tradição ancestral”.

No entanto, trata-se de um mito no mínimo questionável. Para começar, não foi transmitido pelos mestres africanos aos seus alunos brasileiros via tradição oral. Aceitar literalmente o mito implica, além disso, um tremendo anacronismo, ou seja: como pode uma manifestação documentada apenas no século XX ser “a origem” de uma capoeira que existe pelo menos desde o início do século XIX? Pensar que o n’golo teria sobrevivido inalterado  desde a época do tráfico negreiro é ignorar as profundas mudanças pelas quais passaram as sociedades do território angolano nesse período.

Surpreende que hoje, em Angola, o n’golo seja completamente desconhecido, assim como seu papel como mito fundador da capoeira. Devido à longa guerra civil que vitimou o país e todas as transformações das últimas décadas, ninguém mais dança, por exemplo, o n’golo de tchincuane (tanga de couro), como foi retratado por Neves e Sousa meio século atrás. Talvez o mais correto seja imaginar o n’golo e as outras lutas e jogos de combate ainda existentes na Angola contemporânea como primos mais ou menos distantes da capoeira brasileira. Findo o tráfico negreiro, as técnicas de combate corporal que existiam dos dois lados do Atlântico teriam evoluído em direções diversas, o que explicaria não só suas semelhanças, mas também suas tremendas diferenças.

MATTHIAS RÖHRIG ASSUNÇÃO é professor de História na Universidade de Essex, Inglaterra, bolsista da CAPES em 2007 e autor de Capoeira. The history of an Afro-Brazilian martial art (Routledge, 2005).

COBRA MANSA (CINÉSIO FELICIANO PEÇANHA) é mestre de capoeira angola e criador da Fundação Internacional de Capoeira Angola (Fica).

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/elo-perdido

Bem Vindo(a) ao Kilombo Tenondé
Centro de Capoeira Angola e Permacultura!

Coordenado pelo Mestre Cobra Mansa, o Kilombo Tenondé combina a arte de Capoeira Angola com a prática de permacultura realizando uma série de atividades, eventos e oportunidades de trabalhos voluntários. Essas atividades envolvem a bioconstrução, agroflorestas, a agricultura orgânica (incluindo produção de: cacau, canela, cravo, urucum, dendê, guaraná, manica, jaca, legumes,  dentre outros), criação de animais, incentivando a comunidade local para o desenvolvimento de práticas ecológicas e auto-sustentáveis.

O Kilombo é localizado em Bomfim, um pequeno vilarejo próximo da cidade de Valença/BA. A área tem floresta nativa, áreas de agricultura e áreas reflorestadas.

Esse ano também estaremos celebrando 10 anos! de trabalho constante na região de Serra Grande com aulas e eventos!

Venha fazer parte dessa data histórica e participe das vivencias de Capoeira Angola com aulas e rodas e muito mais : Aulas de canto ,percussão e musica e muito Samba e Danças Brasileiras

Pessoas de todo Brasil e de fora também estarão compartilhando essa vivencia com muita alegria e Axé na presença de Mestres convidados

Camping na Fazenda OuroVerde e pousada em Serra Grande

Programa:

17 de Julho quarta feira Dia de chegada e aula no Barracão D’Angola em Serra Grande 18hs -20hs

18 Julho quinta feira  9hs Vivencia de Capoeira Angola na Fazenda OuroVerde

16hs vivencia de dança e tambores na OuroVerde

depois do jantar Samba!

19 de Julho sexta  9hs Vivencia de Dança na OuroVerde

18hs Vivencia de Capoeira Angola e roda no Barração / Serra Grande

Festa com Forró   Serra Grande

20 de Julho Sabado 10hs Capoeira Angola na OuroVerde

18hs Roda de Capoeira Serra Grande

Samba na Serra Grande

21 Julho domingo  15hs Roda final na Ouroverde

Festa de despedida na OuroVerde

Investimento

$300 BR  camping na fazenda Ouroverde com café da manhã ,todas as aulas e a camizeta do evento

$150 BR  Somente as aulas

$30 BR Aula avulsa

$30 BR Noite avulsa no camping OuroVerde com café da manhã

$30 BR Camiseta do evento

Disponibilidade de pousada e preços email Cabello@caxixi.com

 

 

A Capoeira pelo Mundo

Vejam algumas imagens da Capoeira no Mundo