Congo de Ouro

Capoeira e Percussão Romário Itacaré

Tenha em Mente que a percussão é uma das mais antigas formas de comunicação entre nós e nossos ancestrais
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Aquivo de fevereiro, 2012

Jongo Mestre Darcy

MESTRE DARCY DO JONGO

Os antigos dizem que o jongo é a “dança das almas”. Em volta da fogueira, sempre à noite, os velhos jongueiros eram capazes de realizar encantamentos com os passos misteriosos e os cantos enigmáticos, em linguagem cifrada, compreendidos apenas pelos versados na mandinga.
Vindo provavelmente da região de Benguela, onde o povo Ovimbundo dançava o “onjongo”, o jongo espalhou-se por Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, áreas de marcante presença de escravos bantos. Com a decadência da lavoura cafeeira do Vale do Paraíba e a abolição da escravatura, um grande contingente de negros dirigiu-se para as zonas urbanas da cidade do Rio de Janeiro. Na bagagem, trouxeram a tradição da dança dos ancestrais.
Com a especulação imobiliária, a política de higiene sanitária e a reforma urbana da capital federal empreendida pelo prefeito Pereira Passos, no início do século XX, contingentes significativos de negros foram expulsos dos cortiços do centro da cidade e subiram os morros. Com eles foi o jongo, para os morros de São Carlos, Mangueira, Salgueiro e Serrinha. Neste último, principal reduto de jongueiros da cidade, nasceu, em 1932, Darcy Monteiro, o Mestre Darcy do Jongo, filho de Pedro Monteiro e da mãe-de-santo e jongueira Vovó Maria Joana Rezadeira.
Mestre Darcy revelou-se, desde cedo, um puta percussionista. Aos 16 anos, já era músico profissional. Participou, adolescente, da fundação da Escola de Samba Império Serrano. Foi ele quem introduziu os agogôs na bateria do Império, até hoje marca registrada da escola. Acompanhou, como músico da Rádio Nacional, nomes do calibre de Mário Reis, Herivelto Martins, Ataulfo Alves, Marlene e Emilinha Borba. Só briga de cachorro grande
Mais do que qualquer outra coisa, porém, Mestre Darcy se destacou como um tremendo militante da cultura afro-brasileira. Foi fundador, ao lado de Candeia, do Grêmio Recreativo de Arte Negra Quilombo, escola de samba que nos anos 70 buscou recuperar o sentido comunitário das agremiações tradicionais, desvirtuado pelo surgimento das “super-escolas de samba s.a” e seus trambolhos alegóricos, idealizados por bichas formadas nas escolas de Belas-Artes e com pouquíssima vivência da realidade dos sambistas.
Foi, entretanto, como jongueiro e divulgador do jongo que Mestre Darcy transformou-se em uma figura legendária. Percebendo que o jongo encontrava-se restrito a uma pequena parcela de participantes, e preocupado com os riscos do desaparecimento do ritmo e da dança dos seus ancestrais, fundou o grupo Jongo da Serrinha, com o objetivo de retomar, dinamizar e divulgar a tradição.
Com esta idéia, introduziu instrumentos de harmonia no ritmo, que até então era apenas percussivo, passou a ensinar a dança para as crianças e levou o jongo para os palcos de teatros do Brasil e do exterior. Para alguns, quebrou tabus e salvou o jongo do esquecimento; para outros, violou de forma irreversível a tradição. Quando indagado sobre isso, preferia dizer que rompia alguns princípios tradicionais para, no fundo, conseguir preservá-los.
(Minha opinião? Sinto muito, mas quem não pode com a mandinga não carrega o patuá. Não meto a mão nessa cumbuca de mais velho.)
Passou os últimos anos de sua vida ensinando o jongo, sobretudo para estudantes, ao mesmo tempo em que estimulava a prática entre as crianças do morro da Serrinha. Ressaltou o tempo todo a importância de se estudar música, mas sempre admitiu que os melhores tambozeiros que conheceu foram os ogãs das casas de candomblé e umbanda. Mestre Darcy foi, inclusive, o principal tocador de tambor da Tenda Espírita de Xangô, casa comandada por sua mãe, Vovó Maria Joana Rezadeira.
Eu vi o Mestre pouco antes de seu encantamento. Forte feito touro, batendo no candongueiro como um menino travesso e com o olhar misterioso e a ginga encalacrada de todos os Exus.
Morreu no final de 2001, em um momento em que o jongo crescia e conquistava um significativo espaço de divulgação na mídia. Seu filho, Darcyzinho, assumiu o comando dos tambores.
Zâmbi falou que era a hora de chamar o tambozeiro que um dia anunciará, no rufar do angoma velho, a chegada da Noite Grande.
Mojubá

