Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
Aprenda RSS feed e encontre você mesmo! Prof Romário

Aquivo de novembro, 2017

Mestre Noel
Noel José do Nascimento é o nome de batismo de mestre Noel, capoeirista e assessor cultural que leva seus conhecimentos da capoeira Angola para dezenas de alunos das Oficinas Culturais da Fundação Educacional e Cultural Deodato Santana/Sectur – Secretaria de Cultura e Turismo de São Sebastião. Natural da capital pernambucana, Recife, Noel chegou à cidade em 1990, iniciando seu trabalho prático diretamente com a capoeira no ano seguinte com outro mestre da cidade, Dominguinhos. Praticando e ensinando a arte genuinamente brasileira da capoeira dentro da escola chamada Angola, mestre Noel, tornou-se monitor cultural em 1995 e desde então tem levado seus conhecimentos aos alunos a quem ensina e também forma novos mestres que, segundo ele, poderão perpetuar esta prática no futuro. Suas aulas atualmente são realizadas em três localidades: na Escola Municipal Henrique Botelho às quartas e sextas-feiras das 9h às 11h; na Escola Municipal Topolândia às terças e quintas-feiras também entre 9h e 11h e no Centro Cultural São Sebastião Batuíra das 19h às 22h todas as terças e quintas-feiras, todos na região central da cidade. Às sextas-feiras, a partir das 19h, professores e alunos do município se reúnem em frente à Sectur para uma confraternização onde realizam uma roda de capoeira Angola e também de samba.

Em São Sebastião, onde pela primeira vez o dia 20 de novembro (Dia da Consciênia Negra) é feriado municipal, destaque para o show da cantora Sandra de Sá. A programação na região incluiu muita música, dança e arte em diversos bairros.

A cidade teve diversas ações em comemoração à Semana da Consciência Negra no Teatro Municipal, na Rua da Praia, na Praça do Pôr do Sol, em Boiçucanga, e no Instituto Verdescola, em Barra do Sahy. Ao longo da semana também hauve o XI Encontro Nacional de Capoeira Angola de São Sebastião; Comandado pelo Mestre Noel e Mestre Dominguinhos, com mestres convidados, Mestre Claudio, Mestre Moreno, Mestre Raimundinho entre outros o encerramento das Oficinas Culturais/2017 com o tema “Samba”; Fóruns Setoriais da Comunidade Negra; desfile de penteado afro; exposições e apresentações artísticas e culturais; cerimônias e rodas de conversa; caminhada Zumbi dos Palmares; show com a cantora Sandra de Sá, entre outros.

O dia 20 de novembro passou a ser considerado feriado municipal da Consciência Negra em São Sebastião, conforme decreto assinado pelo prefeito Felipe Augusto no mês de outubro. A Lei Federal 12.519/2011 instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Contando sempre com sua Esposa, Companheira e parceira Mestra Sú, mestre Noel recebe com carinho e respeito todos os convidados, permitindo a participação de todas as manifestações culturais locais, engrandecendo ainda mais o evento da semana da consciência negra na Cidade e Região. Deixo aqui expressados meus votos de muita saúde e paz, e boa continuidade a esse expressivo trabalho dedicado a Cultura Afro Brasileira, e após muitos anos dedicados a nossa Capoeira Angola poder ver brotar a semente para um futuro melhor. Que Deus, nosso criador e redentor abençoe grandemente o trabalho do Mestre Noel e Mestra Sú, para que continuem esse lindo trabalho por muitos e muitos anos.

Romário Itacaré

Mãe Ilza

Mãe Ilza Mukalê

É a líder religiosa do centenário Terreiro Matamba Tombeci Neto, localizado no Alto da Coquista, em Ilhéus. O projeto “Mãe Ilza Mukalê” vai registrar e difundir a tradição oral do Candomblé Angola-Congo, a partir das histórias contadas por ela.Inscreva-se para as rodas de conversa!

