Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
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Aquivo de julho, 2016

Princiapl

Uma vida inteira dedicada à tradição do Tambor de Crioula: essa é a história de Mestre Amaral, um homem que realizou o sonho de viver da sua fé e devoção a São Benedito. Nascido em uma família de coreiros e coreiras da Baixada Maranhense, ele é o filho caçula de 18 irmãos. E foi justamente o filho mais novo que mais se apegou à tradição da família.

Entre todos os filhos de seu Miguel Arcanjo e dona Filomena Mendes, alguns se formaram e moram em outros estados, enquanto outros seguiram as mais diversas profissões. Mas Mestre Amaral foi o único que seguiu carreira dentro da manifestação cultural que tem o título de Patrimônio Cultural do Brasil.

Ele acompanhava o pai nas rodas de Tambor de Crioula desde os 5 anos. Mesmo com tão pouca idade, o pai o levava em um banquinho de madeira a cavalo para os pagamentos de promessas que duravam a noite toda. Foi observando a apresentação dos tocadores e coreiras que ele começou a aprender as primeiras batidas do ritmo incessante.

Em casa, o pai de Mestre Amaral também fazia questão de repassar todos os seus conhecimentos para os filhos desde as toadas até a montagem dos instrumentos. “Hoje, é tudo mais fácil para fazer os instrumentos com a energia elétrica. Mas no tempo que meu pai me ensinou, a gente tinha que usar o ferro quente para furar e até colocar partes no forno quente. Era tudo tradicional”, recordou.

Mas foi em São Luís que ele passou por vários grupos como o de seu tio, mestre Felipe de Sibá, e outros grandes nomes como os mestres Leonardo, Apolônio e Nivô, e batalhou para realizar o sonho de ter o próprio grupo de Tambor de Crioula.

Trabalho – Enquanto não acompanhava as rodas de tambor ou aprendia mais com o pai, a vida em Tabocal, comunidade de São Vicente Férrer, era de muito trabalho. Todos os filhos ajudavam a cuidar de uma roça e da produção de farinha de mandioca no quintal de casa para que os produtos fossem vendidos para grandes comerciantes da cidade.

Por causa disso, Mestre Amaral não teve a oportunidade de um ensino regular. A própria mãe o colocava para estudar a cartilha do ABC e a tabuada em casa. “Hoje, o povo pensa que pode até ser judiação colocar os filhos para trabalhar como aconteceu comigo. Mas acho que aprendi mais trabalhando e ajudando meus pais do que indo para a escola, porque foi assim que aprendi a respeitar e ter empenho nas coisas”, afirma.

Apenas depois que o pai morreu, Mestre Amaral veio para São Luís para morar no Bairro de Fátima e depois no Coqueiro – Estiva. O primeiro emprego formal foi em uma cerâmica da capital, onde ele trabalhava na produção de tijolos. Depois disso, passou por uma empresa como ajudante de pedreiro e acabou sendo contratado. E o último foi na Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), quando o mestre já tinha quase 30 anos.

O tambor – Sem tempo para se dividir entre o trabalho e o Tambor de Crioula, Mestre Amaral optou por se dedicar somente ao tambor. “Eu pedia para sair mais cedo para ir para o tambor e meus chefes me liberavam, mas não me sentia mais a vontade para pedir toda vez. Depois de muito pedir, decidi sair do trabalho para montar meu tambor. Não queriam nem me dar as contas perguntando se eu ia viver de terecô”, conta.

Foi quase um ano até conseguir realizar o sonho de montar o próprio grupo. Mestre Amaral lembra que quando decidiu deixar o emprego para seguir carreira como mestre de Tambor de Crioula, ele estava recém-separado da primeira esposa e ainda não tinha um lugar para morar. Por isso, todo o dinheiro que recebia usava para pagar o aluguel e não sobrava muito para montar seu grupo. “Nunca me arrependi de ter largado o trabalho para fazer o que gosto. O Tambor de Crioula é uma paixão que só vai acabar quando eu morrer, mas vai continuar com meus filhos e o pessoal do meu tambor”.

Mesmo com toda dificuldade, ele não deixou se abater e começou a ministrar oficinas sobre como montar e tocar os tambores e vender miniaturas de instrumentos feitas por ele no terraço da Fonte do Ribeirão. Quando se mudou para o Beco da Pacotilha, seu nome já era referência. Começaram a surgir convites para tocar em aniversários, eventos promovidos por igrejas católicas e até em casamentos. “Parece que eu fechei o olho e quando abri já tinha virado mestre. Foi muito rápido apesar de toda a dificuldade. Mas foram as pessoas que fizeram o que sou hoje”, diz.