Abdias Nascimento

ABDIAS NASCIMENTO, UMA BIOGRAFIA RESUMIDA.
Abdias Nascimento (também conhecido como Abdias do Nascimento) nasceu em 1914, na
cidade de Franca, Estado de São Paulo, Brasil. É economista pela Universidade do Rio de
Janeiro (1938) e fez pós-graduação no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) (1957).
AÇÃO POLÍTICA E CULTURAL
Organizou o Congresso Afro-Campineiro em 1938 e participou do primeiro movimento brasileiro
de direitos civis, a Frente Negra Brasileira (1929-37). Fundou na Penitenciária de Carandiru o
Teatro do Sentenciado (1943) e ajudou a fundar o jornal dos prisioneiros.
Criou no Rio de Janeiro, em 1944, o Teatro Experimental do Negro. Organizou o Comitê
Democrático Afro-Brasileiro e editou o jornal Quilombo: Vida, Problemas e Aspirações do
Negro.
Organizou a Convenção Nacional do Negro (1945-46), que propôs à Assembléia Nacional
Constituinte a inclusão de um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como
crime de Lesa-pátria. Organizou a Conferência Nacional do Negro (Rio de Janeiro, 1949), e o
1o Congresso do Negro Brasileiro (Rio de Janeiro, 1950).
Atuou como curador fundador do projeto Museu de Arte Negra cuja exposição inaugural se
realizou no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (1968). Manteve durante décadas
contato com os movimentos de libertação africanos e com o movimento pelos direitos civis e
direitos humanos dos negros nos Estados Unidos.
Alvo da repressão policial do regime militar quando foi aos Estados Unidos em 1968, ele não
pôde retornar ao Brasil em razão das medidas autoritárias do Ato Institucional n. 5, promulgado
em dezembro daquele ano. Durante 13 anos, viveu no exílio nos Estados Unidos e na Nigéria.
Participou de inúmeros eventos internacionais e introduziu a população negra do Brasil em
várias reuniões do mundo africano: 6o Congresso Pan-Africano (Dar-es-Salaam, 1974) e
reunião preparatória (Jamaica, 1973); Encontro sobre Alternativas do Mundo Africano / 1o
Congresso da União de Escritores Africanos (Dacar, 1976); 2º Festival Mundial de Artes e
Culturas Negras e Africanas (Lagos, 1977); 1o e do 2o Congressos de Cultura Negra das
Américas (Cali, Colômbia, 1977; Panamá, 1980). Neste último, foi eleito vice-presidente e
coordenador do 3o Congresso de Cultura Negra das Américas.
Exilado, desenvolveu extensa obra artista sobre temas da cultura religiosa da diáspora africana
e da resistência do povo negro à escravidão e ao racismo.
Em 1978, volta ao Brasil e participa de atos públicos e das reuniões de fundação do Movimento
Negro Unificado contra o Racismo e a Discriminação Racial (MNU). Participa na criação do
Memorial Zumbi, organização nacional de promoção dos direitos civis e humanos da população
negra de todo o pais; é eleito seu presidente e cumpre mandato de 1989 até 1998.
Em 1981, funda o IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros. Organiza o 3o
Congresso de Cultura Negra nas Américas (1982) e o Seminário Nacional sobre 100 Anos da
Luta de Namíbia pela Independência (1984). Cria o curso Sankofa, ministrado na Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984-95).
Foi o primeiro Deputado Federal negro a defender a causa coletiva da população de origem
africana no parlamento brasileiro (1983-86). Atuou em Luanda como consultor da UNESCO
para o desenvolvimento das artes dramáticas e do teatro angolanos. Participou da diretoria
internacional do Festival Pan-Africano de Cultura (FESPAC) e do Memorial Gorée, sediados
em Dacar, Senegal. Participou da diretoria internacional fundadora do Instituto dos Povos
Negros, criado em 1987 por iniciativa do Governo de Burkina Faso, com apoio da UNESCO.
Em 1991, tornou-se o primeiro senador afrodescendente a dedicar seu mandato à promoção
dos direitos civis e humanos do povo negro do Brasil. O governador do Rio de Janeiro, Leonel
de Moura Brizola, o nomeou titular da nova Secretaria de Defesa e Promoção das Populações
Afro-Brasileiras (1991-1994). Assumiu em 1999 a nova Secretaria de Direitos Humanos e
Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Participou da organização da participação brasileira na 3ª Conferência Mundial contra o
Racismo (Durban, África do Sul, 2001) e no Fórum das ONGs dessa Conferência foi um dos
palestrantes principais (Keynote Speaker).
ATUAÇÃO ACADÊMICA
Abdias Nascimento é Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York (Buffalo,
EUA), onde fundou a Cátedra de Culturas Africanas no Novo Mundo do Centro de Estudos
Porto-riquenhos, Departamento de Estudos Americanos. Foi professor visitante na Escola de
Artes Dramáticas da Universidade Yale (1969-70); Visiting Fellow no Centro para as
Humanidades, Universidade Wesleyan (1970-71); professor visitante do Departamento de
Estudos Afro-Americanos da Universidade Temple, Filadélfia (1990-91) e professor visitante no
Departamento de Línguas e Literaturas Africanas da Universidade Obafemi Awolowo, Ilé-Ifé,
Nigéria (1976-77).
PRÊMIOS E ORDEM DO MÉRITO
Em 2001, o Centro Schomburg de Pesquisa das Culturas Negras, Biblioteca Pública Municipal
de Nova York em Harlem, entrega-lhe o Prêmio da Herança Africana Mundial. Recebe o prêmio
UNESCO na categoria “Direitos Humanos e Cultura” (2001) e o Prêmio Comemorativo da ONU
por Serviços Relevantes em Direitos Humanos (2003). No Ano Internacional de Celebração da
Luta contra a Escravidão e de sua Abolição (2004), a UNESCO cria o prêmio único Toussaint
Louverture para reconhecer dois intelectuais ativistas, Abdias Nascimento e Aimé Cesaire, que
dedicaram suas vidas à luta contra o racismo e a discriminação racial. O Conselho Nacional de
Prevenção da Discriminação, do Governo Federal do México, outorga-lhe prêmio em
reconhecimento à sua contribuição destacada à prevenção da discriminação racial na América
Latina (2008).
Em 2006, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva condecora Abdias Nascimento com a Ordem
do Rio Branco no grau de Comendador. Em 2007, o Ministério da Cultura lhe outorga a Grã-
Cruz da Ordem do Mérito Cultural; em 2009 recebe do Ministério do Trabalho a Grã Cruz da
Ordem do Mérito do Trabalho. Todos os três são as mais altas honrarias do Governo Federal
do Brasil em suas respectivas áreas.
É Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Universidade Federal
da Bahia; Universidade de Brasília; Universidade do Estado da Bahia; Universidade Obafemi
Awolowo, Ilé-Ifé, Nigéria.
Abdias do Nascimento é descrito como o mais completo intelectual e homem de cultura do
mundo africano do século XX.
Seu nome está indicado oficialmente para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2010.
OBRAS PUBLICADAS SELECIONADAS
Livros
O Griot e as Muralhas, com Éle Semog. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.
Quilombo: Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento. São Paulo:
Editora 34, 2003.
O quilombismo, 2a ed. Brasília/ Rio de Janeiro: Fundação Cultural Palmares/ OR Produtor
Editor, 2002.
O Brasil na Mira do Pan-Africanismo. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais/ Editora da
Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002.
Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/
Philadelphia: Ipeafro – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros / Temple University
Press, 1995.
A Luta Afro-Brasileira no Senado. Brasília: Senado Federal, 1991.
Nova Etapa de uma Antiga Luta. Rio de Janeiro: Secretaria Extraordinária de Defesa e
Promoção das Populações Negras – SEDEPRON, 1991.
Africans in Brazil: a Pan-African Perspective, com Elisa Larkin Nascimento. Trenton: Africa
World Press, 1991.
Brazil: Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Dover: The Majority Press, 1989.
Combate ao Racismo, 6 vols. Brasília: Câmara dos Deputados, 1983-86. (Discursos e projetos
de lei.)
Povo Negro: A Sucessão e a “Nova República”. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985 .
Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984.
A Abolição em Questão, co-autoria com José Genoíno e Ari Kffuri. Sessão Comemorativa do
96o Aniversário da Lei Áurea (9 de maio de 1984). Brasília: Câmara dos Deputados, 1984.
Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983 (Poesia).
Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980.
Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979 (Peça
teatral).
Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978.
Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Búfalo: Afrodiaspora, 1979.
O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2a ed. Ibadan:
Sketch Publishers, 1977.
“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 1a ed. Ile-Ife:
University of Ife, 1976.
Sortilégio (mistério negro). Rio de Janeiro: Teatro Experimental do Negro, 1959. (Peça teatral.)
Organização de antologias, revistas, e obras coletivas
Thoth:Pensamento dos Povos Africanos e Afrodescendentes, nos. 1-6. Brasília: Senado
Federal, 1997-98.
Afrodiaspora: Revista do Mundo Africano, nos. 1-7. Rio de Janeiro: IPEAFRO, 1983-86.
O Negro Revoltado, 2a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
Journal of Black Studies, ano 11, no. 2 (dezembro de 1980) (número especial sobre o Brasil).
Memórias do Exílio, org. em colaboração com Paulo Freire e Nelson Werneck Sodré. Lisboa:
Arcádia, 1976.
Oitenta Anos de Abolição. Rio de Janeiro: Cadernos Brasileiros, 1968.
Teatro Experimental do Negro: Testemunhos. Rio de Janeiro: GRD, 1966.
Dramas para Negros e Prólogo para Brancos. Rio de Janeiro: TEN, 1961.
Relações de Raça no Brasil. Rio de Janeiro: Quilombo, 1950.
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
01. The Harlem Art Gallery, Nova York, 1969.
02. Crypt Gallery, Columbia University, Nova York, 1969.
03. Yale University School of Art and Architecture, New Haven, 1969.
04. Malcolm X House, Wesleyan University, Middletown, CN, 1969.
05. Gallery of African Art, Washington DC, 1970.
06. Gallery Without Walls, Buffalo, NY, 1970.
07. Centro de Estudos e Pesquisas Porto-riquenhos, Universidade do Estado de Nova York,
Buffalo, 1970.
08. Departamento de Estudos Afro-Americanos, Harvard, Cambridge, MA, 1972.
09. Museu da Associação Nacional de Artistas Afro-Americanos, Boston, 1971.
10. Studio Museum in Harlem, Nova York, 1973.
11. Langston Hughes Center, Buffalo, NY, 1973.
12. Fine Arts Museum, Syracuse, NY, 1974.
13. Galeria da Universidade Howard, Washington DC, 1975.
14. Inner City Cultural Center, Los Angeles, 1975.
15. Ile-Ife Museum of Afro-American Culture, Philadelphia, 1975.
16. Galeria do Banco Nacional, São Paulo, Brasil, 1975.
17. Galeria Morada, Rio de Janeiro, Brasil, 1975.
18. Museu de Artes e Antiguidades Africanas e Afro-Americanas, Center for Positive Thought,
Buffalo, NY, 1977.
19. El Taller Boricua e Caribbean Cultural Center, Nova York, 1980.
20. Galeria Sérgio Milliet, Fundação Nacional das Artes – FUNARTE, Ministério da Cultura, Rio
de Janeiro, Brasil, 1982.
21. Palácio da Cultura (Prédio Gustavo Capanema), Ministério da Cultura, Rio de Janeiro,
Brasil, 1988.
22. Salão Negro, Congresso Nacional, Brasília, DF, 1997.
23. Galeria Debret, Paris, 1998.
24. Arquivo Nacional (antiga Casa da Moeda), Rio de Janeiro, 2004-2005.
25. Galeria Athos Bulcão, anexo ao Teatro Nacional, Brasília, DF, 2006.
26. Caixa Cultural Salvador / II Conferência Mundial dos Intelectuais Africanos e da Diáspora,
2006.
27. IV Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), Rio de Janeiro, 2007