Mãe Ilza Mukalê

Ilza Rodrigues Pereira dos Santos, a Mãe Ilza Mukalê

Natural de Ilhéus, é fundadora e conselheira espiritual do Grupo Cultural Dilazenze, fundadora dos grupos afro Axé Odara e Lê–guê depá, colaboradora do projeto social Batukerê, fundadora da SACI (Sociedade Anônima e Cultural de Ilhéus) e presidente de honra da Associação Beneficente e Cultural do Terreiro de Matamba Tombenci Neto.
Mãe Ilza, como é carinhosamente chamada, nasceu no dia 13 de março de 1934, filha de Valentin Afonso Pereira e de Izabel Rodrigues Pereira (D.Roxa) e tem 14 filhos (10 Homens e 04 Mulheres), 32 netos e 15 bisnetos. Mãe Ilza revolucionou o jeito de ser mãe de santo em Ilhéus interagindo com a comunidade, abrindo o seu terreiro para ensaios de blocos afro, afoxés, reuniões de moradores, festas comunitárias, realizações de palestras e debates sobre diversos temas. Mãe Ilza sempre brincou carnaval e participou de inúmeras peças teatrais sob a direção de Pedro Mattos, Luiz Carilo e Mário Gusmão. Sempre gostou de participar da vida cultural da cidade o que, às vezes, não era bem visto pelas mães de santo mais conservadoras. Isso, todavia, nunca incomodou Mãe Ilza que está há mais de 30 anos à frente de um dos  terreiros mais antigos da Bahia: o terreiro Matamba Tombenci Neto, que está já na sua quarta geração.

 

Mãe Ilza é filha de Matamba (Iansã) e sua dijina é Mukalê. Seu título religioso é Nengua de Nkisi (mãe de santo) e a nação a qual pertence é a de Angola. Tem 63 anos de feitura (realizou suas obrigações aos 12 anos de idade em Salvador com a Nengua Nkisi Kizunguirá, D. Maçú).
O primeiro terreiro da família de Mãe Ilza, Aldeia de Angorô, foi fundado em 1885 por sua avó materna Iyá Tidú (Tiodolina Félix Rodrigues cuja dijina era Condandá) que o dirigiu até 1914.
Entre 1915 e 1941, Euzébio Félix Rodrigues (Tata de Inkissi cuja dijina era Gombé), esteve na direção do terreiro por herança de sua mãe carnal Tiodolina. O terreiro passou assim a se chamar Roxo Mucumbo.
Em 1942 assumiu a liderança do terreiro aquela que viria a ser a mais famosa mãe de santo de Ilhéus, Dona Roxa ou Roxinha, como era carinhosamente chamada pelos amigos (Isabel Félix Rodrigues). Mameto Inkisiana, cuja dijina era Bandanelunga, herdou o trono de seu irmão Euzébio passando o terreiro a se chamar Senhora Santana Tombenci Neto. Seu ministério durou até 1973.
Mãe Ilza representa a quarta geração da família Rodrigues na liderança do terreiro. Assumiu o cargo em 1975 e o terreiro, com ela, passou a se chamar Matamba Tombenci Neto. Mãe Ilza herdou o trono de sua Mãe Dona Roxa e conduz até hoje o terreiro com muita competência, garra, coragem e determinação até quando Zambi (Deus) e os Inkissi (orixás) assim permitirem.

Terreiro de Matamba Tombeci Neto

 

O Terreiro de Matamba Tombenci Neto é um terreiro de candomblé de nação Angola, dirigido hoje por Mameto Mukalê (Mãe Ilza Rodrigues). Sua história teve início ainda no século XIX, mais precisamente no ano de 1885, na região do Catumbo, próximo ao Engenho Santana na cidade de Ilhéus, quando Tiodolina Félix Rodrigues, a mãe de santo Iyá Tidú, avó de mãe Ilza, fundou o Terreiro Aldeia de Angorô, antigo nome do terreiro.

Em 1915, após o falecimento de Iyá Tidú, seu filho Euzébio Félix Rodrigues, o pai de santo Gombé, deu continuidade ao Terreiro, dando-lhe o nome de “Terreiro de Roxo Mucumbo”. Tata Gombé conduziu a casa até 1941, quando faleceu.

Em 1946, Izabel, irmã de Euzébio Rodrigues (o Tata Gombé), completou suas obrigações com Dona Massú, filha-de-santo de Maria Neném, a fundadora do Terreiro Tombenci em Salvador. Izabel Rodrigues Pereira, a famosa D. Roxa (Mameto Bandanelunga), assumiu, então, a condução da casa, que agora passaria a ser chamada “Terreiro de Senhora Sant’Ana Tombenci Neto”. D. Roxa tornou-se, assim, uma das mais importantes mães-de-santo da história de Ilhéus e de toda a Bahia. Em 1973, D. Roxa faleceu. Dois anos depois, em 1975, sua filha Ilza Rodrigues, dá continuidade a seu trabalho, passando a conduzir o Terreiro, daí em diante chamado de “Terreiro de Matamba Tombenci Neto”.

