Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
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Aquivo de abril, 2015

Na história do Brasil, conta-se muito pouco a respeito das mulheres negras. Na escola, são pouquíssimas as aulas que citem as grandes guerreiras e líderes quilombolas, ou que simplesmente mencionem a existência das mulheres negras para além da escravidão. Em um país em que a escravidão não é retratada como uma vergonha para a nação –  pelo contrário, ainda se insiste que a população negra não lutou contra esse quadro -, isso não é nenhuma surpresa.

Nós, brasileiros, passamos vários anos na escola aprendendo sobre todos os detalhes das vidas de Dom Pedro I e II, seus familiares, seus casos sexuais e viagens. Na televisão, os imperadores viram protagonistas de minisséries, enquanto os atores e atrizes negros são reduzidos a papéis de escravos sem profundidade. Grandes lutadores como Zumbi dos Palmares, Dragão do Mar e José Luiz Napoleão, são pouco mencionados. Aliás, eles são lembrados apenas no mês de novembro, em razão do Dia da Consciência Negra; mas as mulheres negras, que contribuíram de tantas formas na luta contra a escravidão e nas conquistas sociais do Brasil, nem sequer são mencionadas.

Cordel sobre Dandara dos Palmares, líder quilombola e companheira de Zumbi.

O esquecimento das mulheres negras na história é algo que contribui para a vilipendiação da população negra. Por conta disso, as garotas negras crescem achando que não há boas referências intelectuais e de resistência nas quais possam se espelhar. Para descobrir seus referenciais, é preciso que se mergulhe em uma pesquisa individual, muitas vezes solitária, juntando peças de um enorme quebra-cabeça para no fim descobrir que pouquíssimo foi registrado a respeito de mulheres como Dandara dos Palmares ou Tereza de Benguela – importantes líderes quilombolas.

Devido ao machismo, é muito difícil encontrar registros da história das mulheres, especialmente aqueles que sejam contados de forma aprofundada e responsável. Ainda hoje, poucas mulheres, mesmo entre as brancas ou europeias, são citadas e celebradas por suas conquistas. No entanto, quando essas mulheres são negras, a negligência é ainda maior. Em um país onde mais de 50% da população é negra, a situação desse quadro é absurda.

Mesmo com os esforços racistas para apagar a história das mulheres negras, racismo nenhum será capaz de enterrar a memória de ícones como Luísa Mahin e Tia Simoa. Mulheres negras inteligentes, com grande capacidade estratégica, imensa coragem e ímpeto de transformação, que jamais se conformaram ou se dobraram diante do racismo e da misoginia; pelo contrário, lutaram e deram suas vidas para que mulheres negras como eu pudessem viver em liberdade e escrever, ocupando espaços que, ainda hoje, nos são de difícil acesso.

Infelizmente, tive que descobrir essas guerreiras por conta própria, contando com a ajuda de outras mulheres negras, companheiras de luta, que me apresentaram textos e materiais onde suas vidas foram contadas, ainda que brevemente. Por isso, decidi utilizar minha produção literária, meus cordéis, para contar as histórias dessas mulheres e fazer com que mais pessoas tomassem conhecimento de suas batalhas e do quanto são importantes para a história do Brasil. Até o momento, tenho vários cordéis biográficos que contam as trajetórias de Aqualtune e Carolina Maria de Jesus, além de outras já citadas nesse texto.

Nosso papel é fazer com que essas mulheres negras sejam conhecidas e seus feitos sejam estudados. Seja por meio do cordel, das redes sociais ou de trabalhos acadêmicos, precisamos registrar e divulgar essas memórias. Com elas, provamos que a população negra sempre lutou por seus direitos, provamos que as mulheres negras sempre foram protagonistas dos movimentos negro e de mulheres e que nunca se omitiram ou saíram das trincheiras. Afinal, essas mulheres são espelhos e exemplos do que todas as meninas e jovens negras podem ser.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br

CORDÉIS BIOGRÁFICOS:

  DANDARA DOS PALMARES – cordel biográfico contando a história de Dandara dos Palmares, mulher negra guerreira na resistência contra a escravidão no Brasil, líder do Quilombo dos Palmares e companheira de Zumbi.