Centro Cultural – Como as rodas de tambor que ele promovia ficavam cada vez maiores, era preciso encontrar um lugar mais confortável para os coreiros e coreiras que se juntaram a Mestre Amaral e para ampliar as oficinas que eram ministradas por ele. Depois de muito procurar, ele encontrou um prédio abandonado ao lado da sede da Prefeitura de São Luís, na rua conhecida como Montanha Russa.

Há quase dois anos, o local onde já havia funcionado um restaurante estava ocupado por dezenas de moradores de rua e usuários de droga. Mas Mestre Amaral conseguiu transformá-lo em um ponto de cultura. “Eu pensei: “Meu Deus, me ajuda a encontrar um espaço porque eu sei que não é certo, mas vou tentar ocupar um lugar, não invadir”. Passei dias e três noites sem dormir aqui tentando tirar o pessoal e consegui sem brigas. Essa foi a maior provação que eu passei e meu São Benedito me ajudou a vencer”, afirma.

Mestre Amaral enfrentou ainda uma ação judicial que pedia a retirada dele do local. Mas com o apoio de muitas pessoas que acompanhavam seu trabalho e funcionários dos órgãos públicos vizinhos ao centro cultural, ele conseguiu a concessão para se manter no espaço em que atualmente mora com sua família e trabalha.

Referência – Por causa de sua grande preocupação em manter o Tambor de Crioula vivo e da forma mais tradicional possível, Mestre Amaral ganhou reconhecimento em todo o país. Ele já foi convidado a ministrar oficinas em cidades como Belo Horizonte, Viçosa, Florianópolis e Fortaleza, cidade onde criaram o grupo de tambor Filhos do Sol – Discípulos de Mestre Amaral. Além disso, ele já se apresentou na África em 2007, levado pela Secretaria estadual de Cultura .

Apesar do esforço, ele conta que a manifestação popular já sofreu muitas transformações. Mas dentro do seu tambor, os costumes aprendidos com seu pai ainda na região da Baixada não perdem espaço. “Hoje, as pessoas veem o tambor mais como uma opção de lazer, mas não pode ser assim. Não é só para querer se divertir, beber e tirar foto. Tem que respeitar São Benedito, os coreiros e as coreiras”, frisa.

Uma das tradições mantida pelo mestre é utilizar apenas a cachaça pura durante as rodas de tambor, que segura as apresentações até o nascer do sol. Outra é encerrar a roda de tambor em frente ao altar de São Benedito para pedir proteção também a Preto Velho, Santa Cecília, Iemanjá, Santo Antônio e Nossa Senhora de Aparecida.

Além disso, Mestre Amaral não dispensa o pagamento de uma promessa de família que ocorre todo ano. Em todo dia 14 de outubro, uma grande festa é oferecida a São Benedito para pagar uma promessa feita pelos tataravôs de Mestre Amaral e que já foi passada por quatro gerações da família. O motivo da promessa ele não lembra, mas conta que espera que os filhos continuem com a tradição. “Assim como fazia no interior, a gente não vende nada no dia da promessa. Tudo que tem aqui é dado: cachaça de Brejo de Anapurus, azeite de coco e mel de abelha. A gente mata o porco e as mulheres cozinham. No tempo do meu pai ainda tinham as ladainhas, que eram as novenas. Esse que é o ritual”, relata.

Tradição passada para as novas gerações

Assim como ele, Mestre Amaral conta que os filhos mais novos já demonstram interesse pela dança, canto e as toadas em louvor a São Benedito. Os pequenos Ian Miguel e Benedito, respectivamente de 3 anos e 1 ano e 8 meses, já acompanham o pai nas rodas de tambor. Os dois são filhos da atual esposa de Mestre Amaral, Suzana, que também é coreira.

Mesmo muito pequenos para alcançar o tambor, os filhos já batem no instrumento na tentativa de imitar o pai. Por isso, Mestre Amaral fez tambores em miniaturas para que os pequenos possam acompanhá-lo. Além dos dois pequenos, o enteado de Mestre Amaral, Felipe (8), também já mostra interesse pelo Tambor de Crioula.

“O gosto pelo tambor partiu deles mesmos. Eles já cantam as minhas cantigas e participam da roda de tambor. Não ficam até o final porque vai até tarde, mas na hora do encerramento eles voltam e vem para perto do altar. Um dia desses, eu estava preparando um tambor e eles vieram perguntar se o coro estava molhado como se estivessem querendo aprender”, diz.

