Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
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Aquivo de agosto, 2017

Conheçam o Mestre Pinatti

Pinatti

MESTRE PINATTI, embora naquela música do Mestre Limão ele cante, o Pinatti é o Pinatti é da Bahia, mas na verdade Djamir Furtado Pinatti, é paulista de Orlândia, nascido em 13 de Abril de 1930 é um dos precursores da capoeira de São Paulo e autor da primeira revista de capoeira, de título “Capoeira”, que circulou na década de 80. ( Foram Capa da Revista o Mestre Borracha e o Mestre Paulinho Baraúna, Revista Capoeirae com fotos de muitos atletas da época em alta como o Mestre Zi Pachon) É um dos fundadores da Associação de Capoeira São Bento Pequeno (1969), que foi uma das fundadoras da Federação Paulista de Capoeira.Nos anos 70 eram poucas academias que poderiam ser contadas no dedo em São Paulo, como a do Mestre Suassuna, Zé de Freitas, limão, Silvestre,Zumbi, Brasília e etc. e Contemporânea a essa época a academia do Mestre Pinatti. Inicialmente treinou Judo e Karate, e hoje Com Inúmeros Mestres Formados Tais como Mestre Borracha, Mestre Paulinho Baraúna e muitos outros e acreditem ele mesmo começou a aprender capoeira com o Livro ” Capoeira sem Mestre” do Lamartine Pereira da Costa, e depois com o Mestre Zé de Freitas que dava aula na CMTC( antiga empresa de ônibus em São Paulo)

Quanto ao LIVRO!
O Mestre ítalo-brasileiro Djamir Pinatti é um dos veteranos da capoeira paulista. Ao lado de Paulo Limão, Paulo Gomes, Suassuna, Silvestre, Brasília, Joel, Gilvan, Grande e tantos outros, fez com que a capoeira adentrasse no seleto cardápio cultural e desportivo da Terra da Garoa, principalmente nos idos dos anos 60 e 70.
Quarenta anos depois, Mestre Pinatti continua em plena forma e em atividade. Sua Associação São Bento Pequeno, fundada em 1969, uma parceria feita com os mestres Paulão e o saudoso Paulo Limão, tem endereço certo: Rua do Vergueiro, 2684, próximo ao metro Ana Rosa.
Em seu acervo particular, que mereceria uma Sala Especial na Biblioteca Mário de Andrade, Pinatti mantém documentos preciosismos da História da Capoeiragem paulista e paulistana, e mesmo dos demais estados. Será impossível, apenas para dar pequeno exemplo, conhecer a história completa da Federação Paulista de Capoeira (FPC), fundada em 1974, sem recorrer a seu acervo.
Mestre Pinatti, nesse momento, está em mais uma grande missão: condensar seu precioso acervo capoeirístico em um livro: “Capoeiras de São Paulo: da gestão federativa a capoeiragem livre como o vento”.
Segundo o mestre-pesquisador-autor, a parte mais complexa deste “jogo” é decidir o que deverá ser incluído e o que deverá ficar de fora.
– “Pois tudo é história, tudo é importante; todos os mestres, antigos ou atuais, foram e são essenciais para nossa arte; é uma construção coletiva”, professora o mestre.
– “Apenas os documentos que estoquei sobre os saudosos Paulo Limão e Paulo Gomes, seriam mais do que suficientes para justificar um livro de garantido sucesso editorial”, arremata Pinatti.