 

 

LUÍSA MAHIN (novo!) – cordel biográfico contando a história de Luísa Mahin, mãe do poeta Luís Gama e grande liderança na luta contra a escravidão no Brasil.

 

 

  CAROLINA MARIA DE JESUS (novo!) – cordel biográfico que conta a história da escritora Carolina Maria de Jesus, suas origens e vida na favela do Canindé, até ter seu primeiro livro publicado.

 

 

  AQUALTUNE (novo!) – cordel biográfico que conta a história da princesa africana Aqualtune, filha de um rei no Congo, que foi vendida como escrava e trazida para o Brasil. Grande ícone para as mulheres negras brasileiras, a história de Aqualtune envolve outras lideranças quilombolas como Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares.

 

TEREZA DE BENGUELA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Tereza de Benguela, líder quilombola do quilombo de Quariterê. Dia 25 de Julho no Brasil é oficialmente o dia de Tereza de Benguela, uma data para enfatizar a luta das mulheres negras no país.

 

 

  TIA SIMOA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Tia Simoa, esposa de José Luiz Napoleão e liderança na luta contra a escravidão no Ceará. O cordel também fala do Grupo de Mulheres Negras do Cariri, o Pretas Simoa, pelo qual a história de Tia Simoa se tornou mais conhecida.

 

 

Fonte: http://jaridarraes.com/cordel/

Banzo, Batuque, Capoeiragem

Observe especialmente a partir do ponto 31:51 as cantigas de capoeira…….

No primeiro programa da Série “Afrobrasilidades em 78 rpm” Russo Passapusso escuta e reinventa duas gravações antigas: “Batuque”, dança do Quilombo dos Palmares, gravada em 1929 pela pernambucana Stefana de Macedo, e o tema de capoeira “Cala a boca menino”, apresentado pela primeira vez no rádio por Almirante, em 1938, e mais tarde, adaptado por João Donato. No repertório,o imáginário sobre a escravidão em disco. Chapas que lembram os acalantos das mães pretas, cantos de trabalho, do lamento negro às batucadas de libertação, gravadas entre 1932 e 1954.

Dansa do Quilombo dos Palmares - Acervo Discoteca Oneyda Alvarenga

  • Na fazenda do Ingá (Zé do Norte) – Inezita Barroso 1961
  • Jorge Amado sobre histórias contadas por velhas escravas da Bahia (Dorival Caymmi – Cancioneiro da Bahia)
  • História pro Sinhozinho (Dorival Caymmi) – Trio de Ouro 1943
  • Mãe Preta (Caco Velho e Piratini) – Conjunto Tocantins 1953*
  • Navio Negreiro (Edmundo Vaz Queiroz e Piratini) – Irmãs Medina 1945 *
  • Russo Passapusso recita “Redoma”, e escuta “Batuque”
  • Terra Seca (Ary Barroso) – Quatro Azes e um Coringa
  • Batuque (Dança do quilombo dos Palmares) – Stefana de Macedo 1929
  • Dentro da Toca (Motta da Motta) – Motta da Motta 1931*
  • Jornal O País – 1929 – sobre Batuque Stefana de Macedo
  • Batuque – versão de Letieres Leite e Russo Passapusso -Goma-Laca 2014 (video)
  • Na fazenda do Ingá (Zé do Norte) – Zé do Norte 1953 *
  • Soca Pilão (folclore paulista adaptado por José Roberto e J.Prates) – Inezita Barroso 1954 (vídeo).
  • Geme Negro – Ataulfo Alves e suas pastoras
  • Depoimento de João da Bahiana para o filme Conversa de Botequim, de Luiz Carlos Lacerda 1972.
  • Quê quê rê quê quê (João da Bahiana, Pixinguinha, Donga) Francisco Senna e Zaira de Oliveira 1932
  • Dos Vadios e Capoeiras – trecho do decreto 487, de 11 de outubro de 1890, artigo 402.
  • Birimbau (Clodoaldo Brito / J. L. Paiva Matos) – Vanja Orico 1955
  • Capoeira (J.B. de Carvalho/ Walter Tourinho/Guará) – J.B. de Carvalho 1955
  • Curiosidades Musicais (programa de Rádio de Almirante, veiculado no dia 20/06/1938)
  • Cala a Boca Menino (tema de capoeira adaptado por João Donato e Dorival Caymmi) João Donato 1972
  • João Donato sobre Cala a Boca Menino
  • Cala a Boca Menino – versão de Letieres Leite, Russo Passapusso e Juçara Marçal -Goma-Laca 2014
  • Corridos (temas de Capoeira) Mestre Bimba 1969

Apresentação, edição e roteiro: Biancamaria Binazzi / Leituras: Bruno Morais / Falas: Russo Passapusso, João Donato, Almirante / Gravação: Filipe Gomes / Realizado com apoio do ProAc.