Zumbi dos Palmares

Biografia de Zumbi

Zumbi dos Palmares líder escravo alagoano (1655-1695). Símbolo da resistência negra contra a escravidão, é o último chefe do Quilombo dos Palmares.

Zumbi, no dialeto africano, quer dizer guerreiro. O nome transformou-se em um símbolo de coragem, resistência dignidade e luta por justiça social.  Zumbi, é um nome de muita importancia na epopéia do negro no Brasil, os historiadores brasileiros transmitiam uma versão oficial da história brasileira, em que não havia espaço para os relatos de movimentos, rebeliões e para os grandes personagens negros, personagens estes da importancia de Zumbi, permaneciam soterrados no esquecimento. Mas as lutas sociais emanciparam Zumbi.Dizem, que Zumbi foi criado pelo padre Antonio Melo, e que aos 15 anos fugiupara o Quilombo de Palmares, o núcleo de resistência  de escravos negros que em busca da sua liberdade, fugiam dos engenhos, adotando o nome de Zumbi.
Era um líder,  um guerreiro, e em pouco tempo assumiu o comando militar. Em 1678, rompeu um  acordo com as autoridades coloniais e liderou uma rebelião contra os portugueses, que durou 14 anos.

No final do século XVI, as terras pernambucanas eram as mais prósperas das colonias portuguesas, haviam mais de 60 engenhos e uma estrutura criada que permitia o escoamento dos produtos.o mesmo não ocorria no suldo país, onde poucos europeus ainda lutavam para conquistar as terras. Eram desbravadores, sua fama de conquistadores tinha ultrapassado as fronteiras. O país dizia que os paulistas eram homens valentes e grandes lutadores “criados entre as brenhas, como feras”, foi essa reputação guerreira, que levou o governador de Pernambuco  procurou o bandeirante Domingos Jorge Velho, chefe de um bando paulista em ação no interior brasileiro. Queria resolver seu maior plobrema, Palmares já tinha deixado de ser preocupação para virar o maior pesadelo naquela época.

Em Pernambucofalava-se de Palmares,mas ninguem sabia de certo onde ficava o quilombo. Diziam, é lá nas montanhas, na parte de cima do São Francisco, mata fechada, inacessível e que precisava de muitos dias para se chegar lá, mas ninguem duvidava de que Palmares existisse de verdade. Palmares havia surgido no final do séculoXVI, quando os primeiros negros com anseio de liberdade, fugiam dos engenhos para se refugiarem lá. Desde então o mito de Palmares não havia feito outra coisa senão crescer. Era a meta dos que buscavam liberdade, negros, índios e até mesmo brancos. Em 1630, as autoridades já calculavam uma população de mais de 3 mil habitantes.

O Quilombo de Palmares representou uma estrutura alternativa à sociedade colonial. Os negros viviam da agricultura, muitpo mais avançados que a colonia, a colonia só conhecia a produção do açucar, em Palmares plantavam-se milho, feijão, mandioca, cana, legumes, batatas e frutas. Palmares tinha leis , muitas delas bastante rígidas.roubos,, adultério, deserção ou homicídio eram punidos com a morte. A autoridade era conhecida por todos, as decissões eram tomadas em assebléias, onde participavam todos os habitantes adultos. Chegou a ser uma rede de cidades, contava com mais de onze povoados. Macaco, na Serra da Barriga, era a capital. Possuia 1500 casas,dos dois lados de ruas espaçosas. Os artesões trabalhavam em suas oficinas enquanto outros plantavam e colhiam, as crianças brincavam livres, haviam templos religiosos. Depois vinham outros quilombos igualmente organizados, entre eles, Amaro, Subupira, Zumbi, Tabocas, Acotirene, Danbrapanga, Sabalanga

O Cangaço e Lampião

lampiaoprincipal

A violência aplicada na colonização para tomar posse das terras indígenas, ainda pairava no ar seco do sertão.

Nos brejos perenes e em períodos de chuva, o interior nordestino tornava-se promissor e produzia muito, mas entre as fazendas havia muitos bandidos que ameaçavam esse progresso.

Os coronéis, que exploravam e oprimiam o povo, não admitiam as ações desses bandidos em seus territórios, tendo nos jagunços e na volante da polícia a segurança local.

Essa contradição de segurança despertou em homens bravios, o sentimento de injustiça, e o abuso de autoridade por parte dos coronéis gerou rixas, que fizeram surgir o cangaço no contexto histórico nordestino.