Com sorte, até o final deste ano de 2006, estaremos sendo convidados a participar de lançamentos itinerantes desse livro. Ciclo que percorrerá a maioria dos estados brasileiros, começando por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Realizada a Etapa Brasil, mestre Pinatti deverá fazer lançamentos nos Consulados Brasileiros de Roma, Bélgica, França, Espanha e Portugal.
O primeiro grande passo, entretanto, no que tange a lançamentos, enfatiza Mestre Pinatti, será presentear os Ministros Agnelo Queiroz (Esportes) e Gilberto Gil (Cultura) com um exemplar: É ponto de honra:
– “Quero fazer um jogo de capoeira com o Ministro Agnelo – que é capoeirista – no hall de entrada da Esplanada dos Ministérios, com o Senhor Ministro da Cultura, o Administrador-Compositor-Cantor Gilberto Gil, entoando “Berimbau”, linda composição de Vinicius de Moraes e Baden Powell, já considerada, até pela sutiliza de suas mensagens, o Hino da Capoeiragem”.

Quanto ao novo endereço eletrônico (e-mail) de Mestre Pinatti
Para facilitar e incrementar a troca de e-mail sobre Capoeiragem Mestre Djamir Pinatti resolveu estabelecer um endereço específico: mestrepinatti@terra.com.br
Com muito prazer continuará recebendo e interagindo com todo aquele que estiver interessado em trocar informações sobre Teoria e Prática da Capoeiragem. Mas que usem tão somente o endereço acima, através do provedor TERRA. Não mais utilizando, portanto, o e-mail que vinha sendo utilizado (do provedor BOL). Pois esse está fora da Roda da Capoeira.