*Fonogramas da Discoteca Oneyda Alvarenga do Centro Cultural São Paulo

  • Gravação do programa Curiosidades Musicais sobre cantigas de capoeira da Bahia. Nos berimbaus, Geraldo Conceição e Valter Vasconcelos  Foto: Acervo MIS-RJ/Coleção Almirante *Direitos Reservados

    Gravação do programa de rádio Curiosidades Musicais 1938 com Geraldo Conceição e Valter Vasconcelos *Direitos Reservados Acervo MIS/RJ- Coleção Almirante

Versão integral do “sensacional programa” Curiosidades Musicais, de Almirante, sobre as cantigas de capoeira da Bahia. Apresentado no dia 20 de Junho de 1938 na Rádio Nacional, o programa estreia uma série destinada a temas da música popular”folclórica”, trazendo pela primeira vez na história do rádio, a presença do “rudimentar e bárbaro instrumento afro-brasileiro”, o berimbau.


Integrante da primeira geração de historiadores da música popular brasileira, Almirante teve sua produção radiofônica investigada por Giuliana Souza de Lima, na pesquisa “Almirante – a mais alta patente do rádio – e a contrução da história da música popular brasileira (1938-1958), produzida no Departamento de História da USP, sob orientação do prof. José Geraldo Vinci de Moraes.

 






 

 

 

 

Mestre Leopoldina
Demerval lopes de Lacerda, Nascido em 12 de Fevereiro de 1933,O Mestre Leopoldina começou a aprender capoeira aos 18 anos, com o Quinzinho, um jovem malandro carioca, valente, temido e respeitado na região da Central do Brasil (RJ). Um ano depois, Quinzinho foi preso e assassinado na prisão. Leopoldina sumiu por uns tempos, e treinava sozinho, até que soube que Valdemar Santana, lutador bastante conhecido na época, trouxera da Bahia um capoeirista de nome Artur Emídio. Leopoldina foi apresentado a Artur, que o convidou para jogar. “Fui lá, meio envergonhado, e fiz aquilo que o finado Quinzinho tinha me ensinado. No começo a coisa correu bem, mas aos poucos Artur começou a crescer, e era pernada por tudo que era lado, e percebi que ele era mais fera ainda que o Quinzinho”. Foi assim que Leopoldina, aprendiz da capoeira carioca, foi apresentado à capoeira baiana.

Leopoldina continuou aprendendo com Mestre Artur Emídio, e hoje é Mestre consagrado, muito respeitado, tanto por seu jogo quanto pela habilidade com o berimbau, e por suas composições, admiradas e cantadas em todo o Brasil. É uma das maiores expressões da capoeira antiga, cheia de malandragem e

mandinga. É dono de uma simpatia e um carisma enormes, e já cunhou frases pitorescas do repertório da capoeira, como esta, que nos foi revelada uma vez em Guaratinguetá: “a capoeira é a maçonaria da malandragem!”. Viaja muito para a Europa e EUA, apresentando-se a convite dos mestres que ensinam no exterior.

Mestre Lua de Bobo
Edvaldo Borges da Cruz

Mestre Lua de Bobó, nasceu em Arembepe, no ano de 1950, ainda pequeno vai com a mãe – Dna. Maria Borges da Cruz, morar em Salvador, no bairro da Engomadeira.

Por volta de seus 15 anos conhece Mestre Bobó (Sr. Milton Santos) levado pelo amigo Bel. Primeiramente, treinou no fundo de quintal, “em terra batida”,

no Dique Pequeno do Tororó, em Salvador, BA, sempre na Academia de Capoeira Angola Cinco Estrelas.