O cangaço tomou força no começo do século XX e os grupos atuavam em todo o sertão, foi um acontecimento social que produziu uma cultura ímpar, com indumentária, música, versos, dança e um jeito de ser bem característicos.

Luiz Gonzaga tomou emprestadas essas características e absorveu essa cultura para se lançar no cenário da música brasileira.

Cangaço

Os cangaceiros eram homens valentes que começaram a agir por conta própria, através das armas, desafiando grandes fazendeiros e cometendo agressões. Geralmente, os cangaceiros saíam da lida com o gado.

Eram vaqueiros habilidosos, que faziam as próprias roupas, caçavam e cozinhavam, tocavam o pé-de-bode (sanfona de oito baixos) em dias de festa, trabalhavam com couro, amansavam animais, desenvolvendo um estilo de vida miliciano e, apesar da vida criminosa, eram muito religiosos.

A astúcia e a ousadia nos ataques às fazendas e cidades era outra característica desses guerreiros, que quase sempre saíam vitoriosos das investidas, mas às vezes levavam desvantagem, por isso tinham uma vida cigana, de estado em estado, de fronteira em fronteira.

Vestiam-se com roupas de tecido grosso, ou até com gibão, calçavam alpercata, usavam chapéus de couro com abas largas e viradas para cima, gostavam de lenços no pescoço, de punhais compridos na cintura, cartucheiras atravessadas ao peito disputando espaço com as cangas, que eram as bolsas, cabaças e outros suportes, utilizados para transportar os objetos pessoais.

Pelo Nordeste havia vários grupos de cangaço, porém o mais famoso foi o de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, um pernambucano que desafiou todos os poderes políticos. Ficou conhecido pela bravura, a qual Luiz Gonzaga venerava e cantava.

Fonte: www.recife.pe.gov.br

Cangaço

O banditismo parece ser um fenômeno universal. É difícil encontrar um povo no mundo que não teve (ou tenha) bandidos: indivíduos frios, calculistas, insensíveis à violência e à morte. Sem entrar no mérito das atrocidades cometidas pelos colonizadores portugueses, que escravizaram os negros africanos e quase exterminaram os índios nativos do país, a região Nordeste do Brasil vivenciou um período de quase meio século de violência, especialmente no final da década de 1870, após a grande seca de 1877.

O monopólio da terra e o trabalho servil, heranças das capitanias hereditárias, sempre mantiveram o empobrecimento da população e impediram o desenvolvimento do Nordeste, apesar do empenho de Joaquim Nabuco e da abolição da escravatura. As pessoas continuam sendo relegadas à condição de objetos, cujo maior dever é servir aos donos de terras.

Enquanto o capitalismo avançava nos grandes centros urbanos, no meio rural persistia o atraso da grande propriedade: a presença do latifúndio semifeudal, elemento dominador que, da monarquia à república, se mantém intocável em seus privilégios. Os problemas das famílias abastadas são resolvidos entre si, sem a intervenção do poder do Estado, mas com a substantiva ajuda de seus fiéis subordinados: policiais, delegados, juízes e políticos.

No final do século XIX, os engenhos são tragados pelas usinas, porém as relações pré-capitalistas de produção se conservam: os trabalhadores rurais se tornam meros semi-servos. E o dono da terra – o chamado “coronel” – representa o legítimo árbitro social, mandando em todos (do padre à força policial), com o apoio integral da máquina do Estado. Contrariar o coronel, portanto, é algo a que ninguém se atreve.

É importante registrar também a presença dos jagunços, ou capangas dos “coronéis”, aqueles assalariados que trabalham como vaqueiros, agricultores ou mesmo assassinos, defendendo com unhas e dentes os interesses do patrão, de sua família e de sua propriedade.

Diante das relações semifeudais de produção, da fragilidade das instituições responsáveis pela ordem, lei e justiça, e da ocorrência de grandes injustiças – homicídios de familiares, violências sexuais, roubo de gado e de terras, além de secas periódicas que vêm agravar a fome, o analfabetismo e a pobreza extrema, os sertanejos buscaram fazer justiça com as próprias mãos, gerando, como forma de defesa, um fenômeno social que propagava vinganças e mais violências: o cangaço.

Fora o cangaço, dois outros elementos que surgem nos sertões nordestinos são o fanatismo religioso e o messianismo, a exemplo de Canudos (na Bahia) com Antonio Conselheiro; de Caldeirão (na chapada do Araripe, município do Crato, no Ceará) com o Beato Lourenço; e dos seus remanescentes em Pau de Colher, na Bahia. O cangaço, o fanatismo religioso e o messianismo são episódios marcantes da guerra civil nordestina: representam alternativas através das quais a população regional pode retaliar os danos sofridos, garantir um lugar no céu, alimentar o seu espírito de aventura e/ou conseguir um dinheiro fácil.

A expressão cangaço está relacionada à palavra canga ou cangalho: uma junta de madeira que une os bois para o trabalho. Assim como os bois carregam as cangas para otimizar o labor, os homens que levam os rifles nas costas são chamados de cangaceiros.

O cangaço advém do século XVIII, tempo em que o sertão ainda não havia sido desbravado. Já naquela época, o cangaceiro Jesuíno Brilhante (vulgo Cabeleira) ataca o Recife, e é preso e enforcado em 1786. De Ribeira do Navio, estado de Pernambuco, surgem também os cangaceiros Cassemiro Honório e Márcula. O cangaço passa a se tornar, então, uma profissão lucrativa, surgindo vários grupos que roubam e matam nas caatingas. São eles: Zé Pereira, os irmãos Porcino, Sebastião Pereira e Antônio Quelé. No começo da história, contudo, eles representam grupos de homens armados a serviço de coronéis.

Em 1897, surge o primeiro cangaceiro importante: Antônio Silvino. Com fama de bandido cavalheiresco, que respeita e ajuda muitos, ele atua, durante 17 anos, nos sertões de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. É preso pela polícia pernambucana em 1914. Um outro cangaceiro famoso é Sebastião Pereira (chamado de Sinhô Pereira), que forma o seu bando em 1916. No começo do século XX, frente ao poder dos coronéis e à ausência de justiça e do cumprimento da lei, tais indivíduos entram no cangaço com o propósito de vingar a honra de suas famílias.

Para combater esse novo fenômeno social, o Poder Público cria as “volantes”. Nestas forças policiais, os seus integrantes se disfarçavam de cangaceiros, tentando descobrir os seus esconderijos. Logo, ficava bem difícil saber ao certo quem era quem. Do ponto de vista dos cangaceiros, eles eram, simplesmente, os “macacos”. E tais “macacos” atuavam com mais ferocidade do que os próprios cangaceiros, criando um clima de grande violência em todo o sertão nordestino.

Por outro lado, a polícia chama de coiteiros todas as pessoas que, de alguma forma, ajudam os cangaceiros. Os residentes no interior do sertão – moradores, vaqueiros e criadores, por exemplo – se inserem, também, dentro dessa categoria.