Milton Cezar Ribeiro ( Miltinho Astronauta )
São Paulo, Capital, 19.Mar.2006

Conheçam o Mestre Caiçara

Mestre Caiçara

MESTRE CAIÇARA

Antônio Conceição Morais, conhecido como Mestre Caiçara, nasceu em Salvador, em 1923.
Caiçara marcou época na história capoeira. Era provocante, alegre, atrevido e simpático, Exibia uma capoeira bonita de se ver. Diziam os entendidos que ele era “uma das lendas vivas da capoeira” e que sua história “mais parecia ter sido tirada de livros de ficção”.
No Pelourinho de sua época, ele “ditava as regras num território de prostitutas e cafetões, de traficantes e malandros”. Todos tinham de pedir a sua benção.
Em um disco famoso, gravou os diversos toques de berimbau, as ladainhas e os sambas de roda. Cantador de primeira qualidade, contador de casos e de histórias, tinha sempre uma reza para oferecer aos seus admiradores e camaradas.
Muito conhecido e festejado nas Festas de Largo, sempre presente em qualquer evento popular, exibia sua camisa de cores vermelho e verde, e promovia sua Academia de Angola, dos Irmãos Unidos do Mestre Caiçaras, (nome também de um disco fonográfico gravado em São Paulo).
Ardente defensor das tradições africanas, postava-se todas as tardes no Terreiro de Jesus “vendendo seu peixe e gingando”. Ele era “o dono da capoeira de rua”, com sua impressionante voz, grave e profunda”. “O vozeirão de Caiçara ressoava como o dos possantes cantores de ópera; tanto pelo volume, quanto pela afinação, e também por um natural e sadio exibicionismo. Na música brasileira, seria o equivalente de um Orlando Silva – “o cantor das multidões” -, um Cauby Peixoto, ou um Nelson Gonçalves, que dominaram o cenário da música e do rádio com seus vozeirões”,
“Com muito orgulho e cheio de presepadas, contando lorotas, levantava a camisa e exibia a marca dos tiros, facadas e navalhadas, cada uma delas com sua história contada com muita prosopopeia, toda a vez que o convidavam para tomar cerveja gelada, “acompanhada de cachaça e tira gosto”.
Ricardo Cangaceiro relata seu encontro com Mestre Caiçara, dizendo: “Quando o conheci – eu, um iniciante de 23 anos de idade; ele, um homem maduro e mestre renomado de 46 anos -, após inúmeras cervejas super-geladas (algo que não é sempre fácil de achar em Salvador) e tira-gostos variados, estávamos sentados numa área de má reputação, do lado de fora de um botequim pé-sujo – ele, sentado, balançando para a frente e para trás como se numa cadeira-de-balanço; eu, num banquinho -, quando subitamente uma patrulha da polícia brecou no meio da rua e dela desceu um sargento tamanho geladeira que, a passos largos, se encaminhou cheio de decisão na nossa direção. trinquei. Fiquei mais gelado que a meia dúzia de louras que havíamos consumido. É que havia um pequeno problema. Aliás pequeno não: Mestre Caiçara segurava displicentemente, na mão repleta de anéis, um charuto de fazer inveja a qualquer charuto cubano de Fidel Castro. Rapidamente, por entre os vapores alcoólicos – tínhamos temperado a cerveja com algumas bem servidas doses de cachaça -, e o fumacê da Cannabis sativa, vislumbrei meu futuro próximo: ver o sol nascer quadrado por entre as grades de uma janelinha da penitenciária soteropolitana. Olhei rápido para mestre Caiçara e me preparei para o que desse e viesse. Será que ele, com seu passado de rufião, ia dar testa aos homens da lei? Ele continuava impávido no seu balanço na cadeira do bar, e a única atitude radical que tomou foi dar mais um profundo trago no charo, empestando mais ainda o odorífico do ambiente. O sargento chegou, parou em frente a Caiçaras, tocou um joelho no chão, traçou uns pontos riscados no chão, osculou a mão do mestre e pediu:- Sua benção, meu pai. Caiçara, bateu a cinza do charuto e traçou, com a mesma mão enfumaçada, alguns sinais cabalísticos sobre a cabeça do sargento enquanto murmurava algumas frases em nagô. O sargento levantou-se, agradeceu, entrou na patrulhinha, e partiu.”
Mestre Caiçaras faleceu em 26 de agosto de 1997.
MESTRE CAIÇARA
Mestre Caiçara
Foi no Recôncavo baiano, um lugar de segredos, mistérios e muita magia que nasceu um dos maiores nomes da História da capoeira de todos os tempos. Foi no dia 08 de maio de 1924 que Dona Adélia Maria da Conceição, famosa Ilalorixá da cidade de Cachoeira deu a luz ao menino Antônio Conceição Moraes, que futuramente seria conhecido como Mestre Caiçara.
A infância humilde e sofredora não impediu esse Cachoeirano de mergulhar de cabeça nas várias manifestações que o Recôncavo,
“o berço da cultura brasileira”, proporciona aos privilegiados nativos do lugar. Alem de respirar as tradicoes ancestrais Caiçara também conheceu outras culturas, foi praticante de Jiu-Jitsu, Boxe, Luta Livre e Luta Greco-Romana, porém foi na capoeira que escreveu a História e ficou famoso no mundo no mundo todo.
Em 1938, aos 14 anos anos de idade começou a praticar capoeira com o Mestre Aberrê, esse lhe ensinou os segredos e mistérios da capoeiragem, mas foi o mestre Valdemar que lhe aperfeiçoou no canto e no toque de berimbau. Mestre Caiçara foi uma das figuras mais polêmicas da História da capoeira, um caderno de 200 folhas seria pouco para contar a sua História e também as estórias a seu respeito ao longo dos seus 59 anos de ginga.

A Religiosidade:
Conheceu o candomblé e os seus mistérios através da sua mãe Adélia Maria da Conceição. A mesma o-teria preparado para assumir o seu lugar após a sua morte, foi questão de tempo para jovem Caiçara se tornasse respeitado no segmento, transformando se em um dos maiores líderes religiosos e conhecedores da religião afro em território brasileiro. Dependendo da quantidade de inimigos a sua reza forte era uma arma infalível na hora que a força física se esgotava, pois quem o-conhecia sabia que não era de enfeites as várias e diferenciadas guías que trazia em volta do pescoço. Chegou a ter duas casas de candomblé uma na Rua Uruguaia em Salvador e outra na cidade de Goiana no estado de Pernambuco. Porém se desgostou e abandonou o candomblé depois de ver a patifaria que o mesmo havia se tornado naquele determinado período, a cachaçada, a prostituição, o tráfico e muitas outras mundanices que naquele momento permeavam os terreiros de Salvador o-fizeram afastar da religiosidade.