Por esta academia passaram muitos capoeiristas além de ilustres visitantes. Como canta Mestre Lua de Bobó, “Mestre Bobó me ensinou com toda dedicação, agradeço a Deus do céu, o grande homem de valor, sou discípulo que aprende sou Mestre que dou lição”, Mestre Lua de Bobó tem a sua tradição”.

Passaram pela academia muitos capoeiristas, além de muitos outros ilustres visitantes..

Acompanhando seu Mestre por mais de 20 anos, inicialmente sendo chamado de “Olhar para Lua”, com o tempo passa a ser chamado pela capoeiragem baiana de Mestre Lua de Bobó, e em 1987, no Dique do Tororó, no clube Vasco da Gama, recebe oficialmente seu diploma de Mestre de seu Mestre Bobó (Sr. Milton Santos).

Após funda o Grupo de Capoeira Angola Menino de Arembepe (GCAMA) quando começa a ensinar na cidade de Arembepe e em Salvador BA no Clube de Regatas Vasco da Gama, no Dique do Tororó.

O Grupo de Capoeira Angola Menino de Arembepe foi fundado em 1987 por Mestre Lua de Bobó (Sr. Edvaldo Borges da Cruz) e oficializado em 1995, na cidade de Salvador, BA, Brasil.

O nome do grupo faz referência a sua infância, na praia de Arembepe em Camaçari, no litoral norte da Bahia.

Mestre Lua de Bobó, é um dos capoeiristas da Academia de Capoeira Angola Cinco Estrelas do Mestre Bobó (Sr.Milton Santos) que até hoje preserva a linhagem deixada por seu Mestre.

Seguindo os fundamentos recebidos, Mestre Lua desenvolveu um estilo próprio que se caracteriza pela habilidade e elegância dos movimentos assim como uma postura comprometida com o titulo de “Mestre da cultura da capoeira angola”. Imprimindo ao grupo e transmitindo a todos seus alunos o seu estilo, postura e elegância.

O grupo iniciou suas atividades na Associação dos Pescadores Unidos de Arembepe, em Arembepe, Camaçari BA, na gestão do Sr. “Lió” quando realizou seu “Iº Encontro de Capoeira Angola” em 1987, com a presença de vários capoeiristas de valor da Bahia como, Bobó, João Pequeno, Virgílio, João Grande, Curió, Pelé da Bomba e outros, assim como a companheira do falecido Seu Pastinha, D. Maria Romélia.

Em 1990 o grupo inicia suas aulas em Salvador, no Clube Regatas Vasco da Gama, no Dique do Tororó dividindo o espaço com Mestre Bobó. Onde permaneceu até 2001.

A partir de 2002 Mestre Lua de Bobó se muda definitivamente para Arembepe, passando a ministrar suas aulas e a realizar seu Encontro anual inicialmente na Associação Pescadores Unidos de Arembepe, até conseguir terminar a construção do seu espaço próprio.

Após muitas dificuldades e com a colaboração de alguns admiradores, no seu evento anual em janeiro de 2005, o grupo inaugura seu espaço à beira-mar num antigo terreno da família do Mestre Lua de Bobó, herdado de seus pais.

Localizado em frente à praia de Arembepe, o espaço torna-se um verdadeiro reduto angoleiro, uma fortaleza mágica construída pelo próprio Mestre.

O grupo tem como seus objetivos manter vivo os ensinamentos transmitidos pelo Mestre Bobó, ampliar a cultura e pratica da capoeira angola, como fonte de equilíbrio e de educação.

Fonte:meninosdearempbepe.org
Entrevista Somente Audio…

Conheça o Mestre João Grande

João Grande

João Oliveira dos Santos (Itagi, Bahia, 15 de janeiro de 1933) mais conhecido como Mestre João Grande, é um Mestre de capoeira contribuiu nacionalmente e internacionalmente no estilo angola. Foi aluno do pai da angola Mestre Pastinha, e possui uma academia em Nova Iorque.