Sob ordens superiores, as volantes passam a atuar como verdadeiros “esquadrões da morte”, surrando, torturando, sangrando e/ou matando coiteiros e bandidos. Se os cangaceiros, portanto, ao empregar a violência, agem completamente fora da lei, as volantes o fazem com o apoio total da lei.

Nesse contexto, surge a figura do Padre Cícero Romão Batista, apelidado pelos fanáticos de Santo de Juazeiro, que nele vêem o poder de realizar milagres e, sobretudo, uma figura divina. Endeusado nas zonas rurais nordestinas, o Padre Cícero concilia interesses antagônicos e amortece os conflitos entre as classes sociais. Em meio a crendices e superstições, os milagres – muitas vezes, resumidos a simples conselhos de higiene ou procedimentos diante da subnutrição – atraem grandes romarias para Juazeiro, ainda mais porque os seus conselhos são gratuitos. O Santo de Juazeiro, contudo, a despeito de ser um bom conciliador e uma figura querida entre os cangaceiros, utiliza a sua influência religiosa para agir em favor dos “coronéis”, desculpando-os pelas violências e injustiças cometidas.

Em meio a essa turbulência, surge o mais importante de todos os cangaceiros e quem mais tempo resiste (cerca de vinte anos) ao cerco policial: Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também chamado rei do cangaço e governador do sertão. Os membros do seu bando usam cabelos compridos, lenço em volta do pescoço, grande quantidade de jóias e um perfume exagerado. Seus nomes e alcunhas são os seguintes: Antônio Pereira, Antônio Marinheiro, Ananias, Alagoano, Andorinha, Amoredo, Ângelo Roque, Beleza, Beija-Flor, Bom de Veras, Cícero da Costa, Cajueiro, Cigano, Cravo Roxo, Cavanhaque, Chumbinho, Cambaio, Criança, Corisco, Delicadeza, Damião, Ezequiel Português, Fogueira Jararaca, Juriti, Luís Pedro, Linguarudo, Lagartixa, Moreno, Moita Braba, Mormaço, Ponto Fino, Porqueira, Pintado, Sete Léguas, Sabino, Trovão, Zé Baiano, Zé Venâncio, entre outros.

A partir de 1930, a mulher é inserida no cangaço. Tudo começa com Maria Bonita, companheira de Lampião, e depois vêm outras. Muito embora não entrassem diretamente nos combates, as mulheres são preciosas colaboradoras, participando de forma indireta das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos cangaceiros. Elas sempre portam armas de cano curto (do tipo Mauser) e, em caso de defesa pessoal, estão prontas para atirar.

Seja representando um porto seguro, ou funcionando como um ponto de apoio importante para se implorar clemência, as representantes do sexo feminino contribuem muito para acalmar e humanizar os cangaceiros, além de aumentar-lhes o nível de cautela e limitar os excessos de desmandos. As cangaceiras mais famosas do bando de Lampião, juntamente com os seus companheiros, são: Dadá (Corisco), Inacinha (Galo), Sebastiana (Moita Brava), Cila (José Sereno), Maria (Labareda), Lídia, (José Baiano) e Neném (Luís Pedro).

Como as demais sertanejas nordestinas, as mulheres recebem a proteção paternalista dos seus companheiros, mas o seu cotidiano é mesmo bem difícil. Levar a termo as gestações, por exemplo, no desconforto da caatinga, significa muito sofrimento para elas. Às vezes, precisavam andar várias léguas, logo após o parto, para fugir das volantes. E caso não possuíssem uma resistência física incomum, não conseguiriam sobreviver.

Em decorrência da instabilidade e dos inúmeros problemas da vida no cangaço, os homens não permitem a presença de crianças no bando. Assim que seus filhos nascem, são entregues a parentes não engajados no cangaço, ou deixados com as famílias de padres, coronéis, juízes, militares, fazendeiros.

Vale ressaltar que um fator decisivo para o extermínio do bando de Lampião é o uso da metralhadora, que os cangaceiros tentam comprar, mas não obtêm sucesso. No dia 28 de abril de 1938, Lampião é atacado de surpresa na grota de Angico, local que sempre julgou como o mais seguro de todos. O rei do cangaço, Maria Bonita, e alguns cangaceiros são mortos rapidamente. O resto do bando consegue fugir para a caatinga. Com Lampião, morre também o personagem histórico mais famoso da cultura popular brasileira.

Em Angicos, os mortos são decapitados pela volante e as cabeças são exibidas em vários estados do Nordeste e sul do país. Posteriormente, ficam expostas no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por cerca de 30 anos. Apesar de muitos protestos, no sentido de enterrar os restos mortais mumificados, o diretor do Museu – Estácio de Lima – é contra o sepultamento.

Após a morte de Lampião, Corisco tenta assumir durante dois anos o lugar de chefe dos cangaceiros. A sua inteligência e competência, porém, estão longe de se comparar àquelas de Virgulino.

No dia 23 de março de 1940, a volante Zé Rufino combate o bando. Dadá é gravemente ferida no pé direito; Corisco leva um tiro nas costas, que lhe atinge a barriga, deixando os intestinos à mostra. O casal é transportado, então, para o hospital de Ventura. Devido à gangrena, Dadá (Sérgia Maria da Conceição) sofre uma amputação alta da perna direita, mas Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) não resiste aos ferimentos, vindo a falecer no mesmo dia.

O fiel amigo de Lampião é enterrado no dia 23 de março de 1940, no cemitério da cidade Miguel Calmon, na Bahia. Dez dias após o sepultamento, o seu cadáver foi exumado: decepam-lhe a cabeça e o braço direito e expõem essas partes, também, no Museu Nina Rodrigues.

Naquela época, o cangaço já se encontra em plena decadência e, com Lampião, morre também a última liderança desse fenômeno social. Os cangaceiros que vão presos e cumprem pena conseguem se reintegrar no meio social. Alguns deles são: José Alves de Matos (Vinte e Cinco), Ângelo Roque da Silva (Labareda), Vítor Rodrigues (Criança), Isaías Vieira (Zabelê), Antônio dos Santos (Volta Seca), João Marques Correia (Barreiras), Antônio Luís Tavares (Asa Branca), Manuel Dantas (Candeeiro), Antenor José de Lima (Beija-Flor), e outros.

Após décadas de protestos, por parte das famílias de Lampião, Maria Bonita e Corisco, no dia 6 de fevereiro de 1969, por ordem do governador Luís Viana Filho, e obedecendo ao código penal brasileiro que impõe o devido respeito aos mortos, as cabeças de Lampião e Maria Bonita são sepultadas no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador. Em 13 de fevereiro, do mesmo ano, o governador autoriza, ainda, o sepultamento da cabeça e do braço de Corisco, e das cabeças de Canjica, Zabelê, Azulão e Marinheiro.

Por fim, registram-se informações sobre alguns ex-cangaceiros que retornam ao convívio social. Tendo fugido para São Paulo, depois do combate na grota de Angico, Criança adquire casa própria e mercearia naquela cidade, casa-se com Ana Caetana de Lima e tem três filhos: Adenilse, Adenilson e Vicentina.