Contente com o apego que os filhos têm ao Tambor de Crioula, Mestre Amaral tem o sonho de poder um dia oferecer todas as atividades do Centro Cultural de forma gratuita para crianças carentes. Dessa forma, o espaço poderia oferecer um serviço à sociedade e, ao mesmo tempo, manter a tradição do Tambor de Crioula entre os mais jovens. “Para isso, preciso ter uma estrutura maior para receber as crianças, que eu ainda não tive condição de fazer. Mas meu santo vai me ajudar a poder fazer mais, ter força para levar mais para frente”, afirmou.

Apelido

Mestre Amaral nasceu Geraldo Mendes. O apelido ele mesmo conta como conseguiu: “Assim que eu cheguei a São Luís e fui morar no Coqueiro – Estiva eu jogava muita bola. Jogava nos times amadores do Antena Futebol Clube e o Real Brasil. Nessa época também tinha o Amaral, que jogava na Seleção, que diziam que ele tinha o olho morto que nem eu e parecia muito comigo. Então me batizaram como Amaral e pegou. Ninguém mais me chamou pelo meu nome”

RAIO-X

NOME COMPLETO

Geraldo Mendes

NASCIMENTO

14 de outubro de 1962

NATURALIDADE

São Vicente de Férrer

PROFISSÃO

Mestre de Tambor de Crioula

FILIAÇÃO

Miguel Arcanjo e Filomena Mendes

ESTADO CIVIL

Casado com Suzana

FILHOS

Geniel Mendes (30); Valdenilson Mendes (26); Ian Miguel (3); Benedito (1 ano e 8 meses)

QUALIDADE

Trabalhar com prazer

DEFEITO

Não tem

ALEGRIA

Família

TRISTEZA

Perda dos pais

SAUDADE

Dos pais

Fonte: Blog do Joel Jacinto

 

principal

Rita da Barquinha

Rita da Barquinha nasceu  em 28 de Junho de 1948, na cidade de Bom Jesus dos Pobres e cresceu assistindo aos movimentos tradicionais da Cidade…. Uma guerreira formidável, incansável e cheia de amor a cultura local…(descrita assim por toda a comunidade de BJP) a durante algum tempo morou em Salvador, e sempre acompanhou os movimentos culturais do recôncavo….

A Barquinha é uma tradição cultivada há muitos anos em Bom Jesus dos Pobres, tem sua origem nas comemorações do ano novo, onde as mulheres da localidade, esposas dos pescadores e dos saveiristas como forma de agradecimento às divindades do mar por ter protegido as famílias, suas embarcações e consequentemente, os seus sustentos, reuniam-se com a comunidade no último dia do ano tocando tambores e dançando no ritmo do samba de roda, passando de casa em casa, pedindo oferendas que eram colocadas numa pequena barca levada por uma das mulheres. No último minuto do ano a barquinha era colocada no mar, juntamente com as oferendas e os pedidos às águas para que levasse os momentos ruins do ano velho e trouxesse os bons fluídos do ano vindouro em forma de fartura nas pescarias, nos negócios, propiciando a paz e a união do homem com o mar.

Até onde se tem conhecimento, dona Melica foi uma das primeiras mulheres da localidade a sustentar a tradição, levando por muitas gerações a festa em comemoração ao ano bom. Posteriormente, com a morte da dançarina, apareceu a figura de dona Orenita, como uma incentivadora do folguedo, colocando outras mulheres para dançar e, principalmente, a então menina Rita para fazer as apresentações de dança e música. Com o passar dos anos, a tradição foi diminuindo até chegar ao ponto de ser extinta, porque a maior incentivadora já não tinha tanto interesse e Rita mudou-se para Salvador, onde constituiu família, deixando de visitar a localidade por muitos anos.
Mas, o melhor estava por vir: Rita, agora mulher, casada e mãe de filhos, resolveu um dia passar as festas de fim de ano no seu Bom Jesus dos Pobres, e percebendo que a tradição já não mais existia, pediu ao marido ajuda financeira para que se construísse uma barquinha, reuniu o povo e saiu de porta em porta, cantando e sambando, resgatando a tradição, deixando emocionada toda a sua comunidade.
Desde então, todos os anos, Rita da Barquinha, como passou a ser chamada, apresenta-se em toda passagem de ano com suas baianinhas e também nas festividades do padroeiro, sendo a principal atração da Lavagem de Bom Jesus, além de receber convites para fazer shows em eventos culturais, desfiles, chegando até a participar de um festival cultural na França.
É presença marcante e muito aguardada no desfile cívico do Dois de Julho na cidade do Salvador e também na famosa Caminhada Axé.