As polemicas:
Durante a sua juventude Caiçara trabalhou de magarefe(abatedor de bois), o próprio dizia que quando queria arrumar uma encrenca, matava o boi bebia o sangue e saia feito um louco procurando brigas.
Rodou a Bahia testando a capoeira, ao todo foram 27 cicatrizes pelo corpo causadas por ferimentos de balas, navalha, faca, punhal, facão e etc. Cicatrizes essas que ele fazia questão de mostrar erguendo a camisa durante uma ladainha, pronunciando a seguinte frase:” ie… sou mandingueiro”.
As confusões com a polícia:
Ao mesmo tempo que era preso pela polícia por desacato, brigas, capoeiragem, ou algum outro tipo de delito, Caiçara se contradizia pela sua autoridade reconhecida por muitos dos soldados do seu tempo que não ousava prende-lo.
Caiçara e o prefeito:
Nos anos 60 o Mestre Caiçara juntamente com o Mestre Traíra, usando a capoeiragem trabalharam fazendo capangagem política para o então prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães.
Caiçara no Cangaço:
o mestre Dizia com orgulho que fez parte de um bando de cangaceiros ainda na adolescência, narrava com emoção as suas performances no bando, mostrava para todos a foto dele vestido de cangaceiros ao lado dos companheiros. Dizem que hoje essa foto se encontra em poder dos seus familiares.
A bengala:
A bengala que o mestre sempre carregava e se apoiava, não era apenas um objeto para descanso e equilíbrio de um idoso, pois dependendo da situação se tornava-se uma arma fatal. Aquela bengala lhe foi dada pelo seu Mestre Aberrê antes de morrer, segundo o próprio Caiçara o seu Mestre também usava bengala, pois além das suas utilidades era também um sinal de elegância.
Cobra mordeu Caiçara e morreu:
Segundo o próprio Mestre Caiçara certa vez foi picado por um Jaracuçu, porém o mestre apelou para o seu santo e após rezar a cobra morreu, em seguida ele fez o corrido. ” cobra mordeu Caiçara e morreu”
Mestre Caiçara x Mestre Bimba:
Certa vez Caiçara foi até o nordeste de Amaralina numa formatura do mestre Bimba e sentou-se como espectador na platéia.