Há mais de 30 anos à frente do Tombenci, Mãe Ilza Mukalê continua conduzindo esta casa com garra, dedicação e dignidade, elevando cada vez mais alto o nome do Tombenci e da nação angola. O Terreiro de Matamba Tombenci Neto possui matriz em Salvador, no considerado primeiro terreiro de nação Angola no Brasil. Este terreiro conta a história verídica da trajetória de uma família comprometida em trilhar pelos caminhos da auto-afirmação do povo negro, da manutenção dos seus valores e de sua identidade.

Hoje, o Terreiro de Matamba Tombenci Neto é um dos mais destacados representantes das casas de religiões de matriz africana em Ilhéus e em todo o sul e extremo sul baiano. E é também uma referência social e cultural para a comunidade da Conquista, bairro onde está situado. Além de, no passado, ter abrigado um afoxé, o Lê-Guê DePá, considerado a primeira organização carnavalesca de Ilhéus, a partir de 1986, o Terreiro foi o palco da constituição e do desenvolvimento do Grupo Cultural e Bloco Afro Dilazenze, que, ao longo desses anos, tem desenvolvido uma série de atividades sociais e culturais em Ilhéus e região, vale citar: Bloco Afro Dilazenze; Banda Percussiva Dilazenze; Balé Afro Dilazenze; Grupo de Samba de Roda Sambadila; Projeto Social Batukerê (que atende a 60 crianças e adolescentes da comunidade da Conquista); Festival de Música e Beleza Negra e Mostra de Arte e Cultura do Dilazenze.

Além desses projetos do Dilazenze, em 2004, o Tombenci foi também o espaço em que foi criada a Organização Gongombira de Cultura e Cidadania, uma Organização Não-Governamental (ONG), sem fins lucrativos, cujos objetivos primordiais são a preservação, valorização e divulgação da cultura negra na sociedade, bem como a luta contra o racismo e a discriminação. Dentre os projetos da Gongombira, vale citar: Orquestra Afro Gongombira de Percussão; oficina de ritmos brasileiros; curso de montagem e manutenção de micro-computares; as 3 edições do projeto Caruru Cultural – em 2008 (em parceria com as organizações: Filtro dos Sonhos, MATER e Casa do Boneco); o I Fórum de Debates sobre Diversidade Étnico Racial no Colégio Estadual Antônio Sá Pereira; a I Mostra de vídeos Étnicos Raciais de Ilhéus; a indicação e contemplação de Mãe Ilza no Prêmio Zeferina promovido pela UNEB (Universidade do Estado da Bahia), tendo sido a primeira e, até então, única mulher negra do interior baiano a receber esse troféu; como também a indicação e contemplação de Mãe Ilza no prêmio culturas populares do MINC, recentemente; e a contemplação do terreiro no edital dos pontos de leitura (FPC/2010).

Em março de 2005, foi criada, ainda, a Associação Beneficente e Cultural Matamba Tombenci Neto, com a missão de proporcionar ao Terreiro uma atuação mais efetiva visando ao bem-estar de sua comunidade.

Em novembro de 2006, foram criados e inaugurados o Memorial Unzó Tombenci Neto, que reúne material oriundo da longa história do Terreiro, e a Galeria Ingué Kaitumba, que expõe fotografias dos antepassados e líderes do Tombenci.

A preocupação com a preservação do patrimônio do Terreiro Tombenci Neto também está presente em relação aos elementos considerados imateriais. Nesse contexto vale citar a participação do Terreiro Tombenci Neto, em maio de 2008, na série Trilhas Urbanas, produzida pela Fundação Gregório de Mattos, estabelecendo registros musicais das cantigas do terreiro para os orixás. E, é nesse mesmo contexto, de valorização e registro do patrimônio imaterial que se fundamenta o projeto aqui intitulado: “Mãe Ilza Mukalê ”.