Zabelê volta para o roçado, assim como Beija-Flor. Eles continuam pobres, analfabetos e desassistidos. Candeeiro segue o mesmo rumo, mas consegue se alfabetizar.

Vinte e Cinco vai trabalhar como funcionário do Tribunal Eleitoral de Maceió, casa com a enfermeira Maria de Silva Matos e tem três filhas: Dalma, Dilma e Débora.

Volta Seca passa muito tempo preso na penitenciária da Feira de Curtume, na Bahia. É condenado, inicialmente, a uma pena de 145 anos, depois comutada para 30 anos. Através do indulto do presidente Getúlio Vargas, porém, em 1954, ele cumpre uma pena de 20 anos. Volta Seca se casa, tem sete filhos e é admitido como guarda-freios na Estrada de Ferro Leopoldina.

Conhecido também como Anjo Roque, Labareda consegue se empregar no Conselho Penitenciário de Salvador, casa e tem nove filhos.

E, intrigante como possa parecer, o ex-cangaceiro Saracura torna-se funcionário de dois museus, o Nina Rodrigues e o de Antropologia Criminal, os mesmos que expuseram as cabeças mumificadas dos velhos companheiros de lutas.

Fonte: www.fundaj.gov.br

A Percussão

GENESE.

O ritmo, o elemento primeiro e fundamental na musica, está ligado ao homem desde o momento em que este foi concebido.

Durante nove meses, em média 270 dias, todo ser humano passou por este período intra uterino.

Neste ambiente interior onde todos os órgãos estão sendo formados, inclusive os da percepção, este novo ser em gestação está totalmente envolto por toda uma complexidade de sons e ritmos.

As suas células recebem continuamente estas informações sonoras, comandadas pelo tambor primeiro o coração materno.

Este ritmo, este pulso o acompanhará ininterruptamente por toda sua vida até seu ultimo suspiro.

Muito antes dos antigos gregos (Pitágoras, Platão, Aristóteles, para citar alguns e continuando até os dias atuais a natureza do ritmo tem sido objeto de infindáveis discussões.

Alternadamente na sua concepção o ritmo é: numérico, movimento, ordem, organização, proporção, vida, forma, pulso, inteligência, instinto, força repetição, alternância, simetria, duração, intensidade, medida, repouso, vontade e assim segue numa infinidade de conceitos.

Os aspectos filosóficos e metafísicos do ritmo parecem ser portas para entrarmos de uma forma mais abrangente no complexo universo da musica onde o ritmo é fundamental

Então entenderíamos melhor este grande fenômeno universal A Linguagem da percussão.


Evolução

Percutindo o próprio corpo, pedras, ossos, madeiras, e depois peles: nessa evolução natural, o homem das cavernas expressou, através da percussão, os timbres e ritmos que se fixaram na sua memória.

Esses grupos humanos instalam-se em diferentes pontos da terra, desenvolvendo costumes e expressões próprias.

A percussão vai se apropriando desses novos costumes expressões e dos novos materiais e utensílios criando outros ritmos e sonoridades..

Essa evolução não teve nem terá fim.


A percussão no Brasil

 

O índio foi o primeiro percussionista brasileiro.

Batendo um ritmo continuo no chão com os pés, usando a voz com sons culturais e tocando vários chocalhos; assim descreveram os colonizadores que aqui chegaram àquilo que viram e ouviram dos habitantes deste novo continente.

Localizadas em diversos pontos do então novo mundo, as várias nações indígenas já possuíam uma linguagem percussiva própria.

Foi com enorme curiosidade e medo que os índios escutaram pela primeira vez o som de tambores marciais, das caixas de guerra, o dos metais e até do bronze no sino, trazido pelos colonizadores.

A contribuição européia tornou-se mais um elemento rítmico e sonoro na percussão brasileira.

Porém, a terceira e mais forte influência foi sem duvida aquela trazida com a chegada dos escravos de origem africana.

Os africanos oriundos de diversas regiões e tribos com sua sólida tradição e cultura musical, possuíam amplo domínio dos tambores, madeiras e dos metais

(ferro e bronze).

Levadas para diversas regiões do país, este contingente de escravos negros superou grandemente a população indígena e branca, constituindo-se em uma ameaça à sociedade colonial e por isso, eram , os negros, severamente vigiados.

Tão evidente era a presença da percussão africana entre os escravos, que uma série de medidas foram tomadas para proibi-las.

Na Bahia em 1850, em conseqüência à Revolução dos Malês, foi proibida a entrada dos tambores Batá , em todos os portos do pais e ordenada à queima destes tambores para que nunca mais seus toques fossem ouvidos.

Assim, calava-se a voz destes tambores rituais que, além de seus toques sagrados, incitava os escravos a luta.

Em todo o país, proibiu-se a utilização de tambores e outros instrumentos de percussão nas igrejas.

Houve uma sistemática perseguição aos terreiros de candomblé, confiscando e queimando tambores e instrumentos rituais e musicais.

Decretou-se severa punição às manifestações lúdicas dos escravos, nas quais a percussão tinha um papel preponderante, como o batuque e a capoeira, por exemplo.

Essas proibições e punições não poderiam ser suficientes para controlar o grande numero de negros traficados para o Brasil.

De fato, o colonizador, ao trazer quatro milhões de mão-de-obra escrava, estava “importando” milhares de percussionistas, que, com seus toques tribais, sagrados e profanos, assustavam e ameaçavam o poder.

Esse caldeirão rítmico influenciou a música trazida pelos marinheiros europeus, a música da corte e a música tocada nas igrejas.

As formas musicais trazidas da Metrópole como o Fado, a Valsa e a polca tornaram-se ritmicamente mais vibrantes ao se misturarem à Fofa e ao Lundu,

Estilos mais populares.

Também cresceu o número de músicos que tocavam nas igrejas, nas casas e nas ruas.

Quem eram esses músicos que vão surgindo por todo o Brasil ?

São escravos, negros alforriados, mulatos e seus descendentes.

Estes intérpretes, africanos de origem, com sua fácil assimilação dos elementos musicais europeus e da pequena, mas presente, influencia indígena, desenvolveram um estilo particularmente brasileiro, em que a percussão se torna indispensável.

O lundu, já bastante popular e exemplo notável desta assimilação, passou a ser proibido nos salões por ser considerado um ritmo e dança indecorosos.

 

A manifestação popular européia dos três dias de carnaval recebeu, no Rio de Janeiro, o nome de Entrudo.

Pelas ruas desfilavam grupos fantasiados, cantando e tocando, e, entre eles, o Zé Pereira, figura típica do português, tocando bumbo ao lado de grandes bonecos

(gigantões).

Os negros e serviçais do palácio imperial, se apropriando da figura do Zé Pereira, organizavam um bloco de carnaval com bombos, caixas, pratos e os indispensáveis clarins, desfilando pelas ruas do Rio de Janeiro, tocando o Zé Pereira, agora com sotaque brasileiro.