Mestre João Grande nasceu em 15 janeiro de 1933, na pequena cidade de Itagi, no sul do estado da Bahia, entre Ilhéus e Itabuna. Itagi é tão pequeno que ele não aparece nos mapas da região. Como um jovem que não tinha tempo para a escola ou até mesmo jogar, e ele trabalhou ao lado de sua família nos campos. No entanto, durante o trabalho, ele foi capaz de se envolver em seu passatempo favorito, o estudo da natureza. Ele era fascinado pela forma como o vento move as árvores, as ondas no oceano, e em particular os movimentos dos animais, como a greve da cobra e do vôo do pássaro. Esta foi a influencia grande na sua prática e filosofia da Capoeira.
em Campo perto Itabuna

Com 10 anos ele viu “corta capim” pela primeira vez. Este é um movimento realizado por agachando-se, estendendo uma perna na frente e balançando-o em torno de um círculo, pulando sobre ele com a outra perna. Fascinado, ele perguntou o que foi chamado e foi dito que era “a dança do Nagos” – uma dança dos afro-descendentes na cidade de Salvador. O Yoruba do sudoeste da Nigéria teve uma grande influência cultural em Salvador, que foi considerda Roma Negra do Brasil. Mas a dança era, na verdade, de Central Africano origem- era Capoeira. João não aprendeu o nome correto do movimento até que muitos anos mais tarde, mas mudou sua vida para sempre. Com a idade de dez anos, ele saiu de casa em busca de “A Dança do Nagos”.
Pintura de Carybé Painting por Carybé

O jovem João lentamente fez seu caminho para o norte a pé, trabalhando como ele foi, e sobrevivendo como trabalhador migrante nas plantações da Bahia. Ele ficaria com famílias de outros trabalhadores agrícolas, passando de uma fazenda para outra. Finalmente, ele chegou à Salvador, o berço da Capoeira como nós o conhecemos, depois de 10 anos de viagens. Ele viu Capoeira, pela primeira vez em um lugar com o nome poético “Roça do Lobo” (Clearing of the Wolf). Não foi uma roda rua média viu naquele dia, mas uma reunião de personalidades importantes da Capoeira, como Menino Gordo, João Pequeno, que estava lá com seu primeiro professor de Capoeira, Mestre Barbosa, bem como o grande mágico capoeira Cobrinha Verde (Little Green Snake), um dos jogadores mais habilidos os do que era. João Grande e João Pequeno

Um encantado João perguntou Mestre Barbosa que o jogo foi chamado e foi dito: “Isso é Capoeira” João, então, pediu que ele pudesse aprender. Mestre Barbosa mandou para João Pequeno, que viria a ser seu companheiro mais próximo na Capoeira. João Pequeno mandou para Mestre Pastinha que tinha uma academia famosa no bairro Cardeal Pequeno de Brotas. Este foi rodas de Capoeira céu- Pastinha foram preenchidas com os nomes mais famosos da Capoeira. João pediu permissão para participar de sua academia, e Pastinha aceitou João como um estudante, iniciando um relacionamento que era ter um efeito profundo em sua vida. Com a idade de vinte anos, João estava começando capoeira relativamente tarde na vida. Ele passou a estudar com os outros ensinando na academia de Pastinha, Cobrinha Verde incluído, mas sua influência primária sempre foi, e continua a ser, Pastinha.
Academia de Pastinha Mestre Pastinha e sua academia, João Grande da esquerda

Capoeira Angola muito enriqueceram a vida do Mestre, mas era uma vida difícil para ele e muitos outros capoeiristas da época. A maioria trabalhava longas e duras horas por muito pouco dinheiro, a fim de sustentar a si e suas famílias. Muitos capoeiristas trabalhou nas docas, carga e descarga de navios. Quando nos intervalos e feriados costumavam jogar ou capoeira “vadiar”. Uma definição muito literal de “vadiar” significa ficar sem fazer nada.

Mestre João Grande, eventualmente, tornou-se um capoeirista tão aclamado que quando Carybé, um pintor famoso por sua documentação da Cultura Africano na Bahia, escolheu para fazer estudos de capoeira ele escolheu João Grande como um modelo.