alguns turistas chamavam pelo nome do mestre Bimba que ainda não tinha entrado, foi nesse momento Caiçara gritou:
– “O mestre sou eu”.
Os discípulos do mestre Bimba quiseram tirar satisfação Porém Bimba disse:
-Vamos fazer a exibição, depois
a gente acerta tudo.
No final do evento ambos foram jogar, e em um determinado momento Bimba lhe aplicou uma bênção partindo os lábios e lhe quebrando o nariz.
Caiçara então disse:
– O que é isso mestre?
Respondeu Bimba:
– Isso é pé meu filho.
O arrependimento e pedido de perdão ao mestre Bimba:
Em novembro de 1972, quando Bimba se despedia de Salvador para ir residir e trabalhar em Goiânia, o Mestre Caiçara, que há muitos anos não falava com ele, foi fazer as pazes com o antigo mestre e disse-lhe: “Sou o terceiro mestre da Bahia, depois do Senhor e do Mestre Pastinha, desculpe a minha ousadia”. Não vai embora mestre, a Bahia precisa do Senhor.
No campo das conquistas o mestre também não foi bobo não, ao longo da vida teve mais de 30 filhos com com inúmeras mulheres. Em um determinado período da sua juventude o mestre morou com duas mulheres ao mesmo tempo durante um ano, onze meses e seis dias, fato esse que ele tinha orgulho em narrar, pois sempre enaltecendo a sua vitalidade masculina para com as duas companheiras.
A paixão pelas crianças:
Uma coisa que deixava o Mestre Caiçara furioso era ver crianças maltratadas, ao longo da vida adotou vários meninos(as) de rua. No mês de outubro ele sempre fazia um caruru com seis mil quiabos no dia de São Cosme e São Damião, e anunciava no carro de som para a alegria da meninada. Outra grande paixão do mestre era os seus passarinhos, ele criava muitos, segundo o mesmo eram os pássaros o seu despertador pelas manhãs.
Roupa de homem não dá em menino:
Essa frase nasceu depois que um jovem rapaz hoje conhecido no mundo da capoeira se apresentou como mestre em uma roda onde Caiçara era umas das atrações, ao questionar o rapaz sobre a sua História na capoeira pronunciou a seguinte frase: -” Coloquei se no seu lugar de aluno, roupa de homem não dá em menino rapaz”.
Está aprendendo a soletrar e já acha que sabe ler:
Certa vez Caiçara jogava em uma roda quando viu um antigo aluno se a mostrando demais, o Mestre o-chamou para o jogo e o-acertou, deu lhe uma cabeçada certeira e disse:
– ” essas crianças de hoje são assim, começam a aprender soletrar e já acham que sabe ler.
Em 1969 gravou um LP  de capoeira, toques de berimbau e Samba de Roda. O disco em questão que se tornou uma relíquia da capoeira tem como título o nome da sua academia. Academia de Angola São Jorge dos iIrmãos Gemeos do Mestre Caiçara, a academia essa que era sempre representada nas cores da famosa camisa verde e vermelha que o mestre sempre usava em suas rodas.


Assim era o mestre Caiçara, conhecedor e defensor das tradições, valente porém com a alma de uma criança, polêmico, sério, extrovertido, brincalhão. Caiçara era imprevisível, foi o rei do Pelourinho em período onde a boêmia comandava aquele lugar. ali estavam presentes os donos da noite como: Prostitutas, traficantes, bicheiros, travestis, leões de chácaras, bicheiros e etc. Todos tomavam a sua bênção e respeitavam a figura mais respeitada do Pelô.
Foi um dos maiores cantadores da capoeira de todos os tempos. Quem nunca ouviu falar sobre as ladainhas das festas de largo da Bahia? Pois é. era ali que o mestre soltava o seu vozeirão que emocionava quem ouvia.
No dia 26 de agosto de 1997 a Bahia, a capoeira e toda a cultura brasileira choraram, Caiçara partiu para morar com Deus deixando muita tristeza nas rodas da terra, porém o seu nome, esse se tornou imortal e hoje roda o mundo através da capoeira.
Fontes:
. áudios extraídos do mestre Caiçara em ouro preto no ano de 1987.
.capoeiristas e mestres famosos da Bahia(Pedro Abib)
texto:
Antônio Luiz dos Santos Campos
( boa alma )

Mestre Pele da Bomba

Mestre Pelé da Bomba

Nome: Natalício Neves da Silva
País: Brasil
Cidade: Recôncavo Baiano, Salvador
Nascimento: 1934
Origem: Mestre Bugalho
Mais usada na Bahia, a expressão “gogó de ouro”é sinônimo de boa voz e de afinação.Num universo de opiniões tão divergentes como o da capoeira, mestre Pelé está entre os poucos que recebem, com unanimidade, este título. Direto de Salvador, ele nos conta o que viu e viveu nas rodas, uma história que começa há mais de meio século

“Iêêêêêêêê!” O chamado de Natalício Neves da Silva, o mestre Pelé, aliado aos primeiros acordes do berimbau, é experiência que, quem viveu, não esquece Sua voz expressiva é capaz de nos conduzir aos 500 anos de história e de nos conscientizar do poder libertador que a roda de capoeira representa.