Esta tradição permanece viva até hoje, principalmente em Ouro Preto, Minas Gerais, onde o clube dos Lacaios percorre as ruas da cidade, anunciando a abertura oficial do carnaval, tocando o ritmo do Zé Pereira.

Estes festejos também aparecem na cidade mineira de Mariana e no interior do estado de São Paulo.

Aproveitando a liberação dos costumes, durante o período carnavalesco, foram surgindo por todo o país inúmeros grupos de foliões, que trouxeram para as ruas cantos e toques de suas tradições culturais.

Desta forma, Bantos e Sudaneses as duas mais representativas etnias africanas no Brasil organizaram-se e saíram pelas ruas tocando e cantando em homenagem a seus orixás.

No Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais e principalmente na Bahia, começaram a aparecer os grupos de Afoxé.

Também conhecidos como candomblé de rua, estes grupos, formados unicamente por homens, marcavam a presença africana no carnaval.

Na Bahia, os afoxés Império da África, Mercadores de Bagdá, Filhos de Gandhi, e Pai Burukô, grupo criado por Deoscóredes dos Santos (mestre Didi), marcavam a presença dos terreiros no carnaval de Salvador.

Pelo inevitável processo de aculturação surgiram os afoxés de Índio e de Caboclo que seguiam o modelo africano diferenciando nos cantos e nos trajes.

Os grupos de afoxé foram se adaptando a várias modificações e, com o tempo,

Muitos deles extinguiram-se.

O afoxé Filhos de Gandhi é a representação máxima desta resistência cultural.

A cada ano, aumentando o número de seus componentes, veio criando algumas inovações como o uso de caminhão com amplificadores para voz e percussão.

Originalmente, cantando em idioma africano e com uma formação instrumental composta de *Ilus, Atabaques, Agogôs, Xequerés, tem no ritmo do *Gexá a sua característica principal.

Em Pernambuco, o Maracatu é a representação lúdica de uma corte real africana.

Com toda a sua pompa, luxo e seu ritmo inconfundível ocupam as ruas , desfilando ao som dos tambores aqui chamados *Alfaias, Xequerés e um enorme Agogô.

Este ritmo contagiante tornou-se uma das principais características do carnaval de Recife.

Nas ruas de Belém e de Manaus, os blocos indígenas agora aculturados e a tradição nordestina do Boi deram origem ao maior evento popular do norte do país, que é a festa de Parentins.

O ritmo sincopado do boi com seus variados sotaques disputam a preferência popular entre o Boi Azul e o Boi Encarnado.

Por meio destas e tantas outras manifestações populares a percussão revela a presença rítmica destas três vertentes da nossa cultura.

O Índio, O Branco e O negro.

 

A percussão no candomblé.

Os escravos africanos que vieram para o Brasil eram de várias etnias.

Duas delas se destacaram, Bantos e Sudaneses.

Levadas a várias regiões do país as diferentes nações etno-culturais e suas praticas religiosas foram aparecendo.

Os Gêge, Nagô, Keto, Angola, formaram os terreiros de candomblé, onde a percussão sempre foi um de seus fundamentos.

À medida que vão surgindo os terreiros das diferentes nações a percussão do candomblé sofre algumas influências da cultura do Índio e do Caboclo.

Tomando como exemplo a nação Keto:

O grupo é composto em media por cinco percussionistas que passam por um longo aprendizado ORAL dos toques cantos e danças dedicados a cada orixá.

Esses músicos chamados Alabês são os responsáveis pela percussão que toca nos terreiros e em diversos outros rituais.

Os atabaques utilizados são especialmente preparados, batizados e sacralizados e passam a ter uma importância primordial dentro do terreiro.

Qualquer pessoa que chega a uma festividade no terreiro deve primeiro saudar os atabaques antes de qualquer outro gesto, reza a tradição nagô.

Os atabaques são três;

Rum- atabaque maior com afinação mais grave.

Rumpi- atabaque médio com afinação mais alta.

Lé- atabaque menor com afinação aguda.

De acordo com a nação são tocados com as mãos e às vezes com Aguidavi, (galhos de arvore especialmente escolhidos e preparados para esta função).

No rum (atabaque maior) é comum a utilização do aguidavi somente na mão direita.

Enquanto o Rumpi e o Lé mantêm um ritmo mais contínuo o Rum tem uma execução bastante contraponteada conferindo-lhe assim uma criatividade maior.

Tendo uma função importantíssima e sendo várias vezes quem inicia o toque, o Gam (agogô), uma ou duas campânulas de ferro marca com mínimas variações as células rítmicas correspondentes a cada toque.

O quinto instrumento é o Xequeré, grande cabaça contornada por sementes chamadas de Lágrima de Nossa Senhora fazendo uma marcação bastante linear. As sementes podem ser substituídas por contas e também por conchas como modelos originais encontrados na África.

Com esta formação musical que ocupa um espaço destacado dentro do terreiro dá-se inicio a uma seqüência de toques e cantos que obedecem uma ordem pré- estabelecida tocando de três a sete musicas para cada orixá.

Cada orixá tem seu toque característico.

Exu, Ogum, Oxossi, Ossanha, Obaluaê, Oxumaré, Xangô, Iansã, Oxum, Nanã, Iemanjá, Euá, Obá, Oxalá.No final executa-se um toque dedicado a todos os orixás chamado Avania.

É prática comum, homenagear com toques e cantos orixás de outras nações assim também os Índios e os Caboclos.

 

 

 

 

A percussão dos sinos.

A voz do bronze.

 

Pouco se fala sobre esta forma percussiva que se instala no Brasil desde o seu descobrimento.

Ela se faz presente na primeira missa rezada no Brasil (Porto Seguro 1500).

Desde então em cada fortificação, igreja ou capela construída torna-se obrigatório a instalação de um ou mais sinos usados como meio de comunicação.

As invasões, revoltas, fugas, cerimônias festivas e religiosas, mortes e outros acontecimentos ao longo de nossa historia foram marcados pela presença sonora dos sinos, com seus toques dobres e repiques.

A igreja estabeleceu de uma forma bastante vaga padrões a serem seguidos ao se tocar os sinos, alguns deles obedecidos até hoje.

Um exemplo é o toque de aviso fúnebre.sempre realizado no dia do falecimento.

O dobre dos sinos onde o badalo do sino menor responde em contratempo ao dobre do sino maior.Se o falecido for homem este sinal se repete 3 vezes e se mulher 2 vezes.

São inúmeros toques diferenciados dos sinos, cada um com seu significado específico.

Diversas variações e criações foram aparecendo na linguagem comunicativa dos bronzes que através dos sineiros noticiavam os acontecimentos locais.

Um aspecto curioso e interessante é o de que por ser uma atividade física e às vezes árdua, coube ao escravo a função de tocar os sinos.

Estes escravos guardavam em suas memórias células rítmicas que sempre foram tocadas pelo Gam (Agogô), instrumento sempre utilizado nos ritos religiosos Africanos.(tipo de campânula metálica, primeira forma do sino).