Conheçam Mestre Sombra

Mestre Sombra

Mestre Sombra

Roberto Teles de Oliveira, o Mestre Sombra da Capoeira Angola, nasceu em 6 de fevereiro de 1941, em Santa Rosa de Lima, Sergipe, local em que sua família possuía um pequeno comércio, e onde passou sua infância. Na adolescência, transferiu-se para a Capital, Aracaju, para trabalhar na construção civil, ali permanecendo até completar 19 anos de idade. Em 1962, deixou seu estado natal, estabelecendo-se em Santos, região da Baixada Santista no estado de São Paulo. Nos primeiros tempos, teve diversos empregos, em vários ramos diferentes.
Pouco tempo após sua chegada à Baixada Santista, embora trabalhasse arduamente para sobreviver, logo buscou a capoeira, atividade que já praticava desde menino. No ano de 1963, depois de muita procura, seu irmão o levou a um encontro de capoeiristas em Itapema (atual Vicente de Carvalho, Distrito do Município de Guarujá/ SP).  Ele foi apresentado ao Mestre Olívio Bispo dos Santos, baiano aposentado do sindicato dos ensacadores, que contava cerca de 60 anos de idade à época. Este viu Sombra jogando, e disse: Você sabe a capoeira, precisa somente adquirir comportamento. Sombra passou a dedicar-se à Capoeira nas horas vagas, tendo iniciado então no grupo Bahia do Berimbau comandado pelo Mestre Olívio Bispo dos Santos, o encontro era realizado nos fundos de uma casa, com doze senhores e Sombra, era o único garoto.

Houve várias tentativas de abertura, a primeira foi na Rua São Bento, nº25 e na Ana Costa, nº 218.A maioria dos integrantes eram estivadores, reparadores de navios, sacadores de café e na ocasião, Sombra trabalhava de cobrador na CMTC. Em 1968 começou a trabalhar na Companhia Docas de Santos, empresa que controlava o porto local, à época.  Em 1971 houve uma parada nos encontros. Pouco tempo depois, Em 1972, o grupo Bahia do Berimbau que jogava a capoeira em Itapema (hoje Vicente de Carvalho); mudou-se, com bastantes dificuldades, para Santos, depois da morte do Mestre Olívio Bispo dos Santos, época em que o agora mestre Sombra passou a assumir o cargo na associação de capoeira Eva Lee então chamada Zumbi.  Dois senhores, Maurício – o baiano do Charuto, e Benedito mandaram um recado ao mestre Sombra para marcar um encontro. Depois de três meses ele apareceu, no bar do Juca com Berimbau. No Itapema distrito do Guarujá criaram um grupo de capoeira, com o nome Zumbi. Em 1974, a associação registou-se na Federação Paulista de capoeira, mudando o nome para Senzala.

Posteriormente Mestre Sombra alugou uma pequena sala na Marechal Pegô Junior, nº20, sendo fundada em 1975  onde ele  conseguiu o salão onde até hoje se encontra, na rua Brás Cubas, n. 227a Associação Capoeira Senzala. Desde 1979, Senzala é sediada no mesmo local, apresentando a cultura capoeira, formando professores e mestres.
A academia de capoeira Senzala tem formado várias gerações de professores e mestres, sendo a obra de Mestre Sombra conhecida e reconhecida em Santos e na baixada santista tanto através dos inúmeros eventos e apresentações em que a Senzala tem participado e organizado que graças ás academias abertas por formados do mestre. Mais de 5000 alunos passaram pela Senzala. A Associação formou muitos mestres que depois seguiram mundo afora: Espanha, EUA, Grécia, Holanda, Inglaterra, País de Galles, França e Noruega, difundindo a cultura capoeira Senzala e a Língua Portuguesa.  Mestre Sombra tem sido coordenador do Conselho da Comunidade Negra de Santos.

Em 1993, se aposentou das Docas, abrindo um comércio de modas e roupa de capoeira, o Bazar Senzala, em Santos. Em muitas ocasiões está chamado para viajar para o Brasil, a Europa e a América, a fim de dar força e apoio aos seus ex-alunos no ensino da capoeira

Mestre Sombra é referência de seriedade na disseminação da Capoeira no Brasil e pelo Mundo. Foi convidado pelo Ministério da Cultura, para participar, em Salvador, do ato de tombamento da Capoeira como Patrimônio imaterial.
Sua relação com os discípulos, é de ensinar e aprender, onde todos mantém contato e criaram uma rede de cultura pelo mundo: Filhos de Sombra.
a

A Capoeira Senzala é uma representação forte de capoeira e há muitos anos Mestre sombra transmite suas sabedorias, para jovens e adultos sem receber remuneração, pois a maioria que freqüentam não tem condições de pagar a mensalidade. O grupo Cultural Senzala, vende artigos de capoeira, realiza eventos culturais de capoeira e Mestre Sombra circula pelo Mundo, possibilitando a manutenção até hoje da Capoeira Senzala.

Mestre Sombra gosta de falar aquelas frases que você fica relembrando, sem saber se você entendeu mesmo o que quer dizer, frases de poeta para homem pensar, como por exemplo:

“Jogar capoeira é pôr o corpo em oração.”
 
“Capoeira luta sem vencer, por isso vence sem lutar.”
 

Fonte: Memorial do Berimbau