Mestre Pelé nasceu em 1934. E do tempo em que se jogava capoeira nos finais de feira e nos dias de festa. Também fez parte de uma geração dividida entre a marginalizada capoeira de rua, e a institucionalizada capoeira nas academias.

Primeira roda — Na infância, Pelé ajudou o pai na luta pela sobrevivência. Fazia carvão, colhia mandioca e tratava a terra. Depois, vendia as mercadorias na capital baiana. Foi assim que chegou à rampa do Mercado Modelo, próxima igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, onde encontrou a nata da capoeira. “Conheci a capoeira aos 12 anos de idade, quando ia às feiras e às festas populares do recôncavo baiano. Eu ia com meu pai a Muritiba, São Félix e Cachoeira vender carvão. No final do dia, chegavam os ‘senhores’ de toda a região e”, começavam a brincar para se divertir. Era o povo que dava para o capoeirista o título de mestre, que disputava o título ali no jogo, jogo duro”, lembra. Foi numa dessas rodas que Pelé diz ter conhecido o lendário Besouro Mangangá. E confirma a lenda: “Ele sumia quando queria”.

Lendários — Para o mestre, era entre a Igreja da Conceição e a rampa do Mercado que rolavam as melhores rodas de capoeira da época. Em sua memória estão personagens como Valdemar da Liberdade, Caiçara, Zacarias, Traíra, Angolinha, Avani, Bel e DeI (irmãos), Onça Preta, Sete Mola, Cabelo Bom e Bom Cabelo (gêmeos) e Bugalho, que o teria encantado com sua agilidade. “Tinha muita gente importante, naquela época, além de Bimba e Pastinha. Os alunos deles não jogavam muito na rua. Eles evitavam por causa das brigas, não queriam ficar difamados. O pau quebrava e a policia na cavalaria vivia ‘escarreirando’ os capoeiras, acabando com as rodas. Os capoeiristas, por sua vez, quebravam a polícia no cacete. Bimba e Pastinha queriam evoluir, acabar com essa imagem do capoeira”.

Capoeira de Rua – O aprendizado da maioria dos capoeiristas dessa época era mesmo nas grandes rodas na rampa do Mercado Modelo e nas chamadas festas de largo, que começavam na festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia – coração da cidade baixa, próxima ao elevador Lacerda — no dia 1º de dezembro e se prolongavam até o dia 8 do mesmo mês. Depois, vinha a festa de Santa Luzia, frequentada pelos estivadores (trabalhadores do cais do porto), muitos deles, capoeiristas. “Era o dia todo: banho de mar, samba de roda, samba de viola que era uma tradição. Todos os ritmos vindos do recôncavo baiano. Nestas festas, reuniam-se os melhores mestres de capoeira e os melhores locadores de berimbau. Foi num desses momentos que comecei a cantar e a tocar”, relembra.

Foi Bugalho, carregador de embarcações que, nas horas de descanso e nas noites de lua-cheia, ensinou o menino Natalício a gingar nas areia da praia da Preguiça. “Segui a tradição do meu mestre, Bugalho, um grande tocador de berimbau. Ele era um dos melhores, tocava muito bem o São Bento Grande, principalmente quando era noite de lua. Sentávamos na areia da praia e, quando ele tocava, era possível ouvi-lo na cidade alta”

Além das rodas da Liberdade nas tardes de domingo, em que o guarda civil Zacarias Boa Morte “tomava conta”, Pelé mostrava sua arte nas rodas de Valdemar da Liberdade, num galpão de palha de dendê, cercado de bambu. “Eu era ligeiro, tinha um sapateado que ajudava muito. Eles não me pagavam. E, quando eu chegava nas rodas da invasão do Corta Braço, no bairro de Pero Vaz, mestre Valdemar dizia: Lá vem Satanás!”