Por uma associação às vezes inconsciente estas células rítmicas de origem Africana foram sendo incorporadas ao toque dos sinos ou seja o toque do Agogô se ouvia no alto das torres.

Em Cuba, Haiti, Porto Rico, Brasil e países onde a mão negra desempenhou esta função estas características rítmicas mostram-se claras diferenciando-se dos toques dos países onde não foram os escravos e seus descendentes os encarregados de repicar os sinos.

Essa linguagem percussiva dos sinos, pode ser ouvida ainda hoje em várias cidades mineiras do ciclo do ouro como Ouro Preto, Mariana, Diamantina e São João Del Rei.

Nesta ultima cidade é de se destacar a riqueza e criatividade dos toques e repiques,

E o surgimento de novos sineiros.

Estes jovens criaram uma série de repiques com características rítmicas lúdicas chamadas;

Batucada- Repique alegre e festivo onde os badalos fazem uma verdadeira batucada.

Batucada Franciscana- Variação da batucada comum com maior complexidade rítmica.

Batuquinho- Semelhante ao repique da batucada sendo mais rápido e mais simplificado.

Renovando e ao mesmo tempo mantendo a tradição da linguagem sineira os ritmos brasileiros são tocados nas torres das igrejas até hoje.

 

 

 

 

 

 

 

Samba.

Quando se fala de percussão brasileira inevitavelmente temos que falar do Samba.

Este fenômeno rítmico ouvido, cantado, tocado e batucado em todo o território nacional.

O samba possui peculiaridades regionais, recebendo vários nomes e apelidos como, Samba de Roda, Samba de Breque, Côco, Bambelô, Tambor de crioula Samba do Recôncavo, Samba duro e muitos outros.

Muito se falou de sua origem, tema de infindáveis discussões mas a contribuição Banto revela-se a mais influente na evolução deste ritmo que se tornou a verdadeira “marca registrada brasileira”.

Entre todas as formas de se tocar o samba , a mais divulgada e copiada aqui e no exterior é sem duvida a das baterias das Escolas de Samba que nasceram no Rio de Janeiro.

A partir dos antigos instrumentos de percussão como os *Adufes, que eram tamborins quadrados com pele animal fixada com pregos e a afinação feita em volta das fogueiras, foram sendo estes instrumentos substituídos pelos atuais tamborins, surdos, caixas, cuícas de aço, de alumínio ou de acrílico.

As peles naturais foram sendo trocadas por peles sintéticas por varias razões,

A necessidade de abater centenas de animais para obter o couro e até a de prever o tempo.

Bastava uma chuva e toda a afinação da bateria estava comprometida.

As soluções oferecidas pelos novos materiais motivaram uma mudança radical na sonoridade final das escolas de samba.

No continuo processo de criatividade, uma série de outros timbres foram surgindo a cada ano.Os agogôs agora com três, quatro ou mais campânulas desenham escalas rítmicas. Um só percussionista toca vários tamborins, através de uma articulação mecânica (árvore de tamborins).Uma variedade enorme de instrumentos de percussão usados em outras manifestações folclóricas passam a integrar esta forma singular de tocar o samba.

Na realidade a performance da bateria de uma escola de samba se torna um espetáculo indescritível.

Formada por vezes de até trezentos percussionistas , divididos em alas com seus instrumentos, Surdos de tamanho e afinação diferentes, Repiniques, Cuícas, Pandeiros, Tamborins, Reco recos, ganzás, Pratos, Agogô, Xique xique, para citar alguns.

A bateria de uma escola de samba é uma grande orquestra percussiva.

Regida por um maestro, o mestre de bateria, que alem de harmonizar todos esses timbres inova com diversas frases e paradas.

É um exemplo da criatividade e talento dos percussionistas brasileiros.

Esta explosão sonora, espetáculo de ritmo, cor e movimento é imperdível.

Créditos – Djalma Corrêa

Palmares 415 anos depois

Solo sagrado de Zumbi celebra 415 anos

João Paulo Farias/Acervo PessoalJoão Paulo Farias/Acervo Pessoal

Religiosos e civis sobem a Serra da Barriga onde viveu o líder Zumbi dos Palmares

Por Daiane Souza

A Serra da Barriga recebeu na madrugada desta segunda-feira (6) cerca de 100 pessoas para a celebração dos 415 anos de fundação e 318 de derrubada do Quilombo dos Palmares. A data que relembra a última batalha do Quilombo alagoano, ocorrida em 1694, foi escolhida pela representação da Fundação Cultural Palmares (FCP) em Alagoas para proporcionar, por meio do projeto De Volta a Angola Janga, a reflexão em torno do racismo e da intolerância religiosa.

Iniciado com uma celebração ecumênica, o encontro marcou a passagem do dia 5 para o dia 6 de fevereiro, especialmente para os religiosos de matriz africana. De acordo com Pai Paulo, presidente da Federação Zeladora das Religiões Tradicionais Afro-brasileiras em Alagoas, nesta noite reafirmou-se a liberdade de culto proibida há 100 anos por uma lei governamental.

Liberdade de culto – “O Xangô voltou a ser rezado alto numa terra onde esse tipo de discriminação infelizmente ainda existe”, explicou Pai Paulo, lembrando que no último 2 de fevereiro, Dia de Combate a Intolerância Religiosa, o governador Teotônio Vilela Filho pediu publicamente perdão histórico pelo massacre de mães e pais de santo ocorrido, em 1912, em Maceió.

De acordo com Pai Paulo, o marco já mostra mudanças importantes. Para citar um exemplo recente de intolerância contra religiões de matriz africana, em dezembro de 2011, a celebração onde são apresentadas oferendas à Iemanjá foi limitada em espaço e tempo na capital alagoana. “Este foi o último fato. Na Serra da Barriga, pela primeira vez nos manifestamos sem medo diante da sociedade”, relata o religioso.

Referência – Para Genisete de Lucena Sarmento, representante local da FCP, as reflexões no contexto da intolerância foram diversas, porém a data precisa ser fixada no calendário negro, como referência de um importante momento da resistência negra na história do Brasil. “Deve ser um momento de encontro com nossos desafios passados e atuais”, lembra.

Durante a subida à Serra da Barriga foram realizadas três paradas onde, a cada uma delas o ator Chico de Assis recitava poemas do ativista Abdias Nascimento e do poeta Jorge de Lima. Jovens do Grupo de Estudos Culturais Vixe Maria e da Pastoral da Juventude do Meio Popular também se apresentaram animando a noite e a recepção no platô do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, onde foi servido o café da manhã.

De acordo com Genisete, a luta do povo negro por justiça e liberdade em busca de uma sociedade verdadeiramente democrática é uma realidade, infelizmente, ainda sem prazo para acabar. “O combate ao preconceito precisa ser uma conquista diária”, pontua, na esperança de fortalecer o debate para as gerações, especialmente as remanescentes de Angola Janga.

João Paulo Farias/Acervo PessoalJoão Paulo Farias/Acervo Pessoal
Momento de reflexão sobre a intolerância contra religiosos de matriz africana

Fonte site www.palmares.gov.br

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