João Grande e João Pequeno são destaque em vários filmes de Capoeira, incluindo uma em que eles demonstram as técnicas de faca do art. Em 1966, João Grande viajou para o Senegal com Mestre Pastinha para demonstrar capoeira no 1º festival Internacional de Artes Negras em Dakar. Ele foi agraciado com o Diploma de Capoeira de Pastinha em 1968 tornando-o um verdadeiro mestre inteiro de Capoeira. Em seguida, ele excursionou pela Europa e Oriente Médio com Viva Bahia, um grupo pioneiro que realizou artes folclóricas afro-brasileiras, como capoeira, samba de roda, maculelê, puxada candomblé e da Rede.
Samba de Roda de Samba de Roda

Eventualmente, a academia de Pastinha caiu em tempos difíceis. Pastinha, velho, doente e quase totalmente cego, foi convidado pelo governo para desocupar o prédio para reformas. Mas, o espaço nunca foi devolvido a ele. Em vez disso, tornou-se um restaurante com entretenimento, agora chamado SENAC. Pastinha morreu falido e amargo sobre seu tratamento, mas nunca se arrependeu vivendo a vida de um capoeirista.
Mestre Pastinha Mestre Pastinha no final de sua vida

Depois de Pastinha morreu, Mestre João Grande parou de jogar Capoeira. Ele continuou a tocar música e dança em shows folclóricos, mas já não realizada capoeira. Ele retornou ao Mestre Moraes e Cobrinha Mansa convenceu-o a sair da aposentadoria em meados de 1980. Ele começou a ensinar com sua organização Grupo Capoeira Angola -Pelourinho. Em 1989, ele foi convidado por Jelon Vieira para visitar os Estados Unidos. Jelon foi o primeiro a apresentar formalmente capoeira para os EUA em 1974. A turnê foi um tremendo sucesso. Em 1990 ele voltou a apresentar Capoeira Angola no Festival Nacional de Artes Negras, em Atlanta, na Geórgia e no Centro de Schomberg para Pesquisas em Cultura Negra em New York City. Mestre João Grande decidiu que gostava os EUA e tem ensinado em Nova York desde então.
Academia de NYC Roda Mestre em NYC

Mestre João Grande tem ensinado milhares de alunos em sua academia e tem sido palco de inúmeras apresentações de Capoeira Angola. Ele viajou a Europa, Brasil, Japão e muitas partes os EUA para ensinar e executar. Em 1995, ele recebeu um doutorado em Letras Humanas de Upsala College, East Orange, NJ. Em 2001, ele foi premiado com o National Heritage Fellowship da National Endowment for the Arts, que é um dos mais prestigiados prémios dados aos praticantes de artes tradicionais em os EUA. Mestre João Grande também gravou um CD de áudio e vários DVDs com si mesmo e seus alunos, bem como outras figuras ilustres da Capoeira Angola.

Fonte: joaogrande.org

João Pequeno

João Pequeno
João Pereira dos Santos ou Mestre João Pequeno, (Araci, 27 de dezembro de 1917 – Salvador, 9 de dezembro de 2011) foi um mestre de capoeira brasileiro1 .
Biografia
Filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira. Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil como servente de pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame. Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha. Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno. No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”. Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió2 .

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade. Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande, João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó. Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos, Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo. Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, além de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela. João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a ideia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário2 . Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo (1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto número de discípulos. Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o título de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva2 .

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda, com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana. Além de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.2 Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