Experiência — Durante 25 anos Pelé deu aulas de capoeira e, também, no V Batalhão da Policia Militar. “Naquele tempo, era comum a polícia treinar capoeira”. Além dessas atividades, mestre Pelé participou, ao mesmo tempo, deimportantes grupos folclóricos da Bahia como o Viva Bahia. Fez apresentações com o grupo de mestre Canjiquinha, no Belvedere da Praça da Sé, shows para turistas, onde mostrava a capoeira, o maculelê, a puxada de rede e o samba de roda. Sorrindo muito, Pelé explica que “na capoeira, tudo sai da ginga. A ginga, o molejo e a flexibilidade são importantes para o capoeirista, tanto para defesa quanto para o ataque”.

Retorno — Mestre Pelé ficou longe da capoeira por vinte anos. Foi trazido de volta às rodas pelo projeto de resgate e valorização de mestres antigos, criado pela Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA). Hoje, ele integra o Conselho de Mestres da associação e participa de eventos importantes. Recentemente, emocionou, com sua voz, quem esteve presente no enterro dos mestres Caiçara, Bom Cabrito e Zacarias Boa Morte, e na missa de sétimo dia de Caiçara.

Na ABCA, Pelé espera conseguir viabilizar o projeto de aposentadoria para mestres com mais de 65 anos de vida e 35 anos de capoeira. “O ministro da Previdência, Waldec Ornelas, já votou a aposentadoria das mães e pais de santo que, como os capoeiristas, também tiveram suas atividades proibidas e perseguidas. Além disso, também vamos conseguir provar que Capoeira Angola é cultura popular, e não arte marcial”, finaliza o cantador.

capoeiramalungo.hpg.ig.com.br

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Mestre de Kunta Kinte (Geraldo Xisto Gonçalves ), Idealizador do  Cecab-Centro de Estudos da Cultura Afro Brasileira fundado em 1985 pelo até então integrante do Grupo de Capoeira Angola Lua Nova, que decidiu por resgatar cultura afro de forma ampliada, abrangendo além da Capoeira também o Samba de Raiz, Maculelê, Puxada de Rede entre outros.
Mestre Kunta pratica a Capoeira desde 1970, e uma vez idealizada a fundação do Cecab, iniciou a ampliação de sua área de trabalho junto à comunidade de São José dos Pinhais prestando serviços de utilidade pública tais como a redação de textos para colunas dos jornais Correio de Notícias e Nosso Jornal de São José dos Pinhais, onde presta esclarecimentos sobre atividades culturais bem como sobre as religiões de matrizes africanas, fomenta a luta pela resistência negra contra o racismo, comenta atualidades das leis que versam sobre o tema afro, etc (vide cópia de alguns destes artigos anexas). Fundamenta as atividades do Cecab na família e no resgate da história dos antepassados. Viveu a discriminação da Capoeira ocasionada pela desinformação e hoje luta pelo reconhecimento público de seu valor. Representou o Paraná em eventos nacionais relacionados à Capoeira e o Brasil em eventos internacionais. Atua através do Cecab de forma a prestar esclarecimentos/fomentar o interesse da comunidade no que diz respeito a diversas ramificações da cultura afro e manter viva a luta pelo respeito pelo ser humano e igualdade social.

Abaixo Depoimento do Mestre Kunta sobre o evento Abril prá Angola do Mestre Meinha…

 

Durante muitos anos o Mestre Kunta, fez trabalhos de rua, levando a arte da capoeira a conhecimento de muitas pessoas no Centro de grandes cidades, principalmente em São Paulo, pulando no arco de facas e jogando Capoeira. O Mestre Kunta por muitos anos era presença constante na Academia Santamarense do Mestre Zumbi na Zona sul, aonde eu Romário, tive o prazer de conviver e jogar com o Mestre por muitas vezes, temos algumas histórias contadas , e rimos muito quando lembramos desses momentos legais na Santamarense nos idos de 1977 a 1980, eu era menino, mas já admirava a capoeira do Mestre Kunta.