 

13734810_1115035398571823_1369512824_nA jornada é o evento de anúncio da Festa, e consiste na caminhada pelas ruas do distrito, onde o povo, entoando uma espécie de ladainha que é o cântico de pedido de esmola, transporta o Cristo crucificado de casa em casa, pedindo donativos para a realização da festa.
Após o cântico de esmola, é chegada a vez do samba de roda tomar espaço em forma de agradecimento.
Devemos lembrar que, todos os cânticos são entoados com a ajuda luxuosa de pandeiros e violas, sem esquecer das palmas repercutidas por pedaços de tábuas. Apenas uma pequena descrição do que é esta festa.

Bira de Freitas

E a Alegria Continua…


Bom Jesus dos Pobres é um distrito da cidade de Saubara, Bahia, Brasil. Localiza-se a três quilômetros de Praia de Cabuçu e sua praia caracteriza-se por ser tranquila e rasa.

Distante da Praça de Bom Jesus dos Pobres 1,5 Km situa-se a Praia da Bica onde é possível encontrar uma bica de água doce que fica de frente para um mar de águas cristalinas.

Opção para quem gosta de lugares tranquilos e paradisíacos é a praia Monte Cristo que fica a 4 Km de Bom Jesus.
Fonte Wikipedia

Praia de Bom Jesus dos Pobres

Próxima ao canal do Rio Paraguaçu, trecho de correntezas fortes, a praia exige cuidados para o banho em alguns trechos. A paisagem é marcada por manguezais e areias bastante extensas. Destaque para a Capela de Bom Jesus dos Pobres, do século XVII. A razoável infraestrutura local inclui um luxuoso resort.

Imagens de Bom Jesus dos Pobres

Luiz Poeira

Luiz Poeira do Instituto Tambor

“No zunir do berimbau de uma roda de capoeira que girava no Embú (SP), Luiz Poeira aprendeu técnicas de repuxo, pintura, entalhe e afinação do instrumento. Unindo essa paixão aos seus estudos sobre manifestações culturais brasileiras e africanas, ele se tornou artesão na arte dos instrumentos percussivos. Poeira utiliza somente materiais selecionados para garantir a consistência precisa dos sons. O toque colorido vêm de tintas e tecidos que revestem a base de seus instrumentos. A madeira entalhada resulta em uma estética tribal que remete a tambores ancestrais. Todo o processo é feito artesanalmente em busca da estética desejada e qualidade sonora”. (Artesanato na Música, Girassol Comunicações).
Com sua habilidade e dedicação para criar instrumentos rústicos e notáveis ao mesmo tempo, precisos, Poeira colabora para a preservação da cultura afro-brasileira.
Ao longo de sua estrada com mais de 20 anos, desde que iniciou no artesanato de instrumentos musicais de percussão, Poeira passou por oficinas e “luthierias” onde obteve orientações e mentoria de artistas importantes, como: Nilton Cesar Siqueira (artista plástico e artesão), Joana Henri Lemos, o músico e artesão Romulo Albuquerque.
O estilo de Poeira, refinado e preciso, destaca-se a ponto de fundar, em 2008, seu próprio ateliê, o Instituto Tambor, atualmente localizado na Vila Sonia, zona oeste de São Paulo.

Seus instrumentos são popularmente reconhecidos como “tambor do Poeira”, todavia, ele faz sempre questão de colocar a bandeira do Instituto Tambor a frente, pois contextualiza toda sua produção em prol de um movimento cultural e de desenvolvimento humano, prioritários e acima dos lucros financeiros. Seu sonho é que o Instituto Tambor evolua para uma organização, com infra-estrutura para acolher e proporcionar benefícios à comunidade, por meio de: cursos para formação de artesãos de instrumentos musicais de percussão, aulas de percussão e dança, academia de tambores, capoeira e outros relacionados.
O Instituto Tambor é frequentemente convidado para participar de exposições, seminários e eventos culturais, onde seus tambores e conteúdos de referência, são presença marcante.

 

Para maiores informações:

Rua Professor Arnaldo Amado Ferreira, 21
Vila Sonia – São Paulo SP CEP 05519-010
Brasil

55 11 3744-3719
55 11 9-9437-0890 (Claro)
55 11 9-5452-1443 (TIM)

poeira1@yahoo.com.br