Fonte: Wikipedia

Mestree Waldemar

Mestre Waldemar

Waldemar Rodrigues da Paixão (Ilha de Maré, 1916 – Salvador, 1990), mais conhecido como Mestre Waldemar, Waldemar da Liberdade ou Waldemar do Pero Vaz, é um mestre de capoeira baiano.
A vida de Waldemar como capoeirista e mestre de capoeira começa na década de 1940, onde ele implanta um barracão na invasão do Corta-Braço, futuro bairro da Liberdade, onde joga-se capoeira e choquen pom todos os domingos, também ensinando na rampa do mercado na cidade baixa. Praticava uma diversidade de capoeira, dos mais lentos aos mais combativos, com afirmada preferência para os mais lentos1 .
Durante a década de 1950, a capoeira dele na Liberdade atrai acadêmicos, artistas e jornalistas. Os etnólogos Anthony Leeds em 1950 e Simone Dreyfus em 1955 gravam o som dos berimbaus. O escultor Mário Cravo e o pintor Carybé, também capoeiristas, freqüentam o barracão. Mais tarde, a maior parte dos renomados capoeiristas afirmam ter grande influência na capoeira de Waldemar, na de Mestre Cobrinha Verde do bairro de Nordeste de Amaralina até na de Mestre Bimba.
De acordo com Albano Marinho de Oliveira (1956), o grupo da Liberdade começou a cantar longos solos antes do jogo (hoje chamados ladainhas). O próprio Waldemar reivindicou, em depoimento a Kay Shaffer, ter inventado de pintar o berimbau. A fabricação e venda para os turistas de berimbau foi uma fonte de renda para mestre Waldemar.
Waldemar, como bom capoeirista, andou na sombra. Ficou discreto sobre suas atividades e breve em sua fala. Mal existem fotos dele antes de velho. Não procurou a fama e, apesar de seu notado talento de cantor e de tocador de berimbau, não integrou muito o mercado de espetáculo turístico. Também, a música que se escuta nas gravações de 1951 e 1955 é coletiva, sempre tendo, ao menos, um dialogo de dois berimbaus.


Velho e impossibilitado de jogar capoeira e de tocar berimbau pela doença de Parkinson, Waldemar ainda aproveitou um pouco do movimento de resgate das tradições dos anos 1980, cantando em diversas ocasiões e gravando CD com Mestre Canjiquinha.
Na Bahia existem um bairro e uma rua que recebem seu nome.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Jogo de Dentro
Jorge Egídio dos Santos conhecido no mundo da capoeira como Mestre Jogo de Dentro, ingressou na Capoeira Angola em 1982, no Forte Santo Antônio-Salvador\BA na academia do Mestre João Pequeno de Pastinha. Depois de um ano foi batizado pelo Mestre João Grande, de quem recebeu o apelido de Jogo de Dentro devido seu estilo de jogo. Em 1986, Mestre João Pequeno deixou-o responsável em dar aulas e organizar as rodas na sua ausência. No dia 23 de Setembro de 1990 Mestre João Pequeno passou-lhe o título de Contra-Mestre, em reconhecimento ao seu trabalho iniciado em 1989 no Teatro Miguel Santana, qual foi convidado a dar aulas para os alunos do Mestre João Grande devido sua mudança para os Estados Unidos. Batizou o Grupo com o nome “HERANÇA DE PASTINHA”, em seguida mudou para “FILHOS DE JOÃO GRANDE E JOÃO PEQUENO” , mudando o nome por definitivo para “SEMENTE DO JOGO DE ANGOLA”. Em setembro de 1990 registra o Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola.
No dia 27 de fevereiro de 1994 Mestre João Pequeno entrega-lho o Diploma de Mestre de Capoeira Angola e diz estar orgulhoso em ver o trabalho desenvolvido por seu discípulo Jorge Egídio dos Santos sendo conhecido no mundo da Capoeiragem por Mestre Jogo de Dentro.
Em 1996 Mestre Jogo de Dentro mudou-se para Campinas- SP para expandir e divulgar o seu trabalho com Capoeira Angola, morou durante 12 anos e deixou alunos responsáveis dando continuidade ao trabalho do Grupo. Em 2007 retorna a Salvador e retoma as atividades do Grupo no Calafate com crianças e adolescentes.
Além de realizar oficinas em eventos de outros grupos, vive hoje entre o trabalho na Sede do grupo, na Ilha de Cacha-Prego/BA, e os núcleos da Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, DF, Itália, Canadá e Israel.


Semente do Jogo de Angola é um Grupo de Capoeira Angola fundado por Jorge Eugídio dos Santos – Mestre Jogo de Dentro – no dia 9 de setembro de 1990 no Teatro Miguel Santana no bairro Pelourinho na cidade de Salvador-BA no Brasil.1
O Mestre Jogo de Dentro foi formado pelo Mestre João Pequeno de Pastinha que, por sua vez, foi formado por Mestre Pastinha, conhecido como o pai da Capoeira Angola.
O Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola é uma entidade civil sem fins lucrativos, de caracter social, cultural, beneficente assistencial, fundado por Jorge Egídio dos Santos – “Mestre Jogo de Dentro”- em 09 de Setembro de 1990, no Teatro Miguel Santana – Pelourinho – Salvador-Bahia.